Good girls go bad
2 Hey Buddy
Notas iniciais
Se eu disser que consegui dormir naquela noite, vou estar mentindo. Não dormi sequer um minuto. Confesso que a ansiedade foi a maior causa, mas havia aquele maldito sonho me assombrando, então preferi ficar acordada atirando dardos na árvore que tinha na minha janela.
Quando o relógio da minha cabeceira marcou seis e meia da manhã, eu entrei no chuveiro frio, detesto tomar banho quente, pra mim tem que ser tipo polo norte mesmo. Hummm, primeiro dia oficialmente na empresa, eu tinha que me arrumar adequadamente afinal, seria a primeira impressão do meu chefe, bem... a primeira depois de ter estudado toda a minha vida. Será que vai cair mal se eu perguntar pra ele se ele sabe pra quantos caras eu dei na última festa? Por que eu sinceramente não me lembro.
Coloquei uma calça jeans e meus famosos all star, todos no meu setor sabem de tudo sobre mim, então de que adiantaria colocar roupas formais? Não era dessas empresas que todo mundo passava o dia sufocado em uma gravata ou apertando os quadris em uma saia, Rennan por exemplo, sempre ia trabalhar de regata e calça jeans. A única "regra" quanto as nossas vestes era: Roupa o suficiente para esconder uma arma. Eu amo esse emprego.
Por cima da regata preta e colada, coloquei uma blusa branca que eu mesma havia cortado, haveria um Mickey sorridente encarando todos que olhassem para os meus peitos hoje. peguei minha mochila e fiz um coque desajeitado no alto da cabeça. Eu estava me encarando no espelho quando outra pessoa surgiu no reflexo.
Rennan: Eles crescem tão rápido.- ele falou, me virei e vi que ele fingia limpar lágrimas.
Eu: Abestalhado.
Rennan: Vicky, se importa de ir no meu carro hoje?
Eu: O que há de errado com o meu?
Rennan: Nada, é que eu queria te levar. — ele estava com as mãos nos bolsos e me olhava com orgulho.
Eu: Awnnn que homem mais delicado- apertei suas bochechas e acabei levando um tapa na mão. — tudo bem, tudo bem.
E descemos as escadas.
Rennan: O que tem pro café da manhã? — ele perguntou enquanto eu prendia minha pistola na calça.
Olhei para ele sorrindo e atirei uma maçã. Como esperado, ele a pegou no ar.
Rennan: Inútil. — ele resmungou e eu atirei outra maçã nele. — opa, você vai se atrasar.
Eu: PUTA QUE PARIU! — gritei — bora, a gente come no caminho.
Rennan: To brincando imbecil, ainda faltam trinta minutos para as oito horas.
Eu: Caralho, Rennan! — ele riu — mas vamos logo.
Ele achou melhor não discordar. No caminho, eu roía minhas unhas sem parar.
Rennan: Ansiosa?
Eu: Claro que não porra.- ele riu de mim e colocou uma música alta e ficou cantando que nem uma drag queen. Não pude deixar de rir daquela cena escrota.
Quem via Rennan de fora, pensava que era um ex-presidiário ou sei lá o que. Ele era muito alto, forte e todo tatuado ( tal pai, tal filha ) e tinha o cabelo negro raspado, olhos azuis cor de gelo e um buraco de piercing na sobrancelha direita, ele tirou o objeto por exigência da mulher.
Rennan: Tá olhando o que porra? — opa, encarei demais
Eu: To imaginando você de vestido e peruca com esse som ao fundo.
Rennan: HAHAHAHAHA te fode !
E nós dois ficamos rindo até eu começar a ver a entrada do prédio. Ele desligou o som.
Rennan: Você quer que eu te deixe na esquina? Para ninguém nos ver entrando juntos? — ele fez uma voz falsa de pai preocupado.
Eu voltei a rir.
Eu: Seria uma boa ideia, mas não quero andar tanto agora.
Rennan: Droga, agora todo mundo vai ver a gente entrando juntos. — soquei seu braço de leve.
O prédio era lindo, não era tão alto e estava cheio de gente esquisita entrando e saindo, uma coisa que eu amo na agência é que eles não ligam para o que você é, só querem que faça seu trabalho bem, e não julgam pela aparência, em que outro lugar do mundo um cara cheio de tatuagem e palavrões como Rennan poderia ser o braço direito do chefão? Só em alguma máfia. Eu pensava nisso enquanto caminhávamos rumo aos elevadores ( que eram muuuuitos)
Rennan: Olha, o Erick já deve estar esperando. — Erick era o grande chefe até então desconhecido para mim.
Olhei no relógio do painel, oito em ponto.
O elevador parou em todos os andares sem exceção, e sempre saía e entrava gente. Finalmente, no décimo quinto andar ( o último) , Rennan me guiou para fora do elevador e começamos a passar por corredores, a cada sala que nós passávamos eu ouvia um " bom dia Sr Winters" ou " Grande dia, Sr Winters" , Rennan piscava e acenava para as pessoas enquanto eu o encarava incrédula.
Eu: Poxa, tu é dos populares.
Ele piscou para mim.
Eu: Posso andar contigo no recreio? — Então ele riu alto e paramos na frente de uma sala.
Rennan olhou para mim mais uma vez, como se procurando permissão, assenti para ele. Ele sorriu e abriu a porta sem bater.
PUTA QUE PARIU
Na nossa frente, se estendia uma sala linda PRA CARALHO, com uma janela que ia do teto até o chão e vista até o infinito, havia uma mesa com lugar para oito pessoas no canto da sala e no centro uma escrivaninha gigante, cheia de papéis, canetas, armas e o caralho a quatro. No outro canto da sala, grudado na parede, havia um balcão cheio de coisas que eu nunca vi em cima, eu estava doida para passar a mão naquilo tudo, então um pigarro me chamou de volta para a realidade.
Atrás da escrivaninha, havia um homem, que eu não tinha reparado antes, ele devia ter uns cinquenta anos, tinha cabelo grisalho e bagunçado, olhos azuis frenéticos e vestia uma blusa de manga. Ele analisava uma folha de papel com tanta velocidade que eu quase não acompanhava seus olhos.
Rennan: Vicky, esse é o Sr Erick. — ele falou depois de pigarrear. O homem parou o que estava fazendo e olhou para mim.
Erick: É um imenso prazer conhecê-la Victoria, você lembra muito seu pai, se me permite dizer. — Ele sorriu revelando dentes perfeitamente brancos e alinhados
Não permito porra nenhuma. Cerrei os punhos mas forcei um sorriso.
Eu: É muito bom conhecê-lo também.
Ele se levantou.
Erick: Creio que esteja preparada para sua primeira missão.
Assenti com a cabeça.
Rennan: Vicky, se estiver tudo bem, eu preciso ir agora.
Eu: Tudo bem, Rennan, pode deixar que eu me viro.
Rennan piscou para mim, sorriu para Erick e saiu da sala.
Erick: Pode se sentar, por favor. — e nós dois sentamos em um sofá que eu não havia reparado, perto da porta.
Erick: Então Srta, ouvi dizer que você foi a melhor caloura esse ano.
Sorri desconfortável para ele.
Erick: Por isso pensei que estivesse totalmente preparada para essa missão. — ele fez uma pausa para me oferecer um sorriso e logo continuou- Não sei se você ouviu falar, mas há boatos de que há uma nova droga rodando pelas faculdades daqui.
Claro que eu já ouvi falar, e estava louca para experimentar. Comecei a me animar antes mesmo dele continuar.
Erick: Nós não íamos fazer nada em relação á isso, mas recebemos um chamado especial do FBI e... — mas ele foi interrompido.
!: Caralho, eu não consigo achar a merda do meu distintivo. — escutei alguém falar e a porta bater logo em seguida, me virei pra ver quem era o excomungado que estava atrapalhando meu primeiro encontro com o chefe e.... meu mundo parou.
CARALHO, que cara lindo! foi a primeira coisa que eu pensei assim que o vi, ele tinha parado de falar e me encarava também. Estava usando uma regata que deixava seus músculos de fora, tinha os olhos iguais aos de Erick, cabelos negros e sedosos, molhados e bagunçados , e meu Deus, aquela boca.... rosada e perfeitamente proporcional. Acho que se demorasse mais um segundo olhando para ele, eu ia começar a babar, então desviei o olhar para Erick.
Erick: Está se referindo a este distintivo, Lucca? — ele falou com o objeto na mão e o atirou na direção do rapaz.
Lucca: Porra, pai, se sabia que estava aqui por que não me disse?-Ele agarrou o objeto no ar, mas continuava olhando para mim.
meu mundo parou novamente.
PAI?
CARALHO.
Espero não ter arregalado os olhos nem nada do gênero
Erick: Queria ver você procurar. — disse o homem com um sorriso.
Lucca então pareceu acordar do transe e sorriu.
Lucca: hummmm, essa é a novata de que você estava falando. — impressão minha ou ele piscou para mim? Eu não posso flertar com ele, pensei dolorosamente, virei o rosto e encarei meu chefe.
Erick, percebendo o que o filho estava fazendo, se pronunciou.
Erick: Sim, e ela é a melhor, fique longe. — É melhor mesmo. trabalho longe de vida social por favor.
Lucca: hum, vai ser difícil. Ela que vai cumprir a tal missão?
Erick: Eu ainda estou tentando falar com ela sobre isso, filho.
Lucca: Então, acho que seremos parceiros. — ele falou, ignorando o pai e se dirigindo a mim — Prazer, Lucca. Eu sou o herdeiro desta porra toda — ele estendeu a mão. Parceiros?
Ah, acredite, o prazer é todo meu, estendi a mão e apertei a sua.
Eu: Victoria, a minha única herança é o piercing que meu pai não pode mais usar. — Ele riu do que eu falei e soltamos nossas mãos.
Erick pareceu mais aliviado e convidou Lucca para sentar conosco.
Erick: Então, como eu estava dizendo, Vicky, eu me esqueci de mencionar que nesta missão você precisará de um parceiro, eu ainda estava vendo quem iria com você mas visto que Lucca está tão disposto a tomar esse lugar, vou ver se coloco vocês como parceiros. — Lucca imediatamente abriu um sorriso. — mas não é nada definido, não é só por que você é o meu filho que pode fazer tudo por aqui, Lucca.
Tive quase certeza que ouvi um " Vai nessa" saindo da boca do rapaz.
Eu: Mas de que se trata a missão?
Erick: Como você é uma menina jovem, é perfeita para trabalhar infiltrada neste caso, nós vamos disfarçar vocês e... — ele foi interrompido novamente, desta vez , pelo toque do próprio celular. — sinto muito, é uma ligação importante, tome, aqui neste documento você entenderá tudo que precisa saber, se tiver dúvidas podemos conversar novamente depois. Com licença. — e atendeu o celular se afastando de nós. Peguei o envelope que ele tinha me dado e estava pronta para me levantar.
Lucca : Ei, pera aí, temos que revisar os pontos juntos.
Eu: Pensei que você já sabia do que se tratava.
Lucca: Nunca me infiltrei em uma república antes, realmente vou precisar ler esse documento.
REPÚBLICA?
Eu: A gente vai para uma república?
Lucca: Como acha que vamos descobrir sobre a tal droga? Estou louco por esta missão. — e deu um sorriso indecente, o qual ,devo confessar que acompanhei.
Caralho que foda, uma república. Eu estava a ponto de abraçar o gostoso na minha frente só de alegria.
Erick: AQUELA PUTA! — ele gritou no telefone.
Lucca: Manda um beijo para mamãe. — ele falou para o pai e eu não pude deixar de rir. — vem, é melhor a gente fazer isso em outro lugar.
E ele pegou minha mão e me puxou para fora da sala. Ah okay, vamos para onde você quiser.
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