Good girls go bad
6 Crazy Tatoo
Notas iniciais
Caralho.
Foi a primeira coisa que pensei quando abri os olhos e a ressaca me atingiu como uma bala. Meu quarto estava escuro e eu não fazia ideia de que horas eram, já devia ser o final da tarde. Peguei meu celular e tentei me arrastar para fora da cama, óbvio que não deu certo e eu caí de cara no chão.
Eu: Porra. — gemi, mesmo sabendo que ninguém estava me escutando. Eu não tinha motivos para sair do chão, então fiquei por lá mesmo. Liguei meu celular e fiquei cega por alguns segundos por causa daquela maldita luz. Caralho.
Três chamadas e uma mensagem, todas elas de Anna.
Anna- vc deve estar com algum cara, liga qnd puder, preciso saber como acabei acordando na minha cama hj. xoxo.
Eu devo? olhei em volta mas não tinha sinal de ninguém no meu quarto. Menos mal. Me arrastei até o banheiro, tirando a roupa pelo caminho, entrei na banheira e liguei a torneira gelada nas minhas costas. Que sensação maravilhosa.
Liguei para Anna e coloquei no alto falante enquanto esperava o resto da banheira encher.
Anna: Que demora, quantos eram?– Ela atendeu no primeiro toque.
Eu: Quantos eram o que caralho?– Eu mal acordo e a piranha já vem falar em código.
Anna: Os caras né. Para demorar tanto assim para acordar devem ter sido uns cinco.
Eu: Anna , Ressaca. Ressaca , Anna. Estão apresentadas.
Anna: Já vi que não foram muitos, se não o humor estaria melhor. Mas me conta, do que você lembra de ontem?
Eu parei para pensar naquele momento, e como sempre acontecia durante as minhas ressacas, as memórias vieram em flashes e eu sabia que ia demorar um pouco para as lembranças fazerem sentido.
Eu: Por enquanto não muito, e você?
Anna: Te vi subir ontem com o David, sabia que vocês iam se pegar de novo– Verdade, peguei o David, puta ruivo gostoso. — Lembro de ter ido para o banheiro com dois caras, infelizmente não ao mesmo tempo mas depois eu só lembro de um cara que queria me apresentar para a família e da gente voltando para casa com um gostoso dirigindo.
Eu: Gostoso dirigindo? — Dei um tapa na minha própria testa.
E lembrei do rosto de Lucca.
Puta que lambeu, as memórias de ontem fizeram todo o sentido do mundo para mim. A água começou a transbordar e eu fechei a torneira.
Eu: Anna, se importa de eu ligar depois? Ressaca do caralho.
Anna: De boa, mais tarde a gente se fala, quero saber se David continua gostoso mesmo …beijinhos!
E eu desliguei. Afundei a minha cabeça na água, fazendo com que ela transbordasse ainda mais, e deixei as lembranças fluírem livremente. Ele me trouxe até em casa, e me colocou na cama. Qual é a desse cara? Não basta ser o filho gostoso do chefe e um maníaco perseguidor, tem que ser babá de bêbados também?
Me lavei, melhorando um pouco a ressaca e então me dei conta que havia esquecido a toalha, porra .Ah cara o banheiro já estava todo molhado mesmo, foda-se. Me levantei e fui até o closet ( que era do lado do banheiro) e vale ressaltar que eu fui correndo pois estava morrendo de frio ( sim, senhoras e senhores, esta porra é uma agente secreta) E quando finalmente alcancei a toalha ( juro que poderia me casar com ela aqui e agora) eu percebi que não estava sozinha no closet, saquei uma pistola que estava debaixo de uma blusa próxima e apontei para onde eu tinha sentido algo estranho.
Lucca: Tatuagem foda. Como tu teve coragem de chegar em um tatuador e pedir pra ele fazer ela aí? — Ele sorria, sem se abalar com a minha arma.
Lucca estava sentado no banquinho que eu usava para me maquiar e estava bebendo alguma coisa direto de uma latinha. Seu sorriso indecente era inconfundível.
Eu: O que porra você está fazendo aqui? — falei, ainda com a arma apontada pra ele.
Lucca: Eu gosto das selvagens, mas abaixa a arma por favor? Não quero levar um tiro antes de poder ver novamente tua tatuagem.
Esperei até que a minha respiração voltasse ao normal para abaixar a arma. Eu ainda estava de toalha e ele com certeza viu quando eu entrei correndo toda molhada e nua, que ódio.
Lucca: Gostosa. — ele piscou para mim e tomou outro gole. — Eu fiquei por aqui ontem, você lembra?
Eu: Lembro. Mas por que exatamente você ficou?
Lucca: Aqui tem comida e você, por que exatamente eu iria embora?
Eu: Para não me ver correndo pelada? Sabia que isso é assédio sexual?
Lucca: Me processa.
Revirei os olhos e peguei uma roupa.
Lucca: Ei, onde você vai?
Eu: Me trocar em algum lugar que não tenha um maníaco me olhando.
Lucca: Essa é a hora que você fica insegura por que eu vi o seu corpo inteiro e diz ” Ai, Lucca me possua” — ele afinou a voz na última frase.
Eu: Acho que não.
E fui me trocar no banheiro, regata e shorts, nada de mais. Saí do banheiro secando o cabelo com a maldita toalha e tive o segundo susto do dia. Lucca estava pelado na minha cama.
Ele estava pelado na minha cama.
Pelado.
Na minha cama.
Na porra da minha cama.
Eu falei que ele estava pelado?????
Eu: QUAL O TEU PROBLEMA? — gritei e atirei minha toalha para cobrir.. você sabe o que.
Lucca: Achei que seria justo, já que eu te vi pelada e sabe como é, né… — ele ria alto enquanto eu lutava pra parar de arregalar os olhos.- olha eu também tenho uma tatuagem exótica. — e ameaçou tirar a toalha de lá, mas eu gritei antes.
Eu: CARALHO, VOCÊ É MALUCO.
Lucca: Diz que não gostou. — e colocou um dedo na boca, piscando para mim.
Puta merda, eu não acredito que tô rindo disso.
Eu: O que eu fiz pra merecer isso?- falei, pegando a cueca dele e jogando do seu lado.
Lucca: Quer que eu faça uma lista?- ele perguntou, tirando a toalha para vestir a cueca.
Eu:Você é doente.
Lucca: já ouvi isso antes.
Revirei os olhos e desci as escadas, tendo certeza de que ele ia me seguir. Dito e feito.
Ele já tinha colocado a caça jeans, mas ainda não tinha fechado o zíper, o que deixava sua cueca box preta aparecendo. E estava sem camisa… Gostoso… Maníaco, mas gostoso… Gostosíaco… Anh? Acho que ainda não voltei totalmente para o meu normal.
Lucca: Dá pra parar de encarar? estou ficando constrangido. — ele falou e jogou a latinha que estava em sua mão no lixo.
Tomei meu remédio para dor de cabeça ( lê-se: ressaca) e peguei a chave do carro.
Eu: Vou te levar em casa.
Lucca: Posso ficar aqui pro resto da vida.- ele respondeu, pegou cereal no armário e sentou no meu balcão enquanto comia. Eu fuzilei ele de um jeito que ele se levantou e me seguiu.
Eu: Cadê sua blusa? — Perguntei quando já estávamos na porta. Ele fez questão de parar bem atrás de mim antes de responder.
Lucca: Pode ficar com ela de lembrança.
Eu não mereço esta porra. Peguei uma blusa velha que estava no meu sofá e joguei nele.
Lucca: Essa blusa não é minha. — Olhei confusa para ele.
Eu: Nem minha — dei de ombros.
Lucca: É melhor que não seja do ruivo. — e colocou a blusa.
Tranquei a porta assim que ele saiu, e fui andando na frente dele.
Eu: O que você tem contra ruivos?
Lucca: Eles conseguem o que querem de qualquer mina. — Não pude deixar de concordar. Entramos no carro..
Claro que ele foi se mexendo e falando no caminho inteiro. Minha cabeça já estava a ponto de explodir, a porra da ressaca fazia a voz dele perfurar meus tímpanos, apesar de ela não ser aguda.
Eu : Lucca , você não tinha ficado sem graça ontem quando disse que eu podia me apaixonar?
Isso calou a boca dele , ponto para mim.
Lucca : No início , sim. Mas aí lembrei que sou irresistível.
Ponto para ele, droga.
Lucca: É na próxima rua. — ele falou e eu entrei no local indicado.
Havia um muro enorme e branco bem na nossa frente. Lucca acenou para o porteiro e sussurrou algo que era para ser ” ela tá comigo” mas que soou mais como ” to pegando”. O homem abriu o portão e nós entramos.
Caralho que lugar foda! Era um condomínio gigante com muitas casas enormes. Ele teve que me guiar pelas ruas fodasticamente ricas, acho que se eu deitasse naquela grama, seria mais macia e limpa do que minha própria cama.
Então eu vi Erick checando a caixa de correio na frente de uma mansão.
Erick Chase pegando a correspondência. Que sinistro, digo, ele sempre pareceu um robô para mim, não imaginei que ele faria ações tão humanas como pegar cartas e acenar para a vizinha.
Eu: Lucca, desce do carro aqui.
Lucca: Mas a casa é logo ali. — ele olhou para frente e apontou. Então avistou o pai, entendendo o motivo de eu pedir para que ele descesse longe.
Parei o carro e um maldito sorriso iluminou seu rosto.
Lucca: Eu pensei que você não ligasse para o que os outros pensassem de você. — Ele falou colocando as duas mãos no painel, e pela primeira vez eu reparei o que ele tinha tatuado lá, com uma letra em cada dedo ( exceto os dedões), demorou um pouco para a frase fazer sentido para mim ” HOLY SHIT” ( que era exatamente o que eu estava pensando no momento). Confesso que babei por alguns segundos, então voltei para a realidade.
Eu: É meio difícil não ligar para o que meu chefe pensa de mim.
Lucca: E com o que eu penso de você?
Olhei irônica para ele.
Eu: Te enxerga.
Então ele fez o pior que podia ter feito, abriu a janela e gritou.
Lucca: BOM DIA, PAI.
EU MATO ESSE FILHO DA PUTA.
Liguei o carro e andei até onde Erick nos olhava confuso. Lucca desceu do carro e , sem saída, eu desci também.
Erick: Perdi alguma coisa?
Eu: Não!
Lucca: Sim! — falamos ao mesmo tempo.
Erick lançou um olhar meio ... Erick Para nós dois, Lucca já parecia estar acostumado com aquilo, mas eu não estava, foi sinistro. Claro que o idiota continuou falando.
Lucca: Você não vai acreditar onde a vicky tatuou uma….
Eu: BONITA A CASA, ERICK! — gritei desesperada e Lucca começou a rir. Esse garoto tem merda na cabeça?
Meu chefe me olhou, assustado.
Erick: O que exatamente está acontecendo?
Lucca: Na verdad….
Eu: Nada importante!
Lucca: Para de me cortar porra!
Eu: Não é teu emprego que tá na bandeja. — resmunguei, mas foi alto o suficiente para ele ouvir.
Lucca: Você acha que eu ia causar esse tipo de problema para você? — ele perdeu um pedaço do seu sorriso.
Esse cara é bipolar ou o que?
Eu: Por que você se importaria com isso?
Erick olhava para mim e depois para o filho, como se estivesse vendo um jogo de ping pong.
Lucca: Eu cuidar de você ontem não foi o suficiente para provar que ligo?!
Desde quando esta porra virou uma novela mexicana?
Eu: Você me conheceu ontem! ONTEM! não vem com esse papo de que se importa comigo.
Lucca: Beleza, eu não me importo tanto assim. Mas é o suficiente para QUERER O BEM DA MINHA PARCEIRA CARALHO.- ele jogou as mãos para cima.
Eu: Ah claro, você está me perseguindo só por que eu sou A PORRA DA SUA PARCEIRA.
Erick: Você perseguiu ela?
Lucca: Vicky para com isso! — falou, ignorando o pai.
Eu: PARAR COM O QUE, CARALHO?
Lucca: De acha que ninguém se importa contigo, só por que tua mãe te abandonou.
Aquela frase me atingiu mais do que eu gostaria de admitir.
Mesmo sem querer, ele pegou pesado. A minha história ” oficial” dizia que minha suposta mãe me deixou assim que nasci e fugiu com outro cara, e Rennan, como meu pai, me criou sozinho. Ele não fazia ideia de como era a verdadeira história, mas naquela hora, eu vi a minha mãe verdadeira me deixando. Ela e meu pai fechando a porta e nunca mais voltando.
Por que caralhos ele tinha que falar da minha família?
Quem deu permissão para ele achar que pode se importar comigo?
É por isso que não se deve misturar trabalho com vida pessoal.
Eu: Já chega, Lucca. — falei séria.
Então ele percebeu a merda que fez.
Lucca: Vicky, eu não quis dize…
Eu: Está tudo bem. — interrompi. — Agora que está em casa, eu vou voltar.
Eu estava voltando quando ele segurou a minha mão.
Erick: Lucca, deixe ela ir. — ele falou antes que Lucca tivesse chance de se pronunciar.
Então ele me soltou e entrei no carro. Eu só queria sair dali, como um dia que tinha começado estranho podia acabar mais estranho e escroto ainda?
Antes que eu fechasse a porta, eu escutei Erick falar:
Erick: Lucca, você está fora da missão.
E eu não sabia se isso era uma boa ou má notícia.
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