Good To You

28 Shattered


Demi's POV

– Para onde vocês estão me levando? – perguntei aos três que tinham acabado de me sequestrar e não obtive nenhuma resposta.Tudo estava bem. Muito bem, já era de se estranhar. Eu e Taylor tinhamos feito compras no shopping e a mãe de Selena estava indo para Los Angeles sã e salva, sem nenhum arranhão. Hanna tinha sido esperta o bastante para descobrir que algo estava errado e resolveu agir, ela realmente não estava para brincadeira e nunca imaginei que ela pudesse me sequestrar. Eu não tinha derramado mais nenhuma lágrima, não poderia me demonstrar fraca para Hanna. Eu tinha que ser forte, ficar forte, provar para mim que eu conseguiria passar por aquilo. Anos sendo rica e nunca ninguém me sequestrou, porque logo agora? Essa pergunta atormentava meus pensamentos e só havia uma resposta totalmente certeza — Hanna tinha mandado me sequestrar. O ''carro'' era um tipo de van totalmente preto e os vidros da mesma cor. Eu não conseguia ver nada que havia do lado de fora e assim eu não sabia para onde eu estava indo. Dentro dele, cheirava a queijo vencido e em um canto observei uma grande quantidade de facas. Engoli seco e tentava ao máximo evitar contato visual com aquele três homens mal encarados que me olhavam apenas pelo buraco na parte dos olhos que havia na máscara.

Depois de algum minutos naquele carro fedorento, nós paramos bruscamente em um local. Eu esperava por uma cabana no meio da mata, mas não. Era uma grande casa com um muro enorme acompanhado de uma cerca elétrica totalmente perigosa que ninguém ousaria tentar passar por cima, óbvio. O portão era preto e havia uma placa escrito ''cão bravo''. Parecia uma residência comum. Não conhecia o bairro, mas tinha certeza que nós ainda estávamos em Dallas pelo fato de não termos demorado muito tempo para chegar lá. A rua estava deserta e não havia sequer um carro nela, a não ser o nosso. Dois homens me seguraram pelos braços me levando até dentro da casa e o restante nos acompanhou por trás por precaussão, mas nem ao menos se passava pela minha cabeça tentar fugir; eu provavelmente me ferraria. Ao entrar na casa, tudo mudou pois as paredes eram totalmente pretas, era um lugar obscuro e totalmente sombrio. Senti um arrepio tomar conta de meu corpo ao ver uma enorme cadeira que parecia daquela de tortura que nós vemos em filmes de terror.

– Vocês vão me colocar aí?

– Pare de perguntas, garota estúpida. – um deles falou com uma voz grossa que aumentou mais ainda meus arrepios.

– Eles não vão, eu vou. – uma voz feminina falou. Virei-me para trás observando Hanna descendo as escadas com um vestido preto.

– Qual é a sua, Hanna? Eu sabia que você era um pouco gótica, mas não sabia que levava tanto a sério... – ri debochada e Hanna levantou uma de suas mãos com o punho fechado e um dos homens me deu um soco na barriga.

– Se eu fosse você, não tentava bancar a durona, pois se tem uma coisa que você não é, é isso. – ela já estava próxima de mim e os dois ainda me seguravam, o outro apenas observava. – Rapazes, coloquem ela na cadeira.

Com o ''pedido'' de Hanna, eles me colocaram na cadeira e me amarraram com umas cordas que haviam lá, nos braços e também nas pernas. Em menos de um minuto, meus pulsos já doíam pelo fato da corda estar totalmente apertada.

– Podem ficar lá fora. – ela ordenou e eles saíram da sala. – Demi, Demi... vamos ver o que eu farei com você. – olhava para mim maliciosa.

– Nada, pois eu não cederei. – falei firme.

– Sob uma faca em seu pescoço, aposto que sim. – ela insistia.

– Hanna, você quer me matar? Vá em frente. – blefei. – Não vai rolar nada, a não ser que do nada você se torne Selena, pois é somente ela que eu desejo.

Hanna encarou-me por alguns segundos, até que estapeou minha cara com dois tapas.

– Você está me provocando. Como ousa em falar em Selena na minha cara?

– SELENA, SELENA, SELENA! – dessa vez eu gritei.

Ela saiu furiosa da sala e depois de alguns minutos voltou com uma faca em suas mãos. Agora, eu realmente estava assustada pois parecia que Hanna iria além se eu não cedesse, mas eu teria que ser forte, por Selena. Era ridículo ser fraca a ponto de ficar com alguém mesmo contra sua vontade e gostando de alguém; quando eu fiquei com Hanna drogada eu fiquei sentindo-me culpada e fraca por ter acreditado nela, afinal, eu bebi uma bebida que Hanna ofereceu.

– Você vai fazer o que eu mandar, se não você sabe o que vai acontecer depois. – ela falou com a faca em meu pescoço.

– Pode cortar. – falei naturalmente e Hanna deu um leve corte em meu pescoço, porém tinha doído e eu tentei não gritar.

– Certeza?

– Você é louca, garota. Precisa de tratamento, você não é normal nem ao menos humana. Vá em frente, me mate e carregue a culpa por toda a sua vida. Você vai estar matando a garota que diz que ama. – eu já estava suando frio e entre nós duas ficou um vácuo, até que Hanna jogou a faca no chão e começou a chorar.

Hanna ficou daquele jeito por alguns minutos enquanto eu tentava arranjar um jeito de me soltar, mas parecia impossível, já que as cordas estavam muito apertadas. Meu maior desespero era quando eu pensava como alguém iria me achar naquela casa totalmente longe de tudo que eu já vi e eu já pensava o pior. Várias pessoas eram mortas por dia em Dallas e eu seria mais uma.

– Me solte, Hanna! – gritei, porém não obtive nenhuma resposta. Vendo por esse lado, Hanna não parecia ser tão forte assim.

– Não vou te soltar. Você vai passar a noite assim e espero que mude de ideia de manhã. – ela falou depois de alguns minutos e levantou-se do chão, logo depois subiu as escadas.

Seria horrível passar a noite naquela situação, mas eu teria que arranjar um jeito de me soltar ou apenas esperar para que alguém conseguisse me salvar, porém eu não contava tanto com isso. Depois de vários minutos que Hanna tinha subido as escadas, eu fiquei sozinha na sala e tentei me soltar novamente, mas em vão. Acabei adormecendo contra a minha vontade e acordei várias vezes durante a noite, nunca tinha dormido tão mal.

– Bom dia! – Hanna acordou-me com uma bandeja contendo um sanduíche e um suco que aparentava ser de laranja.

– É, bom dia. – falei totalmente desanimada.

– Aqui está seu café de manhã. – ela ainda segurava a bandeja.

– Como eu vou comer? – perguntei. Estava com meus braços amarrados e não tinha nenhum jeito.

– Vou dar em sua boca. – respondeu.

– Eu não quero, quem garante que não há algum veneno, sei lá, droga aí? – desviei o rosto.

– Você vai comer sim, se não vai morrer de fome. Não banque a difícil Demetria, não banque. – Hanna pegou o sanduíche e levou em direção a minha boca. Eu estava com fome, era verdade e acabei dando uma mordida. Dei três mordidas e disse que não queria comer mais, porém Hanna insistiu e acabei comendo todo o sanduíche. Logo depoi de ter terminado de comer, ela insistiu para que eu tomasse todo o copo de suco e eu bebi. – Doeu? – perguntou-me com ironia.

– Não. – respondi no mesmo tom.

– Hanna, eu preciso ir ao banheiro, você tem que me soltar.

– Acho que você aguenta mais um pouco... – ela falou e eu apenas suspirei.

Comecei a sentir um formigamento em meu corpo e também a ver tudo embaçado. Não estava tão ruim quanto o dia que Hanna drogou-me em seu apartamento, porém eu achava que era algum tipo de droga calmante, até porque eu não desmaiei, só observei Hanna me desamarrando. Eu tentava fazer alguma coisa, porém estava fraca e acabei sendo carregada para outro lugar e aquilo estava começando a me irritar.

Notas finais
Reviews?