Good To You
26 Dangerous
Notas iniciais
Demi's POV
Na noite anterior tudo tinha ocorrido bem quando eu contei a Selena sobre tudo. Taylor realmente tinha me convencido a fazer aquilo e todos os conselhos que ela me deu foram essenciais. Ela me disse que Selena iria entender e que iria ficar grata se eu contasse, e foi o que aconteceu. Tenho quase certeza que se eu não contasse, Selena iria brigar comigo e tudo estaria perdido, então fiz o certo e ainda ganhei pontos com ela. Seria difícil ter que ficar com Hanna pelo menos por alguns dias e me dava nojo quando eu pensava que já tinha beijado aquela boca nojenta dela algumas vezes, vezes que eu pensava que tudo com Selena estaria perdido e vezes que eu achava que ela era uma boa pessoa. Realmente as pessoas falam que as aparências enganam e que nós devemos tomar cuidado nas pessoas em que escolhemos confiar. Eu não tive cuidado.
Acordei com inúmeras ligações seguidas de Hanna, e sim, eu estava evitando-a até decidir o que fazer, mas que tudo já estava decidido, eu não podia mais ignorá-la e teria que interpretar meu papel.
– Alô? – falei.
– Bom dia, Demi. – Hanna falou com a voz suave. – Pensei que nunca me atenderia.
– Bom dia. Bom, não foi um bom horário pra você me ligar, pois eu gosto de dormir pela manhã... Mas tudo bem. – falei.
– Ah, qual é, tem que acordar cedo. – riu baixo. – Você vai parar de me evitar?
– Vou, né. Você está me chantageando, se eu não parar, você irá fazer coisas ruins.
– Considere isso como um prêmio. Podemos nos encontrar hoje?
– Aonde?
– Em minha casa, as 14:00. Tudo bem?
– Tudo, nesse horário eu passo aí.
– Ótimo então. Tchau, Demi. – Hanna falou e desligou.
Revirei meus olhos em resposta e afoguei minha cabeça em meu travesseiro. Minha raiva por Hanna estava enorme, ainda mais pelo fato dela ter me batido. Minha vontade foi de revidar na hora, porém não queria apanhar mais ainda. Não me considerava muito forte. Qualquer consideração por ela que eu tinha, tinha se esvaído rapidamente. Já com Selena era diferente. Óbvio que ela quebrou meu coração em mil pedaços, mas estava juntando-os novamente aos poucos e toda a confiança que eu tinha perdido por ela, estava sendo conquistada de novo. Ela estava diferente comigo e eu tinha certeza que ela realmente gostava de mim. Era cedo pra falar de amor pois eu acho que a gente deve falar que ama uma pessoa somente quando tem certeza, e eu não tinha muita, lógico que eu pensava que a amava pois o sentimento que eu sinto é muito grande e intenso, mas ainda é muito recente. Somente irei ter certeza na hora certa e creio que Selena também, já que ela é mais fechada em relação a sentimentos do que eu.
Desci as escadas a casa estava vazia. Meu pai tinha ido trabalhar e minha mãe e minha irmã provavelmente tinham ido a algum lugar e não me chamaram porque não queriam me incomodar, normal. Bebi um copo de leite e me joguei no sofá, esperando dar a hora do ''encontro'' com Hanna. Ainda estava cedo, e eu estava morrendo de preguiça de fazer alguma coisa. Liguei a televisão e comecei a assitir um filme, porém acabei dormindo. Acordei assustada com minha mãe perguntando se eu queria almoçar.
– Demi? – minha mãe cutucou-me e eu olhei pra ela assustada.
– Oi, que susto meu. – falei e ela riu.
– Vai querer almoçar?
– Não, não, que horas são? – perguntei.
– Já são 14:00. Se você mudar de ideia, o almoço está pronto.
– Merda. – levantei-me rapidamente do sofá e minha mãe olhou sem entender.
Subi as escadas voltando pra meu quarto e tomei um banho rápido. Prendi o cabelo e coloquei um óculos escuro, junto com uma calça jeans clara e uma regata branca. Joguei uma camiseta xadrez rosa com branco por cima e calcei um par de botas marrom. Saí de casa com meu outro carro e fui até o apartamento de Hanna. Quando cheguei lá, o porteiro mal me reconhecia pelo fato de eu estar meio ''simples'' pois quando eu andava com Hanna, usava umas roupas extravagantes e escuras, porém depois de ver que era eu, me deixou entrar. Fui até ao apartamento de Hanna, 408 e bati na campainha não demorando muito para ser atendida pela mesma.
– Olá Demi, pode entrar. – falou e eu entrei.
Hanna guiou-me até a sala de estar dela e nós nos sentamos no seu grande sofá preto, como quase tudo que havia ali. O apartamento de Hanna era bem moderno e bem bonito, haviam várias coisas caras e eu pensava como que Hanna conseguia tudo aquilo. Me perguntava se era com as drogas, com qualquer outra coisa ruim ou se os pais dela que davam. Não ousei em perguntar.
– Desculpe por ter batido em você aquele dia. – falou com a voz baixa. – Quando eu uso drogas, fico muito irritada e foi o que aconteceu.
– Tudo bem. Você não se drogou ainda?
– Ainda não.
– Você deveria parar. Tem feito com que você faça muitas besteiras. – dei uma indireta. Poderia persuadir Hanna a parar com a chantagem, uma parte de mim me dizia que bem no fundo havia uma pessoa boa.
– Eu não consigo parar e nem quero. Em relação as besteiras, está fora de cogitação. É meu nome do meio, eu só consigo as coisas fazendo merda. – ela riu. – Eu fui boa pra você e você fez o que? Trocou-me pela Selena. – deu de ombros. – Ser boa é uma merda, as pessoas só pisam em você.
– A gente não escolhe de quem gosta, Hanna. Só quero que saiba que me ameaçar não vai fazer com que eu goste de você, sinto muito. Só estou aqui pois você está fazendo uma chantagem, caso contrário nós nem nos falaríamos. – tentei parecer firme enquanto falava e Hanna me olhava como se quisesse me bater, estava trazendo a fúria dela de volta sem perceber, porém não poderia deixar aquilo engasgado.
– Tudo bem, é sua opinião. – sorriu fraco e demonstrei alívio por não levar um soco. – Vamos beber alguma coisa?
Hanna pegou uma garrafa de whisky e dois copos, enchendo os dois na mesma quantidade. Me deu um e ficou com outro. Bebi um pouco do whisky enquanto observava Hanna fazendo o mesmo. A cada golada que eu dava, meu corpo implorava por um pouco mais de whisky e quando percebi, a garrafa já estava vazia. Meu corpo estava trêmulo e ao mesmo eu sentia uma euforia extrema como de quando eu usava drogas. Eu estava fraca, e observei Hanna rindo de mim e também comecei a rir. Comecei a falar coisas aleatórias e Hanna aproveitou para jogar-me contra o sofá e depositou vários beijos em meus lábios. Eu apenas retribuía e quando fui ver, já estava sem roupa. Acordei totalmente nua e havia um lençol branco pelo meu corpo. Hanna não estava presente e eu levei uma mão até minha testa; minha cabeça doía. Levantei-me do sofá e procurei por um relógio que marcava exatas três horas da manhã. Me assustei com o horário, eu tinha dormido muito e não sabia como, não me lembrava de nada, mas pelo meu estado, Hanna tinha se aproveitado de mim. Andei por todo o apartamento procurando Hanna, porém não a encontrei e lembrei que a noite ela saía para festas e para se drogar. Procurei meu celular e observei várias ligações de Selena e também de Taylor não atendidas e suspirei fundo. Era muito tarde para retorná-las. Corri até ao banheiro e me ajoelhei até o vaso sanitário vomitando até sair sangue. Minha garganta doía profundamente e tinha a certeza que Hanna havia me drogado para tirar vantagem sobre mim. Ela sabia que comigo sóbria ela não conseguiria nada. Voltei até a sala e vesti minha roupa, indo até a porta. Procurei pela chave, mas ela não estava lá. Eu estava trancada. Sentei-me no sofá e fiquei esperando Hanna chegar, não poderia ter acontecido coisa pior. Eu não queria ter que encontrá-la outra vez e torcia para que Selena arrumasse logo uma casa para a mãe. Quando Hanna chegou, eram seis horas da manhã e eu suspirei aliviada. Fingi que estava dormindo, e quando ela chegou foi até seu quarto. Girei a chave da porta e tentei fazer o mínimo de barulho possível, porém qundo eu estava prestes a sair, Hanna me encontrou.
– Indo embora sem se despedir, que deselegante. – falou com os braços cruzados. – Pode ir, Demi. Tem sorte que eu estou cansada. – veio até mim e me puxou para um beijo. – Tchau. – sorriu.
Dei um falso sorriso em resposta e saí do apartamento de Hanna. Entrei dentro do elevador e limpei meus lábios; senti nojo de mim mesma. Fui até meu carro e decidi tomar café da manhã na rua. Apesar de ainda estar um pouco enjoada, eu não tinha comido nada no dia anterior e as drogas fizeram um estrago em meu estômago. Bebi um café no Starbucks e acabei encontrando com uma amiga, Miley.
– Hey Demi. – cumprimentou-me.
– Hey. – sorri verdadeiramente. – Vejo que o Starbucks continua sendo um de seus vícios.
– Sim, esse não consigo largar. – ela riu. – Posso me sentar?
– Claro. – falei e Miley se sentou na cadeira que existia em minha frente. – Como você está?
– Bem, Demi. E você? – perguntou.
– Ah, tudo indo. Não estou nos meus melhores dias. – cocei a nuca. – Mas tudo ficará bem.
– Problemas com Selena?
– Até que não, problemas com Hanna. – bebi mais um pouco de café.
– O que ela fez?
– Hanna tem me chantageado... – falei triste. – Bom, eu disse que não a amava quando ela disse que me amava e isso foi o maior problema. Ela ficou com raiva de Selena por eu estar gostando dela e agora está me ameaçando.
– Ameaçando como?
– Ela disse que se eu não ficar com ela, ela matará a mãe de Selena. Eu contei a Selena sobre isso e ela disse que irá levar a mãe dela para Los Angeles, só que tinha que arrumar a casa e me pediu para esperar. Enquanto isso eu tenho que ficar com Hanna forçadamente.
– Essa Hanna é ridícula. Eu odeio essa garota, eu odeio. – Miley falou irritada. – O que você vai fazer quando a mãe dela for embora? Ela ficará longe, protegida, e Selena também. E quanto a você? Pensou nisso? Ela pode fazer qualquer coisa contra você, Demi. Você ainda estará aqui em Dallas... Seus pais, sua irmã. Todos estão em perigo.
– Não pensei assim... É verdade. Eu tenho que achar um jeito de parar Hanna.
– Mate-a, simples. – Miley sorriu.
– Não vou matá-la. – sorri assustada com a resposta de Miley.
– Eu faço isso então. Não posso deixar que ela te machuque, Demi.
– Você está brincando, não é?
– Não.
– Oh meu Deus. – franzi a testa e fiquei boquiaberta.
– Relaxa, Dems. Só quando não tiver mais jeito mesmo. – Miley sorriu. – Qual é, não quero que mexam com você. Essa Hanna Beth acha que é malvada, mas eu posso ser muito pior... Ainda mais quando mexem com as pessoas que eu amo.
– Ah, você me ama, é?
– Amo.
– Que bom, eu também te amo, Miles. Fico feliz em ainda ser sua amiga. – sorri. – Mas não faça nenhuma besteira sem me consultar.
– Pode deixar, Dems. E como estão as coisas com Selena?
– Boas. Eu gosto mais dela a cada dia que passa. – sorri.
– Finalmente! Fico feliz por você. Espero que Selena te faça muito feliz dessa vez.
– É, eu também... Bom, até agora eu me sinto feliz. Ela tem ido bem.
– Isso é ótimo. Demi, vou ter que ir embora agora, tenho que fazer uma entrevista de emprego. Se cuida, ok? – Miley foi até a mim e me deu um abraço, e eu retribuí.
– Tchau Miles, boa sorte. – despedi-me.
Depois que Miley foi embora, fiquei mais um pouco no Starbucks. Queria evitar as perguntas dos meus pais sobre o fato de eu ter dormido fora e todos aqueles clichês, além de também querer um tempo sozinha, somente eu e eu mesma.
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