Notas iniciais
Isso me veio em mente enquanto estava começando a ler Jogos Vorazes. Espero que gostem!

Isso é uma guerra. Provavelmente, sem nenhum vencedor, com a maioria dos lutadores mortos. Mesmo assim, eu tento. Estou aqui pra sobreviver, proteger, até o último suspiro.

Eu sou Dakota Daire, tenho dezesseis anos. Vivo pelas florestas com minha irmã – Rachel – de onze e meu amigo Connor Radko, também de dezesseis.

Eu tenho meu arco e flecha, ela tem seus venenos e ervas e ele tem – ou tinha – suas habilidades com facas e espadas. Nós vivemos num mundo pós-apocalíptico, em constante luta pela própria vida.

Raros são os momentos em que posso refletir, como agora. No topo de uma rocha, olho atentamente em volta. Vejo Connor. Ele está fraco, com os cabelos emaranhados e o rosto sujo; era animado, confiante e otimista, agora posso dizer que ele não parece a mesma pessoa. Eu sei que isso é um resultado da dificuldade para sobreviver.

A dor é visível em seus olhos azuis, os machucados mostram suas fraquezas e suas feições denunciam seu medo. Ele esta paranóico, sofrido, sem esperança alguma. Eu sei o que é melhor pra ele. Eu sei. Aquilo iria doer nele. Em mim também, afinal ele é um peso morto que amo, talvez não apenas como amigo. Mas é a solução para curar sua aflição.

Enquanto Rachel esta um pouco distante, procurando ervas, eu me posiciono. Com lágrimas preparadas para começar a escorrer por meu rosto, pego uma flecha – uma das minhas melhores flechas – e miro nele, em seu peito, sem nenhum controle sobre meus sentimentos.

Puxo a corda tão forte que meus dedos começam a doer. Fechei os olhos brutamente. Pra que iria querer ver isso?

Rápida e fatalmente, solto a corda. Abro os olhos devagar e vejo o estrago. Assustada, escorrego pela rocha e corro até o corpo de Radko, me abaixando até ele.

– Eu...!

– Isso doeu. – Ele falou, dando um risinho. Eu ri um sorriso fraco. Em meio àquele sorriso, lágrima novamente começam a cair. – Eu queria poder ter lutado mais.

– Não. – Balancei minha cabeça negativamente. – Você vai descansar. Um longo e profundo sono. Sem dor, sem guerra, sem luta. Como num sonho.

– E você? Vai estar lá, no meu sonho, não vai?

– Eu vou. Eu prometo. – Cheguei mais perto, aproximando nossos lábios. Um pequeno selinho, de olhos fechados. Minha última chance. Quando levantei os olhos e foquei em Connor, senti seu ultimo suspiro. Seu adeus.

Retirei a flecha de seu corpo, e com as coisas de minha irmã, limpei o ferimento. O enrolei num pano, que eu usava como túnica no frio e esperei Rachel, com a cabeça do corpo morto em meu colo.

Quando ela chegou, não contei muito. Sem protestar, ela me ajudou a jogá-lo no mar – o melhor enterro que pessoas como nós poderíamos bancar.

Destruída por dentro, eu tento pensar em coisas positivas. Ele está melhor agora. Ele estaria fadado ao sofrimento se ainda estivesse aqui. E para onde quer que ele for eu logo estarei ao lado dele, eu e minha irmã... Já que não se pode viver muito, atualmente.

Eu sei que vamos nos encontrar. Os bons tempos virão, e seremos felizes nos sonhos. Tão felizes de um jeito que nunca pudemos ser na Terra.

Notas finais
Então, está é minha primeira história original. Eu não consegui me aprofundar muito nos personagens... Mas, né, eu tentei.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!