Good Riddance

5 Trote à fantasia


Notas iniciais
Seria legal se vocês assistissem esse clipe: http://www.youtube.com/watch?v=bESGLojNYSo para imaginar uma cena nesse capítulo! ;D

André se jogou na cama e colocou os fones de ouvido, com o notebook ligado ao seu lado. Estava tarde e daqui a pouco ele teria que ir dormir já que precisaria acordar às seis e quinze da amanhã, mas estava com preguiça demais para se ‘preparar para dormir’, então fechou os olhos e deixou que suas músicas favoritas o ajudassem a relaxar.

Ficou assim alguns minutos, distraído e confortável em meio a tantas almofadas e travesseiros da cama enorme, quando olhou para o lado e viu que havia uma solicitação de amizade em seu Facebook, que deixara aberto. Virou-se de lado e clicou para ver quem era.

"Fabrício Ferreira. Confirmar?" Foi basicamente o que a mente loira processou e ele jogou-se para trás, assustado, e caiu da cama junto com várias almofadas.

"Maldito Fabrício." Resmungou André, como se Fabrício fosse o grande culpado pela sua queda vergonhosa. Uma sorte estar sozinho no quarto. Voltou a deitar-se na cama e ficou olhando por alguns segundos para a tela do notebook.

Sentiu ímpetos de negar o pedido, mas então pensou melhor. Todos os colegas estavam se adicionando nos últimos dias, não havia por que não aceitar, e não queria que Fabrício se sentisse especial. Eu adicionaria qualquer um... André se convenceu.

Clicou no botão confirmar. Não demorou nem um minuto e uma janelinha saltou na página do Face. O coração de André saltou também, mas é claro que ninguém jamais saberia disso. Não estava nervoso. Não. De jeito nenhum. Inclusive, olhou para a mensagem com uma expressão de desprezo.

"Olá, André, tudo bem?" Fabrício poderia fazer melhor do que isso, não é mesmo? André passou a língua pelos lábios e apoiou o cotovelo na cama. Ok, de qualquer forma, aquele era um início de conversa básica; ele tentaria ser gentil também.

"O que tu quer?" Ok, não fora tão gentil quanto ele pretendera, mas... ah! Que se dane! Não era como se tivesse sido muito educado com ele mais cedo, na faculdade.

"Nossa, quanta delicadeza..."

Oh, ele queria o quê? Que lhe enviasse um emoticon mandando beijinho agora?

"Defino isso como clareza e objetividade." Digitou e enviou. Tamborilou os dedos na bochecha, sem perceber o quão ansioso esperava pelas respostas do garoto.

"Está bem. Queria que não fugisse de mim amanhã, gostaria de falar contigo pessoalmente."

André sentiu o sangue esquentar. Quem estava fugindo? Que absurdo. Um Santayana não foge, apenas... Se camufla. Ou algo muito parecido.

"Ninguém está fugindo aqui. Estou apenas evitando a classe baixa da faculdade."

Mandou, mas sentiu-se mal logo em seguida. Talvez estivesse sendo agressivo demais. Não era uma pessoa exatamente dócil, mas não era dado a exageros tampouco.

Olhou apreensivo para a janela da conversa. Fabrício estava demorando a responder. Cogitou a hipótese de mandar mais alguma coisa, mas então o abençoado "Fabrício Ferreira está digitando uma mensagem" surgiu na parte inferior da janela de bate-papo.

"Tu não dava muito bola para a minha posição social no passado."

André deixou o queixo cair e teve que procurá-lo depois entre as almofadas da cama. Diabos! Então Fabrício lembrava-se dele. Desde quando? Em que momento ele percebera que era um tapado estúpido? Bem, isso ele talvez já houvesse descoberto há muito tempo, afinal, conviver dezenove anos consigo mesmo e não perceber o óbvio... Enfim, teria de tirar aquilo a limpo pessoalmente. Não era muito dado a conversas online quando podia falar frente a frente, então mandou seu ultimato.

"Nos falamos amanhã depois da aula de anatomia.”

Não esperou pela resposta, saiu do Facebook e desligou o note.

Precisava dormir.

XxX

Quando Fabrício chegou à primeira aula na manhã seguinte, instintivamente procurou André com o olhar. Era anatomia novamente, e a aula continuou chata, com o mesmo professor que falou sobre sistema muscular com tanto tédio quanto antes. Naquele primeiro bloco de horários, eles tinham anatomia três vezes por semana. Quando os horários trocassem dali seis semanas, teriam a cadeira quatro vezes por semana.

Fabrício só chegou segundos antes de a aula começar e teve de se sentar mais ao fundo. André continuava sentado naquele lugarzinho mágico na parede e, virando-se apenas um pouco, podia olhar para o moreno sem parecer a menina possuída do Exorcista.

Como sempre acontece quando não queremos, os olhares inevitavelmente se cruzaram, e André ergueu uma sobrancelha loira ao ver Fabrício sorrir amigavelmente. André não tentou sorrir de volta, tinha certeza de que se tentasse sorrir iria acabar com a careta mais estranha do mundo no rosto, então apenas voltou a desviar o olhar para o professor, ignorando o nervosismo que sentia toda a vez que pensava na conversa que teria com Fabrício dali a pouco.

E quando a aula acabou, Fabrício demorou-se arrumando a mochila, apenas bagunçando ainda mais os poucos materiais dentro dela – nada além de um caderno velho e um estojo quase vazio – e, assim que a sala ficou quase vazia, levantou-se rápido e segurou André pelo cotovelo quando ele estava passando ao seu lado.

Quando os dois se encararam, Fabrício chegou à conclusão que não fazia ideia de sobre o que conversaria com André, apenas tinha certeza de que queria conversar. No fundo, havia uma tímida esperança de que eles pudessem ser amigos de novo. É, talvez, por que não?

“Será que tu não poderia deixar isso mais natural?” André perguntou depois de espiar pelo canto do olho os últimos alunos deixando a sala de aula. “Precisava me agarrar como se eu fosse alguma espécie de fugitivo?” Puxou o braço da pegada forte do moreno.

“Desculpe.” Fabrício soltou uma risadinha e coçou a parte de trás dos cabelos negros. “Só não queria que tu escapasse de novo.”

“Ninguém está fugindo de ti, Fabrício.” Torceu o lábio superior em deboche. “Vamos caminhando... Já está quase na hora da próxima aula e aquele professor é um mala.”

“Tudo bem.” Fabrício assentiu e saíram para o corredor. “Então... Eu fiquei por um bom tempo me perguntando o que havia acontecido contigo, sabe? Quero dizer... Tu simplesmente sumiu depois daquela vez que o teu pai te arrastou com ele de volta para casa.”

“Tu ainda lembra disso?” André ficou surpreso. “Ora, isso é admirável, considerando que tu sequer me reconheceu ontem. Qual foi tua dica para perceber que já nos conhecíamos antes?”

“Eu te achei familiar... Mas só tive certeza quando vi teu nome. Desculpe... É que tu mudou bastante. Antes tu era baixinho, magrelo e usava os cabelos mais compridos. Agora está alto... Erm.... Continua meio magrelo, é verdade, mas-“

“Como se tu fosse muito encorpado!” André rebateu, ultrajado. Olhou de esguelha para Fabrício e, para seu desgosto, teve de morder a língua. Bufou e passou com raiva pela roleta perto da entrada do ICBS.

“Calma!” Fabrício riu do jeito irritadiço do loiro. “Tu também não está tão magrelo quanto antes.”

“Que se dane. Por que tu 'tá fazendo medicina?” Perguntou.

Fabrício refletiu por alguns segundos.

“Eu comecei a pensar em fazer medicina quando estava no ensino médio. Eu tenho essa vontade de ajudar as pessoas. Mas decidi mesmo quando descobri sobre os Médicos Sem Fronteiras. Parece demais. Sempre gostei dessas coisas de ajuda comunitária. Fazia bastante lá na outra cidade, e acabei pegando gosto. Medicina abre várias portas para isso. E tu?” Tagarelou animado. André não sabia se ele falava de maneira tão descontraída porque já haviam sido melhores amigos, ou se porque era o jeito dele mesmo.

“Meus pais queriam que eu fosse médico. Como não tem nenhuma profissão que eu queira fazer, acabei indo por esse caminho mesmo. Cheguei de viagem, fiz o vestibular, passei e aqui estou. Altruísta também, não?” Ironizou, girando os olhos. “Tu é o primeiro que eu falo isso, pode me julgar agora.”

Fabrício riu.

“Fico lisonjeado que tenha me contado primeiro, e que ache que eu tenha algum direito de julgar. Eu não vejo nada demais nisso... Tu não é o primeiro, nem o último a agir assim. Eu só espero que tu se apaixone pela medicina em algum momento e não acabe como um médico frustrado no futuro.” Fabrício ponderou, enquanto atravessavam os estacionamentos a céu aberto entre os prédios.

“Eu não acho que tu tenha direito nenhum de julgar.” André corrigiu. “As pessoas tendem a julgar mesmo ser tem nenhum direito para isso...”

“Sim, é verdade. Mas não estou julgando. Aliás, só estou julgando a aula péssima de biofísica. Eu nunca achei que teria de aprender as propriedades da água na faculdade, ainda mais trancado naquela sala quente.” Fabrício choramingou, já prevendo que acabaria encharcado em suor ao final da aula. Uma sorte que nas quartas-feiras havia a chamada ‘tarde verde’, em que não tinham nenhuma aula. Poderia ir para casa e... “Ah, não! O trote à fantasia é hoje, não é?”

“Não sei, não estou participando dessas bobagens.” André rebateu. “Mas eu acho que é hoje sim, li algo no Face sobre isso.”

“Por que não vai participar? Vai ser engraçado! Eu vou me fantasiar de Lady Gaga e encenar o clipe da música Poker Face.” Fabrício coçou de novo os cabelos e riu. “Mas vou ter de passar em casa para pegar minha fantasia... Já estava esquecendo disso.”

André logo chegou à conclusão de que não poderia perder aquele paga-vale geral da turma. Os veteranos não obrigavam ninguém a participar, mesmo metendo um terror vez ou outra. Ninguém havia pegado no pé de André por não ir esmolar, ainda mais quando ele pagou os benditos 200 reais do próprio bolso. Haviam dito, no dia da matrícula, que ele teria de se fantasiar de bombeira sexy junto com dois colegas, um tal de Pedro e outro que chamavam de Chico.

“Eu acho que vou ir então... Não posso perder a chance de gravar tu dançando Lady Gaga.” André olhou para o moreno e abriu um sorriso de lado. Fabrício suspirou.

“Mal entro na faculdade e já vou ganhar fama.” Disse. Já haviam passado pelo Bar do Antônio e agora estavam na porta do prédio da reitoria. Subiram rápido as escadas e entraram na sala de aula.

Havia tanta coisa para falar, perguntar, contar, pensou Fabrício, o problema era chegar ao assunto, transpor o constrangimento e a estranheza inicial. Ainda que ele não sentisse muitos problemas em sair conversando naturalmente, era visível que André tinha algumas barreiras que ele teria de dar um jeito de pular. Seria possível retomar aquela amizade que tinham há nove anos?

XxX

Depois da insuportável aula de biofísica, a maioria do pessoal seguiu para a Oswaldo Aranha em direção a Rua Ramiro Barcelos. Era na FAMED que ficava o CASL, onde aconteceria o trote à fantasia. O pessoal estava contente também por almoçar no RU da saúde, pois o primeiro almoço no RU do centro havia sido um pouco traumatizante.

Fabrício teve de ir para casa pegar a fantasia. O que era bem prático, já que seu prédio ficava no meio do caminho entre o campus centro e o da saúde, apenas tinha de subir até a Av. Independência. Aproveitou e comeu em casa um resto suspeito de pizza do último sábado e guardou na mochila a meia-calça, a peruca loira, as luvas e o vestido azul parecido com que a Lady Gaga usava no clipe. Havia visto aquele vídeo dezenas de vezes e treinado a coreografia trancado no próprio quarto. Cherry devia achá-lo maluco àquelas alturas.

Manu, a madrinha de Fabrício, o havia ajudado a escolher o vestido. Conseguia se lembrar das risadas histéricas que ela soltara quando ele saiu do provador vestido de mulher. Até as atendentes tinham gargalhado quando ele dera uma rebolada. Suas pernas e coxas cheia de pelos, assim como os braços, e isso sem contar os pelos que tinha no peito, não ajudavam em nada a deixá-lo parecido com a Lady Gaga. E muito menos os músculos que esculpira na academia. Fabrício não era nenhum bombado, mas ia na academia quase todos os dias e o corpo era bastante bonito: magro, mas definido, e ele gostava do tanquinho que havia cultivado no abdômen; e sua pele naturalmente bronzeada, dando-lhe um ar de mulato, ajudava a criar um charme.

Acabou ficando suado de novo por ter de caminhar até a FAMED, mas não deu muita importância. Ninguém iria ficar cheirando sua axila aquela tarde. Não que em alguma tarde alguém cheirasse suas axilas. Isso seria estranho. Não mais estranho do que ele dançando Poker Face fantasiado de Lady Gaga, mas ainda assim estranho.

Fabrício chegou à FAMED e apresentou na portaria a carteirinha da UFRGS que fizera depois de se matricular. Seguindo para a direita, ao final do corredor, estava o CASL, já parcialmente lotado com estudantes fantasiados, e os veteranos prontos para caírem na gargalhada. Até alguns estudantes de semestres mais avançados empoleirados nas escadas, querendo assistir também.

“Mal dá para se mexer aqui dentro.” Fabrício falou para um colega altinho e fortão chamado Thiago. Ele já estava fantasiado de... O moreno não soube identificar. Ele usava um maiô azul-claro com uma sainha plissada e curta, e ainda segurava um guarda-chuva pequeno e delicado. Quando ele falou, a discrepância com a roupa feminina foi gritante, já que ele tinha uma voz grossa de taquara-rachada.

“É, aqui é pequeno demais. Tu não vai se fantasiar? O banheiro fica lá fora.” Thiago avisou.

Fabrício assentiu, mas antes deu uma reparada nas fantasias alheias. Havia uma garota fantasiada de... pênis? Isso era bastante estranho, e não deixava de ser hilário. Seguiu para fora do CASL e topou com André na entrada. Não conseguiu não se dobrar em dois e começar a gargalhar.

“Deixa de ser otário!” André o empurrou, mas Fabrício continuou a rir. “Os idiotas do Pedro e do Chico me obrigaram a isso. Eles até tinham uma fantasia para mim.” André falou infeliz. Não sabia por que havia se deixado convencer, mas todos os colegas iriam participar, todo mundo estava rindo e se divertindo, e ele acabou querendo fazer parte daquilo.

Mas agora estava vermelho com as risadas do bestalhão do Fabrício.

“Tu...” Fabrício ofegou tentando retomar o ar, mas continuava rindo. “Está mesmo muito sexy, bomberinha.”

“Vá logo se fantasiar, idiota!” André empurrou o moreno e entrou no CASL. Fabrício ainda olhou para ele, sorrindo e acabando por dar uma olhada geral no loiro. André estava vestido apenas com uma sunga muito curta e vermelha, uma mangueira enrolada na cintura esguia e uma camisetinha feminina, vermelha com branco, amarrada com um top gracioso na altura inferior do peito. Até que tem uma bunda bonita, pensou em deboche, com uma anotação mental para falar isso ao loiro depois, apenas para constrangê-lo e irritá-lo.

Balançando a cabeça com um sorriso divertido ainda brincando nos lábios, Fabrício foi até o banheiro e se arrumou. Aquele vestido ficava muito gozado em seu corpo, apertando onde não era para apertar, ou afrouxando onde ele não tinha nada, como no lugar onde os seios ficariam. Olhou-se no espelho e voltou a cair na gargalhada.

XxX

André estava mortificado depois das risadas que o Fabrício soltara ao vê-lo, mas quando viu o moreno voltando ao CASL, sentiu-se bem melhor em poder rir da cara dele. Fabrício veio e se sentou ao seu lado num dos sofás empurrados contra a parede, enfiando a bunda e se aconchegando abusadamente no pouco espaço no sofá. Os estudantes haviam formado um semicírculo, deixando um espaço vazio na frente do palquinho, onde o pessoal poderia realizar suas performances.

“Tu também está muito sexy.” André debochou, com um sorriso torto.

“Eu sei, obrigado. As pessoas costumam me dizer isso com frequência.” Fabrício brincou, convencido. André revirou os olhos, mas os dois começaram a rir quando um grupo de garotos começou a imitar as Spice Girls com a música Wannabe. André pegou o Iphone e começou a gravar.

“É impressão minha... Ou um é mais descoordenado que o outro?” André perguntou.

“Acho que é a impressão sua! Eles são as novas Spice Girls!” Fabrício riu. Não muito depois as Spice Girls terminaram sua apresentação sob o som de aplausos e risadas. E as bombeiras sexys foram chamadas. André soltou um muxoxo, mas acabou se levantando e seguiu para o palquinho junto com os outros dois garotos. Fabrício riu tanto que achou que iria morrer sufocado.

Pedro era um garoto de altura mediana, cabelos castanhos encaracolados e curtos com uma barriga gordinha, sobrancelhas grossas demais e um rosto não lá muito bonito. Já o Chico era bem magrinho, seu nariz comprido parecia ter sido esmagado contra uma parede e ele usava um cavanhaque que não lhe caía muito bem. Usava um sutiã e bermudinha vermelhos, se esfregando em uma mangueira de bombeiro, rebolando e a girando no ar, e não parecia nada além de divertido. Fabrício nem reparou na música que colocaram, apenas pôs-se a rir quando os três começaram a dançar, dar gritinhos e se esfregar um nos outros, fazendo caras e bocas.

Até André entrou na brincadeira, acabando por rir sob o som dos aplausos e gargalhadas.

Mesmo assim, quando terminou, André abriu uma careta de alívio e voltou para o lado do Fabrício, o rosto afogueado pelo calor do CASL e pela agitação. Os cabelos loiros que ele usava curtos estavam suados e alguns grudavam nas laterais da cabeça e na nuca.

“Sabe... Quase precisei ir ao banheiro me aliviar vendo tu se rebolar todo lá no palco.” Fabrício sussurrou de sacanagem no ouvido do loiro. Recebeu uma cotovela nas costelas e ofegou pela dor.

“Sim, se aliviar com uma mijada, de tanto que riu da minha cara, desgraçado.” Rebateu, fazendo-se de mal-humorado, mas Fabrício percebeu que ele estava forçando-se a ficar sério.

“Tu ainda vai me dar o troco quando for a minha vez.” Sacudiu os ombros pela risada.

“Pode apostar nisso.” André garantiu.

Ainda tiveram de esperar um garoto que imitou o vídeo ‘mamilos são muito polêmicos’, um grupo de meninas que dançou Backstreet Boys e outro grupo que encenou o vídeo do ‘eu quero meus vinte reais’, antes que chamassem o Fabrício. O moreno se ergueu confiante e foi para o centro da roda, esperando que os veteranos colocassem a música da Lady Gaga para tocar.

Assim que a música começou, Fabrício começou a mover a perna e o ombro, esperando a chegada da parte da coreografia que havia treinado. Ele tocou longe um colar aleatório que estava segurando e, quando a Lady Gaga começou a cantar, ele iniciou a coreografia.

Primeiro as pessoas estavam rindo de se acabar, mas ao perceber como ele havia treinado direitinho a coreografia, começaram a assobiar, impressionadas. André percebeu que aquela era a apresentação mais legal até ali, e se recostou melhor ao sofá para olhar o moreno dançar, no momento em que Fabrício levava a mão até o rosto, com o polegar e o dedo indicador formando um círculo que girava contra o olho. As pessoas aplaudiram, lembrando perfeitamente do clipe.

Quando o refrão começou, então, o pessoal foi à loucura.

Can't read my, can't read my
No he can't read my poker face
(She's got me to love nobody)
Can't read my, can't read my
No he can't read my poker face
(She's got me to love nobody)

Fabrício dançou praticamente igual ao clipe, arrancando mais risadas e assobios. Claro que dançava de uma maneira muito mais dura e não tão sincronizada quanto a Lady Gaga, mas ainda assim, foi bastante surpreendente. Tanto que os veteranos mandaram ele dançar por mais tempo e repetir a dança quando o pessoal pediu bis.

Ao final da música, Fabrício voltou para o lugar, recebendo tapinhas nas costas dos colegas. Sentou-se novamente ao lado de André e virou-se para ele, perguntando:

“E então, se divertiu?”

André recolocou o Iphone no bolso depois de salvar a gravação.

“Eu não posso dizer com certeza, mas acho que acabo de ganhar uma maneira bastante interessante de te chantagear no futuro.” Sorriu maldoso.

E tudo piorou quando Fabrício foi chamado para dançar ‘Single Ladies’ com outros três garotos vestidos de mulher. Agora André poderia chantageá-lo por uma vida.

Notas finais
Uma fotinho do trote à fantasia, que achei aqui no meu pc: http://farm9.staticflickr.com/8513/8526448824_4e41d5f7a7.jpg Eu queria muito conseguir colocar o vídeo aqui do garoto que dançou Poker Face MUITO perfeito no trote, ele surpreendeu demais e todo mundo ficou de queixo caído por ele ter ensaiado tão direitinho. Isso sem contar que foi o garoto mais gostoso da minha turma, haahahaha! Mas o vídeo está no grupo fechado no youtube, infelizmente. Mas eu achei esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=IJCQtllViNw no yaoutube, que dá uma boa ideia da situação, rs.Espero que tenham gostado do capítulo! Os dois finalmente virando amiguinhos, né? ♥ Obrigada a quem está comentando. :)