Good Riddance
44 Dia especial
Notas iniciais
Apesar de estar acostumado com os pratos de caminhoneiro do namorado dos dias de RU, André se impressionou com a real quantidade de comida que o Fabrício era capaz de enfiar goela abaixo quando almoçaram no restaurante do hotel. Os pratos eram de ótima qualidade, o que justificava um pouco o moreno exagerar. André, no entanto, não comeu nem um terço que ele, desde pequeno Cíntia o havia ensinado a não parecer um morto de fome em um restaurante.
“Tu vai passar mal se continuar comendo assim.” André apontou dando um tapa na mão do namorado quando ele tentou roubar com o garfo um pedaço de queijo de seu prato. “Depois vamos passar o dia fora, caminhando, ou patinando.”
“É como eu disse, eu sempre como assim, mas quando eu virar um velho gordo, sei que tu vai continuar me amando.” Apoiou-se na cadeira, colocando as mãos sobre a barriga com um suspiro satisfeito e um sorriso maroto.
“Não vou não.” André objetou levando o garfo à boca de uma maneira muito pomposa.
“Como não!?” Fabrício exclamou, abismado.
“Não.” Falou num ar de ponto final. Aí teve de aguentar vários minutos do moreno enchendo a paciência sobre o amor superar as gordurinhas. Não que isso tenha mudado a opinião do loiro.
Agora caminhavam à orla Lago Negro, que ficava muito próximo ao hotel. O ambiente era acolhedor e relaxante, e muito romântico. Havia caminhos entre a natureza, árvores e pinheiros, hortênsias azuis que eram a marca da cidade, e o lago com suas águas calmas e azuis escuras. Algumas pessoas andavam de pedalinho de cisne no lago. Fabrício logo sentiu vontade de tentar, mas o André vetou a ideia.
Pedalinho de cisne, oras, pensou com desprezo, revirando os olhos. No lugar disso, pegou na mão do namorado. Não havia muitas pessoas por ali e, ele tinha de admitir, o clima pedia por aquele contato simples. Fabrício sorriu com a atitude do loiro, enquanto conversavam e caminhavam.
“Não, depois disso eu fui pra França. Lá eu fiquei estudando, e fiz amizade com uns franceses. Eles me mostraram vários lugares da cidade, e ainda viajei com eles para outros países. Deu para melhorar muito meu inglês e francês.” André comentava, pois haviam iniciado um papo sobre viagens e outras cidades a visitar, afinal, haviam feito quando pequenos a promessa de viajarem juntos pelo mundo algum dia. “Tem uns lugares lá que eu acho que tu iria adorar...” Comentou baixinho, mordendo o lábio.
“Hmmm... Eu acho que eu iria adorar te ouvir falando francês, oui.” Fabrício gracejou, fazendo o loiro olhá-lo com uma sobrancelha erguida.
André sorriu torto e falou:
“Vous êtes le gars le plus stupide que je sais.”
Fabrício parou com um sorriso. A voz do loiro ficava extremamente sexy e charmosa em francês.
“O que isso quer dizer?”
André deu de ombros.
“Tu falou que queria me ouvir falando francês, eu não disse que iria traduzir o que eu falasse.” Falou com um sorrisinho maldoso;conhecia a curiosidade exacerbada do namorado.
Fabrício se agitou, puxando o loiro.
“Não vai dizer? Será que vou ter de arrancar isso à força? Talvez tu não goste dos meus métodos.” Provocou, sorrindo perigoso. André achou que estava cutucando o perigo com vara curta. Fabrício na maior parte do tempo se parecia com uma ovelha inocente, mas em outros... A ovelha se transformava em lobo.
“Tu é o cara mais bobo que eu já conheci.” André balançou a cabeça e continuou a caminhar. O vento frio batia em seus cabelos, jogando-os para trás, mas ambos estavam bem agasalhados agora. Fabrício continuava com seu cachecol.
“Hei! Eu não sou tanto assim. Ou sou?” Fabrício o seguiu pelo caminho curto – aproximadamente seis quilômetros – que os levaria até Canela. No caminho, havia um mirante que dava vista à boa parte da serra, após o que chegariam ao Parque do Caracol.
“Só por perguntar se é, quer dizer que tu é!” André riu, mas parou pelo sobressaltou quando foi abraçado por trás e erguido, seus pés perdendo por completo o contato do chão.
“Ainda não me disse o que falou em francês!”
“Já disse!”
“Não disse não!”
“Pense um pouco!” André revirou os olhos, e repetiu a frase mais pausadamente: “Vous êtes le gars le plus stupide que je sais.”
“Estava me chamando de bobo desde o início!” Fabrício percebeu após alguns segundos de associação. Ainda segurando o loiro, que se sacudia querendo que o largasse, caminhou até a borda do lago. “Será que eu deveria te soltar aí dentro por isso?”
“Não!” André pediu, verdadeiramente assustado. Ele aprendera a não duvidar de nenhuma das ideias do moreno. “Fabrício, se tu me lar-“
Fabrício o soltou em terra firme e segura, rindo pelo loiro ter acreditado que faria algo assim. Não era assim tão louco. Ou era?
“Até parece que eu iria arriscar te deixar gripado.” Falou, mantendo os braços ao redor da cintura do namorado. “Te quero inteirinho por todo o final de semana.”
“Hunf.” André ainda duvidava do bom senso alheio.
“Amanhã antes de irmos quem sabe eu te jogue aqui dentro.” Fafá deu de ombros, displicente.
“Babaca.”
“Um dia ainda faremos nossa viagem por vários países, e aí tu vai me mostrar também tudo que tu já viu por lá.” Fafá murmurou e, com uma olhada rápida por cima do ombro do loiro, vendo que não havia ninguém por ali, beijou-o de leve, pressionando os lábios contra a boca macia do namorado.
Para aumentar ainda mais seu humor, André não se afastou.
Foi quando se lembrou da câmera fotográfica. Bem que tentou tirar um foto dos dois se beijando, mas o André não deixou. Porém o loiro não escapou de a todo o momento o Fabrício querer tirar foto dele, ou dos dois juntos. Odiava tirar fotos, pois sempre saía piscando, ou parecendo ter recém sofrido um acidente de carro, mas se conformou que não conseguiria convencer o namorado a não tirá-las.
Também, não queria acabar com a empolgação do moreno.
XxxX
“Mas... 730 degraus?! Equivalentes a 44 andares?” André perguntou, já sentindo preguiça de descer tudo aquilo. Haviam chegado ao parque do caracol. Dali, primeiro foram ao mirante, que possuía uma estrutura cercada, onde todos tinham a plena segurança para apreciar a beleza da queda d’água, fotografar, filmar ou somente observar. Depois, é, claro, o Fabrício quis descer a escadaria que os levariam até a base da cachoeira.
“Tu parece os asmáticos, cardíacos, hipertensos e sedentários que eles recomendam aqui na placa que não façam a descida.” Fabrício implicou. “Descer é fácil.”
“Sim, o problema vai ser subir. Lembrando que ainda quero ir no Snowland hoje. Faz tempo que não patino no gelo...”
“Eu vou dar de bunda no chão nisso daí.” Fabrício logo avisou. Nunca havia patinado no gelo, e não tinha certeza se queria.
“Eu não vou deixar tu cair.” André assegurou, porém um sorrisinho maldoso de canto de lábio o traiu.
“Mentiroso!” Acusou, mas o loiro apenas começou a descer rapidamente a escadaria. Pelo caminho, a vista da famosa queda d’água até mesmo os fez parar para apreciar a visão. “Sempre gostei desses passeios assim, em meio à natureza.”
“Sim, eu imaginei. Por que acha que escolhi justamente o Bangalôs da Serra? É perto disso tudo...” André murmurou, empurrando levemente o moreno com o ombro. “E, admito, eu também gosto... É relaxante.”
“Ainda mais depois desse primeiro semestre. E as pessoas ainda dizem que apenas piora...”
“Eu só espero que esse semestre termine, porque parece que vai ter greve mesmo.” André lembrou. Várias faculdades federais já estavam em greve, algumas desde o início do semestre. A UFRGS andava sobre uma corda bamba, mas um dos professores já havia avisado que a greve aconteceria ali também.
“Deus sabe quando iremos ter aula de novo depois que isso começar.”
“Férias prolongadas!” Fafá tentou ver pelo lado bom.
“E depois nunca mais férias.” André objetou. “Mas sabe... Nós deveríamos ir para a Inglaterra juntos! Tu poderia conhecer meu avô, pai da minha mãe!”
“Mas... Será que ele...?”
“Ele não é homofóbico.” André falou, até mesmo um tanto estarrecido, pois havia se esquecido disso. Um sorriso abrilhantou seu rosto. Alguém de sua família não era homofóbico! Descobrira isso no ano anterior, chegara a ter uma pequena discussão com o avô por causa disso, logo antes de ir para a França. Sua falecida avó era sim preconceituosa, e talvez daí houvesse saído o preconceito de sua mãe... Ou talvez o velho senhor houvesse mudado de opinião com o passar dos anos. “Meu Deus, tu tem que conhecê-lo! E eu tenho de visitá-lo para me desculpar com ele por causa da nossa discussão!”
“Hei, hei! Isso é ótimo, mas calma. Vai acabar caindo aqui de cima!” Fabrício riu, e justamente quase caiu, se desequilibrando quando o loiro subitamente o abraçou.
“Talvez ele possa me ajudar a conversar com a minha mãe!” A ideia tirava um peso enorme de suas costas, um que involuntariamente o incomodava desde cedo pela manhã. Era uma sensação tão boa... Poderia até mesmo ligar para o avô naquele momento!
Chegou a pegar o celular quando se afastou do namorado, mas estava fora da área de cobertura.
“Droga!” Resmungou. “Vamos, talvez lá embaixo pegue!” Segurou o braço do moreno e praticamente o arrastou escada abaixo.
“Lá embaixo é mais fácil ter menos sinal do que aqui!!” Fabrício alertou, cuidando para não tropeçar, e de olho no loiro para segurá-lo caso ele perdesse o equilíbrio. Mas quando chegaram, toda a descida valeu à pena. A visão da cascata ali debaixo era única, e os pingos se espalhavam para todos os lados, deixando as pedras escorregadias.
Fabrício teve de segurar o loiro pela cintura quando este, agitado, saiu caminhando atrás de sinal sem nem olhar por onde andava. André teria caído e quicado até a água não fosse pelo moreno, mas no lugar de agradecer, apenas o olhou com uma adorável expressão chateada.
“Não pega sinal aqui também.”
“Quando a gente voltar para o hotel, vai pegar.” Fabrício afiançou e, não resistindo, mordeu o bico emburrado que os lábios rosados do loiro formavam.
XxxX
Acabaram indo em outro parque de Canela, que possuía tirolesa, rapel e outras atrações. Fabrício se transformou completamente numa criança. Quando descia na tirolesa e andava na montanha-russa, gritava sem medo de ser feliz. Até o loiro se contagiou e acabou se soltando, aquelas coisas realmente davam calafrios na boca do estômago. Passearam por atrações turísticas, uma delas era o apfelstrudel(torta de maçã), servido com creme de nata ou sorvete, acompanhado por chá de maçã ou chocolate quente. Compraram chocolates e foram no cinema 4D; disputaram corrida ao alugarem dois quadriciclos para explorarem uma trilha na mata, num trajeto de cerca de 40 minutos de duração, e depois, exaustos, acabaram na cidade, onde caminharam tranquilamente pelas ruas, apreciando os lugares e lojas, tirando fotos, uma delas na famosa Catedral de Pedra, construção antiga que fazia as pessoas sentirem-se de volta a séculos passados.
Acabaram pegando carona com um casal de namorados para voltarem para Gramado. Fabrício logo fez amizade, o casal era muito simpático, e agiu extremamente natural ao entender que também eram namorados. André se impressionou, mas isso fez com que percebesse que havia pessoas, além de seus amigos, que não tinham preconceitos, que aceitavam, que viam aquilo como absolutamente normal. A sensação foi ótima. Carol e Ricardo lhes deram inúmeras dicas de lugares pelo Brasil que podiam visitar numa próxima vez; eles viviam viajando juntos e conheciam tudo que era cidade. Moravam em Santa Catarina e, após a carona até Gramado, onde ficaram passeando juntos ainda por algum tempo, eles lhes passaram o endereço, caso algum dia quisessem visitá-los.
É incrível como, nesse mundo, se encontra, por acaso, pessoas maravilhosas. Tal fato fez com que o loiro mandasse seus receios às favas. Passeou de mãos dadas com o namorado, colocou chocolate na boca dele quando visitaram uma das fábricas de chocolate, e não negou carinhos em público. Fabrício já não vinha se segurando em disfarçar desde o início, de qualquer forma. Era muito impulsivo, a todo o momento tocava o loiro de alguma forma, como se ficar próximo dele fosse difícil, descabido.
E era.
Para fechar o dia, resolveram visitar o parque de neve de Gramado. Era um parque indoor, o maior da America Latina, e a ideia do loiro era patinar no gelo. Entraram e andaram de snowboard, depois lancharam no restaurante rústico, porque apesar da torta e dos chocolates, a fome não poupava, ainda mais no frio, e ainda mais quando havia um Fabrício entre os dois. O moreno parecia ter um buraco negro no lugar do estômago. Mas como os preços eram bem salgados, acabaram não comendo muito. Resolveram ir patinar.
E patinar no gelo não era fácil.
Se o Fabrício deixasse o eufemismo de lado, diria que era impossível. Parecia uma galinha tentando alçar voo, balançando os braços enquanto se esforçava para não dar de bunda no gelo. André veio patinando e segurou-lhe os braços, rindo. Estava ainda mais feliz porque, antes de entrarem no parque, conseguira ligar para o avô. Fora uma conversa rápida, mas Isaac Ellen, como se chamava, lhe falara que estava tudo bem entre eles, e que adoraria encontrar o neto novamente. “Talvez ele venha para o Brasil, ele disse.” André contou ao namorado.
Enquanto patinavam, começou a contar toda a história dos avós e seus pais.
O nome completo do loiro era André Ellen Santayana, mas ele sempre ocultava o sobrenome inglês; não gostava muito. Seu pai viajara para a Inglaterra a negócios, quando bem novo. Acabou conhecendo por acaso Cíntia (cujo nome de batizado, em realidade, era Cindy, mas ela mudara por achá-lo muito bobo), e foi praticamente amor à primeira vista. Ele era frio e sério, ela risonha e livre. Diferentes, viveram uma paixão intensa, que durou algumas semanas. Sem demoras, decidiram casar – jovens, impulsivos. Os pais da Cíntia foram contra, mas ela fugiu para o Brasil com Heitor e se casou. Ele morava no interior, apesar de ser de uma família tradicional, de posses. Ficaram dois anos sem falar com Isaac e Dorea, até que Cíntia ficou grávida. Ela acabou voltando à Inglaterra e deu a luz ao loiro lá, junto aos pais, fazendo as pazes. Eles enfim aceitaram a fuga e o casamento, apesar de sempre com o nariz ligeiramente torcido.
Havia muito mais por trás da história. Idas e vindas, brigas, separações, perdões, reconciliações. André, agora que parava para pensar, nem deveria se surpreender pelos pais terem se reconciliado. Eles tinham uma história longa juntos, afinal, pensou distraído e percebeu então que, mesmo após todo o relato, Fabrício continuava com dificuldade para se equilibrar nos patins.
“Se tu parar de se sacudir todo, que nem um passarinho assustado, quem sabe vai conseguir patinar.” André aconselhou, patinando de costas, de tal modo a levar o namorado com ele.
“Se tu me soltar agora, eu juro que vou cair e quebrar alguns ossos, e aí tu que vai ter que me carregar nas costas até o hotel.” Fabrício alertou, atrapalhando-se com os pés. Não tinha leveza nem graciosidade para se equilibrar em cima de algo tão fino quanto aqueles patins! Achara mais fácil até mesmo o snowbord de mais cedo.
“Não vou te soltar, deixa de ser medroso!” André revirou os olhos. Diferentemente do moreno, seus pés pareciam agir sozinho, guiando-os, tornando aquilo tão natural quanto caminhar. Talvez mais. “Solta mais o corpo, tu ‘tá todo duro e tenso.”
“Estou em risco iminente de morte!” Exagerou, olhando para os pés de ambos. André riu daquilo, divertindo-se com o jeito atrapalhado do namorado. Nem quando patinara pela primeira vez achara assim tão difícil. “Quem sabe não paramos para comprar algumas lembrancinhas pros amigos?” Fafá sugeriu, segurando com força a cintura do loiro. Tinha medo de cair.
A pista era inusitada, a patinação ocorria numa espécie de feirinha, como se estivessem no meio de uma rua invernal congelada, passeando e patinando. Precisavam se desviar de algumas pessoas em alguns momentos, e havia algumas pessoas paradas nas barraquinhas, fazendo compras.
“Está querendo apenas fugir né?”
“Estou querendo apenas me manter íntegro.” Fafá o corrigiu.
“Talvez seja bom, sinto que a Gabi e a Fran nos matariam se não levássemos nada.”
“Sim, eu sinto o mesmo.” Fafá estremeceu, e o André os guiou até uma das lojinhas.
Levaram um bom tempo para comprar presente para todos que lembraram. Fabrício era extremamente indeciso e nunca sabia o que comprar, já o loiro era bem mais prático, porém sempre queria comprar o que havia de mais caro, para aflição do moreno. Se antes não conseguia se equilibrar, com compras em mãos Fabrício mal conseguia se deslocar por poucos centímetros. André ria e implicava, até passar um braço pela cintura do namorado, para ajudá-lo a chegar à área onde poderiam retirar os patins.
“Eu nunca vou aprender a andar nisso! É impossível!” Disse meio curvado, atrapalhando-se com os pés. Uma aranha de patins se moveria com mais coordenação que o Fabrício.
“Se fosse impossível, não haveria tantas pessoas andando, eu incluso.” André revirou os olhos.
“Impossível para alguém como eu!” Fafá se corrigiu.
“Bem, disso eu não posso discordar completamente...” Provocou sarcástico, apertando com mais força a cintura do moreno, pois do contrário cairiam ambos no chão. Sorriram um para o outro, e acabaram trocando um beijinho rápido e inocente. Nesse momento, um grupo de três rapazes passou pelos dois, e um deles sorriu com desprezo e exclamou suficientemente alto para que eles escutassem:
“Olha, bem que disseram que a gente acaba encontrando viados em áreas com neve.” E riu-se com os amigos.
André parou, sentindo uma fúria incontrolável se espalhar por seu corpo. Em algum ponto do passeio, André parara de se importar em parecer apenas amigo do moreno, pois era dia dos namorados, deveriam ter o direito de aproveitar, então acabavam trocando mínimos carinhos, mesmo que somente toques nas mãos e gestos do gênero. Deveria saber que sempre havia algum idiota para estragar a felicidade alheia.
“O que foi que tu disse?! Diz na minha cara, filho da puta!” André se virou para os três, largando o Fabrício com as compras e avançando. Nunca tivera problemas em dar uns bons socos em idiotas como aqueles. Ele e o Leonardo, às vezes até mesmo o Davi, já haviam se metido em muitas brigas, e saído delas em bom estado. O mesmo não podia se dizer dos outros.
Fabrício se desequilibrou ainda mais por ter de segurar todas as compras. Estava numa péssima situação. Se tentasse se mover, acabaria se espatifando no gelo. “André!” Chamou, preocupado, mas os três rapazes já haviam se virado, concentrando a atenção no loiro.
“O que é? Gosta que falem pela frente? Achei que vocês viados preferissem por trás.” Sorriu repleto de deboche, enquanto os outros dois riam baixo. André nem falou nada, apenas tentou atingir um soco bem no meio das fuças do ignorante, mas foi impedido antes que isso acontecesse.
“Não vale à pena.” Fabrício sussurrou em sua orelha, e o André apenas não tentou se soltar porque sabia que isso faria o namorado cair e, talvez, se machucar.
“Oh, que amor, protegendo o namoradinho!”
“Vai tomar no cu, filho da puta!” André rosnou, apertando os punhos. Ah, como eles imploravam para sentir o nariz daquele babaca.
“Carlo, para com isso. Deixa os caras.” Um dos rapazes pediu, colocando a mão sobre o ombro do amigo, apesar de ter rido antes. “Não temos nada com isso. Vamos embora...”
“Vem.” Fabrício tentou puxá-lo, sua voz tranquila. “Não vamos deixar isso estragar nosso dia, por favor.”
Os garotos se afastaram, o tal Carlo com uma expressão debochada.
“Como tu consegue?” André perguntou quando deram às costas aos três. Pegou algumas das sacolas para ajudar o moreno. Estava tão feliz antes, agora se sentia tão frustrado. Queria ainda socar alguma coisa, e estava com tanta raiva que ergueu um pouco a cabeça, para evitar que chorasse de ódio. Aquilo destroçara seu bom humor. “Tudo estava indo tão bem...”
“Tudo vai continuar indo muito bem!” Fabrício exclamou, cheio de confiança. “Vai deixar um babacão daqueles estragar nosso dia?” Perguntou, e se sentiu aliviado por chegarem ao local onde tirariam aqueles patins. Seria bom voltar a ter algum equilíbrio.
“Não...” Disse, mas um pouco hesitante. “Pode ser difícil de acreditar, mas mesmo quando eu era homofóbico não ficava procurando briga assim, aquele idiota ‘tava pedindo pra apanhar. Eu deveria voltar lá e dar um soco nele!” Exclamou e tentou se virar, mas o moreno o segurou novamente. “Me larga, Fabrício!”
Fabrício o arrastou até um dos banheiros do lugar. Felizmente, não havia ninguém naquele. Soltou o loiro, que andou de um lado para o outro como um leão enjaulado. André era extremamente pavio-curto. Uma vez, o Fabrício teve de segurá-lo para não descer do carro no meio de um engarrafamento pós-aulas e ir brigar com um imbecil mal-educado em outro carro.
Fafá chaveou a porta do banheiro e largou as compras em cima de uma bancada, enquanto o loiro soltava um monte de palavrões.
“HEI!” Fabrício gritou para que o André parasse de soltar fumaça pelas orelhas e o olhasse. Aproximou-se em passos firmes dele, a expressão séria, até que o loiro, recuando, batesse as costas contra a parede. “Eu acho que vou aproveitar enquanto meus beijos ainda não perderam o efeito.”
“O qu-“
André se calou com a pressão forte dos lábios do namorado; gemeu baixo com a pegada forte dele em sua cintura. Sua cabeça girou, e seus lábios se abriram quando a língua do moreno exigiu por isso. Estava preso entre a parede e o corpo forte do moreno, mal conseguindo respirar. O peito explodiu num calor quase insuportável, de repente se sentindo agasalhado demais. Suas mãos seguraram a nuca do Fabrício, enquanto suas pernas se abriam quando ele insinuou uma coxa entre elas. Por deus, achou que iria desmaiar sob aquela pressão toda.
Nem conseguia pensar mais no porquê de tanta raiva.
Abraçou-se mais ao namorado, apertando-o contra si, e retribuindo o beijo à altura. Não fora a intenção inicial do moreno, mas em pouco tempo, perderam completamente o controle da situação. André arrancara seu cachecol e abrira seu casaco. Fabrício fizera o mesmo, e agora beijava e mordia o pescoço do loiro, as mãos enfiadas sob as roupas dele. Podia sentir o loiro excitado contra sua coxa, movendo-se de leve contra ela. Ele próprio se friccionava contra o ventre do namorado.
“Vamos pro hotel...” André murmurou com a voz fraca, uma de suas mãos agarrando os cabelos negros macios do moreno.
Se antes o Fabrício já estava excitado, agora ele desejava ter uma forma de se teletransportarem para o hotel. Teriam de pegar o carro ainda. Suspirou tentando refrear seus desejos, e beijou o loiro ainda umas três vezes antes de rumar com ele para fora do parque de neve.
XxxX
Já estava escuro quando chegaram ao hotel, estacionando o carro logo em frente do bangalô. Fabrício dirigira dessa vez. Há duas semanas, havia finalmente feito a prova da autoescola e passara na primeira tentativa. Diogo preparara um churrasco de comemoração em sua casa na sexta-feira do último final de semana, exagerando, como sempre, as qualidades do sobrinho.
“Não está com fome? Podemos pedir algo... Eles trazem no bangalô.” Fabrício sugeriu enquanto destrancava a porta.
“Podemos pedir... Um vinho e alguns aperitivos, talvez...” André disse. No banheiro do parque, seu corpo explodira em excitação, mas no trajeto até tivera tempo de respirar fundo, pensar e perceber o quanto se sentia nervoso e ansioso.
Queria um banho quente para relaxar.
“Certo, vou ligar pedindo.” Fabrício falou.
André aproveitou e entrou no banho, buscando relaxar um pouco. Água quente lhe faria bem. Sabia que queria aquilo. Deus, queria muito! Não haviam conseguido fazer nada mais intenso desde a noite após a festa dos 100 dias. Era difícil conseguir momentos a sós com o moreno. Ainda mais em final de semestre, e com o Heitor procurando sempre saber de todos os seus passos. Mas agora não haveria nada para atrapalhá-los.
Saiu do banho usando apenas um roupão de seda preta que o hotel oferecia. O quarto estava parcialmente iluminado, a luz provinha principalmente da lareira, que o moreno havia acendido. Os aperitivos e o vinho já haviam chegado, e o loiro se arrepiou inteiro quando o Fabrício se aproximou, seus olhos parecendo mais negros e quentes do que nunca. Ele o olhou sem esconder o desejo, e o André mordeu o lábio.
“Vou tomar um banho também. Me espere.” Disse, ainda que não houvesse para onde o loiro ir. E ele também não queria ir para nenhum lugar. Estava exatamente onde queria. Aceitou o beijo rápido, mas cheio de palavras não ditas do namorado, e então foi até a garrafa de vinho. Notou que o moreno havia colocado tudo sobre o tapete confortável em frente à lareira, junto a algumas almofadas.
Sentou-se ali, apreciando o calor do fogo próximo, e serviu-se um copo de vinho. Bebeu um bom gole. A todo o momento olhava para a porta do banheiro, principalmente quando o barulho do chuveiro cessou. Fabrício não demorou tanto no banho quanto o loiro e logo saía, também usando um dos roupões pretos. Sorriu ao ver o loiro sentado no tapete felpudo, mordendo os lábios.
Ele sempre mordia os lábios quando nervoso. Sorriu leve e foi até ele, sentando-se próximo.
“Sinto como se há séculos não tivéssemos um momento só para nós dois assim.” Falou, tocando o rosto do namorado com carinho. Não cansava de olhá-lo, ainda mais com os cabelos loiros brilhando dourados com a luz da lareira.
“Na última, meu pai ligou bem na hora e-“
“Shhh!” Fabrício pediu, colocando um dedo sobre os lábios do loiro. “Não vamos falar do seu pai agora. Sabe, ainda não trocamos nossos presentes.”
“Tu lembrou de comprar alguma coisa?” André perguntou, desconfiado. Afinal, o moreno havia se esquecido de comprar um presente de aniversário para o próprio tio. Fabrício riu e se levantou, indo até sua mala, de onde tirou um embrulho.
“Claro que eu lembrei.”
André aproveitou e pegou seu presente também. Quando voltou a se sentar, bebeu mais um pouco de vinho, servindo também um copo para o moreno. Fabrício sempre ficava muito animado em ganhar presentes, então aceitou o dele primeiro. Tratava-se de um óculos-escuro na cor branca, de extremo bom gosto, provavelmente de alguma marca cara.
“Tu andava falando que precisava comprar um óculos-escuro...” André murmurou, esperando que ele houvesse gostado.
“Eu adorei!” Fabrício sorriu largamente e colocou o óculos, começando a fazer um monte de poses, além de altas caras e bocas que fizeram o loiro gargalhar. Era um moreno tão bobo... “E aí, estou sexy, hm?”
“Eu acho que tu criou teu próprio senso de sensualidade.” Sorria. Sentia-se tão bobo, mas de repente não conseguia parar de mostrar os dentes. Talvez fosse o nervosismo.
Fabrício, sorrindo galante ainda com o óculos, levantou-se e buscou o presente do loiro. André ergueu as sobrancelhas ao ver um arranjo com vários presentes. Todos, em realidade, relacionados com alguns produtos de beleza.
“Esse é parte do teu presente.” Fabrício falou, voltando a se ajoelhar e depositando a cesta entre os dois. Havia perfumes, cremes de massagem, sabonetes, espumas de banho... André não queria admitir, mas era meio metrossexual e gostava de se cuidar. Fabrício acertara em cheio, pegou um perfume e experimentou o cheiro, um dos melhores que já sentira.
“Considerando que eu achava que tu nem lembraria de comprar alguma coisa...” Provocou o André, com um sorriso contido. Fabrício tirou os óculos, o sorriso de lobo surgindo em seus lábios, acendendo um aviso na mente do loiro, que se arrepiou inteiro.
“Ainda tem mais... Uma massagem de dia dos namorados com um desses cremes especiais.” Fabrício pegou o creme, despejando um pouco na mão. “Acredite ou não, sou bom nisso.”
“A-Acredito.” André murmurou, ficando meio estático. Fabrício se aproximou mais, para sussurrar em seu ouvido.
“Então não vai se deitar e aproveitar das habilidades do teu namorado?” A voz aveludada criou um alvoroço dentro do loiro, e uma gota de suor escorreu por sua nuca. A lareira estava próxima. Sem conseguir dizer nada, e com as mãos um pouco trêmulas, abriu o roupão, deixando-o escorregar até a cintura, sob o olhar atento do moreno, e deitou-se de bruços, cruzando os braços para servir de apoio à cabeça.
Não tardou a sentir a sensação inicialmente gelada do creme, seguida pelo toque quente e firme do namorado em suas costas. Mordeu os lábios, respirando fundo e escondendo o rosto entre os braços. Fabrício iniciou a massagem de maneira lenta e dedicada. Ele não havia mentido, era extremamente bom. Poucos minutos se passaram e o loiro já se sentia inteiramente relaxado, e seu corpo ardia em todos os pontos em que sentia os toques hábeis do moreno.
Fabrício começou a massagear as coxas do loiro também. Aquela visão era um tanto provocante, afinal, o roupão tapava apenas os glúteos e um pouco das coxas do André, e ele não vestia nada por baixo. Aquele clima escurecido, com a lareira crepitando próxima parecia deixar tudo mais provocativo, as chamas refletiam-se na pele branca do loiro, parecendo dançar acompanhando o ritmo de sua massagem. Subiu bem as mãos, chegando a erguer um pouco o roupão, massageando toda a extensão da coxa do namorado. André suspirou, suas omoplatas se destacando nas costas.
Queria tanto ver o rosto dele, que apoiou a mão no chão e se inclinou sobre ele, para murmurar contra seu ouvido de novo. “Vire-se.” Pediu, não conseguindo esconder o desejo na voz, e o André se virou um pouco hesitante, ficando de frente e usando os antebraços como apoio. Seu peito subia e descia já desregulado. Seus olhares se encontraram, e o moreno começou a massagear o tórax e abdômen do loiro.
As respirações de ambos estavam pesadas, expectantes.
André mordeu o lábio reprimindo um leve gemido, enquanto o Fabrício mantinha a expressão séria, mirando-o profundamente. Aquele olhar negro e os toques suaves e firmes o excitavam, era impossível evitar. Os dedos do moreno pareceram dedilhar o tanquinho contraído de seu abdômen, e André gemeu entrecortado quando as mãos dele foram novamente para suas coxas, subindo perigosamente até a virilha.
“Fabrício...” Murmurou no segundo antes que o moreno o beijasse. Inicialmente os lábios se encontraram com uma pressão que extravasava, apenas um pouco, todo o clima que crescera entre os dois. Mas não era o suficiente.
Fabrício segurou a cintura esbelta do loiro, apertando-a para puxá-lo para si, desejando sentir o corpo pálido do namorado contra o seu. André quando deu por si estava ajoelhado em frente ao namorado, estavam abraçados e seus lábios continuavam juntos. O abraço era forte, as respirações pesavam. Ambos queriam aquilo, ambos estavam nervosos. André respirou fundo quando o moreno o abraçou ainda mais forte, buscando confiança, mas também tentando transmiti-la. Ele apartou o beijo e escondeu o rosto no pescoço do André, aquele pescoço cheiroso que adorava marcar, só para depois acabar levando uns esporros pelos vergões que deixava.
Sentir o cheiro do loiro era tão bom... Viciante. Principalmente quando o calor dele o envolvia enquanto o abraçava.
“Te amo.” Admitiu, e dessa vez André estava bem acordado para escutá-lo. Pôde sentir o corpo antes relaxado voltar a ficar tenso, como se não o houvesse massageado há pouco tempo. “Te amo, loirinho...” Repetiu baixinho, mesmo assim. Não conseguia refrear a vontade de externar tais sentimentos. Amava, e queria amar o loiro de todas as formas.
André afundou os dedos nas costas do moreno, o coração batendo como um doido no peito, na barriga, nas costas... Já nem sabia onde o desgraçado fora parar. Sua voz literalmente tomara um chá de sumiço. Uma emoção inexplicável e nova parecia nascer no peito e explodir, causando uma dor que era boa. Mordeu o lábio e apertou os olhos, tentando se colocar nos eixos, mas falhando, tudo parecia ter começado a girar e não havia indícios de que pararia tão cedo.
Abriu os olhos quando sentiu um carinho nos lábios, e encontrou aquele olhar negro envolvente novamente sobre si, mantendo-o tonto, mas ao mesmo tempo acalmando-o. Fabrício sorriu ao ver aqueles olhos azul-claros perdidos que, porém, deixavam transparecer o quanto suas palavras haviam afetado seu dono. Os lábios rosados do loiro se entreabriram quando o Fabrício aproximou os seus.
“E quero fazer amor contigo hoje...” Deixou o claro o que já era bastante óbvio, mas esse era o Fabrício, sempre transcrevendo tudo em palavras com uma facilidade invejável. André sentiu uma avalanche de calor subir-lhe ao rosto, enquanto outras partes do corpo também esquentavam memoravelmente.
Sentiu-se um tanto tolo por não conseguir falar nada, mas isso não importou quando seus lábios se juntaram novamente. Nada era superior àquele gosto, àquele toque, a tudo que isso significava. A maciez da boca do moreno o envolveu e voltou a relaxá-lo, e dessa vez foram além, lentamente explorando a boca um do outro, buscando o gosto e sensação conhecidos, mas que sempre transmitiam algo novo, ainda mais naquele momento. Suas mãos procuraram um ao outro, André colocou as suas sobre os ombros do moreno e, ao ritmo do beijo, abaixou o roupão dele, expondo o corpo do namorado assim como o seu estava exposto. Pôde deixar as mãos tocarem o tórax definido do moreno, sentir os poucos pelos da região roçarem de leve em suas palmas, todos os mínimos detalhes excitando-o mais, junto aos toques que também recebia.
Era como tocar ao outro pela primeira vez, se conhecendo, se apreciando...
André se arrepiou quando o tecido em sua cintura foi retirado, ficando assim completamente despido, mas não se envergou em retirar também o do namorado, enquanto ele lhe beijava o pescoço e lhe apertava a coxa de uma maneira lenta e cuidadosa, mas ainda assim desejosa, que o fazia estremecer. Ambos nus, abraçaram-se de novo, com um beijo mais profundo. André sentou-se no colo do moreno, seus joelhos apertando a cintura dele enquanto ele o segurava como se afirmasse que nunca mais o soltaria.
Gemeram com o contato íntimo, pele contra pele, compartilhando calor e desejo. Fabrício circulou a cintura do namorado e o puxou para si, criando um atrito que os fez interromper o beijo para se encararem, ofegantes. Seus olhares pareciam dizer mil coisas, uma conversa muda, o ponto de não retorno. O loiro acariciou os cabelos negros, tirando alguns fios grudados na testa do namorado, achando-o tão lindo naquele momento, que era uma necessidade dolorosa tocá-lo, senti-lo...
“E-Eu também te amo.” Admitiu, tão baixo, que até o som da lareira ecoava mais forte, porém ambos puderam escutar as palavras completamente, sem impedimentos. Não havia mais nenhum. Fabrício abriu lentamente um sorriso largo, o sorriso bobo e contente que o André já conhecia, mas esse parecia brilhar mais do que todos os outros. A expressão ‘sorriso que não cabia no rosto’ parecia fazer sentido agora.
“Repete.” Fabrício pediu, abraçando-o mais forte.
“N-Não...” André corou, e o Fabrício não insistiu. Aquelas bochechas coradas diziam muito. Deitou o loiro contra uma das almofadas, acomodando-se entre as coxas dele. Beijou-o de novo, e de novo, até sentir os lábios dormentes, e perceber que ambos precisavam mais do que aquilo.
“Eu preciso tanto de ti...” Admitiu para o loiro, roçando seus lábios. Tocou-lhe os cabelos, ouvindo-o gemer baixo quando desceu os lábios por aquele corpo esbelto e definido. Beijou um mamilo antes de sugá-lo, e escorregou as mãos pelas laterais do corpo do loiro quando ele arqueou as costas, parecendo tão lindo e sensual assim... Podia sentir o gosto do creme de massagem enquanto o beijava o torso, descendo sem pressa. Lembrava baunilha, talvez.
Quando beijou e mordeu a virilha do loiro, sorriu com o suspiro que recebeu. Muitos outros suspiros e gemidos encheram o quarto nos minutos seguintes. André queria retribuir, mas sentia-se perdido naquelas sensações, mordia os lábios, mas não era o suficiente, tentava agarrar alguma coisa, mas havia apenas o tapete felpudo sob seu corpo, ou a almofada. Nenhum dos dois foi poupado, não quando o moreno alternava as carícias entre as duas regiões erógenas, já o preparando também com a língua ao afastar-lhe as nádegas.
Quando o Fabrício se afastou, em busca do lubrificante e camisinha, André observou-o, ficando mais quente.
Não falou nada quando o namorado posicionou-se à sua frente, apenas, vermelho e nervoso, entreabriu as pernas, permitindo. Sentia-se exposto e envergonhado, porém aquele moreno bobo era a pessoa que mais confiava, não tinha medo de se entregar. Fabrício inclinou-se para beijá-lo, excitando-se ainda mais com aquilo. Quando voltou a se ajoelhar, derramou lubrificante nos dedos e os levou à região já umedecida por seus beijos e língua.
André ofegou, apertando os olhos e trincando os dentes, a cabeça caindo contra a almofada quando sentiu a invasão cuidadosa do namorado, os dedos gelados de lubrificante espalharam, contraditoriamente, uma onda de calor por toda a região. Gemeu fraco quando ele moveu os dedos, massageando e procurando o ponto que lhe daria mais prazer. Quando arriscou abrir os olhos, com a respiração pesada, encontrou o olhar do moreno, cujos lábios entreabertos deixavam escapar uma respiração também descompassada enquanto o mirava parecendo deslumbrado com suas expressões. André mordeu os lábios, desejando esconder o rosto, mas apenas gemeu e segurou o braço do moreno quando ele apertou um ponto que pareceu disparar um gatilho de prazer em seu corpo.
“Ah, o que tu fez...?” Perguntou com dificuldade, rolando os olhos, sua mão apertando com mais força o bíceps do namorado.
“É bom?” Fabrício perguntou um pouco inseguro; nunca tentara aquilo, então pressionou mais a região, inclinando-se um pouco mais para frente e beijando o peito do loiro, sentindo o leve sabor de suor e baunilha. André gemeu como um choramingo, dobrando as pernas e subindo a mão até os cabelos negros do Fabrício, apertando-os com força quando ele introduziu mais um dedo. “Está doendo...?” Perguntou o moreno, num sussurro, erguendo um pouco o olhar.
“N-Não...” André negou com o rosto queimando, e arfou quando o namorado envolveu-lhe o pênis com a mão, tocando-o de leve.
“É... Parece que não. Está bem duro...” Fabrício falou. Bobo.
“Cala a boca.” André demandou, mas aceitou facilmente os lábios do moreno quando estes o procuraram, beijando-o com a sugestão de um sorriso. Moveu-se sob ele, com o coração batendo forte. Era um pouco revoltante que sentisse tanto prazer com beijo grego, explorações com dedos... Como seria quando...? Oh, era melhor não pensar muito, não logo antes de acontecer.
E o moreno de fato logo se afastou, buscando por uma camisinha. André mordeu o lábio, vendo-o ajoelhado com o corpo brilhando de leve com as luzes da lareira, que deixavam o quarto tomado por um véu avermelhando a escuridão da noite. Ergue-se também, colocando uma mão sobre o peitoral do namorado, que o olhou interrogativo, um pouco confuso. Teria desistido?
“Ainda não...” André murmurou, e suavemente guiou o moreno para que tomasse seu lugar, deitando-o contra a almofada confortável. Fabrício não objetou, seu olhar não saía do loiro, sua curiosidade estava nas alturas.
Definitivamente não estava esperando pelo que estava por vir. Viu o namorado começar a beijar lentamente seu peito, escorregar os lábios pelos músculos de seu abdômen, contornar com a língua o umbigo e dedicar grande esmero em seu ventre e virilha, alcançando o pênis teso. André o segurou, erguendo momentaneamente o olhar, encontrando os olhos expectantes e impressionados do namorado. Fabrício tinha o queixo um pouco caído, aquele simples olhar do loiro, ruborizado, antes que ele fechasse vagarosamente os olhos e envolvesse com os lábios seu membro deixou-o tonto com a perfeição da cena. O calor da boca do namorado... Gemeu extasiado.
“Meu Deus, André... Isso é incrível.” Falou entrecortado, seu rosto deixando transparecer o prazer acalorado. Nem importava que ele não tivesse tanta perícia, era fantástico, uma espécie de conquista que mexia com seu lado mais primitivo, principalmente ao ver sua ereção praticamente sumir na boca do loiro. Gemeu novamente jogando a cabeça para trás, e sua mão acariciou os cabelos do namorado. Havia se esquecido do quanto aquilo era bom... Ou melhor, nunca fora tão bom.
Voltou a pôr-se nos cotovelos alguns minutos depois, para observar e apreciar a cena. O loiro ergueu-lhe o olhar de novo, enquanto tocava com a língua a ponta da glande. Bem, isso era demais. Puxou-o pelos ombros e o beijou, devorando-lhe os lábios macios. Não queria terminar aquilo tão cedo, queria ir adiante...
“Não vou conseguir parar hoje.” Admitiu rente à boca do namorado, rouco, excitado. Seus beijos desceram e beijaram despudoradamente o pescoço do André, com risco de deixar chupões que durariam por uma semana, ou mais. André gemeu fraco, suas ereções novamente roçavam provocativamente; não saberia dizer se havia murmurado o nome do moreno, ou apenas pensara. Em realidade, sua mente parecia repetir o nome Fabrício de maneira incansável, um chamado desesperado, erótico, ansioso...
“Não quero que pare.” Falou sem pensar, e segurou o rosto do moreno quando ele abandonou seu pescoço, com um sorriso lindo. Beijou-o de leve, e novamente empurrou-o suavemente contra a almofada. Alcançou a camisinha e, com habilidade, vestiu-a no moreno, que o encarava um tanto abismado, mas novamente curioso. Quando, após derramar o lubrificante, o loiro o montou, apoiando as mãos em seu peito, para se deixar penetrar, Fabrício precisou se segurar para não ter um orgasmo naquele exato segundo. Segurou a cintura do loiro, olhando-o sem conseguir respirar direito.
Aos poucos, começou a sentir a pressão ao redor do pênis, o calor do corpo do namorado... A descida era vagarosa, a expressão de concentração e dor do loiro era extremamente sensual, a gota de suor escorrendo pelo pescoço jamais poderia ser captada com perfeição nem mesmo pelo melhor dos pintores. Nada daquilo poderia. Era único, especial, um momento apenas dos dois. André descia lentamente e, oh, se o loiro soubesse que doeria tanto no início... Não, mesmo que soubesse, não mudaria nada. Gemeu arranhando o peito no namorado, sentindo que faltava apenas um pouco. Maldito moreno bem dotado.
“Fabrício...” Deixou escapar, seus ombros tensos, os olhos fechados. Percebeu que ele se erguera um pouco, tocando-lhe o rosto.
“Eu nunca vou esquecer esse momento...” Murmurou o Fabrício, seu tom apaixonado. André pensou em como ele sempre era tão brega, porém a frase o fez relaxar, junto com um sorriso, seus olhos ainda fechados. “Olha pra mim...” Ele pediu, e o loiro acabou por obedecer. O carinho em seu rosto era extremamente relaxante. Achou que ele falaria algo romântico novamente, mas o que ele disse foi: “Pode morder, se precisar.”
André riu, passando os braços pelos ombros do namorado, esquecendo-se da dor. Encostou a testa à dele, logo vindo o beijo, intenso, apaixonado, que roubava o ar e espalhava o desejo pelo corpo. André moveu o quadril, já sentindo o prazer começar a despertar. O gemido do moreno era algo incrivelmente sexy – rouco, grave, instigante, assim como a maneira que ele lhe segurava a cintura, ajudando-o a se mover.
“Eu achava que isso seria impossível há uns três meses atrás.” Fabrício admitiu interrompendo brevemente o beijo. “Acho que eu nunca ia ser feliz na vida se não tivesse te reencontrado.” Olharam-se.
André apenas gemeu, sentindo-se ainda mais quente com o romantismo. Às vezes tinha vontade de mandar o Fabrício ficar quieto quando ele fazia esse tipo de declaração que o deixava constrangido e sem respostas, mas ele sussurrava tudo de uma forma sensual e sincera, os olhos negros brilhando de um jeito incrível, que lhe dava vontade de beijá-lo.
Fabrício era tão intenso em tudo, liberava um calor sem fim através daqueles olhos.
“Exagerado.” Disse o abraçando, pois não queria que ele visse seu rosto. Aquilo tudo começava a emocioná-lo, seu corpo se entregara de vez e, com mais um leve rebolado, sentiu-se pulsar de prazer, toda a dor desaparecida. Mordeu o lábio, mas o gemido encheu o quarto da mesma forma. “Mas... Tu mudou minha vida...”
“Pra melhor?” Fafá perguntou, mesmo que fosse óbvio.
“Não me faça ser mais brega que tu...” André exigiu baixinho, e o Fabrício riu, segurando-lhe o rosto e o beijando. O loiro, só de ver o namorado feliz, sentia-se ainda mais feliz. Era tão estúpido estar apaixonado. E tão bom... Oh, Deus, eu vou acabar pior que o Fabrício. Abraçou-o com mais força.
“Por ser brega que consegui te conquistar e levar pra cama, então ‘tá valendo.” Fafá concluiu, brincalhão.
Sorriram. André o chamou de idiota num sussurro. Foi quando o Fabrício o deitou, cobrindo-o com o corpo. As pernas brancas do loiro envolveram o quadril do namorado, e pôde senti-lo ir fundo contra seu corpo. Gemeu, esticando um braço atrás da cabeça, como num espasmo, sem querer derrubando a taça de vinho servida mais cedo. Não importava, não pararam. O ritmo apenas aumentava, contagiante.
Perderam-se um no outro, amaram-se livremente, completamente, como nunca poderiam fora daquelas quatro paredes, no mundo cheio de preconceitos onde viviam. Mas não era importante, não naquele momento.
Naquele momento, pertenciam um ao outro.
As peles roçavam, as sensações eram profundas. Os gemidos enchiam o ambiente, tornando-o erótico, misturavam-se com as respirações rápidas, os murmúrios sem sentido, o choque da pelve do moreno contra os glúteos do loiro. De repente, não existiam mais inibições. Trocaram de posição sem combinações prévias. André se ajoelhou, ficando de quatro, mas escondeu o rosto entre os braços. Mordeu seu antebraço quando o moreno foi fundo, segurando-lhe com firmeza pela cintura, inclinando-se sobre si para lhe beijar as costas e as omoplatas.
“Estou viciado em ti... Eu quero te beijar e fazer amor todos os dias.” Fabrício sussurrou contra sua orelha, beijando-lhe o pescoço e nuca, enquanto o loiro mordia o lábio e ondulava o quadril, arranhando o tapete. Seus joelhos doíam um pouco, mas mal percebia. Havia prazeres maiores superando qualquer desconforto. Tentou olhar o Fabrício por cima do ombro; começava a se sentir mais sensível, os mínimos movimentos dele contra seu corpo pareciam enfraquecê-lo tão fortes eram as descargas de prazer rasgando-lhe os músculos, inundando a mente, nublando a visão.
“Pare de falar... Estou aqui, tu pode fazer tudo que quiser...” Falou, a voz lúbrica como o corpo. Fafá chegou a parar para encará-lo, mas frente à sobrancelha erguida em desafio do loiro, seus lábios se encontraram de novo, e o moreno aumentou um pouco o ritmo. Cobriu o namorado, colocando as mãos sobre as dele. Sentia que poderiam chegar juntos a qualquer momento. Fabrício afastou-se antes disso, virando para si um loiro confuso. Sorriu, beijando-o profundamente.
“Quero ver teus olhos quando gozarmos...” Murmurou, enquanto se deitavam novamente. Apenas a penetração fez com que o loiro sentisse que não aguentaria muito, um gemido mais alto deixou isso claro. Fabrício aumentou a força e vigor dos movimentos nos minutos finais, e ambos foram tragados pelas sensações insuperáveis e intensas.
Segurou o rosto do loiro, olhando para ele como prometera. Beijavam-se brevemente, mas logo voltavam e olhar um para o outro. André o segurou forte, seus olhos se abriram mais, revelando todo o azul de cada um deles, e um pequeno grito lhe escapou quando enfim sentiu-se arrebatado pelo orgasmo. O Fabrício ainda se moveu mais vezes, nas últimas investidas que pareciam quase desesperadas, e voltou a beijá-lo, um beijo profundo, repleto de significado.
Uma entrega mútua.
Suas mãos se encontraram e entrelaçaram, e o Fabrício gemeu rente à boca do loiro, ao também atingir o ápice.
André o abraçou quando ele caiu mole contra si, ofegante e suado, nada diferente de como se sentia. Abraçou-o com toda a força que lhe restava, afogando-se naquela sensação nova, de uma entrega e confiança que nunca antes havia experimentado. Quase sentia vontade de chorar, o que era estúpido, mas seu peito estava apertado; porém de uma maneira boa, uma maneira que lhe preenchia e aquecia.
Fabrício deitou-se ao seu lado; em silêncio, livrou-se de camisinha. Ficaram uns minutos sem falar nada, escutando os sons calmos da lareira. O quarto parecia mais quente do que antes; suas mãos se acariciavam de uma maneira reconfortante e gostosa, ambos sorriam sozinhos em dados momentos, sem perceber.
Até que o moreno deitou-se de lado, apoiando um cotovelo no tapete.
“Eu ia perguntar se tu gostou... Mas deu pra saber direitinho o que achou.” Brincou convencido e mirou satisfeito o pescoço do namorado. Adorava deixar aquelas marcas arroxeadas, mesmo sabendo que iria apanhar quando André se olhasse no espelho.
Acabou apanhando da mesma forma.
“Vê se te enxerga.” André murmurou, desviando o olhar. Fabrício riu e o beijou no ombro, depois nos cabelos, voltando então a encará-lo.
“Prefiro ficar te olhando. Todo corado.” Sorriu levado.
“Orgasmos te deixam insuportável, é isso?” André tentou acertá-lo, mas o Fabrício o impediu, segurando-o, e os dois rolaram no tapete numa lutinha boba, rindo, e perdendo o pouco fôlego que lhes havia restado.
André acabou sobre o moreno, prendendo os braços dele.
“Me diz como fui acabar assim contigo, hein? Tu passou tua loucura pra mim.” André concluiu, mas afagou o rosto do moreno com suavidade. Depois se inclinou e o beijou docemente nos lábios. Fabrício lhe acariciou as costas, sorrindo enlevado com aquilo tudo.
“É bom ser louco.” Fafá assegurou. “Louco por ti.”
André soltou uma risada incrédula, sua testa encostada à do moreno.
“Como tu é bobo.” Murmurou, acomodando-se sobre ele, de uma forma um tanto felina que fez com que Fabrício o comparasse novamente com a Cherry. Acariciou a região na lombar do loiro e mordeu-lhe também o lábio arroxeado.
“Mas tu gosta.” Fabrício o abraçou. “Então vou ser sempre bobo...”
“Aonde foi que eu me meti...” André murmurou, o tom falsamente arrependido, mas sorria também.
“Te amo.” Fabrício repetiu, não cansava de dizer.
Beijaram-se de novo, e de novo. Passaram ainda algum tempo namorando, ou falando bobagens românticas ou não. Beberam vinho e comeram os aperitivos, sentindo a fome bater forte após todo o gasto de energia. Mais tarde, acabaram repetindo a experiência, porém na cama, espalhando edredons e lençóis pela cama e pelo chão. A segunda vez parecia ainda melhor, conhecer o corpo um do outro era excitante, cada nova descoberta era uma vitória mútua; risos e gemidos jamais haviam combinado tanto.
A noite foi deliciosamente longa.
XxxX
Os jardins do hotel eram extremamente bonitos, ainda mais quando tocados pelos primeiros raios de sol. Fabrício acordou cedo, não sabia exatamente por que, talvez porque a noite anterior fora intensa demais e agora sentia o corpo ainda repleto de adrenalina; poderia repetir tudo agora pela manhã, mas, ao ver o loiro profundamente adormecido, resolveu deixá-lo descansar, por mais difícil que fosse sair da cama sem roubar uns beijos.
Vestira-se bem agasalhado e pegara o violão que havia trazido. Não viajava sem ele, seu fiel amigo. Caminhou um pouco pelos jardins, apreciando a vista, sentindo o ar gelado entrar pelas narinas, deixando-o alerta, bem acordado. Seu humor estava melhor do que já era naturalmente, logo era possível afirmar que não havia pessoa mais feliz que ele no mundo naquele momento, seu sorriso bobo comprovava o fato.
Infelizmente deparou-se com o mesmo garoto do dia anterior, o qual implicara com ele e o loiro no parque de neve. O dito Carlo estava caminhando enquanto olhava para o celular, provavelmente se dirigia ao restaurante, onde encontraria os amigos. Ele parou ao vê-lo.
Encararam-se.
“Olha só se não é a b-“
Fabrício o socou antes que ele falasse qualquer coisa. O garoto caiu de bunda na grama úmida pelo sereno da noite.
“Tu ‘tava merecendo isso, desde ontem.” Sorriu, bem-humorado, enquanto o Carlo segurava o nariz, olhando-o embasbacado. Provavelmente não esperava por aquilo, não da pessoa que justamente impedira uma possível briga. “O que foi? Quer mais?” Fafá perguntou, e seu ar sorridente apenas assustou o rapaz.
Carlo se levantou aos tropeços e correu para longe. Fabrício balançou a cabeça, esse tipo de pessoa realmente só sabia ladrar e, quando – literalmente – levava na cara, fugia. Mas melhor assim, André provavelmente brigaria caso descobrisse que o havia deixado de fora de uma briga. Aquele loiro era invocado. Riu com o pensamento, caminhando aleatoriamente. Acabou em um banco próximo do bangalô em que estavam hospedados. Sentou-se e acomodou o violão no colo, começando a dedilhá-lo, deixando a melhor música surgir naturalmente.
Se alguém já te deu a mão
E não pediu mais nada em troca
Pense bem, pois é um dia especial
Eu sei que não é sempre que a gente encontra
Alguém que faça bem e nos leve desse temporal...
André estranhou quando acordou e não achou o moreno. Era cedo ainda. Levantou-se e vestiu-se parcialmente – acabou colocando um longo roupão de mangas compridas oferecido pelo hotel, que protegia parcialmente do frio. Abriu a porta do bangalô, espiando o lado de fora após checar o banheiro e não encontrar ninguém ali. Acabou ouvindo a voz do moreno e, apesar do frio, caminhou para fora. Passou por algumas azaleias e pequenas árvores, e encontrou o namorado tocando e cantando sozinho.
O amor é maior que tudo
Do que todos, até a dor se vai
Quando o olhar é natural...
Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei nesse mundo marginal...
Parou observando-o, e apoiou-se ao tronco de uma das árvores. Amava aquela voz. Como poderia cantar tão bem? Não fosse pela medicina, o moreno bem que poderia tentar a carreira musical.
Fafá o viu e sorriu, não parando com a cantoria.
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
André riu, abaixando o rosto. As músicas sempre encaixam, seria premeditado? Achava que não, provavelmente era apenas natural. Fabrício se levantou, jogando o violão para as costas, e caminhou até o loiro. André, que já estava sentindo o frio vencer as poucas barreiras da roupa que colocara, aceitou o abraço quente e aconchegante do namorado.
“Não achei que acordaria tão cedo.” Ele falou.
“Tu não ‘tava lá... Dei uma espiada no lado de fora e aí ouvi tua voz...”
“Tu sabe como eu sou... Preciso extravasar o que ‘tô sentindo com alguma música.” Explicou, sorrindo ao ver o nariz avermelhado do loiro, devido ao frio. “Vamos entrar, antes que tu acabe resfriado...”
“Tudo bem.”
“Está conseguindo mesmo andar? Meu tio falou que quando ele e o Rique-“
“Sério, eu não quero falar sobre isso.” André o cortou. Sim, havia um desconforto ali atrás, mas era bastante suportável. Não era feito de vidro, já aguentara dores piores. “Também não quero saber como o Rique ficou após a primeira vez dele.”
“Ok...” Fafá concordou, rindo, e o beijou. “Vamos entrar, pedir o café da manhã. ‘Tô morto de fome.”
“E quando tu não ‘tá morto de fome?” André perguntou retórico quando começaram a caminhar de volta ao bangalô.
“Hei! Não é tanto assim! Já me falaram que quem me controla é minha barriga, não o cérebro, mas...”
“E eu concordo plenamente com isso, principalmente quando tu começa a reclamar de fome meia hora depois do almoço.”
“Bah mas isso é muito exagero!” Fafá discordou.
Entraram no bangalô ainda discutindo aquilo. O moreno até tentou comer menos no café da manhã, para provar seu ponto, mas falhou miseravelmente. Comeu mais que a barriga. André o olhou vitorioso. É, o loiro geralmente ganhava naquelas discussões bobas – certo que muitas vezes era por ser extremamente teimoso. Mas não daquela vez.
Alimentados, descansaram mais um pouco, deitados na cama juntinhos, planejando distraidamente o que fariam naquele dia. André não se esqueceu de xingar o namorado pelos chupões que lhe deixara, teria de usar um cachecol por vários dias. Mas ainda havia muito que visitar, e tinham poucas horas. Queriam aproveitar ao máximo, afinal...
Estavam definitivamente tendo o melhor final de semana de suas vidas.
Fale com o autor