Good Nightmare
2 Professores não dizem palavrões
Notas iniciais
– Eu não posso mais tolerar esse tipo de comportamento em minha sala de aula! Eu não aguentarei mais um dia ter que olhar para a Srta. Truppel! Ou ela sai, ou eu saio!
Eu preferiria ser atirada num caldeirão de óleo fervente do que ter de aturar o Pr. Sr. Capivara das Capivaras. Mentira, eu dou valor a minha vida, mas ter que tolerar ele falando que não pode mais tolerar a minha presença pois sua tolerância já se esgotou, é pior do que ficar um dia inteiro sem doces.
Eu achava que nada poderia ser pior, mas eu me enganei.
– Sr. Hoffman, se acalme. Nós vamos arranjar um jeito civilizado de resolver isso.
Bufei e revirei os olhos. Não podia esconder que o vocabulário maravilhosamente culto de ambos me irritava!
Passei os olhos pelo relógio e percebi que havia passado uma hora, e eles ainda estavam ali discutindo o que deveriam e não fazer.
Meu pai, grande pai, não poderia comparecer agora. Não sei se achava isso bom ou ruim, mesmo que eu tivesse que me ferrar depois, eu já estaria em casa roncando tranquilamente.
– Eu não acho que a expulsão seja a solução que o Sr tanto almeja... – Pelo menos alguém tinha compaixão de meu ser – Mas acho que há maneiras de que ambas as partes entrem em igualdade... – O coordenador ergueu uma de suas sobrancelhas e direcionou um olhar perverso à mim.
Ooohhh meu Deus do céu! 1° Eu não curti nem um pouquinho esse olhar. 2° O coordenador Scott me odiava. 3° Eu tenho a leve sensação de que quem irá se foder nessa história será euzinha.
– A Srta. Olivia Truppel ficará encarregada de ajudar o Sr. em quaisquer serviços relacionados a escola, com 50% dos seus deveres educacionais e participará de todas as reuniões de professores. Também irá lavar todas as escadas do colégio...
– ME EXPULSE!!! ME EXPULSE!!! ME TIRE DESSA ESCOLA!!!
– E visitará o psicólogo da escola duas vezes por semana.
– NÃÃÃÃÃÃOO!!! – Gritei me levantando desesperada.
– Perfeito! Então isso é um acordo? – William estava visivelmente mais calmo e muito, muito satisfeito.
– Claro, e começa a partir de amanhã! – Os dois se levantaram e apertaram a mão um do outro, ambos estampando um sorriso.
Legal! Muito Legal! Nem mais direito de opinar sobre minha vida eu tenho!
William 1x0 Olivia
Ele me olhou com um sorriso no rosto e os olhos brilhando, logo saiu da sala.
Deus que me segure para eu não voar na cara desse homem e enfiar meu dedo em seu olho!
– Cínico! Cínico! Cínico! – Já não via a hora de sair daquela maldita sala quando...
– Olivia. – O barulho de um papelzinho sendo arrancado. – Essa é a sua detenção e sua advertência, cuide delas com carinho.
Filho da p...
. . .
– QUER DIZER QUE VOCÊ VAI AO PSICÓLOGO?!
– Vou...
Sabe, certas pessoas tem o prazer de levar seu ânimo para o inferno. Eu chamo essa pessoa de Brenda.
Minha melhor amiga... e eu ainda não sei por que tenho inimigos.
– Cara, para! Você tá parecendo uma louca! – Ian tentou, mas a hiena descontrolada não parava de rir.
Ela precisa de um psicólogo, não eu!
– Cara, isso é muito hilário! Você sendo obrigada a receber ajuda psicológica...
– Eu sei, eu sei. É trágico, não engraçado! Pena não ser só isso...
– Para com isso, o resto é como ganhar na loteria. Você vai passar mais tempo com o professor “gostoso da matemática”.
Grande loteria, recebo um prêmio de 100 privadas cheias de bosta.
Enquanto conversávamos, a cozinheira servia os nossos pratos com a sua cara de “você vai comer essa gororoba se não quiser passar fome”.
– Fala a verdade, Olivia, ele não é lindo? – Ian revirou os olhos e caminhou em direção a nossa mesa.
– Não! Ele não é! – Eu já ia fazendo o mesmo caminho que meu amigo, mas a abelhinha me segurou ali.
– Não minta para mim! – Me fitou com os seus grandes olhos verdes.
Brenda era bonita, ela podia ter qualquer garoto que quisesse. Alta, cabelos dourados, olhos verdes e um corpo proporcional, mas sabia ser muito chata quando queria.
Suspirei me dando por vencida, vai por mim, contrariar ela nunca dá certo.
– Sim, ele é um pouco bonito. – Respondi entediada. Mesmo a comida daqui não sendo tão boa, eu estava com fome!
E essa não é uma novidade.
A garota deu pulinhos de alegria e bateu palminhas. Típico. Arrastei-a até a mesa para que pudéssemos, pelo menos, almoçar em paz.
. . .
– Você está ficando louca Olívia?!
Eu não tinha nem chegado em casa e lá estava meu irmão, Adam, na porta de casa segurando o sermão em uma mão e o castigo na outra. Eu sei que você tem inveja da minha vida, tudo de bom que você possa imaginar acontece comigo.
No final tudo deu certo, pelo menos em casa o meu dia foi bom. Não tive castigos e pude ficar comendo e lendo em meu quarto.
Eu gostaria que isso fosse verdade.
Além de ter chego em casa ensopada porque minha carona era o Ian e fiquei presa na detenção, recebi o castigo de ficar sem TV e ter que me comprometer em limpar a casa por dois meses. Vidão...
Graças a um simples xingamento eu estraguei meu sossego.
No primeiro dia letivo.
. . .
– Se eu chegar atrasado mais uma vez por sua culpa, eu vou arrancar os dedos dos seus pés e fazer você engolir, Olivia!
Mais uma vez, me atrasei e levei Ian para o atraso junto comigo, porque levar os amigos para o buraco junto comigo é a minha especialidade.
O ryco aqui tem um Audi nada humilde. Filhos de rycos tem carros de rycos (tá, parei).
Vamos a uma descrição breve dele: A criatura é mais pálida que porcelana. “O branco de neve”, como eu e Brenda o chamamos. Cabelos pretos e olhos castanhos, quase vermelhos. Há dias que essa pessoa parece um demônio querendo levar tua alma, ele é o autor de vários sustos rotineiros meus e de Brenda.
Ele foi meu primeiro namoradinho, aos 10 anos, quando a gente achava muito vergonhoso abraçar um ao outro em público. Tsc tsc... Onde foi parar a nossa inocência?
Mas depois de mim ele ficou com um mau gosto do caramba. Ele prefere as loiras oxigenadas e populares da nossa escola. Tenho pena do gosto dele, de verdade.
Brenda tem um namorado, bom é o que ela fala, mas ela nunca nos apresentou, mas prefiro não me intrometer em sua vida pessoal.
Quando Ian estava estacionando o carro, ao longe avistei Jennifer, a líder de torcida do colégio se esfregando e se contorcendo para o bonitão.
Caralho, logo cedo?
Sorte nossa de não termos nos atrasados.
– Olivia? – Ah, mas era hoje que meu dia ia começar bem. Agarrei minhas coisas e caminhei em passos firmes até o casal 2015. Ao fundo, pude ouvir a porta do carro de Ian se fechando e ele perguntando aonde eu ia.
A expressão de William foi ficando séria à medida que eu me aproximava. Logo entrei na frente dele interrompendo a ariranha.
– Bom dia Pr. Hoffman. – Raiva*Raiva*Raiva – Bom dia Jennifer, como vai o time de basquete?
Um ponto de interrogação muito grande se formou no rosto da morena.
– Por que eu deveria saber?
– Pensei que você já tivesse dormido com todos eles, agora você tá querendo atacar os professores, é isso? – Já não era a primeira vez que essa vadia tentava alguma coisa com o William.
– Olha aqui, quem você...
– Jennifer, vá para a sala, por favor. – Ordenou o carinha de carão para a vadiosa.
A guria bateu os pés e foi bufando para dentro da escola, com sua postura de dei ontem, anteontem e... enfim..
O bonitão com cara de poucos amigos se virou para mim.
– O que você acha que está fazendo?
– Te livrando de uma guria com quem o senhor não poderia nunca levar para a sua casa.
– Quem eu levo ou deixo de levar pra casa é problema meu! E ela só estava tirando uma dúvida!
– Dúvida de que Hoffman? Anatomia?
Ele me analisou por alguns segundos com os seus grandes olhos azuis arregalados. Eu me arrepiei, e não, não foi uma coisa boa.
Foi a primeira vez que senti medo ao olhar nos olhos de William.
Medo de verdade, nem se compara ao medo que senti quando o mesmo prometeu me reprovar ano passado.
– Vamos ver quem vai se foder no fim dessa história. – Cuspiu essas palavras em minha cara e entrou em passos firmes na escola, deixando uma Olivia assustada para trás.
Algo me diz que quando professores falam palavrões, coisas boas não estão por vir.
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