Good Nightmare
7 Inimigos?
Notas iniciais
Prestar atenção às aulas sempre foi uma coisa um pouco, talvez muito, difícil para a minha pessoa, mas digamos que ultimamente têm se tornado uma missão impossível. Brenda e Ian já haviam notado que algo martelava em minha cabeça, mas até agora não haviam me perguntado sobre isso.
Os conheço tempo suficiente para entender seus olhares.
Evitar meu professor de matemática estava sendo meu objetivo principal, Eric meu segundo, e evitar meus amigos e família a consequência de tudo isso.
Tudo corria perfeitamente bem, até meu bendito coordenador ligar para meu pai e perguntar o motivo das minhas faltas frequentes e absurdas.
Se meu pai havia notado isso? Ele não notou nem que minha mãe estava grávida de 8 meses antes de eu nascer.
Eu tentei me atrasar o máximo possível para a aquela primeira aula de terça-feira. Eu só queria pegar um refrigerante silenciosamente e me trancar no banheiro feminino do ginásio com meu celular e meus joguinhos abandonados.
Bater naquela estúpida máquina estragada e xingá-la foi uma ideia maravilhosa... Para chamar a atenção do país inteiro.
Ser arrastada por uma mulher por 5 corredores foi de longe o que eu mais queria no momento, ainda mais com sua mão delicada querendo abrir um buraco negro em meu ombro.
A mulher me jogou bruscamente na sala em que deduziu ser a certa.
O som ensurdecedor da porta se fechando atrás das minhas costas fora horrível, mas o olhar da sala inteira nem se comparou a tal ato.
Timidez me define, mesmo que eu pareça outra pessoa com certa quantidade de álcool em meu corpo.
Apertei o papel de atraso entre meus dedos e pude sentir minha pele suar frio.
Um borrão em minha visão chamou a atenção do meu ser atraindo meu olhar para a silhueta daquele homem esguio.
Com suas costas encostadas ao quadro negro e com os olhos em um tom de azul marinho, transmitindo sua expressão frustada e cansada mesmo que sua fisionmia não aparentasse isso, encontrei uma das cenas mais lindas da minha vida.
Não sou muito detalhista, mas depois de um longo tempo sem vê-lo (3 semanas é muito tempo para mim) não pude evitar de capturar cada coisa sua.
Cabelos castanhos claros bagunçados, cenho levemente franzido e barba por fazer. Uns dois botões de sua camisa mais próximos ao seu pescoço abertos, mangas mal dobradas até a altura dos cotovelos. Calça bege em contraste com sua camisa e óculos pretos.
Essa imagem iria ficar eternamente na minha mente.
Caminhei em passos inseguros até o dono de meu ódio profundo. Depositei em suas mãos o pequeno pedaço de papel significativo e os dedos de William apertaram-os fortemente. Logo tirei-os de perto da pessoa maldosa como um relâmpago.
O que havia acabado de ocorrer passara despercebido pelos olhos dos meros expectadores ali presentes, os seres só puderam se deliciar com o breve riso do esmagador de dedos.
Praticamente corri para o lugar vazio mais longe do quadro e tentando estabilizar o meu todo.
O mesmo virou para o quadro e começou a deslizar a caneta em suas mãos pelo grande objeto verde escuro.
– Todos na página 263.
[...]
Almoçar foi uma tarefa parcialmente irritante.
Eu devo ter agradecido pela fachada curiosa de meus dois amigos cedo demais, pois assim que voltei para às aulas de matemática, até mesmo a megera da namorada de Ian ficou curiosa.
Comecei a ficar desesperada e irritada ao mesmo tempo com a cachoeira de perguntas que estavam os dois, e cheguemos a conclusão de que essas duas coisas juntas me fazem fazer muita merda.
Brenda sugeriu de irmos ao parque de diversões (ou qualquer seja o jeito que eles queiram chamar aquela coisa) já que era o último dia, e eu acabei concordando com essa desgraça para mudar de assunto o mais rápido possível.
Preferiria ir até mesmo ao inferno com esses dois do que ao parque de diversões.
Deixei-os conversando animadamente sobre o tal “passeiozinho” e fui até a sala do coordenador, onde um matemático bonzudo (essa palavra nem mesmo existe) deixou os tais exercícios em excesso para um poço de inteligência corrigir.
Abri a pasta entupida de folhas e apenas fui contando quantos anos eu demoraria para terminar tudo isso.
– Ah! Olivia! – O senhor me chamou e virei para ele bruscamente – O Sr. Hoffman solicitou sua presença hoje de tarde. – Olhei para o velho barrigudo aterrorizada e com um ponto de interrogação estampado em cada pupila minha – Ele não disse o porquê.
Se os demônios estão entre nós, tenho certeza de que um leva o sobrenome Hoffman.
[...]
Logo que acabaram minhas aulas, me despedi de Ian e Brenda com a desculpa de que iria pegar carona com uma amiga distante minha. Desmarcaria o encontro com ambos minutos antes para que eles não desmarcassem entre os dois.
Esperei que todos os estudantes fossem embora deixando os corredores vazios.
As aulas acabam 16:30, foram necessários 40 minutos no puro tédio escutando algumas músicas aleatórias no vestiário masculino (não sou pervertida, o das meninas estava trancado) e comendo alguns salgadinhos que arranjei não sei onde.
Meu objetivo era fazer William esperar pela eternidade para que eu pudesse me livrar de sua presença.
Por que não fugi junto com todo mundo? Eu pensei em fazer isso, se esse armário não estivesse parado bem em frente à porta da saída principal.
Como todas as outras estavam trancadas, não vi alternativa melhor do que esperar escondida em algum canto.
Eu nunca fui uma menina muito esperta, não conheço direito o colégio no meu segundo ano, então locomover meus 50 kg por aqueles corredores com as luzes apagadas e o sol me abandonando estava se tornando decepcionante.
Já haviam sido três portas trancadas.
Três.
Passar a noite num lugar como esse não poderia ser tão ruim assim, certo?
Errado.
Não vejo o porquê de construir um colégio gigantesco!
Minha visão já estava escura o suficiente para enxergar tudo quase como uma sombra. A noite já estava tomando o lugar do dia.
Cheguei ao final de um corredor e quase chorei de alegria. De ambos os lados, uma porta.
Eu juro que se as duas estiverem fechadas eu me mato.
Corri como uma besta para o lado direito, o lado da sorte para quem não sabe disso, e agarrei a maçaneta com impulso extremo, ocasionando um estrondo ensurdecedor.
Trancada.
Que delícia cara...
Girei meu corpo e dei uma longa corrida de 2 metros.
O que vi me fez paralisar.
No meio do corredor, uma sombra gigantesca se mantia imóvel e de braços cruzados, impedindo qualquer outro caminho alternativo para mim.
A palavra encurralada veio mais rápido que o desespero em minha cabeça.
Mesmo que não enxergando nenhuma característica do ser, eu sabia exatamente quem era.
Impressionantemente ele deu as costas para mim se direcionando à porta oposta a qual eu estava próxima.
Cogitar a ideia de sair correndo seria uma das coisas mais estupidas que eu poderia fazer. Qualquer um percebe que ele é bem mais veloz e forte do que euzinha.
Uma de suas mãos segurou a maçaneta delicadamente e a girou do mesmo modo.
A porta estava aberta.
Não era preciso nem mesmo olhos para saber o tamanho do sorriso de William.
Então... Suicídio está se tornando uma ideia nem um pouco aterrorizante.
[...]
– Você chama isso de correção de exercícios? – Uma papelada foi jogada em cima da mesa quase tapando por inteiro o meu campo de visão (note o exagero da criança).
Eu fui vendo os absurdos que eu estava marcando como certo em cada folha. Eu dei nota miníma para todos os outros e a minha notinha estava brilhando de maravilhosa.
Eu preciso ser mais discreta com esse negócio.
– Eu mal consigo tirar uma nota decente e você quer que eu corrija suas coisas? – Bufei e virei meu corpo ficando de costas para ele na cadeira – Sinceramente, Hoffman, eu achei que fosse mais inteligente do que isso.
Escutei seus passos se aproximando de mim. Seu corpo se moveu para a frente do meu e me recusei a levantar a cabeça, fitando apenas seus tênis oxford aveludados que deveriam custar a minha alma e mais um pouco.
– Eu tinha esperanças para você. – Ele comentou –Sabe? Eu achei que fazendo você quase reprovar ano passado iria mudá-la. – Ele jogou uma folha em meu colo e fui brigada a olhá-lo. – Todas as respostas estão aí.
Ele caminhou até uma estante de madeira na sala e foi caçando alguma coisa.
Me virei para os papéis e comecei o meu serviço escravo. Deduzi que ele não iria me liberar até terminar toda a papelada.
William acendeu uma luz amarela acima da mesa e voltou à ela com um copo na mão e uma garrafa na outra.
– Isso não é proibido?! – Como assim eles guardam uma garrafa de whisky na sala dos professores de uma instituição como essa?
– Assim como é proibido para menores, Srta. Truppel. – Respondeu empurrando o copo ao meu alcance.
Seu olhar estava corroendo minha pele. Ele mesmo já havia me visto bebendo antes, e se eu não bebesse agora, provavelmente ele penduraria meus ossos no seu guarda-roupa.
– Você é um pedaço de desgraça nesse mundo. – Quase que obrigada, engoli o líquido rasgante.
Ele riu.
– Então você acha que pode fugir da desgraça, Olivia? – Ele puxou o copo de volta e o encheu.
O homem virou o copo em 3 segundos.
Foi nesse momento que percebi que ela não havia começado com isso agora.
– Eu tento fugir de desgraças como você. – Digo com um tom de desprezo notável.
– E daquele ruivo branquelo você não tenta, é isso? – Seu sorriso cínico e a situação em si começaram a me incomodar.
Levanto minhas sobrancelhas em espanto. O que ele tinha com a minha vida?
– O que está querendo dizer com isso?
– Da minha cama você foge, mas para a dele você vai correndo.
Um calafrio percorreu todo o meu corpo.
– E-eu n-não...
– Eu desisto de uma gostosa porque te acho jogada no chão, te levo pra minha cama e aí você sai correndo?
Ele levantou bruscamente da mesa e não tinha mais o semblante tão divertido como antes.
Eu pensei em sair dali o mais rápido possível, só que em poucos segundos ele me puxou pelo braço fazendo-me ficar de pé com o rosto colado ao seu.
– O que ele tem que eu não tenho Olivia? – Seu rosto estava se perdendo em raiva, curiosidade e desespero.
Eu paralisei. Eu não sabia o que fazer ou até mesmo como respirar.
– Você me odeia tanto assim? – Sua expressão estava de um jeito que eu nunca havia visto em minha vida. Um jeito que eu o imaginava agindo com alguma outra pessoa, nunca comigo.
Eu sempre fui fraca no sentido físico, e tê-lo assim, querendo comigo algo que todas as mulheres no mundo rezariam para ter estava me deixando louca.
Isso não seria certo, aproveitar do seu estado para uma coisa carnal.
Seria egoísta.
Só que é bom ser egoísta uma vez ou outra, não é?
Então foda-se.
– Ele não é nada perto de você. – Respondi esperando par ser atacada ou alguma coisa do tipo.
O que recebi foi o choque da desilusão
Foi como se ele já estivesse esperando por essa resposta, como se estivesse apenas me testando.
Porque ele simplesmente sorriu e se afastou.
Sim, ele só sorriu e se afastou.
– Bom saber disso. – A sua voz demonstrou uma satisfação extraordinária.
Imagine um carro explodindo. Agora substitua isso pelo meu cérebro.
Foi exatamente isso que aconteceu comigo.
A descarga de adrenalina desceu logo depois disso.
– Eu vou te matar seu filho de uma prostituta!
Eu voei como um animal para o pescoço do armário a minha frente.
Digamos que isso não deu muito certo, o resultado disso tudo foi nós dois no chão e eu em cima dele tentando arrancar cada veia de seu corpo. Já haviamos passado por uma situação parecida com essa.
Não demorou muito para ele inverter as posições e conseguir prender meus braços.
Ficamos arfando por alguns momentos e ele me segurando em algumas tentativas falhas minhas de tentar se livrar dele.
Magicamente ele conseguiu prender meus dois pulsos com uma mão e tirou todo o meu cabelo do rosto.
– Pelo jeito você adora ficar assim. – Ele comentou em relação ao dia em que acordei em sua casa que foi parecido com isso.
– Bebâdo de merd... – Incrivelmete ele conseguiu me impedir de usar todos os palavrões que eu separei em especial para ele.
Ser puxada pela gola da camisa é uma das coisas que eu mais odeio na vida, mas agora ser beijada por William Hoffman com certeza foi o maior presente que eu poderia ter recebido.
Lento e selvagem ao mesmo tempo. Esse homem faz qualquer uma enlouquecer, de um jeito ou de outro.
Sua mão percorria toda a minha cintura e eu brincava com suas mechas de cabelo. Ele ergueu minha camiseta até minha costela tendo contato com a pele das minhas costas.
O senti puxar o cós da parte de trás da minha calça.
Foi impulsivo o meu gemido.
William afastou seu rosto do meu... e riu como sempre.
Eu quase fiquei roxa de vergonha.
Empurrei-o de cima de mim e ele caiu de costas ao meu lado.
Levantei as pressas e tentei me recompor carrancuda.
– Espera! – Ele gritou em meio aos seus risos tentando se levantar e ir atrás de mim.
Agarrei minhas coisas, logo bati a porta e caminhei em passos firmes até uma janela dando nome à minha liberdade.
Eu devo ser a garota mais estúpida do mundo mesmo.
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