Good Night Sweetie

10 Assassinato à Meia-Noite


Notas iniciais
Peço primeiramente e novamente mil desculpas pelo capítulo passado. Vou trabalhar melhor para que isso não se repita mais

Era meia noite. Todos estavam em seus designados aposentos. Todos dormiam, e a mansão estava silenciosa como sempre.

Lunatic ainda não havia pensado um modo para encontrar o coração de Fear, e isso o estava o deixando irritado. Estava absolutamente nervoso, e tanto que nem conseguira dormir direito. Ouvia qualquer ruído ou passo naquela casa, os passos de ratos, os ruídos das madeiras velhas, até mesmo as árvores batendo na janela do outro quarto. Estava se sentindo quente, e não aguentava mais ficar em sua cama, até que resolveu se levantar e abrir as janelas para tentar se acalmar. O vento frio entrou em seu quarto rapidamente, balançando seu escuro cabelo ferozmente. Estranhamente, Lunatic percebeu que estava mais cansado que o normal, além do que, estava suando, e muito. Não era de sua natureza arcar com esses sintomas, mesmo que seja grandemente irascível, e temperamental.

_ ... Só falta eu estar doente... pela primeira vez da minha vida... — ele resmungou, apoiado na janela. Seus olhos pesavam, e mesmo o vento fresco e noturno não era o suficiente para parar sua agonia; tirou a blusa. — que calor insuportável...

Alguns minutos se passaram, até que um estranho barulho possivelmente vindo do telhado, acorda praticamente a todos. Parecia que algo havia caído e com força do céu. Lunatic estava cansado demais para ver o que é ou se preocupar com isso, por isso apenas ignorou e se deitou em sua cama.

Monster se sentou em sua cama e bocejou. Seus olhos amarelados estavam brilhando como nunca, sempre ficavam assim ao anoitecer.

_ ... O que foi isso? ... — se perguntou, e pôs a se levantar. — ... foi o Lunatic? — ela bocejou novamente e saiu de seu quarto, olhou para os lados do corredor escuro, e nada viu. — Lunatic? — ela andou lentamente pelo corredor, e quando se deu conta que alguém estava às suas costas, tarde demais. Desmaiou.

_ ... — Fear saiu do banheiro de seu quarto, e percebeu um cheiro estranho e novo na casa. — ... sangue? — ele abriu rapidamente a porta de seu quarto e arregalou os olhos quando viu o corpo de Monster caído no chão, e com muito sangue em volta de sua cabeça. — .... M.... nster....

Fear foi até ela o mais rápido que pode e apoiou sua cabeça em seu colo, estava inconsciente, e a pancada foi de uma força nunca jamais vista. Por sorte não afetou o seu crânio, que é delicadamente feito de osso polido.

_ ... Monster... — ele olhou ferozmente em volta, mas não conseguiu sentir a presença de mais ninguém.

Fear a levou para o seu quarto e enfaixou sua cabeça, estava com um sentimento estranho em seu peito, similar a preocupação. Não sabia se Monster sobreviveria com uma pancada forte daquela. Seu corpo era muito frágil, e poderia se quebrar permanentemente se fosse fortemente danificado.

_ ... quem fez isso com você? ... Eu... não senti nada... — ele apertou os punhos. — Eu.... sou um monstro não? ... Por deixar você de lado.... — seus olhos se encheram de lágrimas. — ... e agora... por um descuido que primeiramente foi culpa minha... você que vai sair do meu lado...

O corpo de Monster era feito de osso polido, com algumas fibras de metal, e cera quente, com a maior parte misturada a pele humana. Era um trabalho delicado e perfeito, porém poderia desmanchar-se se sofresse alguma lesão, como ser esfaqueada, cair de um lugar alto, ou até mesmo cair de uma simples escada. Mesmo sendo um espírito colocado nessa casca, se este ficasse acostumado com o corpo, morreria igualmente, se o corpo fosse altamente danificado... e isso, entristecia o coração de Fear.

_ ... — ele percebeu então, que o sangramento voltara, causando ainda mais desespero. Ele rapidamente trocou suas faixas, mas não poderia costurar o machucado... isso também danificaria sua pele.... e prejudicaria ainda mais o machucado... Ele ficou com medo de perdê-la. E a experiência de experimentá-los, estava o agonizando ainda mais.

"Monster, fique comigo" repetia para si mesmo muitas e muitas vezes. O que poderia fazer era simplesmente observar, e acompanhá-la, enquanto se aproximava de seu leito de morte.

"Vocês vão viajar juntos? Posso viajar com vocês? Eu quero conhecer o mundo!" Dizia Monster, animada. Queria experimentar tantas coisas novas, ver tantas pessoas, experimentar tantos sentimentos e emoções novas... queria ir à praia, tocar o mar e a areia, experimentar seu primeiro biquíni e se sentir pela primeira vez uma garota. Queria dar seu primeiro beijo, queria chamar alguém de "meu namorado" , queria.... tantas coisas.... experimentar.... coisas novas que não conhecia...

Mas... o que poderia conhecer, numa cama... debilitada... fraca... e à beira da morte?

A morte ela já conhecia, e muito bem, não pensava de jeito nenhum em reencontrá-la... Mas, tinha essa opção? Ah, como é bom se todos os seres a tivessem, escolheriam se queriam morrer ou não depois de um acidente, e se dissessem que sim, acordariam, como numa fantasia, como se o machucado que fora feito nunca tivesse existido, como se a vida sorrisse eternamente para ele, dizendo: "Vamos, viva mais um pouco! E viva mais... e mais um pouco... um pouquinho mais....e..."

Seria um mundo onde todos seriam amados, por entes queridos que nunca os deixariam... Um mundo feliz não?

Mas de que graça seria isso, se a saudade de um ente amado, é melhor e mais profunda, do que o amor que você deixava de dar, ou esquecia um pouquinho, mas continuava dando....

E foi isso que Fear percebeu, que em toda sua vida, não bastava tê-la criado, se não houvesse amor em seus laços. E ele sentiu a dor de não ter dado o que não conhecia para ela... Mesmo assim, não quis se esforçar em tentar.... e agora? Como a daria tal coisa? ... Lágrimas pesaram, e afagaram sua destruída alma, perda de um amigo próximo, era tão grande, e tão desoladora... Ainda não sabia se sentia raiva de quem fez isso, ou sentia raiva de si mesmo. Então, a única coisa que fez foi derramar lágrimas sem cessar.

Em seu quarto, dormindo tranquilamente, estava Jennifer... Jennifer não sabia que Lunatic estava doente, nem que havia um assassino na casa, e nem que Monster estava a morrer... Jennifer, também não sabia... que o assassino a observava...

E que esse assassino, tinha a aparência de uma criança de quase sua idade.

Seus olhos eram de um azul gélido, e seu cabelo era escuro como ébano. Ele vestia um terno rasgado, e usava luvas meio manchadas com algo vermelho. Uma pequena cartola negra estava sobre sua cabeça, e em suas mãos... um porrete.