Good Night Forever
2 Veneza e seus mistérios
Notas iniciais
Era uma noite escura e nebulosa, ele não deveria estar naquela rua estreita e pouco iluminada, mas só em pensar na possibilidade de dar fim a Rodovalho, seu inimigo, todo aquele sacrifício valeria muito. Ele entrou em um bar sujo e feio, procurou alguém que pudesse ajuda-lo, foi difícil achar o bar man em meio aquela bagunça, após alguns minutos o viu disputando queda de braço com um cara que parecia ser presidiário.
– Você pode-me dizer onde está a..
– Na sala dos fundos, garoto.
– Mas você não sabe o que eu ia...
– Ela disse que você viria. Siga o corredor, ela está na terceira sala.
– mas é que..
– Não me faça perder mais tempo! Não vê que estou no meio de um assunto importante?Ele já havia arranjado outra queda de braço.
Antes que ele pudesse bater na porta ouviu uma voz feminina dizendo que poderia entrar, pois a porta estava aberta. Ele entrou na naquela sala, que parecia mais velha do que o bar inteiro, a mulher estava atrás de uma cadeira que só não lhe cobria o topo da cabeça, resumindo sua visão era: de uma mulher loira sentada de costa para ele com luvas brancas que lhe cobriam até o cotovelo e que não parava de fumar, o que deixava ainda mais difícil vê-la.
– O que eu posso lhe ajudar, Monsenhor?
– Preciso de um serviço seu. Meu inimigo de vendas está me atrapalhando muito. É Evening, não?
– Quem te mandou aqui, Luciano?
– Um amigo me deu seu cartão. Como sabe meu nome?
– Do mesmo jeito que sabe o meu. Você trouxe o dinheiro pedido?
– Eu queria negociar isso primeiro, acho que 500 mil é muito caro, lhe dou 270. O que acha?
– Acho que a vida humana não tem preço... E que esta quantia é justa levando em conta o valor inestimável dessa vida.
– Mas eu não acho justo.
– Essa é sua oferta final?
– Sim.
Evening apenas virou-se, atirou no homem bem na cabeça, este caiu de joelhos e depois desabou. Ela jogou o toco do cigarro fora, levantou- se, jogou uma rosa nele e disse:
– É uma pena! Seu amigo me ofereceu o dobro só para lhe entregar esta flor.
Antes de voltar para seu hotel, Evening como de costume foi à igreja acender uma vela, estava cansada, a igreja ficava do outro lado da cidade, era uma caminhada longa. Quando voltou para o hotel foi se arrumar, sentou- se em frente à penteadeira e aos poucos a loira de olhos castanhos que tinha entrado no quarto foi embora, quem estava lá ainda era Evening, mas como ela realmente é, cabelos castanhos e olhos não pretos, mas sim cinzas, o olho de Evening é de um tom de preto que não é escuro, mas sim claros e límpidos o que fazia as pupilas destacarem- se facilmente. De repente o telefone toca:
– Gavião Azul, por acaso está com problemas?
–Não, mas você deveria saber de uma coisa, por isso liguei.
–O que preciso saber?
– Que seu pai morreu. Disse ele friamente.
– De que? Perguntou Evening após alguns segundos de reflexão.
– Foi assassinado.
– Você ou alguém da União o matou?
– Nem eu nem ninguém da União foi pago para isso, mas pelo jeito ele devia dinheiro de jogo.
–Obrigada por avisar.
Depois daquele telefonema foi se deitar, mas por mais que tentasse o sono não chegava. Então um pensamento veio a sua cabeça: Por pior que fosse seu pai, ele ainda era seu pai, ele ainda era aquele lhe ensinou um pouco do que ela veio a aperfeiçoar anos depois, então ela tinha que vê-lo.
Na manhã seguinte, novamente com seu disfarce, ela foi tomar café em uma padaria e depois alugou uma moto. Foi o mais longe possível de seu hotel e logo depois fez uma ligação:
– Alô! É da companhia de turismo?
– Do que você precisa?
– Não consigo achar um café decente.
– Mas que tipo de café?
–Informal.
–Vou te passar o endereço por e-mail. Acho que esse café abre bem cedo.
Se você achou essa conversa estranha, ela não tem nada de anormal, pois ela não é o que parece, veja o que eles estavam realmente conversando:
– Alo! É da companhia de turismo?
“-Alo! É você, informante?”
– Do que você precisa?
– Não consigo achar um café decente.
“-Tenho um trabalho, preciso de tudo que você tiver”.
– Mas que tipo de café?
“-Mas que tipo de serviço”
–Informal.
–Vou te passar o endereço por e-mail. Acho que esse café abre bem cedo.
“– Vou te passar o endereço por e-mail, me encontre lá às 4:30 da manhã”
Na hora marcada, Evening já estava na esquina esperando seu informante, de repente o telefone da cabine telefônica toca:
– Evening qual é o serviço, locação ou informação que você precisa?
– Preciso de passagens, locação e informações.
– Para onde vai?
–Brasil.
– Brasil?! Faz muito tempo que você não vai lá.
– É verdade, eu tenho negócios a resolver.
Voltando para o hotel, Evening foi surpreendida por dois ladrões. Ela estava parada no sinal de trânsito quando um menino de máscara no rosto apontou para ela uma arma, ela olhou por dentro do cano e disse:
– Atira!
– Não brinca não! Se não eu atiro!
– Então atire, está descarregado mesmo. O menino que tremia muito deu passo para trás.
– Eu vou atirar! É 1, 2...
Antes que ele pudesse dizer três ela pegou sua arma que estava presa na calça e atirou na mão do menino, por consequência sua arma caiu na hora e ele começou a gritar.
– Ops! Acho que entrei na sua frente, você queria atirar primeiro? Tudo bem da próxima você atira... Em vez de ficar contando.
Ela seguiu seu caminho como se nada houvesse acontecido.
Fale com o autor