Good Night Forever
1 Quem sou eu?
Notas iniciais
Boa leitura!
Vamos tentar começar isso como se eu estivesse em uma entrevista, porque para ser franca, não vejo glamour nem graça no que sou e faço, mas digo que é emocionante e nada monótono.
- Quem é você?
Uma pessoa “claro”, uma mulher para ser mais específica e tenho vinte e seis anos, há oito trabalho profissionalmente.
_ O que você faz?
Como posso dizer?! ........ Enquanto muita gente se mata de tanto trabalhar.......... Sou paga para matar. Mas calma, não vou te matar...... A não ser que pise fora da linha ou me paguem para isso.
_ Qual o seu nome?
Ele é IRRELEVANTE!! E não quero dizer qual é. Mas digo que me conhecem como Evening, por quê? ......porque trabalho na escuridão e meu trabalho é realmente dar boa noite...... Um boa noite eterno.
_ Por que e como você mat...
Deixa eu te explicar uma coisa!! Eu não sou só uma assassina de aluguel, eu sou o que precisarem. Eu mato, eu roubo, me disfarço...... Enfim, eu sou mestra em várias artes. Boa parte delas não é bem vista.
Mas fazer o que? É o que me sustenta.
_ Como você aprendeu essas artes?
Acho que já nasci com elas. Meu pai era agropecuário e desde pequena meus pais eram divorciados. Então passava a semana na cidade e os fins de semana no campo.
Eu acho que desenvolvi boa parte de minhas “habilidades” lá. Eu aprendi desde nova a usar arco e flecha, andar a cavalo, roubar frutas do pomar do vizinho, quando inteirei nove anos eu já sabia até atirar com a espingarda de meu pai.
Foi lá que eu fui “descoberta”. Durante um torneio de arco e flecha, Gavião Azul (também não quero dizer o nome de meu mestre) me viu e ficou encantado com minhas habilidades, eu tinha onze anos, ele me disse:
-Você tem um futuro brilhante!!Já pensou em ser uma assassina.
Sei que é uma pergunta estranha, mas ele me pareceu estranho logo de cara, então acho que foi para combinar com ele.
- Não entendi, isso é uma brincadeira?
-Pegue meu cartão, depois nós nos falamos, tenho que ir. Disse ele olhando para os lados como se esperasse encontrar alguém.
Em vez de jogar o cartão fora, eu fiquei com ele. De noite ele me ligou e novamente eu não recusei (Como, se eu nem sabia que era ele a propósito), atendi a ligação e reconheci a voz de imediato. Às vezes penso em como teria sido minha vida se eu tivesse jogado fora aquele cartão ou simplesmente desligado o telefone, mas aquela oferta me deixou intrigada, não podia evitar, aquilo me parecia atraente, acho que estava em meu sangue à vontade de correr, seguir aventuras, fugir... E talvez matar. Eu passei a conversar com ele uma vez por semana, quando ele podia conversar, de vez em quando me esbarrava com ele na rua, ou melhor, ele se esbarava em mim, isso durante um ano.
Um dia, para ser mais específico em meu aniversário ele me deu uma faca, não uma faca qualquer, era uma tanto, uma faca japonesa criada exclusivamente para o combate corpo á corpo. Desde aquele dia minha cabeça não parou mais, eu queria usar aquela espada, matar animais ou usa-la na cozinha não era o bastante, afinal ela era uma arma para se defender, acho que era o desejo de minha alma, fiquei pensando naquilo até que um dia me convenci que eu queria aquilo, queria ser como ele. Eu queria ser uma assassina e para isso eu estava disposta a tudo, deixar minha família, amigo e o mais importante, minha vida. Claro que eu não iria morrer de verdade, então eu fingi minha própria morte.
_ Como e o que aconteceu após sua morte?
Foi muito difícil largar tudo que eu amava, mas isso também me libertou, porque eu nunca me senti tão triste e feliz como naquele. Eu não fazia ideia do que me aguardava, mas encarei tudo com um sorriso de criança que vai para a escola entusiasmada com o primeiro dia de aula, mesmo sabendo que este vai ser horrível.
Fui treinada por quatro anos, dezesseis horas por dia e sem finais de semana, eu respirava e dormia aquilo vinte e quatro horas por dia. Eu aprendi técnicas para ser rápida, ágil e imperceptível. Eu era incansável, uma maquina de aprendizagem, por necessidade eu até aprendi umas línguas. Eu sei falar seis línguas diferentes: Português, Inglês, Espanhol, Italiano e Francês, mandarim, sem contar que eu arranho um pouco de japonês, árabe e Holandês.
A “União”, a ordem de assassinos a qual pertencia foi meu lar por muito tempo, lá havia pessoas de todos os cantos do mundo, por isso aprendi tantas línguas, era preciso entender as aulas.
Enquanto estava lá raramente me lembrava da minha família, as vezes me sentia mal por isso, mas por mais que eu tentasse, me sentia mais em casa lá do que com meus pais, me sentia uma monstra e acho que eu gostava disso, pois sempre lutava mais, corria mais e sofria mais, tentar esquecer uma dor com outra só faz piorar as duas.
_ Qual foi seu primeiro trabalho?
Meu primeiro trabalho foi recuperar um cavalo roubado, já meu primeiro trabalho profissional foi roubar um vaso chinês de uma dinastia a qual realmente não me lembro nem acho importante que custava meio milhão de dólares... Mas sei que não é isso que quer ouvir. Meu primeiro assassinato foi terrível!! Em primeiro lugar: naquela época ainda tinha esperanças de ser uma espécie de “vingadora assassina” ou coisa do tipo, na verdade essas eram minhas esperanças, mas em algum momento, talvez depois que fui paga, percebi que ser criativa em relação à morte de outro e receber muito por isso é bem melhor. Voltando ao primeiro assassinato, quem eu matei, não era santo, era um pedófilo, mas mesmo assim, eu chorei sua morte, o ouvir dizendo: Perdoe-me! Perdoe-me! Até que sua voz virasse um sussurro que depois emudeceu, foi o suficiente.
Desde então eu ascendo uma vela para cada alma que eu faço a passagem. Chega!!.. Cansei disso... Acabou a entrevista!
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