Good Night Forever

12 Quase como se fosse normal


Notas iniciais
Eu já devia ter postado antes, mas... Sou perfeccionista, se não gostar de algo, refaço até ficar de aceitável à perfeito. Não refiz nada, acrescentei na verdade, por isso a demora. Não só com essa, mas com todas minhas histórias, criei mais e mais, acrescentando ao que já tinha escrevido... Agora é só ter tempo para revisar e postar tudo isso. ^~^ Foi mal!

Assim que o trem chegou a Roma, Evening puxando Raphael foi uma das primeiras a sair do trem. Não sabia quando iriam descobrir o corpo, podia ser agora ou horas depois, então era melhor não arriscar.

— São onze horas, podemos ir ao coliseu depois de almoçarmos, conheço um lugar ótimo. Disse Evening chamando um táxi para ela e Raphael.

Depois do almoço foram ao coliseu de Roma, junto com um grupo de vinte pessoas eles entraram no colossal monumento.

— O Maior e mais famoso símbolo do Império Romano, o Coliseu era um enorme anfiteatro reservado para combates entre gladiadores ou pondo esses guerreiros contra feras como... Dizia a guia.

— Quantas vezes você já ouviu esse mesmo discurso. Perguntou-me Raphael.

— Uma ou duas vezes.

— Então quer sair daqui? Eu conheço um lugar ótimo para tirar fotos, quer vir comigo?

O lugar que Raphael falou dava uma vista privilegiada para todo interior do coliseu, era uma vista realmente magnífica.

— É muito estanho ter o sonho de lutar dentro desse coliseu, só para poder ir lá embaixo? Perguntou Raphael enquanto pegava sua câmera.

— Nem um pouco, se for estranho também sou, queria ver o Coliseu em seus dias de glória também, devia ser um show e tanto. Disse Evening.

Ele pegou a câmera colocou o tripé na maquina e arrumou um ângulo bom. Os dois se abraçaram para aparecerem juntos na foto, em uma foto Raphael beijou a bochecha de Evening, na foto seguinte Evening o puxou para um beijo de verdade e ainda disse:

— Se é para guardar lembranças, que seja a melhor. Ele sorriu para Evening e a retribuiu com outro beijo.

— Maria Lucia, a onde você quer ir agora? Perguntou Raphael olhando as fotos na câmera enquanto saía do Coliseu.

— Ao Panteão e depois queria jantar em um restaurante bem na frente dele.

— Acho perfeito, o Panteão fecha às 19:00, podemos ficar no restaurante e ainda pegar o trem de volta às 22:00.

No meio da excursão ao Panteão o celular de Evening vibra, ao olhar a mensagem, mesmo sem identificação, percebeu que deveria ser de seu informante.

“Unknown : Eles estão na cidade.”

“ Evening: Os dois?”

“ Unknown: Que dois? Não era só um?”

“Evening: Não sei não, algo me diz que há outro alguém por trás disso tudo. Não tinha como nenhum deles me achar, mas me encontraram como se . . . ”

—Com quem conversa tão concentrada? Perguntou Raphael.

— Trabalhos pendentes.

— Entendo, quanto mais descansamos.... Mais trabalho aparece.

— Pior que é, é impossível deixar de lado o trabalho.

— Se é difícil... Deixê-me pelo menos fazer você esquecê-lo por hoje. Disse ele a puxando pelo braço.

Eles já haviam andado um bocado, estava quase na hora de fechar o Panteão, Evening realmente havia esquecido do trabalho. Resolveu olhar novamente seu celular.

“Unknown: Eu pesquisei em todos os contatos dos outros quatros e não achei nada. Desculpe a palavra, mas acho que a senhora está equivocada.”

“Equivocada... Sei...”Pensava Evening enquanto esperava Raphael comprar uma lembrancinha em uma lojinha de artesanato, não é algo comum um homem gostar deste tipo de coisas, Evening iria seguí-lo, mas achou melhor checar suas mensagens. Raphael saiu da loja com uma pulseira, na verdade bracelete folheado de ouro estilo romano e deu o para Evening.

— Mesmo que nós não nos vejamos mais, espero que sempre se lembre de mim quando olhar para esse bracelete.

— Obrigada.....Você tem algo de importante amanhã?

— Nada que não possa desmarcar, por quê?

— Nada demais, só curiosidade. Vamos jantar?

— Claro!

O lado de fora do Panteão à noite é lindo, os restaurantes ao redor do enorme museu de arquitetura inspirada na Grécia se abrem e iluminam a Piaza della Rodena e a Fontena Del Pantheon, ou seja a praça e fonte de frente para o Panteão. É algo realmente lindo de se ver, mesmo com o frio, Mas sejamos francos... Ir à Roma e não levar um casaco, é a mesma coisa que pedir para ser congelado.

Os dois foram para um restaurante que Evening já havia ido, apesar da comida não estar tão boa como ela lembrava, foi bom estar lá acompanhada. Fazia realmente muito tempo que ela não jantava com alguém, mesmo que Evening negasse essas pequenas coisas faziam muita falta para ela. Preferia esquecer o que eram esses pequenos detalhes a qual não podia desfrutar, mas seu coração se recusava a obedecer tais ordens. Nem sempre o ditado “O que os olhos não enxergam o coração não sente” funciona.

— Verdade, aqui à noite é lindo. Foi uma boa pedida.

— Eu sempre quis voltar a Roma. Disse Evening olhando ao redor.

— E por que não voltou antes?

— Faltava coragem.

— De que?

— Ah, sei lá... A última vez que vim aqui foi com uma pessoa muito especial e querida para mim, desde essa vez eu não a vejo... Acharia sem graça vir sozinha, comer no mesmo restaurante em que me sentei com ela.

— Deve ter sido um cara muito especial para você.

Ela o olhou com a cabeça cabisbaixa apoiada em seu braço. “ Não era um cara, e sim um monstro como eu” pensou Evening.

— Obrigada por me acompanhar, era realmente um desejo enorme retornar a essa cidade.

— As suas ordens madame! Disse ele brincando, fingindo abaixar um cap, como se fosse um motorista particular.

Eram 21:30, os dois já estavam na estação de trem, estava vazia, mais que o normal. Evening estava sentada no banco da estação, enquanto Raphael comprava as passagens, ela pensava em como o dia havia sido bom e como era bom sentir-se como uma pessoa normal novamente. O seu celular vibrou, era outra mensagem.

“- Unknown: Ele está há algumas quadras da estação”

“- Tem algum dado específico a mais?”

“- Unknown: Casaco de couro, chapéu cinza e a cor você já conhece.”

Quando estava saindo, parou de frente para a porta e olhou para trás com certo pesar “ Até algum dia” pensou. Rastreou sem dificuldade o Italiano, havia umas pessoas por perto, então teria que pensar em um jeito de tirá-lo de perto dos outros.

O Italiano viu passar por ele uma mulher com uma blusa de capuz azul e a seguiu até um beco, parecia muito perdida e mexia em seu celular que acabava de tocar, alguém deveria tê-la avisado, mas era tarde demais... Não havia nada que ela pudesse fazer, a arma já estava apontada para sua cabeça.

— Procurando por algo? Perguntou alguém, mesmo sem virar-se ouviu claramente o som de uma arma sendo engatilhada.

Ele olhou sem virar-se, a mulher encapuzada fugiu. Quem estava atrás dele era Evening. Ela reparou naquele homem e percebeu que era mais baixo do que o que estava na praça, não era ele, olhou em volta e percebeu uma sobra em cima do terraço de um prédio, foi o tempo suficiente para esconder-se detrás de um latão de ferro, a bala acabou pegando na perna do homem que havia contratado, ele caiu no chão e a arma foi jogada para longe.

Ela atirou detrás da lata, aparentemente a bala pegou em seu ombro esquerdo, ele fugiu depois disso. Evening tentou seguí-los, mas o perdeu entre uma rua e outra. Voltou aonde quase havia sido baleada e o homem ainda estava lá apoiado em uma parede, perdendo sangue.

— Você é muito bobo, vá para um hospital!

— Não posso, não consigo.

— Sério? Somente com uma bala em seu corpo? Disse ela em tom de deboche, pegou seu celular e ligou para a emergência e explicou toda a situação, quer dizer... Ao seu jeito — Boa sorte garoto, eles já estão vindo... Ah, mas eu não existo, ok?

— E por que existiria?

— Assim que se fala.

Ela olhou seu relógio e viu que eram quase 23 horas, o tempo estava frio, dava para se ver sua respiração. Divertiu-se com isso, andava por entre as ruas escuras de Roma em direção a Estação Central para arrumar uma passagem para depois do almoço, era um caminho escuro, mas assim ninguém a seguiria.

Ao chegar à Estação viu Raphael sentado no banco de frente para a estrada, ele parecia dormir sentado. Ela não deixou de soltar um sorriso, ninguém antes a havia esperado. Pegou seu celular e ligou para um hotel perto de lá, depois se aproximou calmamente até Raphael, abaixou-se até a altura de seu ouvido e sussurrou graciosamente:

— Acorda bela adormecida! Ele abriu os olhos assustado.

— Onde você estava, que horas são? Disse ele assustado.

— Eu esqueci minha carteira no restaurante, tive que ir a pé buscar. Ele olhou desconfiado, mas não contestou a história dela.

— Tudo bem, mas perdemos o trem, o próximo só passa às 4 horas da manhã.

— Topa passar mais um dia em Roma comigo?

— Claro!