Good Night Forever
7 Morta de tédio parte 1
Notas iniciais
Na manhã seguinte Evening foi tomar um bom café em uma padaria perto do seu hotel. A padaria estava lotada, mas por sorte ela conseguiu sentar-se numa mesa do lado de fora do estabelecimento, um menino passou e lhe ofereceu um jornal, ela aceitou, no jornal havia a seguinte notícia:
Bandida cega ataca na cidade
Na tarde de ontem um motorista de mototaxi foi abordado por uma mulher cega, ela levou todos seus pertences, incluindo sua moto. Esta noite sua moto foi recuperada, mas acredita-se que ela usou a moto em algum outro crime.
De repente um homem loiro, alto de olhos azuis e pele morena sentou do outro lado da mesa.
—Posso me sentar aqui?
—Oi?! Ele foi tão rápido que ela não teve muito que fazer.
—Não há mais lugares, posso me sentar aqui?
—Claro.
Evening não parou nem um minuto de tomar seu café, estava em silêncio, era como se ele não estivesse lá.
—Eu sou Raphael, Raphael Mark. E você?
—Eu? Desculpe, mas não entendi a pergunta. Ela estava realmente concentrada naquele café.
—Qual é o seu nome?
—Não lhe interessa.
—Ok, então o que faz na cidade? Moro aqui há anos, sei que não é daqui.
—Se é tão intuitivo, então me diga você, o que faço aqui?
—Eu diria que está a passeio, porque se estivesse trabalhando juro que tomaria esse café em dois goles.
—Isso também não lhe interessa, mas vim aqui a trabalho.
—Qual o seu trabalho?
—Quer saber, pode ficar com a mesa. Evening foi embora sem dar explicações.
Uma das coisas que Evening mais odiava eram pessoas lhe fazendo muitas perguntas sobre ela, seu passado, profissão e coisas do tipo, pois não poderia responder a nenhuma delas e isso a deixava irritada.
Evening já estava há três dias sem fazer absolutamente nada, estava com um tédio absurdo. Três dias sem fazer nada era um pesadelo para Evening, ela havia sido feita para correr, pular, fugir, seja o que fosse menos ficar quieta. Evening já havia rolado em sua cama de hotel a manhã inteira, olhava para o teto, estava com os pés na cabeceira da cama e com uma revista em seu colo. Já havia lido três livros, umas dez revistas de assuntos diversos, nadado mais de quilômetros na piscina do hotel e mesmo assim sentia-se entediada.
Evening nunca havia ficado tanto tempo sem trabalhar, um mês era muito tempo sem fazer nada. Estava tão entediada que acabou dormindo durante alguns instantes, quando acordou levantou-se revoltada, não aguentaria mais um minuto parada. Saiu do hotel e chegou a uma ruazinha há algumas quadras do hotel e fez uma ligação para um de seus informantes.
“—Como estou... Vejamos... Sem nada para fazer e querendo sair dessa cidade o mais rápido possível.”
“—O que você quer?”
“—Sei lá, um clube de caça, uma cassino, qualquer coisa que me distraia.”
“—Tudo bem, vou ver os endereços que acho e te mando uma lista pelo seu e-mail”.
“—Tudo bem, mas faça isso logo, se não sou capaz de surtar.”
Por volta das três da tarde ela recebeu a lista como prometido, deu uma olhada de cima abaixo e concluiu que havia pedido a pessoa errada. A lista tinha mais nomes de passeio turístico do que bares, cassinos e casas de apostas, sendo que Evening havia pedido por aquilo.
Depois de olhar novamente a lista achou um cassino um tanto longe e resolveu ir lá se divertir. Ela estava irreconhecível e jogou até às duas horas da manhã, ganhar estava chato demais, quando estava quase saindo cruzou o olhar com cinco homens que entravam juntos acompanhados do gerente do cassino. Ficou totalmente intrigada com eles, pois sabia que eram criminosos, não bandidos italianos, mas de várias partes da Europa.
Ela já havia pegado seu telefone e pensou em ligar para seu informante, estava com o celular na mão quando decidiu descobrir tudo por conta própria. Lembrou-se de um garoto de no máximo 18 anos que viu trabalhando dentro do cassino, talvez ele pudesse ajudá-la.
Na esquina de baixo da saída do cassino Evening esperou pelo garoto, por volta das seis e meia da manhã ele saiu do trabalho e foi para casa, ela o seguiu até sua casa. O garoto morava em um apartamento aparentemente sozinho, pois Evening o havia observado a manhã inteira e não viu movimentação na casa a não ser a dele. Evening o acordou por volta das onze da manhã, descobriu pelo nome da caixa de correio que seu nome era Maikon.
—Maikon, abra a porta!
O garoto acordou assustado e foi abrir a porta. A porta tinha três trancas sendo uma delas de corrente presa à porta e o portal. Ele abriu a porta, o que os separava era apenas uma fina corrente de aço inox.
—Quem você é e o que quer, eu estava dormindo, sabia?
— Eu sou Estela e trabalho para a Interpol, podemos conversar?
—Hãm, eu nunca fiz nada para a Interpol estar atrás de mim. Mas mesmo assim, não. Ele estava fechando a porta quando ela pôs o pé no vão entre a porta e o portal, então ele a abriu novamente.
—Não é sobre você e sim sobre onde trabalha.
— Mas eu sou apenas um faxineiro no cassino, pode ir embora.
A porta fechou-se novamente, o espaço estava pequeno demais para ela colocar seu pé, mas acabou usando-o de todo jeito. Ela chutou a fechadura da porta, onde sabia que a pressão não aguentaria e abriria facilmente. A porta abriu-se um pouco, ela pôs a mão dento da casa e tirou a trava da corrente, Maikon viu e tentou prender a mão de Evening na porta, mesmo com seus esforços ela tirou a trava e logo em seguida chutou novamente a fechadura, o garoto que estava encostado na porta caiu e ela entrou facilmente.
—Ah, por favor não torne as coisas mais difíceis para mim, não durmo desde de ontem cedo.
— Você está à minha procura, eu juro que não roubei por querer, foi uma necessidade, eu juro. Disse Maikon com voz falha e um tanto rouca.
— O que você está falando?
— Eu roubei um pouco de dinheiro do cassino, mas juro que foi para ajudar minha mãe, ela está internada em estado grave.
Evening deu-se conta da cena em que havia encontrado e riu, havia rido com gosto diferente das outras vezes onde ria
—Hum, então você é um ladrãozinho barato... Hum, muito interessante.
— Não, eu juro que é para minha mãe.
— Ah claro, eu acredito. Disse ela com feições irônicas – Olha, eu preciso de alguém que conheça bem o cassino, você é faxineiro, deve conhecer, estou errada? Ele nada disse – Responde!
— Sim, eu conheço!
— Viu, eu não mordo. Sabe, eu vi criminosos entrando no cassino essa noite, o que faziam lá?
— Sei lá, o gerente leva eles para uma sala nos fundo onde eles jogam pôquer. Isso acontecesse um final de semana por mês, eles sempre vão.
O cheiro de confusão era realmente algo que Evening adorava, ela não fazia ideia do que fazer, mas era isso que Evening chamava de diversão.
— Seguinte garoto... Te pago 10 mil para você me falar detalhadamente sobre o local.
—Mas pra que?
— Não lhe interessa... Estou pagando bem, não estou? Se não estiver talvez eu possa ligar para seu gerente agora mesmo e contar essa historinha da sua mamãe e tudo mais... O que acha?
—10 mil estão de ótimo tamanho. Disse ele sem graça diante da chantagem.
— Que bom que você é esperto garoto.
Evening se aprontou como na noite passada, peruca de cor negra e em corte Chanel, olhos verdes, um vestido azul longo que lhe caia muito bem e uma bolsa pequena da mesma cor do vestido.
Duas horas após a chegada dos criminosos Evening resolveu entrar na sala, a sala ficava bem nos fundos do cassino. Ela andou pelos corredores escuros do fundo do cassino até chegar há porta de uma sala onde viu por debaixo da porta que a luz estava acessa e bateu na porta incessantemente até alguém abrir, quem abriu foi um dos criminosos. Havia um corredor e ela podia ver nitidamente a mesa onde eles jogavam pôquer.
— Com licença, eu acabei me perdendo e ouvi barulho vindo da sala... Hum, vocês estão jogando pôquer?!
Disse Evening passando pelo que abriu a porta e se sentando no lugar que acredito que fosse o dele. Todos da mesa olharam, ela pegou sua bolsa, deu uma olhada em volta e constatou que já havia várias garrafas de bebidas, diversas vazias em cima da mesa e ao lado.
— Vamos jogar?
Ouviu-se o ranger da porta, o homem a fechou.
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