No momento em que ela olhou para baixo o italiano apontou a arma para ela, descobrindo-a e causando um pânico naqueles que estavam por perto. Ela ouviu outro tiro, olhou para cima e viu que ele havia sido acertado de raspão no braço por outra bala “O imprestável não consegue nem acertar um tiro! Por isso que trabalho sozinha” Pensou ela enquanto viu o homem fugir daquele lugar.

Evening correu atrás dele por ruas a fio, ele corria muito e muito rápido, ela conhecia a cidade, essa a sua única vantagem, mas ele deveria conhecer muito mais. Entre uma rua e outra acho que ele se perdeu e acabou entrando em uma rua desconhecida. A vida é feita de escolhas e aquela foi uma péssima escolha, a rua era sem saída, antes que ele percebesse isso já havia assinado seu atestado de óbito, Evening atirou no mesmo local que ele havia atirado nela.

— Dente por dente e olho por olho.

Ele iria virar-se e atirar nela, mas antes que pudesse ela atirou em sua mão. Ele tentou pensar em um modo de fugir, mas ela pegou um pedaço de ferro que achou e o atacou, mandou a barra de ferro bem em seus joelhos, ele caiu com tamanha dor que sentiu. Ao cair no chão, ela jogou o pedaço de ferro fora, pegou rapidamente sua arma e a apontou para a cabeça do homem.

— Para quem você está trabalhando?

— Ninguém.

— Mentira. Ela lhe bateu com a arma em sua cabeça.

— Eu juro que não é.

— Eu vou repetir, para quem voc... Ele passou uma rasteira em Evening, mas antes que caísse ela atirou novamente, dessa vez em sua cabeça, o que o silenciou de vez. Instinto, sem querer ou pura intenção, nada mudava o fato de ele estar morto, mas se ela não cuidasse de seu fermento, também estaria morta, sem dúvida. Ela pegou seu celular e ligou para seu informante.

“— Manda uma ambulância para a Piazza Navona o mais rápido possível, fui baleada.” Dizia ela correndo de volta.

“— Ok, você vai ficar bem?”

“— Claro, mas manda o Luiz se livrar do corpo, não tenho tempo para isso”. Disse ela jogando a arma em um bueiro que viu perto junto com seus óculos, celular e blusa de frio.

Quando voltou ainda estava um alvoroço, ela apenas se jogou em um canto e esperou a situação acalmar um pouco, os desavisados ainda pararam para ajudá-la. Em certo momento ela avistou Raphael que veio correndo ao vê-la.

— Você estava demorando muito, pensei que algo houvesse acontecido e aconteceu. Disse ele um pouco triste.

— Que nada, estou bem. Apenas não tomei café ainda. Respondeu ela sorrindo.

No hospital ela subornou alguns médicos para não fazerem registro dela, apenas retirar a bala e alguns curativos, deu seu falso relato a polícia que foi lá saber o que havia ocorrido e antes das quatro da tarde ela conseguiu sair de lá. Em um ônibus indo para a Fontana di Trevi, os dois que até agora não haviam falado um A desde que saíram do hospital resolveram conversar.

— Perdão, por acabar com seu dia.

— Estragou nada não, não se preocupe com isso, não foi culpa sua e sim daquele lunático. Ela sorriu carinhosamente e lhe deu um beijo na bochecha.

— Aliás, tirando o fato de você ter sido baleada eu voltaria qualquer hora com você aqui. A cidade por si só é linda, com companhia, melhor ainda.

— Realmente é triste vir sozinha a este lugar, é sem graça. Qualquer dia nós repetimos o passeio.

— Eu vou cobrar, pode ter certeza disso.

Ela não estava mais com a blusa suja de sangue, Raphael havia lhe comprado outras roupas perto de lá enquanto estava no hospital, estas eram até mais quentes que as que usava antes. Ela já havia visitado aquela enorme fonte antes, mas não deixava de ser linda, não pela fonte em si, e sim pela arquitetura ao lado dela, que era deslumbrantemente linda, com as estátuas de estilo greco-romano, era realmente uma composição perfeitamente linda. Algo que queria ver era o pôr do sol naquele lugar lindo, e assim fez, ficaram em um estabelecimento de frente para ele até o sol sumir e dar lugar para a lua brilhar. Eles aproveitaram para jantar lá perto, um restaurante há algumas quadras, indicação dos próprios moradores, um lugar simples e pequeno, mas com uma comida ótima.

— Enfim comida de verdade! Disse Evening pegando o prato de massa da mão do garçom.

— Você não comeu no hospital não?

— Sério que você não conhece comida de hospital? Eu levei um tiro e o que eu ganho?

— Pontos e anestesia.

— É, isso também, mas eu ganho uma sopinha rala e sem graça. Isso não dá a sustância que eu preciso. Poxa, eu perdi sangue, estou fraca e me dão um prato pequeno de sopa... ótimo, vou ficar tão forte quanto uma leoa. Disse ela brincando e segurando sua risada, Raphael não pode resistir e acabou rindo junto a Evening.

— Então coma, esse é o seu melhor remédio no momento.

Depois do jantar eles foram direto para a Estação Central.

— Você não vai me sumir mais por hoje. Disse Raphael segurando a mão de Evening enquanto iam comprar a passagem.

Por volta das nove e meia o seu trem chegou, eles entraram e acharam seus lugares. O frio trouxe a neve que caía calma do lado de fora do trem, Evening admirava a neve cair e embaçar os vidros do vagão inteiro, a paisagem do lado de fora ganhava outra cor, a cor branca.

— Sou só eu ou ver essa neve toda dá sono? Disse Evening.

— Não, é realmente relaxante. Além do mais, você ainda deve estar fraca.

— Nem tanto, apenas dormi mal a noite passada. Disse deitando no ombro de Raphael.

— Quer sair de novo comigo semana que vem?

— Claro, adoraria. Disse ela fechando seus olhos, até conseguir dormir. Ele a cobriu com seu casaco e deu em beijo em sua testa.

Notas finais
Alguém notou algo de estranho?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.