Good Lucky
19 S. o. s.
Notas iniciais
Quinn se arrumou rapidamente colocando o terno cinza, fazendo a gravata... Não entendia exatamente o que havia acontecido com Rachel, mas aquilo tanto o animava quanto o frustrava.
Seguiu para a empresa, o dia estava mais frio e sabia que seria dali para pior. Estacionou e sua vaga e entrou.
–Sr. Fabray, a sua irmã avisou que ela e Santana estão na sua sala esperando. – A recepcionista disse.
–Obrigado. – Ele assentiu e entrou no elevador.
Beth e Santana estavam rindo quando ele entrou na sala. – É sim! – Beth afirmou.
Quinn franziu, seu sexto sentido avisava que o assunto era Lucy. – Documentos. – Esticou a pasta para Santana.
–Essa família consegue ser pior que a nossa. — Beth murmurou.
Quinn observou a filha que usava um vestido cinza com um cinto fino salmão e saltos agulha da cor do cinto. – Da onde você tirou isso? – Franziu.
–De Narnia. – Beth respondeu olhando contratos e Santana deu risada.
–Onde?! – Quinn franziu.
–Seu guarda roupa. – Beth abaixou a folha e sorriu.
–Tão engraçadinha. – Quinn bufou.
–Eu sou noiva de uma Lopez, eu tenho que aprender a fazer piadas de humor negro. – Os olhos de Beth brilharam.
–Noiva?
–Falei demais, de novo. – Beth sussurrou. – Vamos fazer assim, surte apenas no futuro, okay?
–Até lá já me conformei. – Quinn revirou os olhos. — Já me sinto conformada.
–Tão rápido assim?! — Perguntou indignada.
–Você que disse pra aceitar que ia doer menos. — Quinn franziu cruzando os braços.
Beth riu baixinho. — As vantagens de ser do futuro... Você dá uma "amaciada" no coração dos pais.
Santana que apenas assistia e vagava em pensamentos murmurou. — É estranho... Eu ainda não entendi como a Rachel não descobriu que o Kyle é a Quinn...
–A pergunta do milhão. — Beth disse. — Nós ainda debatemos sobre isso.
–Lana Bourbon descobriu na hora que me viu, Kurt demorou no minimo três minutos...
–Ela deve estar em estado de negação. — Beth murmurou.
–Pois então é o pior tipo de encubada. Quinn olhava descaradamente as saias da Berry assim como a Berry quase despia a Fabray dos uniformes de líder de torcida... Quinn deu piti na prova do vestido de madrinha no casamento de Rachel com Finn, Berry ia casar Quinn quase morreu e cadê o casamento? Puf! Era como se esperasse Quinn apenas para decidir se ia se casar ou se Quinn ia impedir. Na faculdade eram as mãos, sempre se tocando, grudadas o tempo inteiro... É tipo absurdo, eu não entendo o que se passa ou passava na cabeça da Rachel... Quantas mil vezes dormiram juntas e agarradas? Cansei de chegar em casa depois do trabalho em New Heaven e encontrar as duas babando no pequeno espaço do sofá... Sabe o que é pior? Eu achava bonitinho. Eu... Como é que dizem mesmo?! "Shippava" esse casal. Mas Rachel declinava bastante... Hoje eu tento entender o que é isso. Estado de negação?! Porque no fundo ela sabe que Kyle é Quinn, e mesmo assim, fica tentando achar desculpa.
Beth ouvia atenta... Não parecia tão entediante quando sua sogra e "mãe" tinham a idade da sua namorada.
–Não tinha ninguém mais fácil não? — Beth soltou as folhas no colo.
–Tinha, claro. Milhares. — Quinn disse.
–Cadê a humildade? — Beth riu, sabendo exatamente do que Ky falava.
–Me responda você que é a minha cara... Quantas pessoas que não faziam de tudo pra te impressionar no colegial? — Quinn murmurou. — A escola inteira cai em cima, entre todos os padrões de belezas sensatos você é perfeita. Seu nariz é fino e empinado, loira naturalmente, seus olhos são verdes, seu físico impecável. Você não quer ser um rótulo. Mas você é um rótulo. Então sempre tem o mais fácil, e muitos patamares de fácil por falta de um, brota gente do chão as vezes... E ela nunca me disse que me queria, as vezes eram pequenos detalhes lotados de medo, o jeito que me irritava, a forma como falava e fala, como só ela mesma consegue... E o melhor ela não me queria. Eu estava disposta a fazer ela mudar de ideia.
–Você fez. — Beth disse. — Mas não contava que a vida profissional fosse impedir isso.
–Ela é Rachel Berry. — Quinn disse — Era meio previsível saber que ela desistiria de qualquer coisa pra fazer dos sonhos realidade.
–É engraçado ouvir todos dizer "Ela é Rachel Berry". — Beth sorriu.
–Sabe o que significa ser Rachel Berry? — Santana perguntou.
–Hmmm... Creio eu que não. — Beth disse.
–Ela pode não ser um exemplo em relacionamentos, por que até o boca de truta teve vez e o nojento do Blaine também, mas Rachel é nossa inspiração. O que Rachel não tem em tamanho, tem em potência vocal. Ela e o Sr. Schue deram um ótimo trabalho sobre como sonhar, mas Rachel superou. Ela superou todos os valentões de Lima, aguentou dois times na cola dela e um grupo de adolescentes idiotas que se achavam demais. Superou todas as escolas com Get It Right, levou o New Directions as Nacionais e trouxe o troféu pra gente. Superou as expectativa de todos ao ser admitida pela melhor Academia de Artes Dramáticas em New York deixando todos para trás. Ela sonhou, mas ensinou que nem tudo é só sonho... Se você buscar, você conquista. Ela ensinou a buscar, seguir em frente, perdoar, superar, sonhar, fazer, realizar. E depois ainda perguntam por que Rachel Berry é a nossa estrela ou a nova queridinha. — Santana terminou quase murmurando.
Quinn estava pasmo e Beth concordava.
–Te juro que se falar algo pra ela te mato lentamente. — Santana semicerrou os olhos olhando para Kyle.
–Quinn, Kyle e Santana. — Jennifer disse abrindo a porta.
–Eles chegaram e estão subindo. — Beth a interrompeu, — leve eles para a sala de Russell.
Jennifer assentiu e saiu.
–Você toma muito cuidado com sua secretária, por um lado te arrebenta, pelo outro te alivia. — Beth disse e saiu indo até a recepcionista do RH pegar as folhas.
–É assustadora e me irrita. — Santana murmurou.
–Já ouvi isso antes. — Quinn deu uma risadinha e tomou tapa na nuca. — Ouch!
–Vamos!! — Beth disse impaciente.
Quinn sorriu. — Do mesmo jeitinho.
Eles entraram no elevador e Beth se olhou no espelho rapidamente e entregou as folhas na mão de Kyle para ajeitar o vestido.
O elevador parou e eles saíram. Quinn abriu a porta, Santana e Beth entraram rapidamente.
–Boa tarde. — Os três disseram juntos.
–Boa tarde. — Alguns familiares e advogados disseram.
–É um prazer revê-la Srta. Fabray. — Um dos homens disse.
–Não posso dizer o mesmo. — Beth disse pegando as folhas e arrumando-as em ordem.
–Você sabe o que está fazendo? — Kyle perguntou em um sussurro quando se sentava ao lado dela.
–Mais do que gostaria. — Beth resmungou. — San entrega pra mim?
–Claro. — Santana assentiu e colocou três folhas na frente de cada pessoa presente.
Kyle puxou o seu e leu rapidamente.
–Beth... — Aquele tom, aquele olhar. Beth bufou.
–Isso se chama, sem opções. Você começa a aplicar isso mais pra frente. Funciona e faz com que a os casos tenham soluções mais rápidas. — Beth explicou.
–Você chegou a ler artigos e tudo mais? — Ele perguntou.
–Eu dei uma estudada hoje de manhã, e li todos os contratos vi todos os problemas e falhas. — Beth sorriu.
–Então sabe o que está fazendo. — Quinn assentiu. — Cuidado que nossa família tem uma reputação a zelar.
–Eu sei. Fica tranquilo que isso vai dar certo. Tem caneta ai? — Beth perguntou.
Quinn tirou do bolso e deu a ela.
–O que é isso? — As perguntas começaram.
Beth olhou para Santana.
–Esses são os contratos, existem três para serem assinados. Nesse vocês concordam em dividir o dinheiro para cada família e depois para cada membro.
–O próximo vocês assinam quando o dinheiro for dividido, depois assinam quando cada um receber sua quantia exata... E o resto é contrato com a empresa. — Kyle terminou.
–Mas nós não concor...
–Olha, chega! — Beth disse espalmando a mão na mesa e fazendo barulho, adorava esse efeito sonoro quando ia conversar com seus expositores. — Vocês não tem mais escolha, essa é melhor opção, porque não importa o meio, a quantia não muda, a quantidade de famílias não muda, e obrigatoriamente cada um tem que ter a mesma quantia. Eu não sei os motivos para tanta intriga em algo que nem ao menos muda.
–Mas isso não...
–Vocês assinam esse papel ou, por favor, se retirem da empresa. Caso não fizerem temos ótimos seguranças e eles vão adorar colocar vocês gentilmente para fora e não serão reembolsados. — Beth perdeu a paciência. — Eu não deveria estar aqui, já perdemos muito tempo e até mesmo clientes por causa de vocês que não conseguem parar de brigar então, me digam sua escolha.
–Nós assinamos! — O homem grizalho e forte de maxilar protuberante disse.
–Mas Phill... — A mulher sentada do outro lado começou.
–Oh cale a boca Martha. — Ele rebateu a interrompendo e Santana riu baixinho.
Beth voltou a se sentar e retomou a caneta.
–Bom leiam devidamente os papéis. — Santana disse.
–Cada advogado fica com 5% de cada família? — Um dos advogados perguntou.
Kyle desatou a explicar sobre os 5% que era muito dinheiro. Quando Phill terminou.
–Por mim tudo bem. — Ele assentiu.
–Ótimo! — Beth se levantou. — Eu tenho que ir, pois estou atrasada novamente. Acho que agora não tem problemas vocês terminarem o caso com minha sócia e irmão?
–Nenhum. — Phill disse de novo.
Beth sorriu para Santana e a abraçou. — Cuida bem da nossa Lucy me ouviu? E não deixa ninguém machucar ela. — Beth sorriu e Santana revirou os olhos. — Se mantenha firme que essa Martha vai dar problemas.
–Pode deixar chatinha. — Santana assentiu a abraçando de volta.
Beth se afastou e beijou a bochecha de Kyle. — Te vejo lá em casa.
–Tá bem. — Ele assentiu.
Beth se levantou e olhou para as pessoas. — Foi uma honra fazer negócio, com vocês. Passar bem.
Alguns murmuraram respostas e o advogado se levantou apertando a mão de Beth e abriu a porta para ela. Quinn olhou para a folha que Beth estava rabicando e se assustou ao ver o desenho pronto, seu lado feminino e masculino juntos no mesmo desenho. Pegou a caneta e a folha a dobrando e guardou no bolso.
30 minutos depois Santana estava quase soltando fumaça pelas orelhas e Martha estava com medo... A mulher tinha em mente irritar Santana pelo visto. Mas eles já estavam assinando os papéis.
Quando acabaram Quinn levou eles lá em baixo.
Santana esfregou a mão na testa e apertou a borda da mesa, seu celular tocou e ela atendeu sem nem olhar no identificador de chamadas.
–Alô?
–Santana? — Rachel perguntou.
Santana soltou a mesa e franziu olhando a tela do celular ao afastar da orelha. — Yeah...
–S. O. S. — Rachel disse.
Santana abriu a boca e nada saiu, seu queixo poderia se soltar e cair no chão.
–Quando? Que horas?
–Tenho um jantar, acho que as 22h está bom. No de sempre.
–Tem certeza? Você está na...
–Sim e não estou! — Rachel disse.
–Nos encontramos lá? — Santana perguntou.
–Sim. — Rachel disse.
–Eu nem sei porque eu estou concordando.
–Eu sei. — Rachel disse e desligou. Santana era a única pessoa que não exigia um "beijo" e Tchau no telefone.
Santana deitou seu celular na mesa e bateu a mão na testa pra ver se ela tava bem mesmo. Rachel estava com problemas.
–San? — Quinn chamou abrindo a porta.
–Hm... Oi? — Santana se virou.
–Tudo bem? Parece que viu fantasma, tá branca feito papel. Não foi o Andrew foi?! Tou louco pra matar esse cara.
–Tenho visto ilusões futuristicas. Mas sim estou bem. E não sei quem é Andrew. — Santana precisava chegar na onde queria. — Como estão você e a Rachel?
–É o "zelador". Hoje confuso, Rachel viu a Beth e acha que é Quinn. — Ele explicou.
"Agora faz sentido" Santana pensou. — Vocês estão namorando?
–Não, eu acho que ainda não podemos...
–Assumir um relacionamento pra mídia com uma cara que hipotéticamente não existe é complicado. — Santana murmurou.
–Enfim, eu vou para casa. — Quinn disse.
–Tudo bem eu vou ficar aqui até as 20hrs, tenho que fazer todos papéis dessa merda de caso e depois vou apenas passar em casa e sair.
–Tudo bem... Eu vou colocar noites de sono em dia. — Quinn disse.
Santana assentiu de forma vaga e viu Quinn fechar a porta.
Suspirou franzindo e pensando sobre Rachel... Aquele lugar era um caos.
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