Good Lucky
31 Obsession
Notas iniciais
Como se um relógio tivesse acordado eles as seis os dois despertavam em posições completamente diferentes das quais foram dormir.
–Hmmm Bom dia. — Quinn disse e sentiu Rachel levantar a cabeça de seu peito.
–Bom dia. — A morena disse e sentiu o formigamento entre suas pernas. — Acho que vou ficar um pouco dolorida hoje, tenho que achar algum vestido.
–Antes nos vamos para o banho. — Quinn disse rápido.
–Sem gracinhas. — Rachel murmurou com sono.
–Eu não disse que você ia estar cansada? — Kyle disse se inclinando na cama e capturando os lábios da morena que dormia sentada.
Rachel bocejou. — Mais uma hora...
–Mais uma... — Quinn beijou o pescoço dela. — Duas... — Mordeu o lobulo da orelha de Rachel — Três — Chocou os lábios nos dela. — Anda preguiça, a gente tem que ir ao aeroporto.
–Hmmm... — Rachel murmurou sentindo cada toque, mas não queria mais ir.
–Tudo bem meu anjo, eu vou, você dorme. A gente se vê na segunda. — Quinn disse indo para o banheiro.
Rachel dormiu de novo.
Quinn tomou seu banho, foi quando se sentiu mais sujo do que achava que poderia um dia se sentir e se lembrou da época em que passou no acampamento durante o tempo em que batalhou para ser perfeita... Precisava de um colo, e não via outra saída.
Secou o cabelo e lavou o rosto com água gelada para tentar aliviar um pouco a vermelhidão por causa do choro.
Colocou a camisa roxa, sua calça social cinza, o relógio de prata no pulso, cinto e sapato preto gravata com listras grossas prata e preto e o terno, ia chegar por volta das 12h e as 14h teria uma reunião e talvez até as 20h estaria em Lima.
Beijou a cabeça de Rachel que soltou mais um muxoxo, a culpa estava consumindo Quinn por dentro... Tentava pensar no que ela faria quando descobrisse e nada vinha em sua mente, Rachel era extrema demais e isso assustava.
Quinn entrou no carro e o levou para o aeroporto de Nova Iorque, estacionou o carro no primeiro estacionamento que viu com uma diária de U$ 20,00. Sua passagem estava marcada para sete horas e estava atrasado, agradecia ser o setor empresarial e primeira classe.
Pegou sua pequena mala e fez o Check in indo direto para o avião e relaxou quando estava lá dentro.
Dormiu durante toda viagem, mandou mensagem para Rachel avisando que estava em LA e foi para a empresa aonde olhares de cobiça o cercaram e Quinn sorriu presunçoso, Deus... Já podia ver vislumbres da Evil Quinn voltando e aquilo era um sinal ruim, estava desandando precisava desesperadamente voltar a ser Quinn e parar com seu ego inflado por causa sa beleza, não queria voltar a ser a soberba Quinn Fabray e não precisava de maneira alguma se perder em seu próprio foco. Não agora...
Ouviu tudo que lhe era dito, argumentou se apresentando e recebeu olhares de interesse massageando seu ego. Tudo da noite para o dia havia começado a ficar estranho e realmente o dia de Quinn era calado, sem diálogos, não conversou com ninguém, apenas falou sobre a empresa na reunião, fez o balanceamento do núcleo Fabray.
Uma estagiaria que cuidou de levar Kyle para todos os lados e inclusive para almoçar puxou assunto com ele, mas suavizou quando começou a perguntar de Rachel. Voltaram ao foco de sua tarde de trabalho e assim que Kyle teve certeza que havia feito seu trabalho e checado que o sistema da empresa continuava o mesmo, foi para o aeroporto.
–Para onde senhor? — A atendente perguntou.
–Lima, Ohio. — Disse.
–É uma cidade pequena, que quase nunca chove. — A atendente tentou puxar assunto.
–Eu sei, cresci lá. — A cortou e acrescentou. — Classe A, poltrona única.
–Dinheiro ou cartão? — Ela perguntou
–Cartão em debito, por favor... — Quinn disse.
–Aqui está sua passagem, faça uma boa viagem senhor Fabray. — Ela entregou para ele.
–Obrigado e bom trabalho.
Quinn arrancou a gravata e o terno, dobrou a manga da camisa até o cotovelo. Fez o check in e aguardou impaciente na sala de espera, andava de um lado para o outro completamente agoniado.
–Chamada para Lima, Ohio. Favor embarcar ao portão E. — A voz mecânica anunciou pelo aeroporto.
Kyle rasgou entre as pessoas e foi o primeiro a entrar no avião, dormiu novamente durante a viagem e foi acordado por uma comissária. Ela ofereceu comida a ele e Quinn dispensou voltando a dormir, se sentia cansado física e psicologicamente.
Ao chegar no aeroporto de Lima, chamou um taxi e passou o endereço... Estava novamente ali e finalmente em casa. Passou a alça da mala em seu ombro segurou o terno na mão apertou a campainha e enfiou a mão no bolso da calça.
–Boa noite. — Judy abriu a porta franzindo.
–Boa noite Sra. Fabray... Eu, hmmm a gente pode conversar? — Kyle perguntou.
Judy hesitou assustada... Era incomum um belo estranho bater em sua porta, até que se lembrou do que Frannie havia lhe dito sobre Quinn e o estudou. — Qual seu nome?
–Kyle... Hmmm... Fabray. — Quinn disse confuso.
–Entre. — Judy deu espaço para ele passar.
Quinn sorriu ao passar pelo Hall e foi direto para a sala. — Bolinhos de abobora. — Sussurrou sentindo o cheiro.
–Isso mesmo, seus favoritos… Me explica como você foi parar ai dentro? — Judy disse.
Quinn congelou. — Como você sabe?
–Sua irmã me contou, ela veio aqui e disse que para previnir um infarto eu deveria saber sobre você. — A mulher explicou.
–Mãe, eu…
E antes que Quinn pudesse notar, já estava sendo abraçado por Judy e a abraçando de volta. Eles se sentaram no sofá e ali ficaram até ficar tarde, Quinn contou tudo o que achava que poderia contar, chorou, e ouviu a mãe falar Judy advertiu Quinn, mas disse que agora ele teria que ser homem o tanto quanto Quinn era mulher para seguir em frente e conseguir a voltar a ser aquela loira espetacular.
–Quer bolinhos? — Judy perguntou limpando as lágrimas do rosto de Kyle.
–Sim, por favor. — Disse.
Eles comeram ali na sala, assistiram o saturday night live, então Quinn começou a ser sugado por lembranças.
Judy havia entrado na casa e Lucy, que estava sozinha com Frannie, finalmente havia parado de chorar soluçando, a ruivinha correu até sua mãe e abraçou a cintura dela e escondeu o rosto. Judy rapidamente se abaixou e segurou o rosto gordinho dela, olhou Lucy nos olhos… Judy jurava que aqueles eram os olhos mais lindos que já havia visto.
Judy perguntou. – O que aconteceu Querida? Te xingaram de novo?
A pequena não conseguiu responder, mas o cair de sua expressão e as lágrimas que ela deixou jorrarem de seus olhos falaram por si só. Judy abraçou a filha apertado, ela sabia que a filha não era bonita e queria poder mudar tudo, até mesmo a aparência dela…
Alguns anos se passaram, Paris e todos os lugares aonde foram vivendo iam deixando a jovem Fabray deprimida, Lucy aos poucos ia perdendo a vontade de si mesma, e depois de ter espinhas e mais algumas marcas, tinha aproximadamente 12 anos, parou de frequentar a escola, e decidiu deixar de ser um peso na vida de seus pais.
Um acampamento escolar absurdamente caro, mas secreto e feito para reeducação alimentar e perder peso, foi o que ela pediu a Russell e aquilo foi aprovado no mesmo instante.
24hrs depois Lucy estava indo embora de casa. Parou de comer besteiras, parou de fazer tudo, em seu tempo livre a única coisa que fazia era ler, no resto do tempo ou estava estudando ou perdendo o peso.
Ainda muito nova para entender tudo aquilo, mas tomada por uma enorme compulsividade para ser perfeita, fazia uma rotina intensa de exercícios durante a madrugada, mas as perdas começaram a serem mais gradativas e mais lentas, não havia ninguém ali para explicar que ela estava passando pela fase aonde seu corpo começaria a desenvolver.
Mas nada mais importava, aquilo era uma doença e Lucy se encontrava em estado extremo de obsessão.
Lucy foi apresentada aos potes de Whey protein e ao L-Carnitina algumas substancias químicas que ajudavam o metabolismo a funcionar mais rápido, perder gordura e ganhar massa muscular com exercícios físicos um tanto pesados.
Naquele momento o pior inimigo dela era o espelho e sua melhor amiga a fita métrica, sua barriga secava ganhava entradas, seu braços perdiam gordura e ganhavam bíceps e tríceps, suas pernas estavam começando a ter músculos saltados.
Um ano depois, Judy, Russell e Frannie fizeram a primeira visita, eles ficaram surpresos com o que encontraram e Judy um tanto preocupada, durante a conversa todos eles andaram com ela ao redor das imediações do local, Frannie e Russell cansaram e batalharam pra acompanhar o ritmo de Lucy e Judy, mas conseguiram… Por fim eles almoçaram ali.
No prato de Lucy tinha, ovos, batata doce, salada, arroz integral e um filé de peito de frango grelhado e um copo de 500 ml com algum tipo de proteína, eles comeram algo menos pesado. Eles foram até o quarto dela e observaram os livros pesados e as medicações, Judy estava ficando assustada.
Lucy abriu uma garrafa de L-Carnitina e mandou uma tampinha cheia para dentro de seu corpo, apenas 13 anos afogada em bombas energéticas e todo o tipo de coisa que esse mundo poderia lhe conceder.
Eles foram embora e Lucy voltou a sua rotina, agora já maneirada e tomando menos coisas, mas não saia da academia do acampamento, Lucy era veterana por ali com quase 15 anos era respeitada, mas ainda estava insatisfeita.
Ligou para casa e tudo o que disse foi: — Eu vou voltar.
Três dias depois Judy buscou sua filha que agora tinha 1,70 de altura e pesava estritamente 62KG de alta definição. A primeira coisa que Lucy tomou foi um injeção para cortar os efeitos das “drogas” que usava, agora iria manter seu peso. A segunda foi uma clinica, aonde redesenhou seu nariz e em seguida um dentista que apenas clareou e fez um check up de seus dentes, foram as compras e por ultimo um cabeleireiro aonde, sua raiz de cabelo clara colaborou para o loiro permanente, a partir daquele momento Lucy havia ficado para trás, ela era Quinn Fabray e aquilo bastava.
Judy via Quinn como um robô, não era mais a sua garotinha era um protótipo de sua filha e o pior era que Russell parecia contente com aquilo que eles haviam criado. Quinn passava horas sentada na mesa de canto da sala com uma xícara de café e um livro, quando era nova Quinn não bebia café, Judy havia feito algumas pesquisas relacionadas as coisas que ela tomava e viu que a quantidade de cafeina naquelas coisas eram absurdas, por isso se acostumou com o vicio da filha em café e de todos se aquele era seu mal Judy jamais reclamaria se sentia aliviada só por saber que Quinn não ingeria mais nada.
A matricula de Quinn foi feita na William McKinley, no programa de férias ela se apresentou para Sue e conheceu Finn, saiu com ele algumas vezes, entrou para o clube do celibato, era uma desculpa para Finn não tocar nela, Quinn tinha pavor disso e conheceu Puck, reencontrou Santana que agiu como se a Fabray nunca tivesse sumido e Quinn encarou aquilo como uma amizade que podia florescer forte.
No primeiro dia de aula entrou pela porta da frente reinando, quando muitos olhares se viraram para ela Quinn por um momento achou que eles a julgariam, franziu o lábio, as pessoas se encolheram com medo e a loira adorou aquilo… Mas seu problema chegou com nome, tamanho e peso.
Rachel Barbra Berry, 1,52 de altura e 50KG parecia uma criança em um corpo passando pela puberdade e naquele momento Quinn converteu toda sua inveja em raiva, Rachel não era uma modelo, não tinha um nariz perfeito, mas era mais feliz em um de seus sorrisos enormes do que Quinn em toda sua vida e só Deus sabia que tudo o que Quinn queria era ser aceita e ele também sabia que tudo aquilo voltaria, mas totalmente convertido em um bolo de sentimentos… E mais problemas.
–Quinn! — Judy berrou e ele piscou. — Jesus Cristo! Por um momento achei que tinha morrido.
–Desculpe mamãe. — O loiro disse.
–Eu vou dormir, seu quarto está arrumado. — Ela disse rapidamente e apertou a bochecha de Kyle. — Nunca mais faça isso!
–Não farei. — Ele assentiu e se levantou caminhando com ela para o andar de cima após trancar a porta e desligarem as luzes e a TV.
–Quinn?
–Hm…?
–Acha que fez a coisa certa ao escolher Rachel Berry?
Quinn piscou algumas vezes, pensando em como Rachel quebrou todas as paredes que haviam se formado entre os anos perdidos na vida de Quinn. — Sim.
–Que Deus cuide de vocês. — Judy sussurrou sorrindo e beijou a bochecha dele.
Quinn observou a mãe ir para o quarto, e ficou um tempo meio perdido ali no corredor… Tinha que contar para Rachel, mas não sabia como faria aquilo.
Entrou em seu quarto, cheirava a morango e esse seria o perfume que voltaria a usar assim que voltasse a seu corpo… Queria mudanças novamente, mas dessa vez queria mudanças definitivas.
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