Good Luck, Charlie!
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Estava com saudades de vocês viu? Foram duas semanas com o core apertadinho por não ter postado aqui, mas eu estava viajando...
But, here I´am...
Antes gostaria de agradecer: a Josi você me inspira com seus comentários girl (brigadinha viu?), e a suzana_quintana valeu linda!
E claro a todas as leitoras fantásticas, que sempre me deixa nas nuvens com seus lindos reviews...
Spoiler de Amanhecer...
Boa leitura...
Aterrorizado
Mais um dia estressante se findara, finalmente... Oh graças!
Pensava enquanto dirigia, a viatura de policia, para casa.
Mas ao passar por um cartaz preso em alguns postes telefônicos, depois mais adiante alguns colados em placas estrategicamente colocadas nas calçadas, outros panfletos estavam presos em troncos de arvores, ou grudados em murais espalhados pela cidade...
Na verdade, eu tinha feito uma operação de busca digna de um filme, de baixa renda claro, de Hollywood, mas ainda não tinha surtido muito efeito...
Jacob ainda estava “desaparecido”... Isso era frustrante!
Principalmente com o fato de que ninguém da família, ou do circulo dos “amigos” mais próximos do garoto, sequer mexeram uma palha para encontrá-lo.
E por favor, inclua nesse meio de pessoas insensíveis, a minha amada filha, que ate bem pouco tempo dizia ser a melhor amiga do Jake.
Mas nem mesmo ela, me ajudou a espalhar pelas cidades vizinhas os cartazes, panfletos, e etc... Com fotos e dados do Jacob.
O sumiço de Jake era apenas um dos fardos que eu tinha que carregar em minhas costas sobrecarregadas no momento. Mas havia um outro assunto quase me matando por dentro de tão preocupado que estava.
O assunto? Simples, ate muito corriqueiro eu diria... A transformação de minha filha, de uma garotinha solteira, para uma Senhora casada em apenas alguns dias.
De: Isabella Marie Swan... Para: Isabella Marie Cullen...
Estremeci com esse pensamento...
Parei a viatura em frente a casa, desci a passos de tartaruga, mas não entrei em casa, ao contrario, fiquei parado ao lado da viatura, e também ao lado daquele trambolho moderno de capa de revista automotiva, que o noivo de Bells a havia dado de presente de casamento...
Estava ate com saudades da chevy de minha filha... Tudo bem que ela era bem velhinha, mas ate que agüentava o tranco... Sorri saudoso...
Caminhei lentamente através da chuva fraca que caia naquele momento, lembrando da noite em que me contaram aquela inacreditável novidade...
Flashback on:
Enquanto chegava em casa, eu senti, outra vez naquele dia, o aperto no peito característico, que vinha sentindo desde a formatura de Bella.
O som da viatura parando por completo, entretanto, me despertou daquele transe estranho e recorrente, que tenho vivido nos últimos tempos.
Sai da viatura cabisbaixo, pois fazia poucos dias que Jacob havia fugido e ninguém sabia de seu paradeiro, e muitos nem sequer moviam uma palha para ajudar a procura-lo.
O que estava me indignando ao extremo!
Nem sequer fui permitido espalhar os panfletos por La Push, pois Billy e o conselho da reserva não “deixaram” que eu fizesse meu trabalho. E mesmo se eu tivesse tentado exercer meu poder de autoridade, eu bem sei que não teria surtido nenhum efeito, pois eu não tinha jurisdição sobre a aldeia Quileute. E para fazer uma busca ou qualquer coisa do tipo na reserva eu teria que recorrer ao Conselho Nacional dos Nativos Americanos, uma instituição que rege e prima pelos direitos e deveres das remanescentes tribos indígenas no país.
O que me tomaria um tempo precioso e me custaria também uma grana que o Município e o Estado não tinham e que de qualquer forma não me dariam, para custear uma busca por um garoto indígena e que aparentemente apenas estava “dando um tempo dos problemas”, palavras do próprio Billy Black, pai do garoto fujão...
Suspirei cansado antes de abrir a porta da frente e entrar. Mas ao parar com a mão já na maçaneta da porta, virei meu rosto para a rua, e vi estacionado do outro lado da mesma, o carro prateado do meu querido “genro”.
Mas será possível que não terei uma noite tranqüila nessa semana? Pensei cansado.
Tudo bem que Edward não era uma pessoa assim tão ruim, mesmo tendo abandonado minha filha daquela forma grotesca, algo que jamais esquecerei, e possivelmente por isso, nunca terei uma confiança total naquele almofadinha...
Mas eu realmente estava cansado, esgotado, frustrado e abatido emocionalmente falando, pois eu sinto um carinho especial por Jacob, afinal eu praticamente o vi nascer, participei de sua criação, e também dos momentos difíceis que se abateu naquela família.
De alguma maneira estranha eu me sentia responsável por ele também, assim como era por minha filha...
Eu sabia que o casalzinho estava em casa, mas eu não ouvia som algum, alem do conhecido som das minhas botas batendo na calçada, em seguida nos degraus da escada de acesso a porta da frente, e logo depois o barulho da chave girando na porta que já estava aberta.
Então, a porta bateu contra a parede e eu enrijeci ao ver a postura seria de minha filha, mesmo que ao seu lado Edward parecesse mais a vontade.
Meu alarme interior de pai apitava incessantemente... Lá se vai minha noite reconfortante e tranqüila...
- Hey, Charlie. — Edward falou agora inteiramente relaxado.
Não pude ouvir nenhum som, mas eu juro que vi os lábios de minha filha se moverem. Logo depois Edward encostou-se mais a ela, parecia ate que estavam em uma conversa muda.
Levantei uma sobrancelha na direção deles, mas permaneci calado. Apenas os observando.
Edward então, gargalhou e passou sua mão livre, que não estava acorrentada à mão de minha filha, pelo seu cabelo cor de bronze bagunçado.
Será que ele não tinha escova de cabelos em casa não?
Respirei fundo e caminhei na direção dos dois, ainda usava meu uniforme, ainda estava armado – sentia muito lá no fundo que poderia precisar dela – e tentava não fazer uma careta quando vi os dois sentados juntos no sofá.
Ultimamente tenho me esforçado bastante para gostar mais de Edward.
É claro, que qualquer passo em falso, qualquer escorregada daquele moleque, certamente acabaria rapidamente com esses meus esforços.
- Oi, garotos. Que está havendo? – perguntei casualmente.
- Nós gostaríamos de conversar com você. — Edward disse. — Nós temos boas notícias.
Se minha expressão era forçadamente amigável, elas passaram á suspeitas obscuras em milésimos de segundos.
- Boas notícias? — sibilei, olhando diretamente para minha filha.
Ela estava estranha, mais que nos últimos dias. Nervosamente estranha. Meu alarme de pai disparou alucinadamente dentro de mim.
- Sente-se pai. – disse Bella ansiosa.
Ergui uma sobrancelha novamente, a encarei por uns cinco segundos, e aí fui até a minha cadeira reclinável e me sentei bem na pontinha, minhas costas estavam retas como um pedaço de madeira.
- Não fique nervoso, pai. – Bella disse depois de um momento de silêncio forçado. — Está tudo bem.
Se estivesse mesmo bem, eles não estariam na minha casa, como se estivessem prontos a anunciarem que meu time de basquete favorito tinha perdido o campeonato para o rival, em pleno Play offs da NBA.
NÃO DEFINITIVAMENTE NADA IA BEM...
Edward fez uma careta, e eu não sabia se era sobre o que Bella havia dito, ou muito provavelmente era sobre minha expressão, que deveria estar no mínimo raivosa.
— Claro que sim, Bella. Claro que sim. Se está tudo bem porque você está suando em bicas? – perguntei ao constatar sua pele brilhando e também por ela estar mais pálida do que o normal.
- Eu não estou suando. — ela mentiu.
Fiz uma careta ao perceber sua falha tentativa de me enganar. Agora eu tinha certeza que havia algo de muito errado nessa história toda.
Eu me desviei de sua figura pálida, e me concentrei naquele mauricinho de uma figa. Mas ainda pude ver por minha visão periférica, Bella passando a mão direita pela testa para apagar as evidências de sua mentira.
Não consegui reprimir outra careta a olhando penetrantemente. Então a ficha começou a cair...
O estranho comportamento de minha filha nos últimos dias...
As conversas ao pé do ouvido, os muitos segredinhos dos dois, e quando eu me aproximava tudo cessava repentinamente...
Sem contar nas ligações fora de hora e muito suspeitas da Alice para Bella...
Tudo se encaixava agora!
Bella estava GRÁVIDA!
Se ao menos ela tivesse usado o spray de pimenta como eu havia lhe ensinado, mas não, ela apenas... Ok isso não tinha nada a ver com o caso, no momento.
Meus pensamentos já estavam confusos, mas uma coisa ainda martelava insistentemente...
- Você está grávida! – explodi quase aos gritos. — Você está grávida, não está? – repeti sentindo meus olhos arregalarem e arderem em fúria.
Apesar da pergunta ter sido para minha filha, eu desviei meu olhar para Edward.
Ah como eu queria sacar essa arma e atirar bem no meio daquela cabeça de fósforo ambulante. Mas aí eu perderia minha razão, e era ate arriscado minha filha me odiar para sempre por ter matado seu namorado, em sua frente...
E eu podia jurar que a minha mão tinha criado vida própria e estava inevitavelmente se encaminhando ao coldre e se encostando surdinamente na minha arma.
- Não! É claro que eu não estou! – Bella disse segura e rapidamente, e agora pude ver sinceridade em seu olhar.
No entanto, eu queria dar uma boa lição nos dois por me darem um susto daquele, na verdade o que eu realmente queria mesmo, era que a noticia fosse o fim daquele romance...
Resignei-me e apenas os olhei um pouco mais tranqüilo. Mas ainda senti certa inquietação na minha filha.
- Oh, me desculpe Bells. – disse um pouco desconcertado.
- Desculpas aceitas. — houve uma longa pausa.
Depois de um momento, de silencio sepulcral, eu esperava que Bella dissesse alguma coisa, mas ela apenas ficou lá, parada abraçada ao Cullen. Então eu olhei para Edward. Ele sorriu para Bella, se endireitou no sofá, e então se virou para mim.
- Charlie, eu sei que as coisas estão fora de ordem. Tradicionalmente, eu deveria ter te pedido antes. Eu não tenho a intenção de te desrespeitar, mas já que Bella já disse sim e eu não quero menosprezar a escolha dela nesse assunto, ao invés de te pedir a mão dela, eu te peço sua benção. Nós vamos nos casar, Charlie. Eu a amo mais do que tudo no mundo, mais do que a minha própria vida e – graças a algum milagre – ela me ama da mesma forma. Você nos dará a sua benção?
Ele soou seguro, calmo, confiante, determinado.
Por apenas um instante, escutava as palavras saírem da boca daquele garoto, mas no momento seguinte eu já não o ouvia direito, principalmente depois de ele ter dito que minha filha havia dito sim...
Sim... Aquela tão pequena e única palavrinha tinha vários significados. Mas no momento vinha apenas um em minha cabeça...
No entanto, eu estava tentando me enganar, pois quando ele finalizou aquele discurso digno dos filmes antigos, — de tão romântico e meloso que era — bem como a estranha e absoluta certeza na voz dele, eu experimentei uma sensação de perda...
Uma terrível, mas fatídica sensação de grande e irremediável perda...
Durante um bater de coração, muito lento e fraco, deveria ser o meu, esta noticia fez total sentido para mim, diante todas as evidencias que saltavam aos olhos, eu pude enfim, ver o que não queria de forma alguma aceitar...
Então, olhei para minha filha, Isabella... Bella... Minha doce Bells... Em seu rosto havia expectativa, insegurança ou medo não sei ao certo, mas deveria ser relacionado a minha reação, e não ao fato de estar noiva...
Porque se esse fosse o caso, tenho certeza que ela não teria aceitado o pedido do Cullen tão facilmente, ainda mais conhecendo suas teorias baseadas quase que feitas exclusivamente, pelo fracasso do meu casamento com a sua mãe...
Meus olhos recaíram para a mão de minha filha, e grudaram instantaneamente no anel chique que ela ostentava com certo acanhamento. Ela deveria ter feito um esforço enorme para aceitar mais aquele trambolho, que parecia ser uma jóia do século passado...
Eu prendi a respiração enquanto uma idéia, a mesma de sempre, me chicoteava a mente uma e outra vez...
Tenho certeza que minha pele mudava de cor – de normal a vermelha, de vermelha a roxa, de roxa a azul – de acordo com meus pensamentos.
Eu não sei por quanto tempo fiquei preso em meus delírios de pai preocupado e paranóico, sim porque eu estava me transformando em um homem de meia idade muito carente e implicante...
Mas mesmo preso em minha bolha paranóica, eu pude ver embaçadamente, mas ver mesmo assim, que Bella estava levantando de seu lugar para vir ate a mim, não sei o que ela estava tentando fazer; talvez ela estivesse pensando em fazer a tão famosa manobra Heimlich pra ter certeza de que eu não estava engasgando – mas Edward a deteve antes que ela saísse de seu lugar ao seu lado, e murmurou alguma coisa que somente os dois puderam ouvir.
Mas a seguir o silêncio foi muito mais longo que o anterior...
Então, gradualmente, eu senti meu corpo voltar ao normal, eu poderia jurar que sentia tom por tom, a cor de minha face voltar ao normal. Os meus lábios se comprimiram, e minhas sobrancelhas se uniram; eu estava “pensando profundamente”, em tudo o que vi e ouvi naquela e em todas as outras noites, desde que Bella começou a namorar o Cullen...
E enquanto pensava, eu os estudei por um longo momento.
- Acho que não estou tão surpreso. – murmurei por fim. — Eu sabia que teria que lidar com isso em algum momento, mas confesso que pensei não ser tão em breve assim.
Eu soltei o ar em um respiro mais cansado do que queria transparecer.
- Você está certa disso? — quis saber, encarando Bella.
Pois não queria que ela cometesse os mesmos erros que eu e sua mãe havíamos cometido, por pura inexperiência, imaturidade...
- Eu tenho cem por cento de certeza de Edward. — ela assegurou sem perder tempo.
- Mesmo assim, se casar? Pra que a pressa? — Eu tinha que ter absoluta certeza de que ela estivesse fazendo pelos motivos certos.
Olhei-a com suspeitas novamente. Era inevitável...
- Nós estamos indo para a faculdade juntos no outono, Charlie. — Edward lembrou-me. — Eu gostaria de fazer isso, bem, da forma correta. Foi assim que eu fui criado.
Encolhi meus ombros em concordância. Parecia mesmo um bom motivo.
Mas casar? Eles eram tão novos, tinham uma vida inteira pela frente, tantas coisas para viverem...
Torci minha boca para um lado em uma careta. Procurando por alguma coisa com a qual discutir. Mas o que eu podia dizer ou fazer? Que deixasse Bella, minha única e amada filha, viver pecaminosamente primeiro?
Eu sou um pai, e das antigas, e uma situação assim não me agradaria muito. Então, minhas mãos estavam verdadeiramente atadas.
- Eu sabia que isso aconteceria. — murmurei pra mim mesmo, fazendo outra careta.
Então, de repente, um pensamento pulou freneticamente em minha cabeça. Senti meu rosto ficar perfeitamente suave e desanuviado.
- Papai? — ouvi Bella perguntar ansiosamente.
Também senti o olhar de Edward sobre mim, mas eu não consegui parar de pensar naquele determinado pensamento.
- Ha! – explodi em gargalhadas. Bella pulou no sofá em surpresa. — Ha, ha, ha! – continuei a rir intensamente.
Eu não conseguia parar, chegava a me dobrar de tanto rir, meu corpo todo se balançando devido à intensidade dos chacoalhões.
Bella parecia surpresa, confusa, e temerosa...
E eu somente sabia rir e rir, mais e mais a cada segundo. Edward parecia se conter também, mas eu só não sabia sobre o que... Ele tinha os lábios fechados, contraídos com força, como se ele mesmo estivesse tentando segurar o riso.
Estranho, mas logo desviei minha atenção dele.
- Okay, está certo. – tossi ao findar minhas gargalhadas. — Se casem garotos. — Outra onda de risos me balançou. — Mas... – consegui dizer sobre o fôlego, mas minha filha me interrompeu ansiosa.
- Mas o quê pai? — Bella quis saber.
- Mas você precisa contar para a sua mãe! Eu não vou dizer uma palavra a Renée! Isso é por sua conta e risco! – explodi em novas risadas escandalosas.
Eu não conseguia, na verdade, eu não queria parar de rir, pois eu já imaginava como minha ex-esposa reagiria com aquela novidade.
De acordo com Renée, casamento durante a juventude era um erro, uma total falta de perspectiva, e aquilo estava em sua lista negra, logo acima de matar filhotes de cãezinhos.
Flashback of
Claro, naquele momento, eu realmente achei que ela fosse o “impedimento” final naquela idéia de minha filha se unir em definitivo com o Cullen.
Aterrorizante!
Mas acho que me enganei redondamente...
Porque quem poderia ter adivinhado a reação dela, ao saber da novidade? Eu não...
E certamente não a Bella...
Continua...
Notas finais
Mentira! É claro que eu queria, e muito faze-lo, pois é um dos momentos que mais gosto no livro Amanhecer...
Mas devo dizer que foi complicado, então eu utilizei alguns diálogos do 1º cap. do livro.
Espero que entendam, pois eu precisava que fosse uma interação dos três, então tive que mesclar os pensamentos do Charlie, Bella e Edward, mas sem sair da visão do chefe Swan, que é o verdadeiro foco da fic...
Bom, minha gente... A fic esta entrando na reta final, serão apenas mais três a quatro capítulos... Então comentem e recomendem viu?
Eu simplesmente adoro os reviews que vocês escrevem, e eu amaria muito, mas muito mesmo que a fic tivesse ao menos uma recomendação...
Aguardo a opinião de vocês viu?
Beijinhux!
Fale com o autor