Good Life
2 Como o vento
A segunda feira havia chegado, ensolarada como nunca. Bem diferente do último final de semana.Na escola tudo parecia normal, tentei agir como se nada demais tivesse acontecido, olhei para todos os lados e não avistei Matt, Sam que estava ao meu lado, puxou-me até nossa famosa rodinha.
Todos nos cumprimentaram, Chuck que estava no canto em silêncio, me lançou um olhar apreensivo seguido de um meio sorriso, sem muito ânimo.
– Ken, onde está o Matt? – perguntou Brian, inocente. O que confirmou minha dúvida sobre alguém saber de toda a historia. Eles não sabiam.
– Ligue pra ele e pergunte ao próprio – quis deixar clara minha irritação ao falar no assunto, assim pouparia perguntas.
– Calminha – ele ergueu as mão – eu só pensei que a namor...
– EX – sobresaltei, erguendo o dedo – ex-namorada. Que fique bem claro que eu e o Matt não temos mais nada – todos pareceram supresos com a revelação. O que não era difícil de entender, eu mesma me sentia estranha em pronunciar aquilo.
– Não façam essas caras – tentei sorrir – não é o fim do mundo.
– O que eu perdi? – senti os braços de dougie sob meu pescoço.
– Nada demais, só estava contando a eles sobre o fim do meu namoro com Matt – Dougie abriu um largo sorriso, escondendo-o em seguida.
As aulas se arrastaram tediosamente, como de costume, mas hoje em especial pareceu demorar uma vida. O que me animava era que faltava dias para aquilo acabar.
Ainda tinha que treinar — as garotas já estavam me esperando – mas não tinha ânimo pra isso.
O vestiário estava vazio e silencioso, eu ainda procurava por minha blusa do uniforme no armário abarrotado. Quando ouvir alguém se aproximar.
– O que você quer? – disse grossa.
– Vim falar com você, posso?
– Eu não tenho nada pra falar com você, Mendy. Agora, por favor, saia daqui.
– Esqueceu que eu também sou líder de torcida, esse vestiário também é meu – gesticulou, sentando no banco que ficava no meio do corredor de armários. Bati a porta de meu armário, provocando um forte barulho que ecoou por todo o lugar vazio. Ela assustou-se.
– E você, esqueceu quem manda? Você esta fora – ela levantou em um pulo.
– Você não pode fazer isso.
– Claro que posso, você sabe disso – voltei a procurar minha blusa tentando ignorá-la.
– Kendal, você tem que entender que eu não tive culpa. Eu juro que todo esse tempo eu tentei convencer o Matt a falar a verdade...
– Todo esse tempo? Eu não estou entendendo. Não foi só aquele noite? – me inclinei para frente, deixando transparecer todo meu nervosismo.
– Não, já faz algum tempo que estamos juntos – era muito pior, se já doía antes, naquele momento parecia insuportavel.
Virei-me de costas para ela –incrédula — tentando esconder a tristeza em meu rosto. Mendy continuou:
– Ele sempre me dizia que ia termina tudo com você, mas quando chegava a hora não tinha coragem. Até ele receber esta proposta de jogar na Alemanha, nos iamos embora juntos. Sem que você nem ninguem soubesse, assim poupariamos despedidas. Matt ate me disse esta com pena de voce, pois você ja tinha sido abandonada antes, pela sua mãe, e seria agora por ele — a voz enjoada dela pareceu triplicar tudo pareceu triplicar. Apoiei-me no armário,o chão que era a coisa mais firme debaixo de mim pareceu desmoronar.Ainda era pior do que eu imaginava. Eu me senti um lixo,me sentir mal em saber que o que ele sentia por mim era pena. Como ele podia me enganar tanto e ainda ter coragem de me olhar nos olhos e dizer que me amava.
– sabe Ken, eu ate te defendia quando o Matt ria de você. Ele era cruel.
– Voce está bem? – Perguntou. franzi o cenho, virando-me para ela — Eu não deveria ter te contando – Mendy levou a mão na boca, sua expressão de preocupação era carregada de ironia — É que...
– Chega – tentei me manter firme – isso não me interessa. Se alguem nessa historia é digno de pena, esse alguem não sou eu.
Novamente dei as costas para ela. Fui até o armário de Mendy que estava trancado, puxei o cadeado, mas ele não cedeu.
– O que você... – Mendy correu até mim.
– Abra isto – tinha uma expressão calma,mesmo estando destruida por dentro
– Você nã...
– Eu estou te dando uma ordem – elevei a voz, ela obedeceu, a porta se abriu, virei-me a procura de algo para colocar suas coisas dentro e não encontrei, entao puxei tudo, que ia caindo no chão e formando um amontoado de coisas. Tomei a chave que ele segurava e a guardei no bolso.
– Quando eu voltar do treino eu quero ver tudo fazio. E você bem longe daqui – bati propositalmente em seu ombro ao passar por ela, e antes de sair, voltei alguns passos.
– Ah – ela virou o rosto de lado – pensando bem, ele combina com você. Ate porque mulher do seu tipo, merece mesmo um cafageste do lado. – sai batendo a porta o mais forte que pude.
Respirei fundo, contei ate dez e imaginei algo bom, tentando reprimir o choro que já vinha e segui para o campo.
[DOUGIE'S P.O.V.]
Estávamos todos nos aquecendo para começar o "rachão", Matt não estava conosco, conversava algo com o treinador no canto, ele sequer tinha tirado o moletom, talvez tivesse pedindo para ficar de fora do treino. Observei o treinador Joshon negar com a cabeça e gesticular, coisa que ele fazia quando estava irritado.
– Ok, ok, ok, chega! Vamos começar! Reservas contra titulares – gritava Joshon batendo as mãos — Vão, vão, peguem os coletes – os reservas correram para a pilha de coletes amarelos deixados por Joshon no canto. Eu e os outro corremos para ocupar nossos lugares, como o combinado de sempre, eu e Matt na frente, formando a dupla de ataque.
– Eu preciso falar com ela – disse Matt baixo.
– Idiota – ouvi o apito do treinador e lancei a bola para o campo de ataque, o toque de bola permaneceu por um tempo, até os reservas atacarem e o nosso zagueiro "cortar", partindo para o contra-ataque, corri para me posicionar e Matt fez o mesmo.
Ergui o braço pedindo a bola, que foi jogada para mim, pulei para ajeitá-la no peito, foi quando sentir o choque.
– Ei!- gritou Joshon irritado.
Acotovelei — sem ver quem era – o cara que estava em baixo de mim.
– Ta louco? — gritei já de pé, Matt permaneceu no chão gritando de dor.
– O que deu em você? — foi a vez de Joshon repreendê-lo.
– Levanta, levanta, vamos seguir o jogo – assim fizemos, e antes que todos pudessem voltar as suas posições ouvimos gritos, que vinham do campo ao lado – o das garotas — em seguiada o apito de Joshon voltou a tocar, agora mais insistente.
– Parou – gritou, olhando para tentar ver o que ocorreu, como todos.
Todos correram para ver o que tinha acontecido, ainda irritado com o "encontrão" de Matt, segui de cara feia.
Uma roda formou-se ao redor de uma das garotas que estava deitada no chão, não vi a Kendal e logo apressei-me para chegar mais perto e ver o que aconteceu. Assim que passei por todos que se amontoaram tentando enxergar algo, puder ver Ken no chão, chorando de dor.
– Ken – fiquei assutado e corri para ajudá-la.
– Kendal, Kendal calma — segurei sua mão, que estava fria. Acariciei seu rosto, na tentativa de acalmá-la.
– Saiam de perto – gritou Joshon com a multidão — calma senhorita Jones, tudo ficará bem. Levem ela pra enfermaria, depressa – ordenou ele.
– Eu levo – se ofereceu Matt, que também estava ao seu lado, devido a pressa nem o enxerguei ali. Ele estava preocupada de verdade, isso eu não podia negar – Sam que também estava lá, não conseguia para de chorar.
– Não, não, não – Kendal pediu entre soluços – Dougie, me tira daqui – a obedeci, passando os braços por debaixo de seu corpo, com cuidado para não lhe causar mais dor.
A levei nos braços ate a enfermaria, que não ficava longe, ele segurava meu pescoço e chorava muito. Assim que chegamos a deitei na cama com cuidado.
– fica calma, linda. Vai ficar tudo bem. – Ken sorriu, e eu me despedir beijando sua testa.
–como ela esta? – Peruntou Sam, assim que sai, ela estava apreenssiva e nervosa
– fica calma, ela esta bem, ja esta sendo atendida. – tentei tranquiliza-la
– Como ela está? – Matt se aproximou de nos ofegante.
– Vai embora, ela não quer te ver. -gritei
– Ela é minha namorada – afirmou.
– Não é mais – o lembrei.
– Será até que ouça o contrário da boca dela – empurrei seu peito, ele se equilibrou e partiu para cima de mim.
– Parem já com isso – Sam se colocou entre nós dois — Vocês estão loucos? – gritou.
– Eu preciso falar com ela, Sam – ele soltou o ar.
– Ela não quer te ver – me entromedi debochado.
[KENDAL P.O.V.]
Ouvir a maçaneta da porta chiar, a encarei, sorrindo, imaginado que fosse Sam ou Dougie, mas me irritei ao ver Matt.
– O que você quer? – peruntei impaciente
– Eu preciso que você acredite em mim, eu... –ele se aproximou nervoso
– Não tente consertar , não vai resolver. Está tudo acabado – disse firme cruzando os braços
– Aquilo só aconteceu naquela noite, e eu não tive culpa, ele me agarrou você precisa acreditar em mim. A Mendy planejou isto – sorri sem humor, sacudindo a cabeça.
– Não precisa mais mentir, a Mendy já me contou tudo. Exatamente tudo. Inclusive seu plano de ir embora com ela para Russia.
– Você não acreditou nela, certo?- ele pareceu supreso
– Em que eu acreditaria, em você? – tentei manter o ar debochado, escondendo todo o sofrimento. Ele sacudiu a cabeça, virando-se de costa, olhando a janela que ficava em frente a cama. Depois de alguns minutos de silêncio, ele me encarou, chegando mais perto da cama.
– Aqueles caras que você perguntou outro dia, na verdade eram empresários de um clube alemão de futebol. Eu não ia aceitar o convite de ir jogar na Alemanha e ficar longe de você ...Muito menos fugir com aquela vadia.Eu jamais faria isso com voce. Mas depois de tudo...eu acho que não tenho escolha,eu vou embora – eu não sabia o que dizer. De repente todo aqueles planos de esquecê-lo não faziam mais sentido, ficar sem ele eu aguentaria, se pudesse vê-lo todos os dias,saber o que ele fazia, com quem estaria, mesmo que isso não ajudasse, mas ele ir para longe, seria difícil. Tive vontade de gritar que eu o amava, e que perduaria tudo se ele me prometesse que não aconteceria mais.
Mas eu tinha que ser corajosa.
– Você quer que eu vá? Você quer mesmo abandonar tudo que temos? quer jogar fora nossa historia, o nosso amor, por uma mentira. Eu sinceramente, não sei se vou conseguir ficar sem voce.
– tivesse pensado nisso antes de me trair. Antes de trair esse amor que voce diz existir, que eu ja duvido muito. Voce é um canalha, um falso mentiroso – eu quase gritava de tanta raiva que eu sentia
– como voce pode duvidar? Voce sempre foi tudo pra mim. A gente ja enfretou muita coisas juntos, enfretamos seu pai que me odeia, e odeia minha familia. A gente ja passou por tanta coisa. Vamos superar mais essa. – ele segurou minha mão,e eu me mantive muda, mas tinha vontade de puxa-lo para perto, de abraca-lo, de chorar tudo que tinhamos pra chorar, de dizer que eu o amava e não saberia viver sem ele, e que ficar sem ele seria ficar sem uma parte de mim. Não conseguir conter as lagrimas que escoriam em silencio por meu rosto. Ele as enxugou e continou.
– vamos esquecer isso, eu sei que não é facil. Mas voce precisa confiar em mim. Voce precisa confiar nesse sentimento que temos, que é tão grande que tomou conta de nos. Não é justo sofremos tanto. Não é justo ficamos separados quando nossa maior vontade e ficamos juntos. Ficar longe um do outro é trair nosso desejo. Eu te amo. Eu posso repetir quantas vezes voce quiser se for preciso. Eu repito ate voce não duvidar mais. Eu posso fazer o que voce pedir, mas por favor, não me pedi pra te deixar. – o encarei e seus olhos estavão cheios de lagrimas, eu nada disse e ele continuou.
– por favor, não faz isso com a gente. Como voce pode confiar na Mendy, Kendal? Ela sempre te odiou.– sabia que nisso ele tinha razão, mas respirei fundo, puxei minha mão que ele segurava, enxugei meu rosto e disse fria.
– não existe mais a gente. A unica coisa que existe é a decepeção que voce me causou. Sabe Matt, foi um tapa na cara. Não vou mentir, vai ser dificil te esquecer, mas eu vou conseguir como dizem por ai, tudo passa. Ah passa, com o tempo tudo isso vai passar . E eu te juro, eu vou esmagar tudo que sinto, ate que um dia eu não vou lembrar mais nem do teu nome, e aquele meu velho papel de trouxa eu vou deixar pra voce fazer com a Mendy. E olha, não va se culpa quando a ficha cair e voce perceber o que perdeu, porque é isso que vai acontecer. – ele levantou.
– não fala isso. – ele balancava a cabeça incredu-lo, chorando
– voce era o amor da minha vida, mas preferiu trocar isso por nada, voce preferiu se transforma na minha maior depção. – eu encarava furiosa
– olha, eu viajo daqui uma semana. Não sei quando volto ou se volto. Me fala, olhando nos meus olhos — ele sentou na cama e me encarou – voce quer que eu va? e isto que voce quer? nunca mais me ver? — eu abria e fechava a boca sem saber o que dizer. Ele entendeu meu silêncio como um sim. Sacudiu a cabeça tombando-a para trás,enxugou os olhos, voltou a me encarar e foi chegando mais perto. Não recuei e muito menos disse algo que o parasse. Seus lábios se aproximaram dos meus, e naquele instante esqueci de tudo, e tive vontade de pedir que ele ficasse. Ao sentir seus lábios tocarem os meus, meu corpo tremeu, fraquejando.
Eu virei o rosto e ele se afastou, caminhando até a porta, estendi o braço impulsivamente, engolindo o que ia dizer. Recuei, e antes de sair ele virou-se e disse:
– Não sei se isso vai fazer diferença agora, mas saiba que te amo,e ao contrario de voce, não vou fazer esforço nem um para te esquecer. eu não vou desistir de você, e quando você se arrepender da injustiça que esta cometendo e me quiser de volta. Eu voltarei – saiu, sem esperar por uma resposta.
Todo coração precisa de um tempo para se reconstruir, eu daria este tempo ao meu eu penduraria uma plaquinha no peito, dizendo para teram cuidado. Eu rasgaria todas as fotos que restarão, eu deletaria todas as nossas musicas, eu ia esquece-lo, mas não naquele momento, naquele momento eu so conseguia chorar, ainda tinha muito dele em mim, ainda tinha muito amor espalhado, ainda tinha muita esperança, muita incerteza, muita vontade de voltar a atras, vontade de abraçar, vontade de ficar perto, de conversar bobagens, de esquecer do mundo, de esquecer de tudo. Um dia eu esqueceria, tinha certeza, se o tempo corou outros corações ele tambem curaria o meu, so restava saber quanto tempo levaria.
Ao chegar em casa, papai estava me esperando, preocupado, imagino que dougie tenha exagerado a respeito de minha queda.
– Eu estava no alto da pirâmide, quando perdi o equilibro e cai – tentei explicar pela milésima vez o que tinha acontecido mais cedo — mas agora eu estou bem,não quebrei nada, so dói um pouco, mas amanhã já não sentirei nada. Agora, eu vou pro meu quarto – franzi os lábios em um sorriso sem ânimo algum.
– Descanse. Qualquer coisa é só chamar – papai beijou minha testa, carinhoso.
Uma semana depois...
Eu estava inquieta, indo de um lado a outro de meu quarto, agarrada ao celular, ridiculamente esperando algum sinal de Matt, volteando a fazer meu velho papel de trouxa,que dias atras avia jurado nãofazer mais. Minha vida veio toda em minha mente, retratos desbotados de quando éramos crianças, pendurados em um painel, e ao lado juras de amor eterno, sob a cama os pedaços que sobraram das fotos de agora. Era como se elas falassem comigo, me pedindo para ir atrás dele e tudo aquilo tinha dito em nossa ultima convrsa na enfermaria,não fazia mais sentindo. Me sentia mal, riducula, mas não conseguia mentir para mim mesma.
Passaram-se alguns minutos até que o aparelho que segurava, em minhas mão trêmulas, vibrasse, de imediato olhei o visor, era uma mensagem, agradeci por isso, eu não saberia o que falar.
" Eu te amo, Ken.Por você eu abandonaria esse sonho. Só preciso ter certeza que vocês estará comigo, sem rancor. Meu vôo partirá as 10hs".
Logo olhei o relógio que marcava 8h20, o que significava que eu tinha menos de duas horas para deixá-lo ir ou impedi-lo, fingir que havia esquecido o mal que ele me causou. Não tinha certeza se conseguiria viver sem ele, se um dia encontraria alguém que me fizesses sentir algo tão forte quanto o que sintia por ele, como também não sabia se conseguiria esconder toda mágoa que sentia naquele momento. Era como se eu fosse como o vento, que pode apagar o fogo de uma vela e ao mesmo tempo aumentar as chamas de uma fogueira.
– Kendal... – douie chamou do lado de fora do meu quarto
– Agora não, dougie — gritei.
– Eu só...
– Sai daqui — o interrompi berrando.
Voltei a olhar o relógio que marcava 9h25. O tempo era mais um que parecia estar contra mim.
Minha única certeza era que eu não conseguiria viver com arrependimentos, não saberia lidar com isto. Corri ate a porta, abrindo depressa, restava pouco tempo, eu tinha que ser a mais rápida possível. Desci as escadas rápido demais para perceber dougie embaixo dela,peguei a chave do carro e sai apressada.
– Aonde você vai? – gritou depois que bati a porta.
O carro de papai parecia me espera em frente a casa, pulei para dentro e antes que pudesse girar a chave, senti que algo estava errado. Eu o amei de todas as formas possiveis, meu mundo sempre girou em torno dele, e a unica coisa que pedia era que ele me respeitasse, e foi tudo que ele não vez. Tudo clareou novamente. Eu não podia dá outra chance a alguem que nao mereceu nem a primeira. E mais uma vez cai no choro, encostada no volante. Desta vez não chorei so por ele, chorei por mim, por ter achado que ele era tudo que precisava, por achar que minha alegria dependia dele. Por ter dado o melhor de mim a alguem que não merecia nem meu pior. Eu queria que tudo fosse diferente, que suas desculpas fossem verdadeiras, eu queria. Mas a unica coisa que me restou foi lamentar, por mim ter perdido algo que achava que tinha, e mais ainda por ele que perdeu o melhor que podia ter.
– Qual o seu problema? – dougie veio até mim.
– Não me enche, garoto – desci do carro, batendo a porta. Eu precisava sair dali, ir a algum lugar que fosse só meu. Eu sabia aonde ir, e segui caminhando até lá. Não conseguiria dirigir
–--
Pegeui um taxi e fui ate um parque que ficava no centro da cidade.Ele tinha minha cara. Eu me sentia bem só de pensar naquele lugar, e estar lá foi incrível. Sabia que com um tempo as lembranças não me perturbariam tanto, eu iria me acostuma a conviver com elas, e dali pra frente, seria assim, momentos. Doia ter deixado ele ir, mas passaria, e a ausencia dele ja nao incomodaria tanto e todas aquelas lembraças se tornariam doces.
Fui até a pequena ponte que unia os dois lados do lugar e sentei. Tombei o pescoço para trás, sentindo o vendo que batia em meus cabelos.
Ouvi alguém sentar ao meu lado, e não dei importância – afinal o lugar não era propriedade minha – continuei sentindo o vento frio que faziam meus cabelos voarem.
A pessoa deu um pigarro, me fazendo abrir os olhos.
– O que você está fazendo aqui?! – franzi o cenho irritada. dougie fingiu não ser com ele, permaneceu em silêncio, encarando o horizonte — eu estou falando com v...
– Relaxa! – interrompeu-me – só vim saber se você estava bem. Só isso – sorria sem humor.
– Desde quando você se importa comigo?
– Desde que o Paul começou a me pagar pra isso – disse simples, dando de ombros.
– Como assim pagar? Meu pai está louco? Eu n...
– ei, já falei pra relaxar – mais uma vez ele interrompeu, calmo e paciente — Chega de problemas, vai — sua voz convidativa fez ele parecer estar certo. Na verdade, ele realmente estava.
Respirei fundo, voltando a admirar o lago, embaixo de nós.
– Você tem razão – assumi. À parti dali, o silêncio se estabeleceu entre nós. Senti seu olhar sobre mim e o encarei.
– Que foi? – ele abaixou o olhar.
– Você... você... Como você está se sentindo?– ele não sabia como formula a pergunta, se atrapalhando. Ele deu um pigarro para continuar — Eu quero dizer... o Matt foi embora e...
– Foi o melhor assim – foi minha vez de interrompê-lo. Ele estava sem jeito.
Se não o conhecesse, diria que essa preocupação ia além de ganhar dinheiro.
– E como você se sente com isso?
– Quanto meu pai está te pagando? – sorrimos.
– Muito bem, acredite.
– Você não respondeu – insistio. Dei um longo suspiro.
– Vai passar – tentei esboçar um sorriso.
– Bom, acho que dei conta de meu trabalho por hoje. – ele brincou, passando a mão pela testa como se enxugasse o suor. Eu sorri.
– voce fica mais linda quando sorri – Dogue me encarava,ele tinha um olhar doce, eu me supreendi com o que ele disse, e o olhava abismada. Dougie ficou constragido e mudou de assunto.
–Que tal irmos à Paradise esta noite? Tudo por minha conta — fiz careta para a idéia, já tinha ouvido falarem horrores daquele lugar, o que explicaria minha reprovação.
– Dizem que aquela boate mais parece um bordel.
– Vai ser divertido, além disso, lá não é um bordel — assenti convencida com seu argumento.
– Vou chamar a Sam pra ir junto. Vai ser bom me distrair.
– Oh! A Sam, ótima idéia – dei um tapa em seu braço.
– Ela é minha amiga idiota, não vou deixar ela cair nas suas garras – sorri — Sabe, só você pra me fazer rir, depois de tudo...
– Nesse caso, é justo cobrar mais um pouco ao Paul – depois de um sorriso, o silêncio voltou a se meter entre nós.
Ouvi gargalhadas e procurei de onde vinha, assim que passei os olhos pela beira do pequeno lago, avistei um casal, brincando como duas crianças, os dois sorriam se divertindo com uma brincadeira tão boba, mas a alegria deles não constituía disso, com certeza eu podia afirmar – por experiência própria — que o fato deles estarem juntos era o motivo para tamanha alegria. Foi impossível não me lembrar de Matt, e sem que eu me desse conta, as malditas lágrimas voltaram a escorrer pelo meu rosto. O virei, tentando esconder de dougie.
– Ah! Não fica assim, vai – pediu — vai passar, você... – ele ia dizer algo, mas desistiu, e estava novamente envergonhado.
– Eu o quê?
– Você é a garota mais linda que já vi — disse rápido demais pra distinguir se foi aquilo mesmo que ouvi ou estava ficando louca. O encarei, mas dougie evitou meu olhar, esperei, para que ele continuasse.
– E não é só isso... Você é doce,inteligente,sensivel... Você é incrivel — me espantei novamente, nunca imaginei ouvir aquilo dele. dougie sacudiu a cabeça, se dando conta do que tinha acabado de dizer — é mimada, irritante, chata, egoísta, fut...
– Ok. Eu já entendi — assinalei.
– Você vai encontra alguém que te ame o quanto ele te ama... Ou até mais –ao pronunciar as últimas palavras, que ele me olhou. De um jeito estranho.
– Você acha? – sussurrei.
– Claro! Ta cheio de louco por aí, não se preocupe – sacudi a cabeça sorrindo sarcástica.
– Não dá pra falar serio com você...
– Sabe o Et.valdo? Aquele nerd da sua turma? Que tal ? – voltei a encarar o horizonte, mais precisamente o casal, que ainda estavam lá, agora sentados lado a lado.
– Ei – ele seurou meu queixo e virou meu rosto para que pudesse encara-lo – o Et. Valdo não é má idéia — sorri.
– Sabe, as vezes eu gostaria de ser como você... não me apaixonar... não levar nada a sério...
– Eu já te disse que isso não é verdade, eu já amei, aliás, eu ainda amo muito uma garota. Até mais do que deveria – ele parecia estar refletindo sobre o assunto, pensando alto. Não consegui deixar de encará-lo.
– Eu não entendi...
– É melhor que fique sem entender mesmo.
– E quem é a pobrezinha? Eu conheço?
– Não. Diferente de suas amigas ela tem um cérebro.
– Deve ser por isso que ela não te quer — provoquei.
– Intrometida — levantou, me estendendo a mão — Vamos nessa, já está ficando tarde. E a noite hoje promete! – anunciou animado. Bem diferente de mim.
A noite chegou rápido, me vesti – nada de super produções. Peguei o primeiro vestido preto que encontrei – junto com Sam, que já estava lá em casa desde a tarde. Fomos nós três, no carro do Dougie, que estava realmente animado e depois de alguns minutos chegamos. O letreiro iluminado logo na entrada me chamou a atenção.
Ao entrar naquele lugar, ficou óbvio pra mim que eu não deveria ter vindo, a tática de fingir que nada aconteceu não deu muito certo. Olhei todo o lugar, que era lindo pra uma danceteria tão mal falada, tinha um ar de aconchego, não sei explicar, era como se tudo aquilo fosse familiar à mim, o que era impossível, pois até então não tinha ido lá. Todos dançando e se divertindo em muita harmonia, e não tinha nada de garotas sem roupas se oferecendo, ao contrário do que imaginei. A musica alta, fazia o lugar vibrar, logo dougie e Sam me arrastarem até a pista — que estava lotada – tentando me fazer dançar.
– Vem, vamos dançar – Sam me agarrou pelo braço.
– Não. Não to com clima pra isso.
– Ah, não! – ela gritou para que eu pudesse ouvir.
– olha o dougie, vai lá – apontei com a cabeça pra ele que parecia um louco no meio da pista. Ela sorriu.
– Você vai ficar bem? – assenti.
– Estou lá no bar – avisei.
Pra minha sorte não tinha muita gente no bar, os que se aproximavam pegavam suas bebidas e voltavam para a pista. Acenei para que o garçon viesse até mim.
– O que deseja? – perguntou ele gentil. Seu sorriso bonito e seu olhar sensual, não me eram estranhos “acho que ja o vi antes” pensei.
– Algo bem forte – ele sorriu de lado. Foi até a prateleira e levou alguns segundos para trazer uma bebida alaranjada que não consegui ver o nome. Despejou em um copo com gelo e deslizou pra mim.
– É o mais forte que termos – assenti. Mexi o gelo que boiava dentro do copo, e em um longo gole bebi tudo, que desceu queimando. Meus olhos chegaram a lacrimejar de tão forte que era aquilo.
– Eu avisei que era forte – ele sorrio,. – ja nos vimos antes? — ele franzio o cenho, o encarei analisando melhor seu rosto, e quase engasguei ao me dá conta de quem ele era. Ele percebeu e sorrio.
– não imaginava ter a grata supresa de encontra minha nova vizinha aqui -Fiquei envergonhada .
– Estou tão supresa quanto você. – ainda me recuperava. Ele apoiou os cutovelos no balcão e se aproximou.
– De perto você é ainda mais linda – sorri e bati o copo no balcão.
– Outra – pedi. Quem disse que não existe remédio para curar dor de amor ainda não experimentou aquilo.
– Deixa eu adivinhar – começou o ele, enquando despejava a bebida em meu copo – brigou com o namorado? – sugeriu,voltando a se apoia no balcão.
– Pior – disse depois de um longo gole.
– A bebida não vai resolver – avisou.
– Vai amenizar, te garanto.
– Não tem volta? – insistiu ele.
– Ele foi embora – ele torceu os lábios.
– Que pena, lamento.
– Não lamente, foi melhor assim.
– Se é assim, pra que tentar se acabar na bebida?
– Você esta perdendo tempo sendo garçom, você tem vocação para psicologo – ele sorriu envergonhado.
– Desculpe se estou sendo intrometido. Só queria saber o que levou uma garota tão linda como você a ficar com esta carinha triste — sorri sacudindo a cabeça, envergonhada.
– Tom – ele estendeu a mão.
– Kendal – apertei.
– Prazer, Kendal. Muito bonito seu nome – olhei pro lado, sorrindo.
– Por favor, não saia daqui! Já volto, ok? – assenti sorrindo.
[TOM'S P.O.V.]
Deixei a garota lá por alguns segundos, torcendo para que ela não fosse embora. Desde quando a vi pela primeira vez a achei linda e atraente. Eu gostava das nossas trocas de olhares.Jogos de sedução sempre foram os meus preferidos, sabia que sempre ganharia no final.
Hoje é um dos dias que mais trabalho, a Lucy,que era minha socia, tinha que estar animada com o movimento, mas ela parecia nervosa. Nunca a vi tão inquieta. Isso me preocupava, ela era uma das poucas pessoas pela qual eu tinha algum sentimento bom, ela era como uma mãe, era o que ela era pra mim. Não parei nem um instante no bar, os pedidos estavam a mil, enquanto atendia os clientes a observava.
Assim que pude, fui até ela, a abracei, percebi que seu corpo estava gelado e suas mãos trêmulas.
– Qual seu problema? – perguntei.
– Lembra da nossa ultima conversa,antes de vimos embora para California?
– Claro, o que tem?
– Então você deve se lembrar do que me prometeu...
– Sim, claro que sim.
– Chegou a hora — ela tinha o olhar fixo na Kendal. Balancei a cabeça, sem entender bem.
– Como assim? – virei para encará-la, foi quando enfim ela tirou os olhos da garota.
– Você prometeu que iria me ajudar.
– E eu vou, so n... aquela garota? – voltamos a encará-la, ela parecia triste. Senti pena dela, coisa que eu nunca havia sentido antes, eu não conseguia entender... mas eu não queria aquilo, enganá-la não me parecia justo, o que era estranho, pois já havia enganado tanta gente nessa vida.
– Você não vai me deixar na mão, né? – encarei a garota.
– Boa noite, senhoras e senhores — Bruno, o nosso mestre de cerimônias cumprimentou todos, faltava alguns minutos para o começo da apresentação de Lucy, quem estava em suas mesas ajeitaram-se, e os demais que estavam na pista amontoaram-se atrás deles. Esperando a sempre aguardada apresentação de Lucy.
– Acho melhor você ir — a alertei.
– Me promete que não vai me deixar na mão? — ela segurou meus braços, encarando meus olhos, apreensiva.
– Pode deixar, eu sei o que fazer... Agora vai lá – sorri, e ela abraçou-me.
– A gente vai conseguir, eu vou ter de volta o que é meu por direito. Eles vão ter o que merecem — ela parecia decidida e um pouco possessiva, o que me assustou. Lucy sabia ser cruel quando queria.
[KENDAL’ P.O.V.]
– Chegou a tão esperada hora, a nossa belíssima Lucy, já está pronta – o cara no palco disse e todos aplaudiram.
Fiquei curiosa pra ver a tal Lucy e o que ela iria fazer, e minha curiosidade aumentou quando as luzes do bar baixaram mais ainda, deixando o lugar mais escuro que antes, e outras acenderam no palco, onde tinha um queijo, e um mastro de pole dance.
– Voltei – Tom me fez tirar os olhos do palco e encará-lo
Voltei a olhar para o palco, que agora estava coberto por luzes vermelhas e uma leve fumaça saia dele, me deixando ansiosa para o inicio da apresentação. Uma luz mais clara foco no meio do palco onde uma mulher alta e de um corpo perfeito,cabelos longos e castanhos, era uma mulher madura, com certeza tinha mais de 40 anos, esperava o início da música, os homens não escondiam sua satisfação, o desejo em seus olhares me chamou atenção, assim como a confiança da mulher que, naquele momento, iniciava sua coreografia.
A musica envolvente dava mais graça a seus passos, sempre provocantes e cheios de ousadia. Ela não se inibiu nem um momento, a platéia – assim como eu – continuava atenta em cada volta que ela dava naquele mastro. Por um momento senti vontade de estar lá no lugar dela, ter todos aqueles olhares voltados pra mim e me sentir confiante e desejada, era como ela deveria esta se sentindo.
Aproximadamente uns 40 minutos depois, ela se despediu do público e deixou o palco sob forte palmas e assovios.
– O que achou? – perguntou tom.
– muito legal– falei verdadeira.
– Que bom que gostou – eu não o conhecia, mais ficou fácil dizer que ele estava nervoso. Ele parecia mais à vontade no começo. Sorri, terminando minha bebida.
– A conta, por favor — pedi.
– Não se preocupe cortesia da casa!
– Não. A conta – estendi a mão, ele a segurou beijando-a em seguida.
– Não me faça essa desfeita – soltei o ar, sorrindo de lado.
– Ok. Agora eu tenho que ir – puxei minha mão envergonhada.
– Espere – chamou ele – me promete que vai voltar?
Estranhei a reação dele.
– Promete? – insistiu. Sacudi a cabeça sorrindo. – Prometo – disse por fim, saindo sem olhar pra trás.
– kendal-chamou ele. Voltei alguns passos e encostei-me no balcão ele fez o mesmo aproximando seu rosto do meu.
– adorei te conhecer – ele olhava para meus labios. Eu sorri de lado e sai, ele me empidiu segurando meu braço. – estava ansioso pra isto – puxei meu braço. Mandei um beijo no ar e sair ainda tonta para procurar Dougie e Sam.
–---
Deixamos Sam em sua casa e seguimos para nossa. Dougie estava animado, cantarolando enquanto dirigia já eu não me aguentava em pé, de tão tonta e indisposta. Lembro-me de ouvi-lo perguntar alguma coisa sobre Matt. Não entendi bem o que foi e resmunguei sonolenta:
– O que sei é que eu o amo e não vou conseguir esquecê-lo de um dia para o outro – ele se calou, findando sua cantoria. Daí em diante a única coisa que lembro é de meus sonhos estranhos e sem sentido.
[DANNY'S P.O.V.]
Mais um dia sozinho era mais do que eu conseguia suportar. As ultimas semanas não haviam sido faceis. Estava pagando um preço alto demais por um erro que sequer cometi. Tudo parecia ter o jeito dela,Kendal não saia dos meus pensamentos, simplesmente tudo me fazia relembrar momentos bons que vivemos juntos, me fazia lembrar seu cheiro, seu corpo, sua risada boba,seu jeito espontaneo de me fazer bem. Eu não tinha culpa de nada, ou talvez tivesse sim, de tudo. Eu não deveria ter vindo, eu deveria ter lutado mais, ter tentado provar que eu era inocente, ter mostrado exaustivamente o quanto eu amava. Talvez tenha faltado isso para ela acreditar em mim. Mas não tive forças, não foi facil ver a mulher da sua vida escapando pelos seus dedos, doia ver que ela não acreditava em mim, que tambem não fez nem um esforço para que as coisas descem certo, ela me conhecia desde criança, sabia da minha indole, doia muito ver ela duvidando de mim daquela maneira absurda. Talvez isso tenha me feito parti.Eu esperava algo dela, espera uma prova de amor, mas isso não aconteceu, e eu estava ali, realizando um sonho, mas nem isso amenizava a tristeza que sentia, quanta falta ela me fazia, não só ela, todos. Olhava pros lados e a única coisa que via era um quarto de hotel vazio,escuro e frio. Sentir meu celular vibrar, animado como nunca, atendi sem sequer olhar quem era, mas com plena certeza que seria a Ken.
– Que bom que você me ligou, eu sabia que você entenderia...
– Meu filho, o que está acontecendo? – de imediato reconheci a voz de minha mãe.
– Ah, desculpe mamãe, é que... Bom, como a senhora está?
– Infeliz. Eu não consigo ficar mais nem um minuto sem você, meu filho — aquilo me doeu.
– Mamãe, não faça isso.
– Eu vou falar com a Kendal, ela vai entender. Volte, é só o que te peço. Não esta sendo facil para mim. O Paul esteve aqui.
– e o que ele disse ? – perguntei preocupado.
– disse que mais uma vez eu e minha familia fizemos mal a ele e a Kendal. Que nunca nos perduaria por nada.
– o Paul tem que saber a verdade mamãe, não so ele a Ken tambem. Não é justo que ela seja tão enganada. Voce sabe que nunca aprovei sua posição, mas respeitei e mesmo querendo muito nunca falei a verdade sobre a mãe da Ken, mas acho que ja esta na hora.
–Matt, não quero falar sobre isto. Fale-me como voce esta? – mamãe deconversou nervosa
– bem – disse sem animo
– eu sei que não esta meu filho, eu vou ligar pra Ken, vou chama-la para vim aqui e vou pedir para ela te perdoa, ela so pode esta louca em achar que voce faria algo de ruim para ela.
– Não, não faça isso! Deixe como está. Er, agora eu tenho que desligar, mais tarde prometo te ligar. Te amo – desliguei antes que ela recomeçasse seu sermão.
Me fez bem ter falado com minha mãe, eu podia me sentir mais perto de casa, até meu pai — que é sempre ausente — havia me ligado, ouvir a voz deles me fez bem, mas ainda não era suficiente, para me alegrar.
Desde que cheguei, não faço outra coisa a não ser ligar para Kendal e mandar mensagens. Eu não descansaria enquanto ela não me atendesse. Ali, sozinho, me sentindo triste e incompleto, entendi que não poderia viver sem ela. A qualquer preço a teria de volta. Encarei o celular e pela milessima vez escrevi outra mensagem para ela, prometendo a mim mesmo ser a ultima, esperaria sua resposta, levasse o tempo que fosse.
[THALLITA'S P.O.V.]
A noite anterior havia sido surpreendente, lembrei de minha promessa a Tom e de minha conversa constrangedora com Dougie – que provavelmente havia me arrastado até o quarto sem muita paciência. Eu me sentia enjoada e com dor na cabeça. Não resistir e olhei algumas vezes para a casa de Tom, mas não parecia ter alguem .Encarei-me no espelho, eu estava deplorável, se Sam me visse naquele estado provavelmente me diria "cubra o rosto antes que alguém te veja assim". Tomei um banho, me vesti e resolvir da uma volta pelo quarteirão para me execitar e tambem conhecer melhor meu novo bairro. Ainda não tinha feito isto desde que nos mudamos, seria bom,caminhar para esparecer. Quando ja estava de saida ouvir o som de meu celular, era uma mensagem, provavelmenbte de Matt, ja que ele tinha lotado meu celular de ligações e mensagens que apaguei sem sequer ler. Fui ate o aparelho e comprovei minha suspeita, desbloquiei aperetei em apagar “excluir mensagem” apareceu na tela,não conseguir aperta em ok, e findei lendo o seu conteudo.
“Ken, ja perdi as contas de quantas mensagens te mandei esses ultimos dias, mas começo dizendo que esta sera a ultima. Não, não pense que irei desistir de voce, não que eu não queira, mas simplismente vi que não consigo. Mas cansa, sabe? Eu te amo, mas me canso. Eu li uma vez que o amor é uma via de mão dupla e conosco não esta sendo assim. Sei que esta sofrendo,mas acredite eu sofro o dobro com seu desprezo e sua desconfiança sem sentindo. Voce tem ideia do que me fez fazer, eu estou aqui, sozinho, em um quarto escuro e frio. Falta voce em tudo. Nossa kendal, ta tão dificil. Se eu tivesse um pedido te pedira aqui comigo, completa, como antes. Mas sofro ainda mais so de pensar que isso pode nunca acontecer, por uma mentira descabivel de uma garota cruel. Eu queria que voce acreditasse em mim, ou melhor, eu queria que voce nem tivesse duvidado de mim.Mas ja esta feito não é mesmo? Eu me culpo, mesmo não tendo culpa, talvez eu pudesse ter evitado isso. Mas agora não a nada a ser feito. Não vou desistir nunca de voce,mas vou te da um tempo sem noticias minhas. Vou tentar me recuparar aqui, vai ser dificil, mas como voce me disse na nossa ultima conversa, tudo passa. Espero que so passe o que fui ruim, e que a gente fique. Te amo demais, por voce eu seria capaz de tudo. Enfim, não tem mais o que ser dito, so que esta é a ultima mesnsagem de um homem apaixonado que por voce faria tudo, mas que esta cansado de tentar conserta e voce insistir em destruir. Se cuida, ja que infelizmente não estarei ai para te cuidar. E nunca esquece que mesmo longe, tem um cara que te ama demais e não vai fazer esforço nenhum pra te esquecer. Esperarei uma resposta, leve o tempo que for. Beijos, do seu amor.”
Não pude negar que as palavras dele mecheram comigo, as maltidas lagrimas começaram a escorrer por meu rosto, mas não me entreguei, respirei fundo, lembrei-me de tudo que ele me fez, lembrei-me do que a Mendy havia dito, apaguei a mensagem, limpei o rosto e joguei meu celular em cima da cama, saindo para minha corrida.
Eu vestia uma calça preta, tenis e um top ,pois o dia estava quente, coloquei um bone,peguei meus fones e depois de me alongar comecei minha corrida.
Ja havia corrido por pouco mais de uma hora, e foi tudo que precisava eu sozinha com meus pensamentos e minhas musicas. Continuava correndo ja proximo de casa, quando me destrai ao ver papai passar de carro por mim acenando. Antes que pudesse voltar meu olhar para frente, senti um forte esparrão
–Ta cego? – gritei , ainda no chão,apanhando meu celeular e meus fones. O rapaz de bermuda de ginastica, tenis, camisa branca e bone, se desculpou procupado, estendendo a mão para me ajudar. Recusei sua ajuda levantando sozinha
–Te machuquei ?– perguntou ele, foi quando finalmente olhei seu rosto e sorri incredula.
–Voce ? — perguntei ainda sem acreditar. Tom sorriu
–Eu mesmo. Deixa eu ver se te machuquei – ele segurou meus braços e examinou meu corpo, me deixando mais uma vez envergonhada.
– parece que esta tudo no lugar – sorri sem jeito.
Que bom. Ate mais – sorri e passei por ele. Tom me seguerou pelo braço
–Espera. E que... – ele parecia envergonhado e inseguro — bom, estava indo comer algo em um cafe aqui perto, seria um prazer ter sua companhia. -Sorri sem jeito, desconfortavel com seu convinte. Ele percebeu e se redimiu.
– desculpé se estou sendo incoviniente.
– nao é isso. E que... – tentei achar uma desculpa, mas eu sempre fui pessima com mentiras.
– eu sei que pode parecer estranho, mas não precisa ter medo, não vou te fazer mal. – ele ergueu as mãos. – eu abria fechava a boca sem saber o que dizer. Era desconcertante o modo que eu ficava perto de Tom.
– vamos ? – ele sorri e estendeu a mão. Não tive como resistir. Mesmo descorfortavel e envergonhada segurei sua mão e fomos caminhando ate o lugar.
– adoro esse lugar, eles tem um sanduiche maravilhoso, voce vai amar- ele disse assim que entramos.No caminho falamos pouco, ja que ficava realmente perto, uma rua depois da nossa. O lugar era lindo, tinha uma decoração dos anos 80. Ele me guiou ate uma mesa que ficava no canto reservada. Puxou minha cadeira,esperou que eu sentasse e sentou em seguida em minha frente. A garçonete nos entregou os cardapios fizemos nossos pedidos seguir sua sugestão e ele me acompanhou, eu estava me soltando aos poucos, ficando mais avontade perto de tom. Mas ainda me sentia desconfortavel.
Enquanto esperavamos nossos pedidos ficamos em silencio, ele me olhava como se me analisasse.
– voce parece menos triste hoje? – comentou
– sim, tudo passa, não é mesmo?
– nem tudo – ele soririo, e ante que pudese perguntar algo, a garçonete chegou com nossa comida.
– espero que goste — disse ele, simpatico. Com sua voz rouca.
– é realmente delicioso – comentei depois de provar meu sanduiche. Ele sorrio
– espera um pouco – ele me aproximou de mim, e limpou o canto da minha boca, passando lentamente o dedão por meus labios – estava sujo – se afastou.
– eu sou mesmo uma estapanada – sorri, passando o guadanapo por minha boca
– e linda – ele me olhava fixamente, de um modo que me deixava encabulada. Seu olhar era feroz, sexy, me atraia e me assustava na mesma intensidade. Eu nada disse, ele sorrio de lado.
– quando vai voltar lá?não quero te ver so por uma varanda, atraves de uma cortina que so reflete sua sombra.
– voce anda me espionando? – brinquei para tentar quebrar o clima
– é inevitavel. – ele mordeu a comida – alias, ja falei sobre voce ficar extremamente sexy so camiseta? – eu abri a boca ele garalhou
– assim voce me assusta – disse
– não é essa a intenção. – voltamos a ficar em silencio e terminamos de comer.
Depois de discutimos quem pagraria a conta, eu ensistia que dividissimos e ele não aceitava. Ele pagou e formos embora. Assim que saimos ele avistou um moça que vendia flores na calçada. Foi ate ela e me trouxa uma rosa amarela, ele a beijou e me entregou.
– pra tentar te agradecer pela exelente compania – eu sorri,e o abracei involuntariomente. Fiquei envergonhada
–é linda — beijei seu rosto . Ele sorrio
– combina com voce.- disse ele.Voltamos a caminhar.
– voce trabalha a muito tempo naquele lugar? – perguntei
– na verdade sou um dos donos. Mas sim, ja fazem alguns anos que estou lá. E voce? Ainda esta no colegial, não é verdade?
– sim, faltam menos de um mes para minha liberdade – ele gargalhou
–acredite, com um tempo voce sentira falta. Pelo que vi voce é lider de torcida, estou certo?
– sim. Pelo visto voce esta bem informado – sorrimos.
– deculpe, voce deve esta me achando um louco. Mas como ja te disse, é inevitavel não te observar. – voltei a ficar sem jeito. Ele sorrio e passou a mão por meu cabelo.
– voce fica ainda mais linda envergonhada.
– voce é sempre galantiador assim? To impressionada — aprecei o passo. ele balançou a cabeça sorrindo.
– ok. – ele ergueu as mãos – vou tentar me controlar.
– o que pretende fazer quando acaba os estudos? – parei um momento para pensar, e me dei conta que não tinha mais planos, Matt partiu com todos ele.
– Kendal? – chamou tom, parando em minha frente.
– oi? Desculpe.
– falei algo errado, por favor, me desculpe
– não – o interrompi — não fui voce, sou eu -voltamos a caminhar e ele me olhada curioso.
– e voce? Esta a muito tempo naquela casa ? – tentei mudar de assunto para disfaçar- ha alguns anos estamos lá
– estamos? – ele sorriu.
– sim, eu e o Dante. – ele sorria “então ele era gay, claro,perfeito demais para ser hetero e disponivel” pensei
– meu cachorro – Completou Tom e eu sorri aliviada lembrando de ve-lo com o cão algumas vezes.
– sua familia não é daqui? – ele ficou serio derepente. Olhou para os lados e viu um vendedor de algodão doce.
– alodão doce? – sugerio.
– se a sua intenção e me deixar gorda, não vai conseguir – brinquei para quebrar o climão, causado por minha pergunta.
Caminhamos mais um pouco, ele segui falando de seu cachorro, dizendo o quanto ele era incrivel, parecia um pai babão orgulhoso.
– bom chegamos – parei ao lado da minha casa
– obrigada, adorei – sorri, segurando a rosa com as duas maos para disfacar minha timidiz, ele mantinha as mao nos bolsos e um sorriso no rosto.
– eu que agradeço. Adorei esta com voce. E espero que isso se repita.
– dessa vez sem esparroes – brinquei e ele gragalhou
– entao.. ate depois. Vai ter um depois ne kendal? – eu sorri, e ja menos timida comecei a entra em seu jogo, e fui aproximando meu rosto do dele, como se fosse beijar seus labios, ele não se moveu, quando estava proximo desviei e beijei seu rosto.Tom sorrio da brincadeira. Sai e ele ficou em pé, com as maos nos bolsos me observcando. Olhei pra tras e disse:
– ate a proxima.
Os ultimos dias haviam sido dificeis, tudo que eu tinha como certo se perdeu, de uma hora pra outra nada fazia mais sentindo, havia um furacão dentro de mim, havia tambem um coração machucado, e deste eu tinha que cuidar bem, esta eu não poderia acreditar que meias palavras bonitas de um homem sedutor, como tom, fosse o remedio para minha dor. Era inevitavel não me envolver com o jeito sedutor e misteriosos de tom, seu jogo de sedução fazia bem para meu ego, que ainda estava ferido.
Naquele momento, em que todas as minhas ceretezas haviam indo embora, a unica coisa que acreditava era que o tempo seria o unico remedio, e com ele as coisas iam se ajeitar e o que tinha que ser, seria, indepedente de qualquer coisa.
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