Good Gone Girl
53 Capítulo 53 - Vai ficar querendo
Notas iniciais
Capítulo 53 – Vai ficar querendo
Até onde eu sei, quando amigos seus te chamam para o rolê, você fica com eles no rolê. Se tem gente conhecida por lá, tudo bem fazer a linha educada e cumprimentar todo mundo, ser gentil e tudo o mais. Mas eu acho muito mal-educado você passar tempo demais com um grupo que nem te chamou para o rolê, mas Georgia não parece preocupada com etiquetas.
Antes que eu perceba ela está conversando com os amigos dele e tentando incluí-lo em sua conversa sobre o passado. A qual, diga-se de passagem, ela não se preocupa em incluir nem eu ou as minhas amigas.
Pergunto-me se isso é algo da minha cabeça, mas é assim que eu vejo nossa reunião ser dividida em dois grupos: os amigos de Alexander, que conversavam animadamente com Georgia, e as minhas amigas (e o namorado de Chris) que ficam encarando como quem não entende o que aconteceu. Acho que posso chamá-la de Moiséis. Chegou causando e dividindo o mar vermelho.
Eu não entendo muito a respeito do que está acontecendo, mas apenas troco um olhar com as garotas, um olhar de quem sabe que tem algo estranho com ela. Não estou entendo o porquê ela nos exclui de sua conversa, até que Sasha faz um gesto como quem está forçando o vômito e diz:
— Olha para mim, eu só tenho amigos homens porque eu não sei fazer amizade com garotas. Garotas são muito frescas e falsas, blá blá blá.
Alex cerrou os lábios em uma linha fina, como quem tenta não rir.
— Você está rindo porque sabe que ela é assim – Sasha acusa.
— Como assim? – Eu perguntei, confusa.
— Ela sempre foi assim, desde o colégio – Ellie comentou, olhando Georgia pelo canto do olho. – Eu não estudei no mesmo colégio que eles, mas todo mundo ouvia falar sobre Georgia. Ela era a garota mais popular, apesar de não ter nenhuma amiga. Os garotos diziam que era isso o que a fazia “tão legal”.
— Sempre com esse discurso de: eu não sei fazer amizade com garotas, garotas são frescas e falsas, eu só sei ser amiga de garotos... blá blá blá. Me dê atenção homem, sou gostosa e diferente – Sasha completou, visivelmente indignada.
Como sempre sua crítica tão crua que chegava a ser cruel.
— Eu gostaria de dizer que Sasha está inventando, mas sempre foi assim mesmo – Ellie diz para a minha irmã e para Chris.
— Inventando? Eu? – Sasha responde. – Eu nunca invento nada. Ainda mais sobre mulheres. Você sabe que eu sou contra essa ideia de que somos inimigas..., mas temos que concordar que, porra, tem mulheres que pedem.
Chris segura uma risada.
— Você já a conhecia, Bell? – Minha irmã perguntou curiosa.
— De vista – eu respondi, olhando para Alexander com os olhos estreitos.
Ele me olha de volta como se dissesse: “não vamos voltar a essa conversa”. Ainda mais porque, se eu me lembrava bem, o que eu havia feito a ele havia sido pior.
— Meus amigos fazem eu me sentir como um pai com a guarda compartilhada que tem que ver a ex-esposa que ele odeia – Alexander resmungou, coçando a nuca.
“Eu estou muito brava para rir” eu digo a mim mesma, tentando ficar séria.
— Mas conta... ela nunca te superou ou quê? – Chris perguntou curiosa.
— Eu não sei qual é a dela – ele admitiu. – Ela só fica agindo desse jeito... como se estivesse brincando comigo e deve estar tentando isso mesmo. Não tem motivo.
— Hum... – Mary-Jean ruminou, olhando para a loira intrusa. Então de repente, ela se vira para mim e pergunta, parecendo animada: — Bem, mudando de assunto, aonde vocês foram que demoraram tanto?
— Fui levar a Bell para conhecer o meu tio. Ele queria conhecer ela antes de ir para casa – Alexander respondeu. – Ele adorou mexer com ela.
— Todo mundo adora – Mary respondeu.
— Ei – protestei, corando.
— Mas é verdade – minha irmã insistiu. – É tão fácil...
— E eu não sei? – Ele concordou.
Eu tento não rir, mas eu gosto desse complô deles contra mim.
— Não é Alex? – Georgia pergunta de repente, virando-se para o meu namorado. – Você se lembra daquela vez que a gente viajou para a Suíça, para esquiar... e aí você insistiu que queria ir para a montanha mais alta e se arrebentou todo?! Eu tive que ficar cuidando de você as férias todas porque você mal conseguia andar...
Ela começou a rir e se agarrou no braço dele. Eu olhei para aquilo sem dizer uma palavra, Mary-Jean também olhou para aquilo arqueando uma sobrancelha e lançando um olhar incrédulo. Tenho certeza que a minha expressão ficou igual a dela, só que com a vontade de arrancar ela a tapas, meu Deus...
Alexander franziu o cenho, e puxou o braço das mãos dela. Ele parecia incrivelmente... puto. E ele fica lindo quando está puto.
— Se eu me lembro bem, você ter passado as férias todas cuidando de mim era o mínimo que você poderia fazer, já que você foi quem me fez ir na montanha mais alta quando apostou que eu não tinha coragem de ir lá – ele retrucou.
Ela riu, colocando uma mão no peito dele. NO PEITO DELE! Tipo... “ai, amor há há há há”... Fiquei olhando para aquilo com um ódio. E eu só pude pensar em virar a perguntar: “TA A FIM DE PERDER A MÃO, FOFA?!”. Estou surpresa com a audácia da filha da puta de mexer com o meu namorado... na minha frente... na minha presença! Tipo?! Eu não existo ali?!
Que vontade de chegar na voadora...
Respirei fundo e disse a mim mesma que eu deveria estar delirando.
— O que eu podia fazer? Você sempre aceitava os desafios tão fácil! Eu sabia que você iria, ainda mais por mim – Ela disse, provocando-o.
Ah, não.
Me desculpe. Me desculpe mundo, mas eu não aguento... não aguento uma mulher dessas na minha frente. Esboço um movimento para me mexer e me virar para eles, pensando em falar algo como: “Vocês sabem que eu estou aqui, não sabem? ”, quando Mary-Jean segura o meu braço e faz que não com a cabeça.
Eu sei. Sei que ela tem razão, mas..., mas... aquelazinha lá...
— Será que você pode, por favor, não encostar em mim desse jeito? – Alexander pediu de repente, esquivando-se dela. – Tenho certeza que minha namorada não está gostando nada disso.
Eles me olham e eu não sei se minha raiva está muito visível no meu rosto, mas eu apenas desvio o olhar como se não quisesse que eles pensassem que eu estava furiosa por causa deles. Não é como se eu me importasse, mas eu me importava muito.
— Alex, você é meu amigo. Sempre tratei os meus amigos assim – ela diz, com um sorriso condescendente. – Você é um desses caras que anda numa coleira agora?
Então ela olhou para mim como se eu fosse uma maluca ciumenta.
Quando a maluca ali era ela... ora...
— Eu não sou o seu amigo, Georgia – Alex retrucou, seco. – E você sabe disso.
As palavras dele me deixam chocada. Eu nunca tinha ouvido ele falar assim desde... bem, desde a primeira vez que eu o vi. Quando aquele garoto intrometido disse que ele estava tentando me comprar com bebida. Pelo visto, nem Georgia esperava aquilo, pois ela parece muito surpresa. Vejo-a abrir e fechar os lábios, várias vezes, como se não soubesse o que dizer. Então não vê outra saída para toda aquela situação, além de dizer “é mesmo, né? ”. Então ela resolve cair em si, e arrumar um motivo para ir procurar seus outros amigos.
— Poxa, Alex, você não precisava falar assim com ela – Um de seus amigos comentou. – Ela sempre foi assim... você sabe. Ela não faz por mal.
Olhei para Ryan como quem diz: “ah, tá, claro. Eu sou maluca”.
— Precisava sim – ele respondeu. – Ela não pode continuar forçando a barra sabendo que eu tenho uma namorada e que ela está bem aqui do meu lado.
Eu não queria, de verdade, que os amigos dele achassem que eu era uma maluca ciumenta. Eu juro que não sou. Quer dizer, até poucos segundos atrás eu os estava ouvindo falar que a ex-namorada (Georgia) dele escolheu ele pelo tamanho do pau.... Não sou maluca. Eu sei brincar. Mas ela falar daquele jeito, tratar Alexander daquele jeito, na minha frente... hoje em dia.... era o cúmulo do descaramento.
— Você tem razão cara, Georgia exagerou e ela sabe – Oliver é quem diz e ele ainda completa: – Desculpa, Bell. Como falamos, ela sempre foi assim mesmo... o lado bom é que Alex não se cansa de colocar ela no lugar dela.
Forço um sorriso apenas, mas fico chateada por essa situação.
O clima ruim só desaparecesse com o decorrer da noite, apesar de alguns dos amigos de Alex ainda acharem que ele foi grosso desnecessariamente. Pergunto-me o que eles teriam feito então no lugar dele, se eles estivessem sendo assediados.
Para mim, não havia outra saída. Quer dizer que se ele não dissesse nada a bonitona continuaria se esfregando nele na minha frente? E eu teria que aturar isso calada porque não sou uma garota de escândalo? Quer dizer, há coisas que você não faz com um cara comprometido e uma delas é ficar se esfregando nele na frente da namorada, como se ela nem estivesse ali.
— Ei, não precisa ficar assim – Ele diz perto do meu ouvido. – Você sabe que eu gosto de você. Eu quero só você.
— Por que vocês terminaram? – Eu perguntei.
Alex arqueou uma sobrancelha, sem entender o porquê da pergunta.
— Hum.... Ela chegou ao meu limite – ele confessou. – Ela... ela sempre teve essa mania de ficar me fazendo desafios e eu aceitava todos porque, bem, a verdade é que não me importava. Quando estávamos para nos formar no Ensino Médio, ela me propôs um desafio que me fez ser castigado e proibido de ir ao baile de formatura. Sendo assim, eu sugeri que não fôssemos. Ao invés a gente ia viajar para algum lugar legal, sei lá. Ela aceitou..., mas não foi. Ao contrário: ela foi para o baile com o cara que eu mais odiava na escola inteira.
Eu franzi o cenho, ele me deu um sorriso amargo e bebeu da sua bebida.
— Você... acha que ela te traía com ele? – Eu perguntei.
— Ah, tenho certeza – ele respondeu imediatamente. – Sem dúvida.
Eu sei que é errado, mas eu começo a rir e isso faz ele me olhar feio.
— Qual a graça? – Ele pergunta sem entender.
— Sua sinceridade – eu confesso, rindo. Ele me olha como se não entendesse bem, mas isso o faz sorrir. – Obrigada por ter dado um chega para lá na Georgia.
Ele olha para mim como se não entendesse.
— Sabe, eu poderia ter pulado e arrancado os cabelos dela... Só que você agindo me fez poder manter a minha postura de “namorada plena e de boa” ao invés de “namorada maluca e ciumenta” – eu completei.
Ele riu, então disse beijando a minha mão:
— Disponha. Sempre que quiser manter sua imagem de “namorada plena e de boa” é só me avisar. Não me incomodo se me chamarem de grosso.
— Hum... que cavalheiro – Sasha provocou.
— Tão bonitinho – Chris disse, rindo.
Está todo mundo olhando para nós dois com um olhar como quem quer nos colocar num vidrinho e ficar admirando, isso me faz corar. Queria ter o dom de Alexander de nunca parecer estar constrangido.
Nós nos divertimos, conversamos, bebemos, curtimos. Foi a primeira vez que eu saí com tanta gente e me senti rodeada de amigos. Era uma sensação estranha. Como estar saindo de uma bolha e dando uma olhada o que seria a “vida normal” de diversas pessoas. Pessoas que não tinham meus problemas e minhas neuras.
Talvez, o pior momento da noite tenha sido a presença de Georgia.
E ter me esbarrado com ela no banheiro, um pouco antes de eu ir embora.
Foi um encontro um tanto injusto porque nós duas estávamos um pouco bêbadas, e eu não gostei nem um pouco de como ela me olhou pelo espelho assim que eu entrei. A vi hesitar, com dúvida nos seus movimentos, como se não soubesse se deveria me dizer alguma coisa, ou apenas sair dali e fingir não me conhecer.
Ela ficou, mas não foi para me pedir desculpas não.
— Alex é um cara legal sabe? – Ela começou. – Sempre foi o mais legal.
Dei um sorriso forçado tipo “uhu, legal”, mas então ela me olhou. De cima a baixo. O tipo de olhar que você sabe que a pessoa está te menosprezando. A cena me dá um déja-vu tão forte que eu quase a ouço dizendo: “Todo mundo sabe que você não tem chance com ele” (talvez por causa da bebida, provavelmente). Porém, eu esperei que ela dissesse alguma coisa, porque ela obviamente ia dizer alguma coisa.
— A coisa que eu mais me arrependo, acho que foi o dia em que eu o traí... – Ela comentou, apesar de eu não dizer nada. Eu não devia dar atenção ao seu papo de bêbada. – Quer dizer, eu não o traí de verdade... pelo menos eu não vi assim. Eu só... era uma babaquinha no colégio... e abusei porque ele me fazia sentir muito segura.
Arqueei uma sobrancelha.
— Sério. Tipo... você tem um cara maravilhoso, que é capaz de fazer tudo, qualquer coisa, por você... E, tipo, quando você tem alguém assim... tudo o que você pensa é que não importa o que você faça... ele sempre vai estar ali para você. Até que, quando é muito tarde, você percebe que ele não está mais – ela continuou. – Você percebe que pisou na bola e ele não vai voltar.
Não sei porque ela está me falando aquilo.
Não sei o que ela espera de mim. Ela é apenas uma mulher maluca cheia de arrependimentos no que dizia respeito ao meu namorado. Provavelmente, a Bell de antes teria pena dela. E por mais absurdo que isso me pareça pensando agora, eu me lembro que a “Bell de antes” consolou Lauren quando Mike a estava dispensando!
No entanto, tudo o que eu podia dizer para ela agora era:
— Achado não é roubado. Foi namorar perdeu o lugar. Foi à feira perdeu a cadeira... pode escolher querida. A fila andou e a próxima sou eu.
Ela olhou para mim e então deu uma risada. Não parecia mais tão triste agora.
— Eu quero ele de volta – ela diz, como se me desafiasse.
Sua frase é tão absurda que me dá vontade de rir. Ela fala como se houvesse me emprestado uma bolsa e estivesse precisando dela agora. Tipo... como se tudo não passasse de uma transação e isso, eu confesso, me irrita.
— Bem, vai ficar querendo – eu respondi com petulância. – Você nunca vai ter ele de volta, porque, primeiro, se depender de mim, você vai ficar aí chupando dedo. Segundo, e talvez mais importante, você pode não ter percebido, mas: ELE NÃO TE QUER! Para de fazer papel de boba porque isso já está bem claro...
Ela olha para mim, parecendo surpresa. E irritada.
— Escuta aqui, você chegou agora na história e acha que é quem?! – Ela pergunta, batendo o pé. – Você não sabe de nada. Você não sabe pelo o que passamos, o que dividimos-...
Quase dou uma risada e digo a mesma coisa. Ela não sabe de nada.
— Eu não sei se eu sinto raiva ou pena de você, porque você parece uma daquelas pessoas com alzhaimer e que tá revivendo o passado... — Eu digo, revirando os olhos. — Muita coisa aconteceu depois que vocês terminaram. Pode ser que eu não saiba de nada disso ai, mas você também não sabe nada sobre nós. Eu sei que ele é um cara desinteressado e que obviamente já superou “o que vocês passaram”, “o que dividiram” e, enfim, “tudo o que eu não sei”.
Ela me olha como se não acreditasse.
Aproximei-me dela e então disse:
— Vamos falar sério então? Sem máscaras? – Eu desafiei. – Não me importa como você trata todo mundo ou como trata os amigos do meu namorado, faça o que quiser..., mas nós duas sabemos que você estava me provocando e provocando Alexander desde que pisou nesse lugar.
Ela abre a boca para retrucar, mas eu a interrompo.
— Sério. Eu podia ter feito uma cena lá na mesa. Podia ter te puxado pelos cabelos e te mandado ficar longe do meu namorado..., mas somos duas pessoas adultas. Vou te falar aqui, aproveitando que estamos à sós: pensa no que você está fazendo e pergunta se vale a pena, porque... – Eu ri e disse: — Eu estou sentindo cheiro de queimado, mas não sou eu que estou me queimando aqui.
Ela me encara, como se eu fosse uma maluca (e talvez eu fosse mesmo, já que estou discutindo bêbada, com uma garota bêbada, no banheiro), mas a verdade é que meu sangue estava fervendo de raiva dessa mulher.
— Eu geral, eu sou paciente e muito razoável... – Eu avisei. – Mas se eu te ver provocando o meu namorado de novo... juro que vou te mostrar até que ponto exatamente pode ir a minha paciência.
Dessa vez, ela nem tenta retrucar. Como eu não tenho mais nada a dizer, eu saio do banheiro. Seja lá o que eu fosse fazer lá dentro, ela me tirou a vontade completamente. Encontro Mary-Jean, esperando-me do lado de fora e pergunto-me se ela ouviu o que eu estava dizendo para a garota.
Pelo sorriso que ela me deu, acho que ouviu.
— Parece que você saiu da concha – ela comentou.
— O quê? – Eu perguntei. – Que concha?
Minha irmã mais velha riu e pegou o meu braço.
— Eu nunca tinha te visto lutar pelo que você gosta – Ela diz, quase cantarolando de felicidade. – Você sempre parecia achar que os outros mereciam mais que você... mas olha só... você discutiu com a mamãe pelo seu conto, e discutiu quando ela falou mal do seu namorado e acabou de discutir com uma garota por ele.... É muito bonito ver você lutando pelas coisas que ama.
Eu sinto vontade de chorar, mas ela passa o braço pelos meus ombros e diz:
— Como eu disse... você se saiu bem sem os meus conselhos.
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