Good Gone Girl

36 Capítulo 36 – Acusações.


Notas iniciais
Oláaaaa Como vocês podem ver, eu não tenho um dia fixo para postar. Eu estou esperando o capítulo anterior ter 10 comentários, ai eu posto hahhahaha Então quanto mais comentário, mais rápido sai ^^ Espero que vocês gostem desse capítulo, não me matem, por favor. Obrigada pelos comentários!!! > fl0redilla > sandrinha > carina > prin > paulinha3 > PamyAraujo > Mente Bugada > Olhos castanhos > Flor Eaton > KK > Kika Pichsterzy Bisou ♥ Belle.Époque

Capítulo 36 – Acusações.

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“O que eu fiz? ” Eu me pergunto diversas vezes.

Mentalmente eu repasso tudo o que pode ter acontecido desde que chegamos naquela situação estranha. E, por mais que eu pense sobre isso, não encontro nada. Quer dizer, nada que eu tenha feito a ele diretamente, que o faça me tratar diferente ou se esquivar de mim daquele jeito. No entanto, alguma coisa deveria ter acontecido para ele fazer aquilo, certo? Alex nunca havia agido daquele jeito comigo. Nunca.

Eu fiz alguma coisa, digo a mim mesma diversas vezes, só não sei o quê. E a pior parte era que só o que eu podia fazer, naquele momento, era esperar ele voltar para termos uma conversa franca, como duas pessoas adultas e maduras. Mesmo que eu não fosse nenhuma e nem outra. Eu era apenas uma garota confusa e perdida, meio idiota, na maior parte do tempo.

Merda. Eu juro que só estou tentando fazer o que é certo!

Quando eu canso de remoer tudo, decido sair para comprar vinho. Eu precisava de uma taça de vinho antes que eu ficasse maluca com meus pensamentos. Sinto que, na verdade, eu devia chamar Ellie e Sasha, e pedir seus conselhos sábios, no entanto, elas sempre me avisaram que o Alex não era do tipo “fácil” e sempre pediram para eu não me apegar a ele... eu não poderia perguntar o que devia falar para pedir ele em namoro.

É. Isso mesmo que você leu.

Eu ia pedir Alexander em namoro. Ponto.

Não suportava mais essa situação. Ia dizer para ele, de uma vez por todas, que não dava para ficar nessa onda de não saber o que somos um para o outro. Eu tinha quase certeza que nossa “amizade colorida” passara muitas vezes (ou talvez sempre) da linha que delimitava a “amizade colorida”. Eu precisava ser honesta conosco.

Eu precisava abrir meu coração e queria que ele abrisse o coração dele.

Após descer para comprar um vinho, quando volto para o apartamento de Alexander, Kurt vem me recepcionar com um miado e uma esfregada em minhas pernas. Faço-lhe um breve carinho em sua cabeça antes de abrir meu notebook na mesa de centro e o ligar. Peguei uma taça e então enchi. Ia esperar o Alex voltar enquanto terminava meu novo conto para o concurso. Sim, outro.

Parecia ridículo eu pensar em escrever um conto sobre amor quando estava brigada com Alexander, no entanto, escrever me causava uma sensação boa. Como se eu pudesse ver tudo o que aconteceu por outra perspectiva, de maneira impessoal. Não era comigo, era com outra pessoa, então eu poderia dar uma outra solução para aquilo.

E talvez por isso esse conto pareceu tão claro na minha mente.

Tinha aquele sentimento pessoal, aquele sentimento de que eu falava sobre algo verdadeiro, algo que vivi... um sentimento que eu busco sempre que possível na hora de escrever minhas histórias, meus contos, um parágrafo. Era o sentimento de quando você escreve algo que toca não só a sua mente, mas o seu coração.

Eu sentia que essa seria o conto.

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— O que você achou Kurt? – Eu perguntei para o gato branco no meu colo.

Eu havia acabado de ler um conto de dez páginas para ele, já que era o único ser vivo no apartamento, e ele me respondeu erguendo suas orelhas e miando para mim. Então ele se esfrega em meu braço, pedindo carinho. Sempre me pedindo carinho. Eu passei minhas mãos por debaixo de suas patinhas e disse como se ele fosse um fantoche:

— Você usou muito simbolismo na sua história. Será que eles vão entender?

— Claro que vão. Está tão óbvio que nem preciso dizer – eu respondi.

— Você escreveu isso bêbada.

— Eu não estou bêbada!

Tudo bem que já havia ido meia garrafa de vinho... e nada de Alexander aparecer.

O relógio marcava duas horas da manhã.

Olhe para o gato em meus braços e ele me olhou de volta.

— Você acha que ele vai voltar? – Perguntei à Kurt.

Minha resposta foi o gato branco se debatendo nas minhas mãos e então pulando para fora. Se fosse uma pessoa ele teria dito “que menina doida, eu hein”. Mas eu não me importei porque pela primeira vez eu me perguntei se ele iria voltar. Se ele havia decidido dormir fora do próprio apartamento... por minha culpa? E se ele estivesse tão bravo que nunca mais iria querer me ver de novo? Meu deus, o que eu havia feito para fazer com que alguém não sinta vontade de voltar para a própria casa?

Eu devo ser a pior pessoa do planeta.

A simples ideia faz com que minha visão embaçasse com lágrimas acumuladas em meus olhos. Uma facada dolorida no peito. Até respirar parece difícil, mas meus pensamentos não param. Eles apenas vão se tornando piores, como uma bola de neve: como eu podia ter estragado a única coisa boa que me aconteceu nos últimos meses?

Eu sei que não devia ficar surpresa, porque eu sempre consigo estragar tudo...

Sou tirada desse loop de pensamentos destrutivos quando a campainha toca.

É tão repentino que eu me sobressalto, assim como o gato a caminho do quarto.

Alexander não tocaria a campainha da própria casa, tocaria? Eu não sei, mas de algum modo eu me sinto esperançosa de que seja ele, então enxugo as lágrimas de meus olhos, respiro fundo e vou abrir a porta.

Quando a abro, me deparo com Alexander... e com Amaranth.

O ruivo com um braço ao redor do ombro dela e ela com um braço em volta da cintura dele. A imagem dói, mas tento fingir que estou bem... e que estou confusa. Quando abro a boca para fazer uma pergunta, ela tira seus braços dele e o empurra para mim. Como quem passa um fardo... ou como quem se livra de alguma coisa pesada.

— Pronto, você está em casa agora – ela diz irritada. O ruivo tropeça e só não cai no chão porque se apoia em mim – Você cuida dele né? Esse filho da puta me ligou às 1h30 da manhã dizendo que não sabia onde estava.... Levou meia hora para eu encontrá-lo. – Ela dá um suspiro irritado. – Juro que se ele não estivesse bêbado eu o matava!

Se fosse possível, Amaranth estaria espumando pela boca.

— Você jamais iria me matar — Alex consegue responder, com a voz arrastada. – Todo mundo sabe que você me ama.

Ela estremece de raiva, no entanto, ignora o comentário e olha para mim.

— Boa sorte – ela me deseja, antes de dar meia volta e voltar para o elevador. Enquanto a porta se fecha, ela vai resmungando: — Francamente... eu já passei dessa fase...

Eu a observo, em choque, sumir no elevador. Então, sinto o ruivo, apoiado em mim em um abraço meio desajeitado, apoiar a cabeça no topo da minha e se aninhar contra mim, como se fosse bom me abraçar. Estava bem diferente do Alexander irritado que saiu daqui e isso me deixa muito confusa.

Então eu fecho a porta do apartamento, e o arrasto até o sofá.

Eu o jogo no sofá, porque meu deus, ele pesava.

Vejo-o soltar um suspiro como se estivesse perto de morrer, ou de entrar um coma alcoólico. Então, ele esfrega as mãos pelo rosto e pergunta:

— Por que está tudo girando?

Dei-me conta naquele momento que eu nunca havia visto ele bêbado.

Kurt pula para a mesa de centro e fica olhando o dono com seus grandes olhos azuis. Como uma criança curiosa que estava presenciando seu pai bêbado pela primeira vez. Pergunto-me se é a primeira vez que o gato vê ele bêbado também.

O cúmulo da situação era uma pessoa bêbada cuidar de alguém trêbado.

Com um suspiro resignado, fui pegar água na cozinha. Pensei em pegar só um copo, porém, dado o estado dele, pego uma garrafa de dois litros inteira. Quando volto para a sala, coloco água no copo e então lhe ofereço:

— Melhor você beber isso.

Ele tira suas mãos de seus olhos e então olha para mim.

Era a primeira vez que ele olhava para mim desde que eu o trouxera para dentro e se fosse possível meu coração doer mais do que ele já estava doendo, ele provou ter esse poder quando não respondeu nada e ficou me encarando de onde estava. Não sei porque seu silêncio me magoou... talvez porque ele não houvesse me percebido ali até então.

Desviando o olhar dos olhos dele, eu o empurro e me sento na ponta do sofá e coloco o copo na boca dele, como se ele fosse uma criança.

Ele bebe tudo, e então fica em silêncio.

— Onde você estava? – Eu perguntei. – Como ficou bêbado assim? Está com fome?

Ele abaixa o olhar, como se não quisesse me encarar... muito menos me dar explicações. Minha resposta é o seu silêncio... e isso machuca mais do que eu achei que fosse possível. Parece absurdo que haja uma pessoa com o poder de te fazer sentir um lixo sem você sequer saber o porquê.

As pessoas sempre diziam que palavras machucavam, mas elas já sentiram a dor de você ser ignorada pela pessoa que você gosta? Tento não pensar nisso enquanto sirvo mais um copo de água para ele... mas me pergunto “será que ele nunca mais vai falar comigo?”. O pensamento embarga a minha visão.

— Eu estava te esperando para a gente conversar..., mas acho que não dá para conversar com você nesse estado, não é? – Eu comentei, colocando o copo na mão dele. Ele solta um suspiro, que eu não faço a mínima ideia do que significa, mas me dá vontade de gritar. – Você pode pelo menos me dizer o que eu fiz?!

Minha voz sai embargada e eu me levanto antes que eu comece a chorar na frente dele. Antes que ele veja que eu estou chorando. Do que adiantava perguntar essas coisas?, perguntei a mim mesma, ele está bêbado, pode estar até em outra dimensão e por isso está me ignorando, eu minto para mim mesma, procurando algum conforto.

— Você... não fez nada... só... – ele disse de repente. Sua voz saindo arrastada e confusa. Uma confusão que ele expressa ao bagunçar seus cabelos com as mãos – Você está... acabando comigo nessa montanha-russa.

Ele se senta no sofá e apoia a cabeça nas mãos, enquanto o olhar fita o chão.

— C- como assim eu estou acabando com você? – Eu perguntei.

Será que ele tinha ideia de que nas últimas horas foi ele quem acabou comigo?!

Ele solta um suspiro de exasperação, como se fosse tão óbvio que eu deveria saber o que estava acontecendo. E é quando ele ergue aquele olhar para mim, aqueles olhos claros e cheios de sofrimento. Um sofrimento que eu não via com frequência. Um sofrimento que eu não havia notado até aquele momento.

— Por que sempre que eu penso... que está tudo bem entre a gente, você faz essas coisas que me deixam confuso? Que me machucam... – Ele perguntou, completamente... desamparado. Seus olhos estão vermelhos como se ele fosse chorar. Só de vê-lo naquele estado faz com que eu queira chorar mais ainda. – Por um momento pensei que você gostava de me ver sofrer..., mas eu sei que você não é assim... Não pode ser. Pensei então que talvez eu não seja o suficiente para você... ou talvez você só não saiba o que quer... E isso me machuca porque eu sei o que eu quero... Sempre soube.

Eu franzi o cenho, confusa.

— Alex... eu não estou entend-...

— Você faz ideia do quanto dói gostar de você? – Ele continuou levantando-se do sofá. Sua voz tem um tom quente e violento, quase urgente. Como se ele estivesse indignado comigo. – De como é gostar... e ser retribuído com esse seu... carinho, essa sua... esse seu jeito tão interessado, curioso... atencioso... como se eu fosse a única pessoa no mundo para você? Sem querer, crio essa... essa ilusão de que para você... eu sou a única pessoa que importa... – Ele faz uma pausa, como se lembrasse de algo amargo. – Mas eu não sou a única pessoa que importa para você, não é?

Por algum motivo, sinto que estou sendo acusada por alguma coisa. Alguma coisa que eu não sei bem o que é, que não faz sentido. “Eu não sou a única pessoa que importa para você”... a frase é clara, no entanto, parece confusa. Completamente confusa. Ele estava... estava sugerindo que eu estava saindo com outras pessoas?

Não... ele não pode estar dizendo isso.

— Do que você está falando, Alex? – Eu pergunto confusa.

Ele dá uma risada incrédula, como se não acreditasse na minha pergunta.

— Você está se fazendo de desentendida? – Ele perguntou com agressividade.

Há algo no seu tom de voz que me irrita. Ele fala como se eu fizesse de propósito.

— Eu estou confusa! – Eu retruquei. – Você está falando um bando de coisa e nada faz sentido para mim. Mas aqui estou eu, ainda tentando entender o que um cara bêbado está falando porque eu quero saber o que está acontecendo com você!

— Eu vi vocês dois, Bell! – Ele me acusou enfim. Sua voz saindo mais alta e mais clara. – Eu vi você com aquele cara hoje! Depois da sua aula.

Eu franzi o cenho.

— Que cara? O que você viu? – Eu perguntei atônita.

Meu deus o que esse cara está falando? Não tem cara nenhum!

— Aquele... aquele... – ele solta um som que se assemelha muito ao som de um animal furioso e frustrado. – Aquele cara lá do coque samurai! Eu vi vocês se abraçando e... e pareciam bem íntimos...

Então eu me lembro do que aconteceu na saída... quando eu sem querer desabafei com John sobre a raiva daquelas garotas fofoqueiras. Ele havia colocado a mão no meu ombro e então me abraçado, como se quisesse me consolar. Merda. Por isso ele havia ido embora sem nem me esperar. Devia ter ficado muito bravo.

Pelo visto ele havia interpretado errado, tudo.

— Não é o que você está pensando... – eu me apressei em dizer. – Ele estava me consolando... por uma merda que aconteceu... juro que não foi nada demais....

Alexander me lança um olhar enviesado, como se não tivesse certeza se eu estava falando a verdade ou não. E só o fato dele estar desconfiando de mim... me magoou. Como se ele não soubesse mais se eu era uma pessoa digna da sua confiança. Como se eu tivesse o hábito de mentir para ele o tempo todo... isso dói muito.

— Você não acredita em mim? – Eu perguntei ofendida e magoada. – Eu não fui grossa com você e nem achei que você estava me traindo quando vi Amaranth te provocando, tocando no seu ombro e toda íntima de você, ou achei?

Ele deu um suspiro de incredulidade e disse:

— Amaranth é completamente diferente daquele cara lá...

— Como é diferente? – Eu desafiei. — Por que ela é diferente?! Por que ela é sua amiga?! Com suas amigas é diferente?!

— Por que eu não dormi com ela! – Ele respondeu.

Suas palavras se assemelharam a um tapa.

Parecia que Alexander havia me dado um golpe e eu nem havia visto como ou quando. Eu só havia sentido o impacto que se assemelhava à uma dor física. Uma dor que doía de dentro para fora. Que me causou vergonha e muito arrependimento por aquela vez que eu errei (e eu admito que errei com ele). Era claro que ele ia se lembrar disso. Era claro que ele ia jogar na minha cara... ainda mais num momento como aquele.

Se antes faltava alguma coisa para eu chorar, as lágrimas enfim ganharam, de novo. E eu me sinto uma garota muito frágil e imatura por estar chorando numa situação dessas. Quer dizer, ele estava sendo honesto. Ele estava se abrindo... e eu simplesmente não estava pronta para ouvir aquilo. Por isso eu respirei fundo e enxuguei as lágrimas.

— Então foi isso... você achou que eu estava te traindo porque aceitei um abraço do meu amigo? – Eu perguntei, tentando manter a calma. – Eu... tenho certeza... que disse que foi um erro da última vez e te pedi desculpas por isso...

— Bell... – ele começou.

— Se isso não adianta o que você quer que eu faça?! – Eu perguntei. Sem perceber o quão irritada eu estava com aquilo. – Você quer que eu nunca mais fale com ele?! Que eu me afaste dele?! Que eu pare de fazer todas as matérias que temos juntos?! Que eu nunca mais aceite que ele encoste em mim porque eu sou território seu?!

Por um instante, Alexander solta um suspiro e aperta a ponte do nariz, como se houvesse sido pego por uma terrível dor de cabeça. Então ele tenta se aproximar de mim, pegar a minha mão, mas, dessa vez, sou eu quem me esquivo dele. Estou magoada. As palavras dele doeram mais do que eu seria capaz de colocar em palavras.

— Sabe... se eu fosse a Bell de alguns meses atrás.... Eu aceitaria que você jogasse essas coisas na minha cara e eu provavelmente aceitaria fazer qualquer coisa só para ficar ao seu lado por que você foi a melhor coisa que me aconteceu... – Eu confessei, envergonhada. — Mas a única coisa que a Bell de agora pode dizer é... que se você é incapaz de me perdoar... se você é incapaz de confiar em mim... não vejo como isso pode continuar dando certo.

Alexander franziu o cenho como se não entendesse, mas eu não iria explicar.

Virei-me para ir embora dali. Ir embora da sala, do apartamento dele... eu só queria nunca mais olhar para a cara de Alexander, porque olhar para ele... doía. Iria doer muito. Olhar para ele me faria chorar e nunca mais parar, como estava acontecendo agora.

Vou para o quarto e começo a juntar as minhas coisas numa rapidez impressionante. Empurro tudo o que é meu dentro da mochila, enquanto lágrimas de raiva, frustração e mágoa nublam a minha visão e enquanto meu coração se contorce em dor no meu peito, como um guerreiro que já não aguenta mais lutar.

“Ele está bêbado” digo a mim mesma, mas isso não ajuda.

Por algum motivo, só piora tudo.

Lembro-me que mais cedo, queria saber o que ele estava pensando, sentindo, sobre tudo aquilo. Agora, tudo o que eu queria era nunca ter me importado com o que ele pensa ou sente a respeito de mim. Aparentemente, eu não passava confiança nenhuma à Alexander, até o ponto de ele ter uma crise de raiva por conta de um abraço.

Fiz merda? Fiz. Não vou fingir que não cometi aquele erro quando nós “demos um tempo”. Mas... pensei que houvéssemos nos resolvido sobre aquilo. Ele havia dito que “achava que não tinha o que perdoar”. Aparentemente, mentiu não só para mim, mas talvez até para si mesmo.

Enxuguei as lágrimas com raiva, as palavras dele ardendo no meu coração como feridas expostas ao sol. Então peguei a minha mochila e me levantei para ir embora dali quando de repente encontro-o atrás de mim, um segundo antes de sentir seus braços me envolverem em um abraço que não me permitiu ver a sua expressão.

Só sei que ele me abraça e seu calor, faz meu coração doer ainda mais. Por isso eu luto contra ele. Luto para me libertar do seu abraço, daquele sentimento doloroso no meu peito..., no entanto, seu aperto não se afrouxa, não cede. Criando um impasse: ou eu paro de me debater, ou ele me deixa ir.

— Você falou de você! – Eu disse, empurrando-o com força. – Falou do como eu te machuco, e do como te deixo confuso e do como provavelmente te traí com o meu amigo porque aceitei um abraço dele na saída da minha aula..., mas você tem alguma ideia do quanto dói gostar de você?! – Eu retruquei. – De ter que lidar com um bando de garotas bonitas que te rodeiam e que você faz questão de me tratar como uma “amiga” perto delas?! Como se tivesse vergonha de mim?!

Sinto seu abraço afrouxar, então consigo me libertar dele.

— E aí você tem essa raiva e essa desconfiança infundada de que eu supostamente teria te traído com John só porque ele me abraçou – eu continuei. – E tudo o que eu posso imaginar é que, como Michael, ou como qualquer outro filho da puta que passou pela merda da minha vida, você acha que eu sou algo seu. Pior que isso, algo não só seu, mas algo que obviamente você não tem confiança nenhuma! Tem noção do quanto isso dói?!

Eu poderia ver o rosto dele..., mas não quis.

Eu fraquejaria se o fizesse.

E provavelmente choraria mais do que eu já estava chorando naquele momento.

— Dói principalmente porque não temos nada sério... não é? – Eu perguntei com os olhos cheios de lágrimas. Então eu dei um sorriso triste porque eu me sentia muito idiota naquele momento, quando disse: – Você não é meu namorado. Eu não sou sua namorada. Não devemos nada um para o outro... a não ser sinceridade. E, mesmo que você não acredite na minha, eu vou dizer: até alguns minutos atrás eu estava pronta para admitir o quanto eu sou apaixonada por você... agora não estou mais.

Ele fica parado à minha frente, como se não soubesse o que dizer. O que fazer e seu silêncio alimentou a raiva de instantes atrás. Quer dizer... diz alguma coisa! Pede desculpas, pede para eu ficar, pede para eu não ir..., no entanto, nada.

Quando ele decide abrir a boca e dizer:

— Bell...

Eu o empurro da minha frente e vou embora.

Tarde demais, amigo. Tarde demais.

Notas finais
Capítulo 37 - Não É Apenas Sobre Amor "- Ela hesita. Não quer dar o braço a torcer, mas ele é tão convincente, não é? — Aham... – eu disse, reticente, abaixando o olhar. De repente, Professora Mahogany, abre o documento que lhe enviei por e-mail no tablet e aponta para a frase do final, onde estava marcada com o iluminador amarelo. — Na verdade, você escreveu “charmoso” – ela comentou. – Tipo assim, umas vinte vezes: “Ele deu aquele sorriso charmoso, charmoso, charmoso, charmoso, charmoso..., e a guardou no bolso, perto do peito”.