Good Gone Girl

19 Capítulo 19 - Garota Ousada.


Notas iniciais
OLAAAAAAAAA Então, está demorando para minha ficha cair e eu perceber que estou "de férias" (minhas notas ainda nao foram lançadas) e tipo fiquei empacada nesse capítulo porque eu tinha qeu colocar putaria mas eu estava lendo uns livrinhos mo amorzinho ♥ que simplesmente me deixavam brochada... E demorei para encontrar o mau caminho de volta (he he he he) desculpem :v Obrigada à quem comentou cap passado: > Carina Darlly > Galway Girl > Sophia > PamyAraujo > Matry-chan > Paulinha3 > Prin > Uma Leitora Qualquer > Mente Bugada > Flor Eaton > Flávia > Slipcom OBRIGADA ♥ Ainda vou responder todos os comentários e.e mas considerem-nos respondidos mentalmente ( hihhi sou daquelas, mals).

Capítulo 19 — Garota Ousada.

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Nós enchemos a cara.

Não percebi quando fiquei bêbada, só sei que acabamos perdendo o horário do metrô para a universidade e então só nos restou (este foi o argumento de Sasha) irmos para a casa de Alexander e implorar para ele nos dar carona... Ou para que ele nos deixasse passar a noite lá, o que não era seguro se levássemos em conta que estávamos bêbadas e ele era um cara muito bonito, solteiro e eu já disse muito bonito?

Pois bem, não deve ter sido o suficiente porque ele é muito bonito.

E eu provavelmente só estava deixando isso claro porque eu estava bêbada.

E porque quando ele atendeu a porta com aquela cara de quem havia sido acordado e estava bem irritado por isso... Eu quase pulei nele e lhe beijei, se eu tivesse coordenação para isso. Na verdade, tudo o que eu pude fazer foi me encostar numa parede e rezar para não cair. Por que o mundo estava girando tanto?

— Oi, Alex! Ainda bem que você não trabalhou hoje... – Sasha diz num tom falso, passando os braços pelo pescoço dele e lhe dando um beijo na bochecha. – Quanto tempo! Que saudades hein. Como vai a vida?

Seus olhos, meio sonolentos, se estreitaram ainda mais para ela, com uma desconfiança palpável. E então ele olhou para Ellie (que mostrava o mesmo sorriso falso no rosto) e então seu olhar pousou em mim. Mordo o lábio inferior, me perguntando de onde vinha essa força de vontade que me impedia de pular em cima dele e beijá-lo.

Ele parece bem acordado agora.

— O que diabos vocês estão fazendo aqui à uma hora da manhã? – Ele pergunta.

As duas garotas se olham, perguntando-se quem diria alguma coisa primeiro.

— Então... Engraçado você perguntar... – Elie diz rindo. – Então... Nós meio que bebemos um pouquinho.... E perdemos a hora do metrô...

— De novo? – Ele perguntou, passando as mãos nos cabelos ruivos.

Eu poderia perguntar o que ele quis dizer com “de novo”, mas tudo o que consigo pensar naquele momento era em como eu queria que suas mãos fossem as minhas. Se perdendo no meio daqueles cabelos cobreados e macios.

Um arrepio percorre minha espinha.

Passo tanto tempo fantasiando em minha cabeça, imaginando minhas mãos naqueles cabelos ruivos, e a boca dele em toda a parte do meu corpo, que quando volto para o momento presente estou parada sozinha no corredor do seu prédio. E ele me olha como se eu fosse uma garota estranha.

Meu Deus, e eu gostava do olhar dele.

Gostava que ele me achasse uma garota estranha.

Ele tem aquele rosto anguloso, aqueles olhos claros e aquele corpo delgado... Aqueles cabelos ruivos cheios e bagunçados e aquela pele toda tatuada que até então eu nunca havia parado para imaginar o quanto era excitante. Elas escapavam pela regata preta, cobrindo seu braço esquerdo completamente, diferente do braço direito, que possuía vários desenhos espaçados.

— Não acredito que elas te arrastaram para isso – Ele diz para mim.

— Acho que fui eu quem as arrastou na verdade – retruco.

As palavras pulando da minha boca sem que eu as sentisse. Só consigo perceber sua sobrancelha direita, se arqueando de um jeito questionador. Eu poderia explicar que, tecnicamente, o convite havia sido meu (pela primeira vez), mas ele pergunta:

— Você está bêbada também?

Pergunto-me qual havia sido a primeira dica dele.

— Não tanto quanto elas. Certamente.

Ele ri daquele jeito que é dele: não é uma risada, mas pelo menos é um esboço de uma. Porque, você sabe, Alexander (com todas aquelas tatuagens e rosto anguloso) é “trevoso” demais para rir e sorrir de verdade. Poucos vão ter essa honra.

— Acho que isso quer dizer que você está perto de um coma alcóolico – ele diz com sarcasmo. – E por que você está me olhando assim?

— Assim como? – Pergunto, ingênua.

Alexander dá aquele meio sorriso divertido, e então acho que imita o meu olhar, mas, obviamente, é um olhar que fica mais bonito quando ele faz. E o calor que aquele delírio de minhas mãos nos seus cabelos causou, parece se intensificar. Seu olhar é como tacar um fósforo no meu corpo coberto de gasolina.

Como não quero que ninguém escute o que eu tenho à dizer, e isso inclui as duas garotas que estranhamento sumiram do corredor, eu me desencosto da parede e me aproximo dele, tentando manter o máximo de firmeza possível diante do nível etílico em minha corrente sanguínea. Paro à sua frente antes de sussurrar perto do seu pescoço (e este é o lugar mais alto que consigo alcançar se eu me esticar):

— Porque eu estava pensando em sua boca por todo o meu corpo.

O corpo de Alexander fica tenso e sua respiração sai pesada pela boca. Tão perto de mim que consigo senti-la em meu rosto, mas quando ele ousa chegar mais perto de mim; cortar aquela curta distância entre nossas bocas... Ouvimos o barulho de algo caindo dentro de seu apartamento... E quebrando.

Ele solta um palavrão e entra correndo.

Só me resta segui-lo, frustrada e fechando a porta.

Ele estivera tão perto de me beijar. A expectativa chegava a doer.

Nós encontramos as duas garotas na cozinha pequena dele. Ellie e Sasha estão se servindo da geladeira de Alexander como se estivessem na própria casa. Parecem estar prontas para quebrar tudo com as coordenações danificadas pelo álcool. No chão, está o copo de vidro que as duas deixaram cair e que quebrara.

— O que diabos vocês estão fazendo? – Ele pergunta, em tom controlado.

Dá para sentir a raiva tremendo no seu timbre.

As duas garotas olharam para ele.

— Vamos fazer um bolo – Ellie respondeu. – Sasha sabe muuuuuito sobre bolos.

— Não, vocês não vão não – ele responde com firmeza.

Uma risada escapa dos meus lábios e o ruivo me olha feio. Não que ele tivesse um “olhar feio”, todos me davam uma vontade estranha de pular nele, de qualquer jeito.

— Claro que não. Tem nada na sua geladeira – a ruiva responde com petulância. – Parece geladeira de cara solteiro...

— Só bebida, água e alguma coisa perto de vencer – Ellie concorda.

— Eu sou um cara solteiro – ele resmungou. – Agora saiam daí antes que quebrem mais alguma coisa. É sério, vou matar vocês duas quando estiverem sóbrias. Vocês têm muita sorte de eu não colocar vocês para fora...

Sasha estreita os olhos para ele.

— Até a Bell? – Ela questiona.

Não sei quando eu virei o foco daquela conversa, mas há algo de ciumento em seu tom de voz. Talvez porque ela soubesse a resposta.

— Vocês teriam coragem de deixar uma garota como ela no meio da rua à essa hora da noite? – Ele responde.

As duas garotas ponderam por um momento até que concordam com a cabeça. Aquilo me incomoda um pouco. Os três obviamente me achavam um pouco incapaz de cuidar de mim mesma, pelo visto. E o mais chato, é que eles provavelmente tinham razão. Provavelmente eu não saberia como lidar numa situação como essa, caso eu estivesse sozinha.

Eu fico quieta e os observo voltarem a conversar. Elas pedem água e alguma coisa para a larica e começam a fofocar sobre a noite. Alex limpa o que sobrou do copo e recusa qualquer ajuda que eu ofereça. Não que eu pudesse ajudar em alguma coisa (bêbada e com o braço machucado), mas não ajudar me deixa mais frustrada. Como não consigo me incluir na conversa, coloco minhas compras num canto da sala e me sento no sofá.

Não estou com fome e nem com sede, só estou inexplicavelmente cansada.

Estou ouvindo as fofocas até que minha atenção se devia para os porta-retratos no rack onde ficava a televisão. Não sabia o que havia gente que ainda ligasse tanto para isso, a não ser para decorar. Mesmo que Alex não fosse o tipo que ligasse para isso... Quer dizer, eu acho que não era. Será?

Então eu percebo o quão pouco eu sei dele.

Sasha sai da cozinha com Ellie e as duas se arrastam (o modo como elas andam não pode ser chamado de “andar”) para uma porta do lado oposto do quarto do Alex. Elas entram lá e vejo o ruivo ir para o quarto dele. Parando apenas para me olhar com o que eu descreveria como “confusão”.

— Você está bem? – Ele pergunta.

Concordo com a cabeça, mas a verdade é que estou frustrada pelo beijo que não ganhei na porta e pela conversa que não me interessei na cozinha. Estou pensando na verdade em como eu queria matar as duas garotas por terem interrompido, e o como eu sou uma vadia por querer matar minhas amigas por serem empata-... beijo?

Alexander não pergunta mais nada e vai para o seu quarto.

Como se lembrasse de mim, Sasha põe a cabeça para fora da porta e diz:

— Ow, Bell, vamos dormir no quarto da Alexis.

Imagino que aquele era o quarto da Alexis. Seja lá quem ela seja.

Eu concordo com a cabeça, mas volto a olhar para as fotos até que uma me chama atenção. Era claramente uma foto de família. Cinco pessoas de cabelos ruivos e rostos bonitos. Uma família formada por três adultos, dois homens e uma mulher (sendo um dele mais jovem que o outro), um adolescente e uma garota.

Confesso que levo algum tempo para descobrir quem é Alexander na foto. Não só porque ele ainda não estava coberto de tatuagens ainda (só havia uma, no seu pescoço, que mal dava para ver pelo ângulo de sua cabeça) e, dois, ele era um garoto emo.

A revelação me pega tão de surpresa que eu solto uma risada.

— Do que você tá rindo ai, sozinha? – Ele perguntou.

— Você-...

Ele joga os cobertores sobre o sofá e arranca a foto das minhas mãos. Posso estar enganada, mas acho que o seu rosto estava vermelho. Só vejo de relance, antes dele virar de costas e colocar de volta no lugar. Sua reação me faz rir ainda mais.

— Você era um garoto emo? – Eu consigo perguntar apesar das risadas.

Eu não esperava por aquilo.

— Quando eu era adolescente – ele responde mal-humorado. – Você e as garotas vão dormir no quarto da minha irmã ali-...

— Você era um emo bonitinho – eu digo puxando o retrato de volta.

Pior que ele era bonitinho mesmo. Tinha aqueles cabelos ruivos todo cortadinho jogado para o lado, e o rosto cheio de piercings que o Alex de agora não tem mais. Meu Deus, ele estava de lápis preto na foto, e de moletom preto também. Uma escolha estranha para o dia ensolarado que parecia estar fazendo naquele parque.

Dizer que estou fascinada, era pouco.

— Você estava rindo de mim agora a pouco...

— Eu não estava rindo de você— eu respondo revirando os olhos. – Eu estava rindo porque não esperava isso de você. Talvez eu estivesse esperando um cara vida loca metido a roqueiro, do tipo bad boy O tipo de cara que você sabe que é dono da porra toda.

Como sempre, seu riso parece apenas um esboço.

— Essa é a sua família? – Pergunto, apontando para os outros.

— Era – ele responde.

Há algo no seu tom, que soa distante e cortante. Era um sinal claro de que eu deveria parar, mas eu estava curiosa e... bêbada. O que significava que todos os seus sinais não importavam naquele momento.

— Quem são? – Eu perguntei.

Ele respira fundo e bagunça seus cabelos ruivos.

— Minha mãe, Barbara, meu pai, Peter, meu irmão Alexiel e minha irmã Alexis – ele respondeu. Fiz uma careta e ele disse: — É, minha mãe queria nomes parecidos. Isso é muito constrangedor. Graças a Deus fiquei com Alexander e não Alexiel.

Eu tento não rir novamente.

— Por que “era”? – Eu perguntei.

Família era a única coisa que era para sempre, afinal.

Ou devia ser.

— Meu pai morreu, eu briguei com a minha mãe e meu irmão, que é um babaca, e eu só vejo minha irmã nos fins de semanas – ele responde com uma frieza que parece mais uma máscara. – Não consigo sentir como se ainda fôssemos uma família.

Fico em silêncio por um momento, perguntando-me o que havia de tão diferente na história dele para a minha. Minha mãe largou o meu pai no pior momento da vida dele, e levou a minha irmã junto, abandonando-me com ele. Meu pai era uma das poucas pessoas que eu ainda sentia que tinha alguma coisa perto de “família”. Minha irmã era minha amiga e minha mãe... Uma estranha.

— Sinto muito – eu murmuro.

Tento não aparentar tristeza ou demonstrar que sinto pena (e isso é mais difícil do que parece). Mas fico tão em choque que eu somente consigo colocar a foto no lugar, com cuidado, como se de repente o coração dele estivesse em minhas mãos e faltasse bem pouco para se partir em pedaços. Limpei a garganta e mudei de assunto:

— E esta era a sua banda? – Apontei para outra foto.

Esta retratava cinco garotos, todos no mesmo estilo emos e tatuados, mas não deviam ter mais que dezesseis anos. Na verdade, eles pareciam mais amigos do que uma banda em si, só que o que acho que é comum melhores amigos fazerem uma banda.

— Também – ele responde. – Eram meus melhores amigos do ensino médio.

— Esse aqui é o... Aquele cara lá... Do Petshop Boys, não é? – Pergunto apontando para o que parece ser o cara que esqueci o nome.

— É – ele responde. – Oliver.

— Sasha conseguiu sair com ele? – Eu perguntei.

Afinal, não me lembro que fim teve aquele rolo.

— Tem algo que ela não consiga? – Ele respondeu.

Eu não consigo segurar a minha risada porque, realmente, aquela era Sasha. Algo me dizia que mesmo se ela quisesse algo impossível, o mundo iria se dobrar em dois porque ela queria (e porque ela o faria se dobrar em dois, porque, afinal, ela não era do tipo que ficava só na vontade. Ela dava seu jeito). E isso era o mais inspirador.

“Se eu fosse como Sasha, com certeza as coisas seriam diferentes” penso.

Como se nossa conversa tivesse acabado, Alexander volta a pegar os cobertores e seguir para o quarto de sua irmã. Eu o sigo, porque acho que não tenho mais o que bisbilhotar naquelas fotos antigas. Sinceramente, pergunto-me quantos mais cadáveres eu desenterraria se continuasse com aquelas perguntas.

O quarto é pequeno, pintado de roxo, e possui só uma cama de solteiro, onde as duas garotas se espremem desmaiadas só de calcinha e sutiã. Nem bem tendo encostado para dormir. Pergunto-me como Alex conseguia lidar com uma cena daquelas, mas tudo o que ele faz é revirar os olhos e jogar os cobertores sobre as duas.

De repente, mais que isso, me dou conta de outra coisa: não há espaço para mim naquela cama... A ideia é tão desconcertante quando deliciosa, fazendo-me morder o lábio inferior de apreensão, enquanto olho para Alexander pelo canto do olho. Será que ele se dera conta do mesmo? Como será que ele reagiria se eu pedisse para dormir na cama dele? Será que ele me mandaria dormir no sofá? Meu ego aguentaria isso?

— Hum... – eu começo, limpando a garganta. – Eu posso estar enganada, mas... Acho que não tem espaço para mim nessa cama...

Meu coração está tão agitado no meu peito, que sinto que meu rosto está ficando vermelho. Não quero que ele me faça verbalizar o que estou pensando de novo, mas acho que eu direi se for necessário. “Então... Tem espaço na sua cama?”, eu iria dizer, com um sorriso lânguido, de mulher refinada; femme fatale. E então ele não teria como me recusar porque vai ser irresistível... Eu espero.

Enquanto estou montando a cena na minha mente, sinto sua mão na minha. Grande e quente, com calos na ponta dos dedos. Um arrepio sobe por meu braço.

— Bora? – Ele murmura, me puxando para fora do quarto.

Eu não pergunto o que ele quer dizer com “bora”.

Eu entendo. Sem que ele precise dizer mais nada, eu entendo. E não preciso responder nada. Apenas deixo sua mão puxar a minha, e me guiar para o quarto dele. Acho desnecessário, já que eu sei o caminho, mas agradeço porque eu estava meio bêbada e sem coordenação. Era capaz de eu errar, de algum jeito.

Seu gato me recebe com um miado preguiçoso de uma prateleira no armário de Alexander, e seu dono me recebe com o beijo que eu estava esperando tanto para receber. Seus lábios se mexem sobre os meus num ritmo acelerado e sôfrego, e nem quando o ar falta, ele é capaz de parar. Ele me arrasta para sua cama e então me deita nela, seus lábios descendo por meu pescoço.

Minhas mãos enfim se perdem naquele mar ruivo de seus cabelos, e minhas pernas se fecham em torno de seus quadris. Puxando-o para mim. Sinto que seus lábios se curvam em um daqueles meio-sorriso enquanto ele beija meu pescoço. Fecho os olhos quando o sinto mordiscar com força minha pele, e depois lamber sobre a parte dolorida.

Solto um gemido. Alexander tinha uma agressividade na hora de transar que era impossível não gostar. Quando ele se afasta, solto um gemido de protesto, mas então percebo que ele só se afastou para tirar a minha blusa. Mesmo com preguiça de me levantar daquele colchão macio, ele consegue tirar a minha blusa e então sua boca percorre por toda a pele descoberta.

Volto a me deitar e fechar os olhos, soltando um suspiro. Seu colchão é tão bom... Tão macio... E, Meu Deus, eu estou com sono.

— Bell? – O ouço me chamar.

Eu só consigo soltar um resmungo que nem eu entendi antes de dormir.

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Quando eu acordo, me sinto como uma morta que voltou à vida.

Seja lá o que eu tenha feito noite passada, eu aparentemente havia engolido terra... E entrado numa montanha russa porque minha cabeça está girando como se eu houvesse acabado de sair de uma. Mas não é isso o que me acorda. O que me acorda, é alguma coisa, que está em cima de minhas costas, tremendo bem suave.

É quase como uma massagem, até essa coisa, seja lá o que fosse, criar garras e começar a cravá-las em minhas costas. Como se estivesse amassando pão... Com as garras. Eu abro os olhos, assustada e tento olhar por sobre o ombro. Ignorando a onda de mal-estar que me abate ao fazê-lo.

Como se percebesse meu movimento, a coisa sobe um pouco mais por minhas costas e então consigo vê-la. É um gato. Um gato branco. O gato de Alexander. Ele mia para mim, como se me desse uma ordem de acordar naquele momento (sem se importar se eu estava ocupada demais morrendo). Mas tudo o que eu consigo me perguntar é porque diabos o gato de Alexander está nas minhas costas?

Então eu me lembro.

Eu estava no apartamento dele porque havia perdido o metrô, depois de ter bebido. Então me pergunto como vim parar no quarto dele... E me lembro que peguei no sono ali, enquanto ele... Ai meu Deus.

Enterrei meu rosto no travesseiro e desejo morrer ali, só para não ter que encarar ele de novo. Mas como sei que isso não vai acontecer (mesmo que meu estado físico pareça dizer o contrário), resolvo me sentar na cama, só para ver o gato pular de mim. Mas continua sentado do meu lado, miando como se quisesse alguma coisa que eu não sabia o que era.

— O que foi? – Pergunto.

Ele não fala, obviamente.

Olho ao redor. O quarto de Alexander é simples: tem um armário, uma cama, e uma televisão. Só. A parede onde fica a cabeceira da cama é de tijolos aparentes e as outras paredes são todas brancas, um estilo que combina com o piso de cimento queimado cinza. Era meio rústico, mas de bom gosto.

Mas falta uma coisa: o dono do quarto.

Olho pela janela e ainda está escuro. Pergunto-me onde o ruivo poderia ter ido e porque seu gato estava tão nervoso com a falta dele. Levanto-me da cama, sentindo o mundo girar enjoativamente, e percebo que estou usando um moletom que não é meu (pois fica enorme em mim), e que minhas roupas estão largadas numa prateleira do armário. A peça tem o cheiro dele.

Por um instante pergunto-me se rolou alguma coisa que eu não me lembre (e eu realmente não consigo me lembrar), mas ainda estou com meu sutiã e minha calcinha, então, ele provavelmente só colocou o agasalho em mim... E tirou as minhas roupas?

O gato observa a minha hesitação e começa a se esfregar nos meus pés. Ansioso, desesperado, ele fica em duas patas, apoiando as outras duas patas em minhas coxas e então começa a miar e a me arranhar.

— Tá, tá. Já entendi! – Eu digo, mas não entendi nada não.

Vou em direção à porta do quarto e a abro, para ver o gato sair correndo para fora. Acho que era isso o que ele queria. O observo sair correndo para a cozinha, e dou uma olhada no apartamento, para encontrar Alexander jogado no sofá, assistindo televisão. Ou melhor, agora ele estava olhando para mim.

Eu corei.

— Você não dormiu? – Perguntei.

Meu Deus, será que ele não conseguia dormir se tivesse alguém na cama dele?

— Meu gato te acordou? – Ele pergunta, mudando de assunto.

Eu dou de ombros.

Não diria que ele me acordou, mas também não diria que ele não havia o feito.

— Acho que ele sentiu sua falta – eu digo.

Alexander nega com a cabeça.

— Não. É só que está no horário dele comer – ele explica.

Não sabia que animais tinham hora para comer, ou talvez Alexander tinha o acostumado assim. De qualquer forma, cinco horas da manhã era um horário estranho para um gato criar o hábito de comer.

— Você... Se sentiu incomodado... Com a minha presença em sua cama? – Eu pergunto, apesar de meu rosto estar vermelho de vergonha.

Ele ri. Ri de verdade. Daquele jeito que riu no nosso primeiro encontro no meu quarto. É um momento tão raro que eu o admiro. Observo o modo como seu corpo se mexe quando ele ri, e em como ele balança a cabeça como se não acreditasse no que havia ouvido. Apesar de eu não ver nada de errado na minha pergunta.

Assumo um modo defensivo, me encolhendo.

— Qual é a graça? – Minha pergunta havia sido séria.

Ele demora um tempo até recuperar o fôlego e me responder. E quando responde, ele está limpando lágrimas nos cantos dos olhos.

— Sua pergunta foi engraçada. Ninguém nunca perguntou isso antes. – Ele diz. — Não, não me senti incomodado com a sua presença em minha cama, milady. Sua presença é sempre bem-vinda, a propósito.

Há algo sarcástico no tom que ele diz "milady", mas me faz corar.

— Então... Por quê você...

— Eu tenho insônia – ele diz. – Às vezes, tenho sono muito leve, às vezes consigo dar um cochilo e outras vezes eu simplesmente não consigo dormir. Como não queria te acordar, vim para cá.

— Ah – eu digo, sentindo-me subitamente mal por termos acordado ele mais cedo. – Então acho que devemos desculpas por te acordar tão tarde...

— Eu ficaria mais irritado se não me procurassem – ele me interrompe, desligando a televisão e se levantando do sofá. – Eu estava aqui me lembrando que você não comeu e nem bebeu nada quando chegou. Quer alguma coisa?

Tento não corar por ele perceber algo assim, mas meu coração se agita.

— Hum, acho melhor não... To meio enjoada... – eu digo.

— Mais um motivo para você beber e comer alguma coisa – ele insiste. – Vou pegar um remédio para você também.

Por que Alexander tinha que ser tão solicito?

Eu não consigo protestar enquanto ele segue para a cozinha, então eu o sigo. Pergunto-me se eu lhe devia um pedido desculpas por ter dormido naquele momento, mas quando abro a boca para dizer alguma coisa, ele me estende um remédio e um copo d’água.

— Remédio para enjoo – ele diz.

— Hum, obrigada – eu digo, pegando-o.

Eu já me sentia um pouco melhor depois de beber água, mas ele insiste em preparar alguma coisa rápida. Então eu me sento numa das bancadas de sua cozinha, ao lado de onde ele preparava um pão com queijo e presunto para mim. A cena era tão estranha quanto cômica. Alguém estar fazendo alguma coisa para mim, era o mais assustador de tudo aquilo.

— Não sei se este é o momento certo... Para eu pedir desculpas... Por ter dormido.

Alexander arqueia uma sobrancelha.

— Você tem uma mania estranha de se desculpar por coisas que não têm porque se desculpar – ele observa com um meio sorriso. – Isso é engraçado. Eu devia saber que você iria dormir... Na verdade, achei que nada fosse te acordar, você pareceu desmaiada.

Obviamente que ele devia ter achado isso depois de tirar minha roupa e colocar o moletom dele, sem que eu acordasse.

Meu Deus, que vergonha. Sinto vontade de sair correndo e nunca mais ver ele, mas digo a mim mesma que posso superar isso. Então eu respiro fundo e o observo colocar o pão para esquentar no forno elétrico. Mordo o lábio inferior e me ouço dizendo:

— Bem, estou acordada agora.

Ele me dirige um olhar intenso, que eu não consigo decifrar.

— É, você está – ele concorda.

Mas percebo que ele não se mexe. Talvez eu não esteja sendo clara, penso, antes de limpar a garganta e arrumar coragem para dizer:

— Só estou dizendo isso porque... Não quero que você pense que eu não estava a fim de dormir com você... Eu tenho tido vontade de fazer isso o tempo todo, na verdade.

Ele me lança um olhar divertido e um tanto... mau. Não “mau” no sentido de “vou te humilhar até te ver destruída”, mais como “tem umas coisas proibidas que eu quero fazer com você e você vai gostar porque vai ser muito bom”. Meu corpo se aquece, como se só então se percebesse a proximidade dele, e de seu olhar intenso sobre mim. Como se só agora estivesse acordando.

— O tempo todo? – Ele pergunta, inclinando-se sobre mim.

Ele espalma suas mãos no granito frio, uma de cada lado dos meus quadris. Sua boca apenas à centímetros da minha, tal como seu corpo. Na verdade, se eu fosse uma garota ousada, eu poderia abrir as minhas pernas e puxá-lo de encontro a mim naquele momento. Como eu via nos filmes... A má notícia, era que eu não era uma garota ousada.

A boa notícia, era que eu queria ser uma.

Talvez fosse hora da Belle Descolada, dar lugar a uma Belle Ousada.

Reunindo a pouca coragem que tinha em mim, abro minhas pernas e as passo em volta de seus quadris, trazendo-o para mais perto de mim. Sua boca aproxima-se tanto que não precisava mover um músculo para beijá-lo, mas não o faço.

— O tempo todo – Eu respondo.

Um brilho maldoso passa por seus olhos quando ele me desafia:

— Duvido.

Eu mordo o lábio inferior de novo, sendo tomada pela vontade de beijá-lo, mas digo a mim mesma que não vou fazê-lo ainda. Ao invés, pego uma de suas mãos e a coloco entre nossos corpos; entre minhas pernas. Eu o sinto estremecer, enquanto solta a respiração lentamente.

— Duvida? – Pergunto em seu ouvido.

Sua mão se move por debaixo da minha calcinha, entre nossos corpos, acariciando-me como que instintivamente. Ao invés de aplacar o calor que ao pouco se alastrava pelo meu corpo, ele apenas o alimentou com mais combustível.

— Meu Deus, Bell – ele suspira, antes de cobrir minha boca com a sua.

Os lábios dele eram intensos e, famintos, moviam-se sobre os meus com desespero. Ele me beijava com urgência, como se estivesse tão desesperado que não havia espaço para gentileza. E eu não a queria também. Em contraste ao movimento de seus lábios, seus dedos em mim eram gentis; sem pressa.

Devagar, sua mão passou pelo elástico de minha calcinha. E, devagar, seus dedos se moviam. Ora massageando meu clitóris, gerando arrepios de prazer pelo meu corpo; ora penetrando-me com um, dois... três dedos.

Meus gemidos foram abafados por sua boca, fazendo-o se afastar.

Pergunto-me se ele os interpretou errado quando uma de suas mãos (a que não estava ocupada, obviamente) puxa meus cabelos para o lado e os torce, deixando um lado do meu pescoço à mostra. E então ele desce o zíper de seu moletom que eu usava, e beija a minha clavícula, meu pescoço... Cheira a minha pele.

Um arrepio percorre meu corpo, fazendo-me estremecer.

— Você falou alguma coisa... Sobre minha boca... Em todo o seu corpo... – Ele diz, fazendo pausas dramáticas.

Quase não o ouço. Minha mente está amortecida, perdida no que quer que ele estivesse fazendo lá embaixo, com seus dedos que não paravam.

— Falei? – É tudo o que consigo dizer.

— Uhum – ele murmura. Sua afirmação mais parece um ronronar suave.

Então ele se afasta de repente.

Afasta seus lábios de mim e sua mão para de mexer comigo, quase me fazendo sentir uma sensação estranha de abandono. Mas antes que eu proteste, suas mãos tiram a minha calcinha, descendo-a por minhas pernas até tirá-la e então ele se abaixa à minha frente e sinto sua boca em mim.

— Ai meu deus – é tudo o que eu consigo dizer antes de perder a cabeça.

Nem em palavras eu poderia descrever o que ele é capaz de fazer com sua língua, sua boca e seus dedos. Ele apoia uma de minhas pernas em seu ombro, enquanto, com a ponta de sua língua, ele brinca com meu clitóris. A sensação é tão boa, tão forte e intenso, que me agarro à borda da bancada até os nós de meus dedos ficarem brancos. Como a minha mão machucada ainda não está pronta para esses esforços, a coloco em seus cabelos macios.

Jogo a cabeça para trás enquanto solto um suspiro longo e pesado, quando o sinto me sugando, mordiscando e espalhando aquela corrente elétrica por todo o meu corpo. Sinto sua língua me penetrando, me lambendo, como se fosse uma imitação do modo como sua boca se apossou da minha, agora havia aquela pitada de urgência que quase me empurrou à beira do abismo do prazer.

É quando ele coloca um dedo em mim, fazendo-me estremecer, que me sinto debruçada, tentando encontrar o fim daquele abismo. E então quando ele coloca outro dedo, fazendo todo meu corpo estremecer, sinto que o abismo está me olhando de volta e implorando para que eu me jogue nele. E quando ele põe o terceiro dedo, eu estou me implorando para que me jogue.

E quando me jogo... A sensação é arrebatadora. Talvez não tão forte, talvez não tão intensa, mas ela está lá. Um êxtase. Uma sensação libertadora, depois de tanta tensão dos músculos e de tantos momentos sem conseguir pensar direito. Eu simplesmente não penso em nada, porque estou satisfeita demais para pensar.

Gozar é uma coisa mágica.

Meu gemido nunca soou tão estranho em meus próprios ouvidos.

Sinto os braços de Alexander ao redor do meu corpo.

—Você é um Deus – eu me ouço dizendo, em tom arfante.

Na verdade, era para ficar no balão de pensamento, mas por algum motivo, eu estava com dificuldade para discernir o que eram minhas falas do que eram meus pensamentos.

— Ah, para. Vai me fazer corar – ele diz, mas consigo ouvir seu tom irônico.

— Você gosta disso, né? – Eu pergunto.

E ele sabe ao que estou me referindo... Eu espero.

— De chupar você? Totalmente – ele responde, cobrindo minha boca com a sua. — De ser elogiado por chupar você? Posso me acostumar com isso.

Desta vez é um beijo delicado, diferente do beijo que começara toda aquela seção de oral na sua cozinha. De repente, meus músculos se enrijecem... Meu Deus! Estou na cozinha dele! E de repente eu me sinto envergonhada que eu pulo da bancada dele de uma vez só. Ignorando que minhas pernas trêmulas poderiam falhar nisso e que Alexander, eventualmente teria que me pegar para eu não beijar o chão.

Penso que tenho que me afastar dele antes que passe mais vergonha, mas ele é tão grande... E tão bonito, que só consigo me aninhar contra ele e aproveitar da sensação do seu calor passando para o meu corpo. E eu gostaria de sentir aquele calor de outras formas.