Good Gone Girl
13 Capítulo 13 - Não sou estranha?
Notas iniciais
Capítulo 13 — Não Sou Estranha?
.
.
.
O clima ficou estranho quando eu abri a porta para Alexander.
Como se ambos não soubéssemos como terminar aquela noite, ou como se não soubéssemos de como as coisas seriam depois dela. Perguntei-me se tudo parecia tão surreal para ele quanto parecia para mim. Provavelmente, não, Alexander devia estar acostumado com esse tipo de situação o tempo todo (ou talvez eu estivesse sendo injusta com ele). Só sei que eu não estava bem. Nunca tive que me esforçar tanto para não parecer nervosa quanto naquele momento.
Quando ele está no corredor, ele se vira e diz:
— Esse foi o encontro que terminou em sexo mais rápido que eu já tive na minha vida... – Como não sei o que sentir com aquela revelação, ele acrescenta rapidamente: — Por favor, isso não é uma crítica. Não pense que eu não gostei.
Eu dei uma risada, sem graça.
— Outros caras prefeririam dizer que tenho olhos bonitos – eu brinquei.
Alexander deu aquele sorriso de canto, pegando minha mão na sua, e murmurou:
— Você tem muitas coisas bonitas em você.
Não vou mentir, eu corei até a raiz do cabelo.
Nunca estava pronta para ouvir alguém (ainda mais garotos) dizendo que sou bonita ou que tenho alguma coisa bonita em mim. Receber elogios sempre parecia muito errado... Mas mesmo assim eu lhe dou mais um beijo. Dizendo a mim mesma que aquele seria o beijo de despedida da noite.
Quando me afasto, ele dá uma risada.
— “Você me deixa nervosa” ela havia dito, antes de pular em cima de mim como uma tigresa cravando as garras na presa – ele me provocou, com aquele sorriso maldoso.
Eu fico mais sem graça ainda.
— Boa noite – eu digo, lhe soltando e me colocando a uma distância respeitável.
— Boa noite – ele responde.
Mas ele ainda passa uns dois segundos me olhando, antes de se forçar a seguir seu caminho pelo corredor.
.
— VOCÊ E O ALEX?!
Eu me encolhi na cadeira, e olhei ao redor, para ver se mais alguém na cafeteria havia virado para observar a bela garota ruiva que havia acabado de gritar na nossa mesa. Felizmente, as poucas pessoas que viraram apenas riram e voltaram para suas conversas. E então volto a respirar, tentando ignorar o como meu rosto fica vermelho diante de Sasha e Ellie. Mas me sinto nua na frente delas.
— Hum... É – eu respondo, querendo sumir.
Se dependesse de mim, aquela madrugada com Alexander no meu quarto ficaria somente entre nós dois, porém, eu não sabia o que dizer para Sasha e Ellie, uma vez que eu as tenha deixado plantadas em WoodStock, esperando por nós dois. Uma dupla que nunca apareceu e ficou perdida lá pelo meu quarto, fazendo coisas +18.
E não vou mentir: eu não me arrependia.
Foram cinco horas trancada naquele quarto, com Alexander. Foram as cinco horas mais satisfatórias de toda a minha vida. Que revezamos entre conversas aleatórias e sexo. Foi um dos momentos mais estranhos e curiosos de toda a minha vida.
Só de lembrar, eu fico vermelha e pergunto o que diabos deu em mim. Por que aquela Isabelle parecia tão diferente desta?
— Nossa... Eu não acredito – Sasha balbucia, ela parece estupefata, ou pasma. – Como assim você e o Alex transaram? Vocês nem se conhecem direito...
Eu fico vermelha e não sei o que dizer. Não sei se ela está me repreendendo, mesmo que eu tenha quase certeza de que de que ela já fez coisa pior.
— Não é como se você pudesse culpar a Bell por isso. Eu sempre te disse que o Alex era bonitão – Ellie me defende cheia de empolgação. – Mas, me diz, foi bom?
Eu me engasgo com minha bebida achocolatada. Não sei o que responder.
Sinceramente, não era como se eu tivesse experiência o suficiente para dizer quando um cara transa bem ou não. Na verdade, não era como se eu tivesse experiência suficiente para julgar as habilidades das pessoas na cama, quando minha própria habilidade era medíocre. E isso sendo otimista.
Eu dou de ombros.
— Foi diferente de qualquer outra vez que eu tenha dormido com alguém – respondo com sinceridade. As duas garotas suspiram de uma maneira que eu não entendi. – Eu só... Não sei. Não entendo o que estou fazendo com a minha vida...
Eu escondo meu rosto em minhas mãos, como se fosse morrer de vergonha.
— Bem, mas é óbvio! Você enfim está aproveitando – Sasha responde, recuperada do choque inicial. – E por isso... Eu te perdoo pelo bolo que você deu na gente... Só que, poxa, da próxima vez ao menos se lembre que você tem um celular... Ou lembre-se de que no nosso grupo nós viemos antes que qualquer cara.
Ellie concordou.
— Irônico vindo de quem já me arrastou para um bar para ficar com o vocalista de uma banda, e para quem me abandonou numa mesa para sumir com um cara no bar – eu acusei, estreitando os olhos para as duas.
A moça loira joga os seus cabelos e diz:
— Mas nós podemos. Somos profissionais. Você está começando agora.
Eu soltei uma risada, e elas riram também.
— A propósito, acho que já está da hora de voltar para a usar whatsapp e facebook. Sábado passado te mandamos duzentas mensagens e depois tivemos que procurar o Alex para ver se ele havia te visto e se você estava bem – Sasha reclamou.
— Agora faz sentido o porquê ele disse que tinha te visto, mas que vocês não tinham saído... – Ellie comentou com malícia.
— E nós achando que a Bell tinha tido uma crise de consciência e não saído com ele – Sasha responde, dando uma risada sarcástica. – Que ingênuas fomos.
As duas garotas riem, mesmo que eu não tenha coragem de rir junto porque, sendo sincera, por um instante eu realmente quase tive uma crise de consciência e havia pensado em voltar atrás naquela noite. Por algum motivo, consigo imaginar Sasha puta comigo e me perguntando se eu me achava boa demais para o amigo dela.
— Mas de verdade.... como foi? – Ellie volta a perguntar, quase não conseguindo se conter de curiosidade. – Foi bom? Ou foi incrível? Ou foi razoável? Alex tem jeito de quem sabe tratar bem uma garota na cama...
— Eca, Ellie! – Sasha exclamou. – Ele é quase um irmão para mim! Mais respeito...
— Qual é, não vai me dizer que você não está curiosa também? – A loira retrucou revirando os olhos. Então ela se voltou para mim novamente e soltou: — E queremos detalhes sórdidos.
Eu fico vermelha de vergonha.
Não sei o que elas querem dizer com “detalhes sórdidos”. Na verdade, nem sei se eu saberia diferenciar um “sexo bom” de um “sexo ruim”. Tudo o que eu sei era que aquela foi a única vez em que estive presente o tempo todo... Que eu não ficasse entediada no meio e desejasse somente que acabasse logo porque eu tinha um livro para terminar de ler. Mas eu seria muito estranha se admitisse isso, certo?
Como não sei o que dizer, e sinto que elas vão insistir nisso até eu lhes dizer como foi, eu abro a boca e reúno uma coragem que não tenho e digo:
— Hum... Não sei o que dizer... Não é como se eu tivesse experiência para julgar as habilidades dos outros na cama.
Sasha arregalou os olhos, tomada pelo choque.
— Ah, não! Não me diga que você perdeu a virgindade com Mike! – Ela pediu.
Eu neguei com a cabeça.
— Não, não foi com ele – confessei, só para ver a expressão de alívio dela e de Ellie. Não que eu pudesse culpá-las, levando-se em consideração o que eu descobri, até eu fiquei aliviada. – Minha primeira vez foi com um amigo no ensino médio.
Ellie se debruçou sobre a mesa, parecendo subitamente curiosa, enquanto Sasha soltou apenas um “é, isso é bem mais a sua cara”.
— Como foi? – A loira perguntou. – Foi aquele lance de “ah, você é meu melhor amigo que tenho uma paixonite, vamos para o baile de primavera juntos e então vamos transar e ver no que vai dar”?
Eu mordo o lábio inferior. Eu realmente achei que iria ser desse jeito... Eu realmente queria que houvesse sido daquele jeito. Mas a verdade havia sido um pouco mais humilhante e menos especial para mim do que como foi para ele.
— Foi mais... Duas crianças curiosas que não sabiam o que estavam fazendo – eu respondi, à contragosto. Nunca parei para pensar nisso, mas talvez essa fosse a coisa que eu mais me arrependia em toda a minha vida. – Duas crianças, influenciadas por outras crianças, que achavam que sexo muda tudo... Quando não muda.
Ellie franziu o cenho.
— A única coisa que mudou foi que ele... Que era tão rejeitado por ser magrelo e sensível, parou de ser implicado pelos outros garotos... E parou de falar comigo e de ser meu amigo porque “as coisas ficaram estranhas” – eu confessei.
Nossa mesa subitamente ficou em silêncio.
Quando olho para as duas garotas, percebo que estou com um pouco de lágrimas nos olhos e então me dou conta que falar sobre aquilo doeu um pouco. Eu nunca havia contado para ninguém. Nem para a minha irmã (o exemplo mais próximo de feminilidade que eu tive por perto). Algo me dizia, que se eu contasse para ela, ela diria que eu havia sido uma garota estúpida. Tudo o que eu fazia era pura estupidez para ela.
Ellie e Sasha não sabem o que me dizer e me sinto mal por lhes impor essa situação desagradável. Não parecia “certo”.
— Que babaca – é tudo o que Ellie consegue dizer, enquanto brinca com o rótulo do copo de café vazio em suas mãos. – Que babaca, meu deus.
— Que situação merda – Sasha diz, depois de dar um longo gole em seu café gelado. – Se um cara desses fizesse isso comigo eu o chamava de brocha por toda a escola.
Eu tentei dar uma risada, mas não é sincera. Vingança não me diz nada.
— Acho que sou estranha – eu digo forçando uma risada. – A questão é... Que quando eu disse que com Alexander foi “diferente” quis dizer que... Pelo menos eu não fiquei entediada desejando que acabasse logo... Como eu geralmente ficava com Mike ou com qualquer outra pessoa com quem eu já tenha transado.
As duas garotas riem, mas não entendo o porquê.
Provavelmente, elas chegaram à conclusão que sou uma aberração por não conseguir me entreter com o que as pessoas acham que é uma das coisas mais prazerosas e divertidas do mundo. E isso deve ser engraçado quando não é com você.
— Meu deus, você está falando sério? – Ellie pergunta.
— O que foi? – Perguntei, voltando a ficar constrangida.
— É que todo mundo comenta... O tamanho do Mike e tal... – Ellie tenta explicar, mas ela é quem parece constrangida em falar isso para a ex-namorada dele.
— E do que adianta ter bons equipamentos e não saber usar? – Sasha retrucou revirando os olhos. – Nossa, nunca imaginei que o cara com fama de “garanhão” seria tão entediante na cama... Pelo visto é verdade que dizem “Deus dá asas para quem não sabe voar”.
Franzi o cenho.
— Então eu não sou estranha por não conseguir não me entediar no meio do sexo? – Eu perguntei confusa. Então acrescentei: – No meio do sexo com algumas pessoas.
Sasha revirou os olhos.
— Claro que não – ela responde como se eu fosse burra. – Se você se desliga no meio do sexo certamente é porque o que está rolando não está tão bom. Dã. É tipo você estar tentando estudar, quando você não gosta da matéria que tem que estudar... Só não consegue se concentrar.
De repente, isso faz um pouco de sentido.
— Sério que você pensou que tivesse algum problema por causa disso? – Ellie perguntou, tentando não rir de mim.
Eu dei de ombros, sem coragem de admitir a verdade. Mas meu rosto vermelho deve me denunciar para as duas.
— Se vocês pararem para analisar como eu analisei... Duas em três pessoas com as quais eu dormi na minha vida toda me entediavam na cama... Era provável que eu fosse o problema, não era? – Eu digo. – Certeza que é o lance de eu pensar demais...
Sasha ri de mim e se engasga com o seu último gole de café gelado.
— Se levar em consideração que o primeiro cara não tinha experiência nenhuma e o segundo era um babaca que certamente não liga para como uma mulher se sente na cama... As duas cobaias não são muito confiáveis – Ellie retruca, com ar inteligente.
— Eu sugiro que a Bell saia para conhecer outras cobaias – Sasha diz, levantando a mão esquerda. – Quem está comigo?
Ellie levanta uma mão também.
Só essas duas para fazerem disso uma votação para que eu saia e conheça mais garotos. Eu tento segurar o riso e reviro os olhos enquanto meu celular começa a tocar no bolso da calça. Por algum motivo, sinto que a única pessoa que pode estar me ligando é Alexander. Primeiro, porque Sasha e Ellie o procuraram para saber de mim (e isso ele iria me falar alguma hora), segundo... Por que ele era uma das poucas pessoas que me ligavam.
A maioria se limitava a mensagem de texto, uma vez que eu tenha me abdicado da vida em Facebook e Whatsapp.
— Algo me diz... Que a Bell não precisa conhecer cobaias no momento – Ellie comentou em tom maldoso e divertido.
Fale com o autor