Good Enough: Even If You're Not Here
4 Capítulo 4: A Primeira Vez Que Nos Beijamos
Notas iniciais
A Primeira Vez Que Nos Beijamos
— Ezendrel, já disse, teu filho sequer deixará o palácio.
— Ele está pronto... — Anunciou.
— Diz isso baseado em quê? Não o vejo como um guerreiro e tu, como pai, devias ver o mesmo. Por mais que queiras isso, se o mandar, certamente não voltará. — Três foram os passos necessários para chegar até ele. Acariciou o rosto do homem a sua frente. Os olhos dele, tristes, diferiam muito dos pensamentos que concordavam com suas palavras. — Eu criei muitas crianças até hoje, e não vou deixar aquela morrer.... — O homem assentiu. — Não chore, suas habilidades vão melhorar, mas ele não está pronto agora.
— Eu não duvidaria da tua palavra. É só que... ele quer muito ir... Quando me abrigaste, eu sequer sabia falar nosso idioma. Eu... Não teríamos sobrevivido sem ti, Amélia, nenhum dos meus irmãos... Mesmo que não seja nossa mãe, é assim que vemos, és a única pessoa que devemos honrar, meu filho quer o mesmo. Tu és a nossa família, todos nós queremos honrá-la.
— Devo tê-los criado muito bem. Todos vocês me orgulham tanto, sou incapaz de expressar o quanto os amo, porém sabem, não é?
— Sim, senhora.
— Se me deixares tão emotiva antes de uma batalha, serei, de fato, piedosa. Traga Meliodas a mim, conversarei com ele. Seria difícil dizeres não àquela criança.
Com passos decididos, Ezendrel trilhou seu caminho até a porta do palácio, fazendo uma última reverência à princesa antes de adentrá-lo.
Com o pouco tempo em que a porta foi aberta, Amélia estava surpresa, como era possível... Ezendrel certamente usou de seus poderes, coisa que alertou-o para que evitasse. Precisaria ser dura com ele afinal, não sentia-se bem com aquilo.
Meliodas, com suas mechas loiras, caminhou de cabeça baixa até ela. Seus pensamentos giravam em torno de alguma repreensão.
— Por que parece tão nervoso? Fez algo errado para ter medo de mim?
— N-não, senhora.
— Venha até mim, então. — Estendeu e entregou-lhe sua mão. — Soube que desejas lutar.
— Sim, senhora.
— No entanto, não darei permissão. — De modo brusco, o jovem tentou se afastar. — Deixa-me terminar. Tenho uma missão, se escolheres ouvir. — Parando de tentar libertar-se, ele concentiu em ouvi-la. — Há... um rapaz... Não preciso mantê-lo seguro já que ficará, porém me sentiria melhor se estivesse. Teu pai disse que querias ir, eu não acho que tuas habilidades podem ser efetivas em uma batalha real, então, para que não fiques triste por não ir, vou dar-te uma pequena missão.
— Senhora, por favor, tenho certeza que posso ser útil! Posso afiar espadas, ajudar com os mantimentos, apenas...
— Não. — Cortou. — Já disse, tenho uma missão pra ti. Ela é muito importante a mim... Posso confiá-la a ti?
— Sim, senhora... — A expressão desesperançosa deu-lhe pena, Meliodas seria forte, um dia. Infelizmente, tal dia ainda não havia chegado.
— Estive considerando... a ideia de casar...
— Perdão?
— O rapaz que deve vigiar é quem me tem feito ponderar sobre. Ficaremos fora por talvez um dia e me deixarias descansada, se cuidasses dele. Por enquanto, ainda és um Guarda Real. Se, em minha volta, o tiveres guardado e mantido sem qualquer mácula, deixarei que escolhas para onde desejas seguir, de acordo com a resposta, o treinarei.
— A senhora...?
— Já lhe ensinei um pouco, há muito mais o que aprender, mas, havendo qualquer ferida, não penses em pedir qualquer realocação pelos próximos 100 anos. Sempre podes dizer não e escolher outro caminho, teu treinamento acaba em 85 anos, podes esperar.
— Mas se digo não, sou um desistente. Se disser não, estarei afirmando sequer poder estar na Guarda. Se o disser, vais mandar-me embora?
— Se disseres não, nunca serás um dos meus soldados.
— Eu o protegerei a todo custo, senhora.
— Podem vir tentar levá-lo enquanto não estou. Já chequei todas as áreas e protegi o palácio, porém não deve deixá-lo sair. Existem perigos, ainda que nada veja. Teus olhos não estão prontos, o deixarei em tuas mãos, Meliodas, então não falhe.
— Não falharei.
— É o que acredito. Deixarei que volte aos teus afazeres, mas logo mais partiremos, deixa tudo o que precisares preparado. Quando eu deixar aos portões, tu estarás responsável por qualquer coisa que lhe acontecer. No pior dos casos, nunca mais serei capaz de olhar-te.
— Vou honrá-la enquando estiver fora, senhora.
Curvando-se, Amélia ditou:
— Estou contando contigo. — Ergueu o tronco e viu o rapaz corado, os pensamentos dele estavam agitados, parecia empolgado e ansioso. Determinado. — Vá...
Meliodas caminhou rápido e ao cruzar a porta, pronúnciou-se, talvez pensasse que não estava ouvindo. Bem, os sentido dele não eram tão apurados quanto os seus.
— O que está dizendo é "Se qualquer dos meus não proteger ao meu futuro esposo, como eu poderia confiar o meu povo a um soldado assim?", certo?
Com um sorriso vitorioso, ele caminhou, determinado a ser o braço direito da princesa e honrar todos aqueles que vieram antes de si, com a segurança do "noivo".
Amélia, porém, sentada num dos pequenos blocos do pátio, não podia deixar de considerar que não, não estava interessada em casar, muito menos em selecionar um pretendente, dissera a Ezendrel que lhe seria difícil negar ao filho um desejo tão forte, mas, para si, não estava sendo tão fácil, pois não? Não era certo inventasar uma missão apenas para não o decepcionar, ainda mais quando aquilo envolvia terceiros.
No final, independente do que quer que acontecesse, Meliodas n~çao teria de lutar ou proteger significativamente ninguém. Com a segurança que depositara no palácio, duvidava que qualquer soldado seu não autorizado seria mantido ao lado de fora dos portões. O povo estava seguro. Poderia descançar sobre a segurança do povoado próximo também, havia mandado homens lá. Não havia com o que se preocupar.
Novamente a porta foi aberta, no entanto, por certo Ômega carregado de pensamentos conturbados e contraditórios. Levanou-se da pedra e ergueu ambos os braços para impedi-lo de falar, porém, apesar de seu sutil "não", o rapaz pouco importou-se.
— Princesa. — Saudou Giovanni, tentando curvar-se e sendo impedido pela mesma.
— Não deve abaixar o rosto, estás frente a um igual.
— Quero agradecer.
— Se quer minha atenção, deve olhar em meus olhos, do contrário pensarei que estás falando sozinho. — Elevou o rosto dele pelo queixo, encarando-o com firmeza. Sua gentileza não limitou-se e soube naquele instante, que a ação fora mal interpretada. — Seja confiante, ao menos demonstre isso. Se notarem quão submisso tu és, se aproveitarão disso.
— Não sou submisso.
Com os olhos tornando-se verdes, afastou-se dele. De certo que ele viu!
O que deveria fazer?
— Por favor, vamos conversar. — Os olhos suplicantes dele eram demais para si. Não querendo ceder perante a ele, tentou silenciá-lo.
— Viste demais. Perdoa-me, há um limite...
— Espera. Você é uma de nós? Por que serve aos...
— Não pertenço a tua espécie.
— Ainda assim, tem o nosso sangue?
— Por que tantas...
— Preciso de uma resposta. — Interrompeu. As iris tornando-se azuis, deram-no mais confiança. — Preciso que diga que não sou apenas eu a me sentir assim. Você gosta de mim, eu vejo pela forma que me trata. — Compequenos passos, o rapaz diminuiu a distancia, apesar de ter se afastado, ele copiou seus passos. — Quando chego perto demais, você é fria, mas após alguns minutos, 'tá segurando minha mão de novo. Você não me toca como toca teus soldados, não fala comigo da mesma forma também. É doce e quente, é protetora e até quando discutimos você foi gentil comigo. Eu não posso gostar tanto de alguém em tão poucos dias.
— Teus sentimentos não são algo que tenha a ver comigo.
— Com uma expressão triste e perdida, carregada de constrangimento e rejeição, o jovem a questionou:
— É... um não?
— É um não.
Derramando algumas lágrimas, essas que surgiram rapidamente e substituiram seus olhos azuis, ele ajoelhou-se, encarando-a.
— Já desonrei aos meu pais nutrindo sentimentos por ti e eles não podem ser alterados. Por isso, então, se vai me rejeitar, acaba logo comigo, faz juz aos teus nome.
— Não.
— Não há muita escolha para mim. Já me disse que vai embora, não vai voltar e estou apaixonado por ti, é a pior desonra aos meus pais, tens sido boa para nós, então, concede minha morte.
— Estás desistindo? É isso que teu rei cria? Pouco admira que vossos Alfas sejam frouxos.
— Eu não me importo. Quero honrar ao nome dos meus pais uma única vez na minha vida, só que é impossível gostando de você. Por favor, poupa-me da humilhação de explicar isso.
— Tens algum problema com minha raça?
— Meus pais... Meu pai. — Corrigiu. — Ele odeia teu povo, por favor, não posso dar esse desgosto, mas ele vai saber se eu passar de hoje.
— É uma vergonha? Viva com ela. Se não tem sequer essa capacidade, como ainda espera que eu, uma reigicida, aceite teu pedido? Estou impedindo a morte de teu pai, eu gosto dele e eu não gosto de você. Todo o sofrimento que eu puder infligir a ele, sem arrastar ao povo...
Num movimento que sequer notou, ele, com uma rapidez que nunca vista por Amélia, uniu ambos os lábios.
Talvez por estar tentando ofendê-lo, humilhá-lo e rebaixá-lo, sequer notara o movimento dele. Talvez, por estar tão distraída em busca de uma forma de afastá-lo, não percebeu a movimentação e agilidade com que se moveu. Talvez, também, o estivesse subestimando todo esse tempo.
Não resistiu ao beijo, claramente por desejar aquilo, cedeu. Devia afastá-lo, sabia que sim, mas não se atreveria a tentar. Levou a destra aos fios e tranzendo-o mais para si, transformou aquele toque em algo legítimo, tomando aos lábios dele em um beijo de verdade. Quando, assustado, ele se afastou de si, não pôde negar a evidente inexperiencia do rapaz.
— Não quis...
— Depois de me beijar, se é que posso chamar assim, não compreendo porquê, agora, está fugindo.
— Pensei que fosse me afastar...
— Agora que não o fiz vais fugir? — Apreensivo, Giovanni balançou a cabeça, negando. — Então volta aqui. — Pediu. Amélia estendeu a mão e ele a pegou, dando alguns poucos passos de volta até ela. — Agora, tu não pode mais fugir... — Acariciou o rosto dele, encurtando a distância de ambos. — Entedido?
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