Good Enough

1 Capítulo unico


Notas iniciais

se preferir, leia ouvindo ''Good Enough - Evanescence''

A garota andava pelas ruas frias. Era noite, e muito tarde, por isso, as ruas tinham pouco movimento. Sua respiração marcada no ar. O sobretudo pesado não a aquecia direito.

Ela andava sem ver a direção, deixando que seu coração a guiasse. Ela sabia que estavam a procurando, mais ela não queria ninguém no seu pé, queria apenas ela e sua mente, vagando...

O vento batia no seu rosto, fazendo com que as lagrimas secas ficassem geladas, e que as finas gotas de chuva machucassem a pele pálida do rosto.

Inconsciente ou não, ela fora parar no seu lugar favorito. Estava abandonado e molhado, mais ela não se importou e mesmo assim sentou no balanço de madeira com grossas correntes o segurando a grande arvore.

Ela estava em choque, paralisada. Mesmo que mentalmente, mais estava. Toda a sua vida acabaria, na verdade, começara a acabar aos poucos. Desde aquela tarde, recebendo a noticia que ela menos queria.

Ela se balançava com os pés devagar. Olhando as pedrinhas aos seus pés e com uma mão agarrada as correntes, na altura do rosto. Ela sentia o vento frio, mais não a incomodava tudo estava em perfeita harmonia.

Já a muito longe da onde ela estava, uma família inteira e amigos a procuravam. Ninguém sabia onde ela estaria.

A porta se abriu e todos pararam de falar, esperando ser ela. Mais não era.

- O que houve? – Ele perguntou tirando o casaco mais pesado de cima dos ombros e chacoalhando os curtos cabelos castanhos claro.

-Ela sumiu. Desapareceu. Procuramos em tudo que é lugar, mais nada. – A avó da garota falou com a voz preocupada. – Ela não está em nenhum lugar onde poderia, e nem onde não poderia. Não temos mais onde procurá-la. – Ela se sentou na cadeira mais próxima, procurando conforto.

O garoto mordeu o lábio. Costume pego dela. Enquanto todos me mexiam e tentavam procurá-la, ele ficou pensando a onde ela estaria.

No fim de longos dois minutos, uma chama apareceu nos olhos verdes dele. Ele sorriu e pegou seu casaco de volta, abrindo a porta e saindo.

-Aonde vais? – Alguém perguntou.

-Trazer a minha garota de volta pra casa. – Ele falou fechando a porta.

Entrou em seu carro e foi em alta velocidade até o lugar que ele achava mais provável de ela ir. E ele estava certo, quando estava chegando ao local, viu os cabelos negros dela, e diminuiu a velocidade.

Ele desceu do carro, indo em direção a ela sem fazer barulho. Sua respiração saia em fumacinhas pelo ar, e seus olhos brilhavam ao vê-la.

Sentou-se no balanço ao lado do dela.

-Sabia que quem me acharia seria você. – Ela sussurrou.

-Estão todos preocupados com você sabia? – Ele falou calmo, levando a mão até o rosto dela e tirando uma mexa grudada em seu rosto.

-Não me importo. – Ela deu de ombros. Sua voz saia fraca.

-Não se importa nem comigo? – Ele perguntou. Ainda calmo. Ela olhou pra ele cética.

-Isso é golpe baixo. – Seus olhos brilharam de frustração. E ele sorriu.

O silencio reinou ali. Só se podia ouvir a respiração deles, e os barulhos da noite. Eles se encaravam. Ele sorrindo e ela confusa. Por fim, ela resolveu quebrar o silencio.

-Porque você simplesmente não me deixa sofrer sozinha? – Seu tom de voz saiu meio ríspido, mais não abalou o garoto.

-Você sabe por quê. – Ele respondeu. – Volte comigo, por favor.

-Cuidado com o que me pede. – ela alertou. – Você sabe que não consigo dizer não a você.

-Por isso eu peço... Volte. Não adianta nada fugir dos problemas. — O seu sorriso diminuiu.

-Claro que não posso fugir. – Ela olhou pro outro lado. Tentando esconder a lagrima que cai de seus olhos.

-Eu volto com você. – Ela sussurrou depois de minutos silenciosos.

Ele levantou e a ofereceu sua mão. Ela secou a lágrima e pegou a mão dele. Ele a puxou rápido, fazendo-a bater em seu peito.

Isso a assustou, mais depois que ele a abraçou, ela relaxou e o envolveu com os braços. Ali, naquele lugar familiar, mais frio e molhado. Ela teve a certeza que de passaria por cima dos seus problemas.

- Eu vou estar sempre aqui do seu lado, ok? – Ele parou de afagar-lhe os cabelos e beijou a testa fria.

Ela só assentiu com a cabeça. Depois, ele a levou até o carro.

Quando chegaram à frente da casa iluminada pelas luzes festivas, ela soube que nunca seria solitária. Pelo menos nesse pouco tempo.

Ele deu a volta no carro, e abriu porta pra ela. Como um belo cavaleiro. Quando estavam subindo os poucos degraus para a porta, ele pegou em sua mão. Apertando. Ela sabia que ele lhe daria confiança. Por isso lhe lançou seu melhor sorriso, sabendo que não saira muito bom.

FINALMENTE! — A melhor amiga exclamou quando pulou nela. – Você queria nos matar de susto dona Charlotte? – E a abraçou apertado.

-Não exagere Evelyn. Eu fiquei só algumas horas fora de casa. – Sua voz estava sem sentimentos. Vazia. Totalmente oca. E todos perceberam.

-Venha. Vamos por alguma coisa pra dentro dessa barriguinha. Aposto que não comece nada o dia todo. – Sua avó veio em sua direção, mais ela não estava disposta a atuar mais do que já fazia.

-Não estou com fome. Obrigada. – O garoto ao seu lado lhe lançou um olhar que ela ignorou. – Vou pro meu quarto. Noite.

Ela soltou a mão dele. E Subiu. Deixando todos sem fala e preocupados. Quando chegou a seu quarto, foi direto tomar um banho quente.

Enquanto a água escorria, ela pensava na sua vida. Nada seria igual. Restava-lhe pouco tempo, e ela queria aproveitar ao máximo. Mais sozinha. Não queria ninguém ao seu lado, se lamentando.

-Você foi ríspida demais lá em baixo. — A voz masculina a fez pular. Olhou incrédula para ele.

-Matthew o que faz aqui? — Ela exclamou espantada, e abriu a porta de vidro do Box pegando a toalha do lado da porta. – Eu estou pelada dá pra sair?

- Com se eu já não tivesse te visto pelada Char. – Ele falou revirando os olhos.

-Isso não é motivo pra você entrar assim Matt. – Ela saiu com os cabelos negros pingando água, enrolada na toalha laranja fosforescente.

Ele deu uma olhadela nas suas pernas quando ela não estava vendo, e sorriu. Ele poderia ser sempre gentil e cavalheiro, mais ainda era um homem. E Charlotte não era uma garota feia.

Ela saiu enrolada na toalha para seu quarto, ainda pingando. Colocou a calcinha e o a calça de pijama ainda com a toalha. E Depois a blusa de pijama.

-Tanto sacrifício pra não me mostrar uma coisa que eu já vi... – Ele olhou maliciosamente. – Várias vezes.

-CALA A BOCA MATTHEW- Ela gritou.

Ela não percebeu mais ele estava a distraindo. Fazendo-a esquecer a depressão, mesmo ele não sabendo o motivo. Ele sorriu abertamente.

-Eu não vim aqui te assediar. – Ele levantou uma sobrancelha – Vim te convidar pra ir até um lugar comigo. A vista de lá e linda, e eu sei que te fará bem.

-Não to meio afim. – Ela respondeu sincera. Não queria sair com ele. Não mesmo.

-Se não for, eu te carrego nas costas. Alias sua avó já me deu permissão pra raptá-la.

-Não quero. – Ela cruzou os braços fazendo birra. Ele avançou em sua direção e a pegou, jogando-a sobre os ombros fazendo-a dar um berro. Ele riu.

-O que você disse mesmo? – Ele desafiou, ela se debatia e socava as costas dele.

-EU DISSE QUE VOU COM VOCÊ NESSE MALDITO LUGAR, AGORA ME SOLTAAA! – Ele riu mais uma vez e a soltou.

Depois de muita birra e a garota se arrumar, eles foram andando pelas ruas praticamente desertas e frias da cidade.

Ela não prestou atenção suficiente no caminho para adivinhar onde estava indo até chegar lá. Era o parquinho onde os dois se conheceram quando criança.

Os olhos dela brilharam. Fazia anos que ela não ia aquele lugar, e mesmo que 80% dele estava coberto de neve ela não ligou, aquele lugar era mágico, único.

-Não acredito. – Ela sussurrou e deu um risinho. O garoto passou seu braço pelos ombros dela e a encaminhou até um dos bancos de madeira.

Quando já estavam acomodados no banco. Ele continuava abraçando ela.

-Matthew, nossa quando tempo que eu não vinha aqui. Lembra quando... – Ela começou a falar mais se interrompeu ao olhar para ele e ver o garoto perdido, olhando pro nada e mordendo tão forte os lábios que logo ele iria se cortar. – Matthew?

Ele pareceu acordar ao ouvir o chamado dela. E a olhou sorrindo meio tímido. Ela também sorriu mais não como ele gostava. Seu sorriso não chegava a seus olhos.

-Sabe Char, eu te trouxe aqui por um motivo.. .- Ele voltou a olhar para o nada.

-Que motivo? – Ela perguntou confusa.

Ele se virou, e a olhou nos olhos por um bom tempo. Depois de avaliar bem a garota ele começou a falar, pegando nas mãos dela.

-Você sabe que eu não sou disso, sabe que eu não sou sensível o bastante, mais eu só quero te dizer, que mesmo não sabendo o motivo da sua fuga hoje, eu já tinha programado esse passeio, e o intuito do mesmo continua. – Ele respirou fundo. – Charlotte, você foi à única garota que eu amei. A garota que faz parte constantemente nos meus sonhos, e a única que roubou meu coração e o carrega junto a ti. Então eu resolvi que não quero mais esperar, não quero mais fingir que não te tenho. Eu te quero, e quero com todas as minhas forças. Charlotte Willians você aceita casar comigo? Porque eu não te quero como namorada e sim como minha esposa, a mulher com que vou passar o resto da minha vida.

Ele terminou de falar e olhou a garota perplexa a sua frente. Ela estava com a boca meio aberta, e o olhava fixamente. Ela repassou tudo o que ele falou, e depois de alguns minutos, agiu de uma forma que o assustou.

Ela se inclinou pra frente e grudou seus lábios aos dele. O beijo foi calmo e romântico. Mais ainda sim com certa incerteza. Ela não disse se aceitou, e isso o deixou frustrado. Quando se separaram, ele acariciou o rosto dela, que, pois sua mão em cima da dele, e fechou os olhos.

-Você não sabe, o quanto eu esperei para ouvir isso. – Ele sorriu. – Mais, não quero fazê-lo sofrer. Por isso, eu não aceito. – Ela abriu os olhos e viu o garoto a olhando confuso.

Ela levantou segurando as lágrimas, e antes de ir embora, deu um beijo na testa dele, depois em seus lábios. Ele retribuiu, mais não saiu do lugar. Quando ela já estava a alguns metros, ele acordou do seu transe.

-ESPERA! – Gritou a fazendo parar. Correu até ela. – Só me diga o por que. Porque não quer casar comigo? — Sua voz saiu triste e isso a dilacerou por dentro.

-Porque, Matthew. — Ela respirou fundo secando uma lagrima de fugira. – Não me resta mais que poucos dias de vida. Tenho um tumor no cérebro. E muito grave. Não quero vê-lo sofrer. – Ele chegou mais perto e acariciou toda a extensão do rosto dele. – Te amo muito pra deixá-lo sofrer. Você sabe que não consigo dizer não a você. Mais isso, é pro seu bem.

Depois ela virou as costas e foi embora com lagrimas nos olhos, o deixando lá, paralisado. Tudo o que mais queria era ficar ao seu lado. Mais por amá-lo tanto, disse não pela primeira vez a ele. E esse, não teria volta.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!