Good Enough
2 Lucy, or Lúcifer.
Uma semana de aula cheia de loucuras, eu não aguentava mais. Eu sempre esbarrava com James e ele quase me matava com seus belos olhos azuis. Continuei perguntando a Frank o que podia fazer pra não sofrer tanto com isso. Cada dia eu colocava algo mais no meu pequeno livro, tudo que ele mostrava ser, tudo o que os seus olhos e as suas frases passavam. Eu já estava 'presa' a ele, não conseguiria escapar até alguém me provar o contrario de tudo que eu já havia visto e ouvido. Na sexta não tivemos aula por causa de um acidente que ocorreu na escola, estavamos dispensados. Me tranquei no meu quarto e liguei o computador, e como sempre, coloquei alguma música no ultimo volume. Hurricane começou a ecoar pelo meu quarto num volume quase insuportavel para humanos desacostumados com meu estilo de vida. Havia preso meu cabelo, que estava quase que num tom loiro esbranquiçado, e fui fazer a tinta azulada, precisava retocar ela. Mais ou menos duas horas para meu cabelo ficar pronto. Decidi vagabundiar pela internet, coisa que aprendi com Frank. 'Quando não tiver o que fazer no computador procure algo pra fazer nele'. Meio confuso mas a cara dele, era vagabundo até na internet. Nada novo em qualquer rede social, mesmas bobeiras adolescentes de sempre, jogos idiotas, nenhuma música ou video novo. Duas horas sem fazer porra nenhuma. Fui tomar banho e tirar aquela nhaca, que se chama tinta, do meu cabelo. Tomei banho, me troquei, sequei o cabelo. Ótimo, estava do jeito que eu queria. Desliguei o computador e peguei meu celular. Minha mãe estava vendo TV, a empregada devia ter voltado das férias.
-Lucy, vou sair.
-Até que enfim saiu daquela merda! Vai pra onde?
-Vou sair é um verbo intransitivo e não precisa de complemento Lucy.
-Olha como você fala comigo Jenny, sou sua mãe!
-Foda-se
-O que você disse!?
-Nada. Vou sair! Me deixa em paz.
Bati a porta de casa, minha mãe era insuportavel. Só porque era "famosinha e de linhagem francesa" achava que eu tinha que ser igual. Foda-se ela e o que ela quer que eu seja. Sempre gostei mais do meu pai, ele estava pouco de fudendo pra meu visual, ele só me amava, como Lucy deveria fazer. Parei na frente do shopping, odiava aquele lugar, mas era o único que eu tinha um pouco de sussego. Iria encontrar Frank por lá, Gerard não iria pois os pais o arrastaram para visitar a avó dele, imaginei que Frank fosse estar insuportavel... Entrei na loja de livros pra procurar algo novo, precisava ler algo novo e que fosse bom o suficiente pra me saciar por algum tempo. Nada além de prateleiras cheias de crepusculo. Achei um livro em inglês, o peguei e fui em direção ao caixa para pagar. Então eu o vi. O dono dos olhos azuis que eu tanto observei estava lá, com mais dois caras, brincando e rindo alto. Me escondi atrás das prateleiras e respirei fundo, foi quando vi Frank entrando na loja e me procurando. Rasguei uma parte de papel que eu tinha no meu bolso e joguei nele, graças a Deus eu o acertei. Ele me olhou e eu o chamei com a mão.
-O que foi garota?
-Ele está ali. — Apontei para onde James estava com os amigos.
-Qual deles?
-O mais alto.
-Hmm, que bonitinho ele eim? — Eu bati com força em seu braço — AI AMALUCADA!
-Fica quieta bicha elétrica! Não quero ir lá, vai pra mim?
-Por que?
-Eu tenho vergonha e você sabe muito bem disso!
-Tá, me dá o livro e eu vou lá e pago.
-Obrigadinha Frankie!
Ele pegou o livro e passou pelos meninos, pagou e quando estava no meio do caminho James o parou. Senti meu coração parar por cinco segundos quando Frank se sentou com ele e os dois começaram a conversar. Sentei encostada na estante e pedi para que não fosse nada demais. Uns cinco minutos depois senti uma mão encostar no meu ombro, proxima ao meu pescoço. Me virei e vi Frank com um sorrisinho no rosto, eu conhecia aquele sorriso. Desejei mil vezes ter continuado em casa mechendo no computador e vendo um monte de gente reclamar da vida por msn.
-Ele nos chamou para andar com eles. — Senti meu rosto arder.
-E você?
-Aceitei ué.
-Já que você aceitou... — Olhei nos seus olhos, eles estavam brilhando — O que você está aprontando mocinho?
-Só tentando aproximar vocês dois. Ele disse que te conhecia da escola e que parecia legal. Ele disse até que você trombou com ele no primeiro dia.
-Hmm. E...?
-Ele quer te conhecer melhor, já que você não quis ir a enfermaria com ele.
-Como assim?
-Um dia você entende...
Revirei os olhos e fui atrás dele. Cumprimentei os dois garotos que estavam com James e logo recebi um abraço. Senti minhas pernas ficarem bambas e o ar ir embora. Respirei e me manti em pé, retribuindo o abraço dele.
-Então, como vai desde aquele dia que trombamos na cantina?
-Ér, eu to bem. E você?
-Também. Desculpa a falta de educação, esses babacas são Matthew e Brian, chame-os de Matt e Syn. Eu sou o James, coisa que você deve saber pois estava na hora que me apresentei, me chame de Jimmy.
-Prazer em conhece-los — Dei uma risadinha e acenei para os garotos.
- Sou Jenny e esse ai é o Frank, como você deve saber... — Olhei para Frank o condenando.
Saimos da loja e caminhamos pelo shopping, algo normal pra todo mundo, menos eu, que estava andando com o garoto que gostava logo ao lado fazendo palhaçadas e olhando nos meus olhos o tempo inteiro. Um lição que vou levar pra vida: "Nunca deixe alguém fazer o trabalho que você poderia fazer normalmente, ele poder fuder ainda mais com sua vida". E sim, nunca mais peço para o Frank fazer um favor desses pra mim. Eu tentava me controlar o maximo que podia, tentava não fazer meu rosto corar cada vez que ele olhava pra mim com um belo sorriso no rosto. Tive que fugir algumas vezes para dentro de alguma loja para poder respirar fundo e continuar, enquanto Frank sempre ia atrás de mim pra me levar novamente ao encontro do garotos. Não sei quanto tempo se passou desde que começamos a andar juntos, só sei que quando olhei o relogio do meu celular estava "um pouco" tarde, minha mãe me mataria ou então me odiaria ainda mais. Me despedi dos garotos e fui segurada por Jimmy, que sorriu. Senti meu coração derreter.
-Vou te levar pra casa.
-Não precisa Jimmy, é perto daqui...
-Eu insisto, da ultima vez não quis ir a enfermaria comigo, agora eu te levo pra casa.
-Tá bom, mas, não precisava.
Ele sorriu pra mim e se despediu dos garotos. Pegamos o caminho pra minha casa em silencio total, eu tentava não olhar pra ele para não corar nem coisa do tipo. Finalmente chegamos na minha casa, ele olhou nos meus olhos na frente da porta. Me segurei para não corar, o que não deu muito certo, senti meu rosto ficar um pouco quente.
-Bem, está entregue.
-Obrigada Jimmy. Ér, não quer entrar para beber algo? — Ofereci por eduação, se não ja teria entrado correndo de tanta vergonha.
-Se não incomodar...
-Venha.
Entrei em casa e olhei ao redor, nenhum sinal da Lucy. Achei um bilhete em cima da mesa da sala de jantar com a letra dela, avisando que ela havia saido para jantar junto com meu pai, que havia acabado de chegar de viagem. Até que enfim um pouco de sussego... Olhei para Jimmy que me observava, coloquei o meu cabelo atrás da orelha e o chamei com a mão, evitando novamente a vermelhidão no rosto.
-Pode ser suco?
-Sim, claro! — Ele pareceu sair de uma distração qualquer.
Servi o suco e bebemos em silencio na cozinha. Ele terminou e colocou um sorriso no rosto, logo terminei o meu e coloquei os copos na pia, os lavando no mesmo momento.
-Você é uma garota bem responsavel, não?
-Pra falar a verdade, só com a escola. Odeio esses trabalhos de casa, mas minha mãe faz um inferno se eu deixar algo meu na pia, e também se descubrisse que outra pessoa esteve aqui sem ela e meu pai por perto.
-Ué, o que tem ter alguém aqui?
-Ela acha que eu transo com qualquer um. Coisa de Lucy. Ela acha que eu sou uma rockeira vagabunda.
-Engano dela — Ele sorriu. — Você não tem cara de vagabunda nem nada Jenny. Você tem um jeito meigo, nem desconfiei que você gostava de rock quando te conheci. — Ele coçou a cabeça ainda com o sorriso no rosto. Eu corei
-Obrigada Jimmy. As pessoas dizem que eu sou muito santa pra minha idade.
-Eu não acho isso... — Ele se levantou e ficou ao meu lado.
-Ér, quer conhecer a minha casa?
-E se eu disser que sim?
-Eu lhe mostrarei...
-Então vamos! — Ele disse correndo num tipo de imitação do super homem, o que me fez rir...
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