Good Charlotte
1 One
Notas iniciais
A vida parece perder todo seu sentido, de repente. As luzes ficam mais fortes e as sombras mais escuras. Tudo parece ter seu papel no mundo, agindo como o destino desenhou.
Perdi meu pai há pouco mais de uma semana, foi uma perda grande. Por mais que nunca tenhamos nos dado perfeitamente bem, era o homem que eu mais admirava no mundo, o único que me parecia justo e gentil. Era alto e esbelto, sempre com a barba bem feita e os cabelos bem aparados.
Sua morte foi causada por uma briga de trânsito. Um homem que aparentava ter pouco mais de 30 anos, resolveu encrencar-se com meu pai. O motivo? Simplesmente o freio do carro falhou ao parar no semáforo, e ele bateu no carro da frente. Ninguém nunca havia encostado a mão em meu pai antes, pareciam sempre ter muito medo de toda a sua gentileza. Mas aquele homem estava cego de raiva.
Parece inacreditável esse tipo de coisa, até acontecer com você ou alguém muito próximo.
Por mais que eu já tenha idade o suficiente para me virar sozinha agora, resolveram que seria melhor para o meu emocional, que eu me ligasse com algum parente. Minha mãe? Ela também já partiu desse mundo, há muitos anos atrás, por conta de um câncer.
Enfim, eu morava no Japão e não havia nenhum outro parente próximo por lá. Bem, eu tenho uma avó que mora em outro Estado, mas é considerada inválida. Localizaram uma tia, irmã de minha falecida mãe, que reside nos EUA, e foi pra lá que decidiram me mandar.
Empacotei meus pertences e entrei em um avião, rumo à Chicago. Minha tia me recebeu de braços abertos, sempre com um sorriso no rosto. Era muito amável, seu nome é Rose.
De vez em quando, nos sentávamos no balanço da varanda, tomando chocolate quente e passávamos a noite toda conversando.
- Eu me arrependo de não ter lhe visto crescer, Charlotte. Lembro-me de quando tinhas seis anos, eras tão apegada à sua mãe.
Confesso que esses assuntos de família deixavam-me desconfortável.
Essa minha tia, Rose, tinha uma filha e um marido, mas ambos estavam em uma viagem na California. Parece que os dois haviam brigado, e a melhor idéia que tiveram para se reconciliarem, foi a de viajarem juntos, um tomando conta do outro. Ambos chegariam em breve, mas enquanto isso, era apenas eu e minha amável tia.
Tudo parecia tão confuso. Pessoas diferentes, costumes diferentes. Em breve eu regressaria às aulas, e tudo o que desejo, de coração, é que eu possa me adaptar.
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