Gone

1 Prólogo:


Notas iniciais
Aos poucos da pra entender o enrredo da história.

Matias acordou em seu quarto mesmo sem lembrar-se de ter ido se deitar por lá. Na noite anterior ele e Lori haviam assistido alguns filmes de terror que ela gostava. Após um tempo ela adormeceu no sofá e ele foi fazer algo que não conseguia se lembrar. Antes mesmo de abrir os olhos ele sentiu como se seu cérebro tivesse sido comprimido e expandido diversas vezes, a dor era ligeiramente parecida com a de tomar um sorvete extremamente gelado. Quando finalmente tomou coragem para abrir os olhos a claridade quase lhe cegou. Ele tentou forçar a memória, mas nada além de Lori deitada no sofá vinha a sua cabeça. Quanto mais ele tentava se lembrar mais sua cabeça doía, passou a mão no pescoço e sentiu algo diferente, algo como uma cicatriz. Aquilo não estava ali antes, nunca teve uma cicatriz naquele lugar. Ele foi até o espelho do quarto e viu que a cicatriz tinha uma forma inusitada, ela era circular. Dentro de círculos maiores havia círculos menores, alguns eram irregulares, até tortos, como uma espécie de engrenagem. Começou a indagar a si mesmo que tipo de acidente causaria algo assim e o que teria acontecido na noite anterior.

Tentou caminhar para fora do quarto para procurar por Lori, a tontura fez com que ele parasse algumas vezes para se apoiar nas paredes, a visão sensível também não ajudou. Ele olhou em todos os cômodos do andar de baixo, mas ela não estava lá. Pensou em procurar pela irmã, mas antes de fazer isso ouviu um barulho de um carro se aproximando da varanda. Ele olhou pela janela e viu o carro do Xerife Dalson.

-Bom dia xerife, posso ajudar em alguma coisa? — Matias disse.

-Bom dia, sua irmã está em casa?

-Na verdade — disse confuso passando a mão no lado direito do pescoço sentido a cicatriz de novo — eu não sei.

-Bom, melhor procurar por ela. Alguns jovens desapareceram essa manhã.

-Como assim desapareceram?

-É o que estamos tentando descobrir, algo estranho está acontecendo.

-Por que você veio até aqui?

-Estou tentando avisar a população antes que eles enlouqueçam.

-Então não é algo que eu deva me preocupar?

-Acho que se você encontrar a sua irmã não precisará.

-Bem, me mantenha informado se souber de alguma noticia da Amelia — virou-se para voltar para dentro de casa — ah, me avise também se souber de alguma noticia da Lori. Podia jurar que ela tinha dormido aqui essa noite.

-Lori? Lori James? — seu rosto contraiu.

-Sim, minha namorada.

-Acho que precisamos conversar. Entre no carro.

Matias sentiu-se tenso, não sabia onde a irmã estava e o xerife havia reagido de forma muito estranha ao nome de Lori James.

Os dois entraram no carro, o xerife o encarou por alguns minutos e depois suspirou.

-O que? O que aconteceu? — ele perguntou.

-Infelizmente sabemos muito pouco, algumas pessoas estão sumidas.

-Você me disse isso, quero saber o que aconteceu com a Lori.

-Além dos desaparecimentos essa manhã, encontramos um corpo — ele hesitou — O corpo estava intacto a não ser pelo cérebro que estava modificado.

“Eles disseram vários termos científicos que eu não entendi muito bem, mas aparentemente a parte do cérebro responsável pela inteligência estava incrivelmente maior, já a parte responsável pela memória estava completamente apagada. Nenhum de nossos cientistas soube explicar como isso aconteceu, disseram que tal mudança era humanamente impossível, mas o caso ainda esta sendo pesquisado.”

Os olhos de Matias se arregalaram, ele mal podia acreditar.

-Você está querendo me dizer que ela está morta?

O xerife preferiu ficar em silêncio. Ele cobriu o rosto com as próprias mãos e rezou para que tudo isso fosse um terrível pesadelo, não podia ser verdade, mas quando abriu os olhos o xerife Dalton ainda estava lá.

-Como isso é possível? Ela não pode ter simplesmente morrido.

-Olha rapaz, eu não deveria nem estar te contando isso, mas levando em consideração que os pais da vítima não estão mais entre nós sinto que você é a pessoa mais próxima.

Ele precisava lembrar o que tinha acontecido na noite anterior.

-Eu preciso ver o corpo.

-Não sei se isso será possível, Matias.

Ele segurou os braços do Xerife com os olhos marejados implorando.

-Eu preciso vê-la.

A expressão do xerife mudou, ele pareceu um pouco confuso. Seus olhos ficaram vidrados nos de Matias e ele piscou algumas vezes antes de parecer voltar ao normal.

-Claro, nós precisamos ir.

...

O caminho foi feito em completo silêncio, Matias achou estranho, pois ele esperava que o xerife desse a ele mil e uma recomendações ou até desistisse no meio do caminho, mas ele não o fez. Eles finalmente chegaram ao necrotério. Matias desceu do carro e esperou que o xerife fizesse o mesmo, mas ele manobrou o carro e voltou para estrada.

Matias não fazia ideia do que ia fazer, ninguém deixaria que ele entrasse se ele simplesmente pedisse. Ele teria que pensar em um jeito de não ser pego. Ele resolveu que entrar pelos fundos era o mais inteligente a se fazer. Não parecia ser tão difícil, ele só precisava não ser visto e caso isso acontecesse ele teria que correr. Assim que abriu a porta os corredores pareciam vazios e estreitos, mal pisou lá dentro e já sentiu o ar mais frio circulando. Como pessoas conseguem passa um dia inteiro aqui? Ele não podia perder tempo e logo seguiu olhando pelos corredores procurando por alguma orientação, ele já estava começando a se sentir meio perdido quando uma mulher de formas largas com uniforme e prancheta apareceu na sua frente.

-Quem é você e o que está fazendo aqui? — perguntou a mulher.

-Eu só — ele não sabia o que dizer, sentiu o lance de adrenalina correr em seu corpo e teve que pensar rápido — O xerife me mandou aqui, para ver Lori James.

-Olhe aqui garoto, eu sei quem você é – a mulher parecia ter cerca de 24 anos, quem era ela para chama-lo de garoto? Com 19 anos ele deveria no mínimo ser chamado de rapaz – Era sua namorada né? — Ele acenou com a cabeça para mostrar que sim – Tudo bem, você tem 5 minutos. Não me faça perder meu emprego.

Ela levou Matias até uma sala mais fria, a temperatura da sala devia estar por volta dos -15 graus. A cada passo ele sentia que os ossos iam congelar. A sala estava repleta de corpos cobertos por lençóis e o cheiro não era nada agradável. Havia um único corpo em cima da mesa principal, o corpo de Lori.

Ela estava muito mais pálida que o normal. Os cílios descansavam sobre as bochechas que costumavam a ser rosadas e os lábios já estavam sem cor. O peito já não subia e descia mais, nada de pulsação. Tudo que já foi vivo em Lori agora não passava de uma memória.

Parte do corpo estava coberta, mas o tórax estava à mostra. “Intacto” o xerife dissera, mas seu corpo não parecia nem um pouco intacto para Matias. O corpo de Lori tinha sido recém aberto, muitos pontos ainda não tinham sido completamente fechados. A imagem era até um pouco grosseira.

Ele chegou perto dela e entre os soluços ele perguntando por que alguém teria feito algo tão cruel? Lori nunca tinha feito mal a uma criatura se quer. Como será possível alguém sem nenhuma pista, sem nenhuma causa? Ele tocou seu cabelo e acariciou, sua Lori não voltaria mais, assim como aqueles que já havia perdido. Ele tocou a bochecha gélida e foi quando pode prestar mais no pescoço dela, do lado direito assim como o seu, a marca circular que ele havia encontrado no começo daquela manhã.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.