Golden Heart

8 Amigos de infância


Notas iniciais
Estava todo mundo mó ansioso pra saber a história do Will... Espero não ter decepcionado vocês :s E se ficarem decepcionados, só um aviso: nem ele sabe a história dele. Ela vai ser descoberta ao longo da fic =p assim como a Jen

*Daniel*

A minha história é simples. Eu nasci em uma vila pobre, que lutava para viver, mas era feliz e unida. Porém, um monstro começou a atacar essa vila. Nessa época, provavelmente metade dos moradores foi morta durante a noite e encontrada em uma poça de sangue no dia seguinte. Dois exemplos são os meus pais.

Quando a vila começou a ser atacada, meus pais falaram para eu ficar no quartinho do sótão enquanto eles tomavam conta de mim do quarto deles. Um dia eu acordei e fui para o quarto deles dar bom dia. Quando cheguei lá, havia uma poça de sangue no chão. Minha mãe tinha vários arranhões pelo corpo e o braço direito estava quase saindo de seu corpo morto. Meu pai também estava cheio de arranhões e a cabeça quase saía de seu corpo, deixando à vista a laringe e as cordas vocais.

Desde então morei em um orfanato cuja dona é uma senhora muito simpática. Já que eu não pude ajudar meus pais na noite em que eles foram mortos, prometi para mim mesmo que eu ia ajudar todos que eu conheço. Então eu sempre ajudei a dona do orfanato e o pessoal de lá, lavando e passando roupa, cozinhando, brincando, ensinando e cuidando deles como se fossem meus filhos. Por isso quero fazer parte da Golden Heart: para proteger as pessoas e cuidar delas.

Tentei não me mostrar triste, mas foi difícil. Para tirar a atenção de mim, falei para Will começar.

– Primeiramente, eu peço desculpas, Dani. – Ele disse sério.

– Tudo bem.

– E eu não te culpo se você me odiar depois que eu contar o que aconteceu com a vila uma semana depois que você foi embora.

Eu olhei para ele confuso e ele começou.

Eu nasci na mesma vila do Daniel e nós éramos muito amigos desde que nascemos. A vila foi atacada, como ele falou. O monstro iria matar todos da vila, então pensamos em fazer uma armadilha. Nós percebemos que ele atacava as casas por ordem numérica e a próxima era a minha. Meu pai produzia armas de metal, como espadas, punhais, lança e alguns arcos e flechas, então as levamos para a sala. Como ele saia à noite para tentar caçar o monstro, minha mãe, dois vizinhos fortes e eu ficamos em casa para ativar a armadilha.

Escureceu e nós esperamos durante horas, quando alguém finalmente empurrou a porta com toda força e a abriu. Nós acendemos a luz e ativamos a armadilha, fazendo com que várias armas caíssem no lugar onde estava o monstro, que conseguiu escapar.

Ele era grande e tinha pelos grossos e compridos, azuis quase pretos. Tinha garras afiadas, presas grandes e pontudas, os olhos tinham pupilas dilatadas. Ele era muito veloz, ágil e flexível. Parecia estar procurando algo, mas ninguém percebeu isso. Ele vinha em minha direção, quando a minha mãe se colocou entre nós dois.

O monstro a segurou e a levantou, olhando fundo nos olhos dela. Segundos depois, como se tivesse se lembrado do que queria fazer, mordeu e puxou o ombro dela, jorrando sangue para todos os lados e puxou os braços dela, deslocando-os. Quando viu que ela havia morrido, a jogou para o lado e olhou para mim. Ele veio em minha direção para me atacar, mas eu desviei e só recebi um arranhão. Antes que ele realmente me matasse, os vizinhos pegaram uma corda reserva que tinham levado e amarraram o monstro.

Quando o monstro ficou imobilizado, uma fresta de sol atravessou a sala. Havia amanhecido. A aparência do monstro começou a mudar: os pelos encurtaram e mudaram para cor de pele; as garras diminuíram e as presas também. Quando percebi, meu pai estava amarrado onde antes estava o monstro.

Meu pai era aquele monstro que matou metade da vila. Olhei perplexo para ele, me perguntando se era apenas uma pegadinha ou um pesadelo, mas não era.

Minutos depois, eles levaram o meu pai para o centro da vila e amarraram-no em um tronco. Todos foram ver o monstro ser morto. Eu fui obrigado a assistir meu pai tendo os dedos arrancados com a mesma faca que percorreu seus braços e perfurou lentamente seu abdome. Depois, ele foi queimo vivo. Enquanto ele queimava, um dos vizinhos falou alto para o resto da vila ouvir “A partir de hoje, Willian Foster, filho do monstro Jonathan Foster, está expulso dessa vila, pois ele tem chance de herdar as habilidades monstruosas dele. Se Willian voltar para a nossa vila, ele será morto de forma mais dolorosa e lenta do que o pai!”.

Todos concordaram e eu tive que morar sozinho nas ruas por dois anos até encontrar a Jen.

Olhei para ele sem saber o que dizer. O monstro que havia matado meus pais era o pai do Will. Eu nunca imaginaria isso.

– Então seu pai era um lobisomem e você herdou algumas características? – Perguntou Rosie.

– Não e sim. – Will respondeu. — Ele não era lobisomem, era um monstro que lembrava mais um gorila do que um lobo. E sim, eu herdei, mas só a velocidade, agilidade e flexibilidade e outras características fisiológicas, como presas e garras. – Ele olhou sério para mim. – Você deve me odiar agora. Eu não te culpo.

Eu comecei a rir.

– Por que eu te odiaria?

– Porque meu pai matou o seu?

– Você não é seu pai. Você é meu amigo.

Ele agradeceu com os olhos e eu retribuí com um sorriso.

– Tem uma coisa estranha nessa história. – Disse Jen. – Por que seu pai atacaria as casas em ordem numérica?

Will parou para pensar e depois respondeu.

– Ele parecia procurar algo. Ele murmurava algo parecido com “ovo”, mas ninguém percebeu, então pensei que eu tivesse pirado. – Ele olhou para mim. – Será que ele estava procurando o Kane?

– Mas como ele saberia do Kane? – Respondi confuso.

– Kane? – Perguntou Jen.

– Aconteceu em um dia normal, antes de a nossa vila ser atacada. Will e eu estávamos brincando em uma floresta que tinha lá perto. Nós estávamos correndo, quando encontramos uma caverna muito bem escondida. Como crianças curiosas, entramos nela e encontramos um ovo. Mas não parecia um ovo comum; era maior e mais cinzento. Já que parecia abandonado, levamos para a minha casa e o guardamos no quartinho do sótão, na minha casa. Depois de pesquisarmos, descobrimos que era um ovo de dragão e resolvemos cuidar dele até ele nascer. Nós guardamos esse ovo em segredo, porque o libertaríamos assim que nascesse. Eu queria chamá-lo de Stefanone, mas Will gostou mais de Kane então ficou esse.

– Eu pensei que dragões estivessem extintos! – Disse Jen preocupada. – Ele deve ser o último dragão da Terra. E isso é perigoso! Se um dragão quebrar o ovo e não enxergar ninguém assim que abrir os olhos, ele percebe que foi abandonado e destrói tudo que vê pela frente! – Ela parou e respirou. – Um dragão demora cerca de cem anos para nascer. Quanto tempo ele tinha quando vocês acharam?

– Não sabemos, mas parecia um pouquinho antigo. – Respondi.

– Vocês têm que ir atrás dele. Só para vocês saberem, o dragão filhote considera que seu dono é a primeira pessoa ou o primeiro dragão que olha fundo nos olhos dele.

– Você vai, Dani. – Disse Will. – Você é cuidadoso. Além disso, depois que você foi para o orfanato, eu fui para a sua casa, peguei o ovo e o coloquei de volta na caverna. A floresta fica perto da vila... Se alguém me vir, vão querer me matar e eu estou com preguiça de armar barraco.

– Está bem. Vou lá pegar o Stefanone. – Falei brincando.

Notas finais
Espero não ter decepcionado vocês ;-; :s