Golden Heart

11 A busca - parte 3


Notas iniciais
Bateu mó inspiração hoje :p Se pá eu posto mais um capítulo ainda hoje *3* (talvez)

*Kathy*

Quando entrei na Golden Heart, não conseguia confiar em ninguém. Eu só havia entrado no grupo para ajudar outras pessoas, algo que eu gostaria que tivessem feito comigo no dia em que perdi minha visão.

Porém, mesmo sem confiar nos membros da equipe, foi difícil não me preocupar com Daniel. Havia algo diferente nele. Ele era tão gentil e educado... Logo depois que ele saiu para buscar o dragão, meu coração disparou e não parei de pensar nele.

Fui para o meu quarto (que na verdade era apenas um dos quartos de hóspedes, mas eu não me importava) e tentei mudar meus pensamentos. Tentei pensar em várias coisas, mas a minha mente voltava sempre para Daniel. Quando percebi, eu estava imaginando sua aparência – mania de garota cega.

Provavelmente ele era alto, tinha olhos azuis claros e delicados como sua voz, talvez com cabelo preto e curto.

Enfim, eu estava no meu quarto imaginando como Daniel era, quando ouvi um alarme tocando. Corri para a sala e senti a presença de todos lá.

– O que aconteceu? – Perguntou Jen.

– É um sinal do comunicador que demos para Daniel. – Respondeu Robin. — Ele precisa de ajuda. Titãs, vamos!

– Nós também vamos. – Disse Rosie.

– Melhor não, vocês ainda não tem experiência em missões assim. Se ele pediu um S.O.S., provavelmente ele encontrou um inimigo muito forte.

– Por isso mesmo. Quanto mais gente para ajudá-lo, melhor.

– Concordo com ela. – Eu disse. – E mais cedo ou mais tarde, vamos precisar sair para a nossa primeira missão.

– Está bem, vocês podem vir. – Ele cedeu. – Mas então não se separem dos Titãs.

– Eu não vou com vocês. – Disse Will. – A floresta fica perto demais do vilarejo. Não quero voltar nunca mais para aquele lugar.

– Eu vou ficar com ele. – Disse Jen. – Nós vamos ficar atentos caso algo aconteça. Vou aproveitar e fazer alguns experimentos. Se precisarem é só usar o comunicador.

Ótimo. Primeiro dia de missão da Golden Heart e o grupo já se separou. Como eu não tinha tempo para convencer Jen e Will a ir conosco, nós fomos sem eles.

Ravena, Estelar e Mutano foram voando, Robin foi com sua moto e Ciborgue, Rosie e eu fomos de carro.

Poucos minutos depois, eles avistaram a floresta.

– Está tendo uma queimada! – Exclamou Rosie. – Ele deve estar ali!

– Rosie, você consegue controlar o fogo, não consegue? – Perguntou Robin.

– Sim. Nós precisamos parar a queimada antes que ela alcance o vilarejo. Vou absorver o fogo enquanto vocês procuram Daniel!

– Era isso que eu ia falar.

O carro parou e nós descemos. Assim que saí do carro, senti o ar quente abafando meu rosto e o cheiro de fogo entrando pelo meu nariz e queimando meus pulmões. Por um momento entrei em pânico, pensando no que poderia ter acontecido ao Daniel, mas respirei fundo e me concentrei.

Eu fiquei aliviada ao sentir a presença do Daniel, mas um frio percorreu pela minha espinha quando senti a presença de duas outras pessoas.

– Quem fez esse incêndio ainda está aqui.

– Você consegue senti-los? – Perguntou Ciborgue.

– Sim. Tem duas pessoas: uma parece que está deitada e outra está atrás do Daniel. Vamos logo!

Nós corremos, com Rosie na frente absorvendo o fogo e diminuindo o incêndio. Quando senti a presença de uma pessoa desconhecida poucos metros à frente, Robin gritou “Titãs, atacar!”. Aproveitei que a luta começou e Daniel não era mais o alvo principal e fui ver como ele estava.

– Kathy! O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou surpreso quando me aproximei.

– Salvando a sua vida. Como você está?

– Você não deveria ter vindo.

– Por quê? Por que não sou forte o suficiente para te proteger? Não me subestime. – Eu falei irritada.

– Não é isso... – Ele respondeu em voz baixa.

– Não importa o que você pensa sobre eu ter vindo. Vá logo procurar Kane! Aproveite que os Titãs estão distraindo o inimigo e vá!

Eu pensei que Daniel iria sozinho, mas ao invés disso, ele segurou meu pulso e nós dois corremos para longe do pessoal.

Nós corremos bastante, até termos certeza de que estávamos completamente sozinhos.

– O que... – Tentei perguntar recuperando o fôlego. – O que você...

– Nós estamos perto. Venha.

– Está bem, mas então me solte. Eu sei me virar.

Ele soltou delicadamente meu pulso e nós andamos poucos minutos em silêncio.

– Eu não penso que você não seja boa o suficiente para me ajudar. – Ele falou. – Se dei a entender isso, desculpa. É que o cara era muito forte e eu não queria que você se machucasse.

– Tudo bem. Desculpa ter me irritado com você.

– Posso fazer uma pergunta?

– Sim.

– Por que você só confia na Jen? Quero dizer... Sinto que você não falou tudo de você para nós.

– É que... – Eu disse tentando encontrar palavras. – É difícil confiar em outras pessoas depois do que aconteceu alguns anos atrás.

– E o que aconteceu? Pode confiar em mim.

– Eu tinha uma supervisão. Eu conseguia ver o que estava acontecendo no Japão estando em casa. E eu tinha apenas um único amigo em quem eu confiava com todo meu coração. Mas um dia nós estávamos andando em um parque que não tinha quase ninguém. E então eu vi um homem se aproximando por trás de mim e eu falei para o meu “amigo” que nós devíamos fugir, porque o homem era suspeito, mas ele insistiu em continuar andando. Depois, eu comecei a acelerar o passo, mas o meu amigo me segurou e falou “agora!”. O homem suspeito veio em minha direção, tirou as luvas e encostou em meus olhos com seus dedos. Quando abri os olhos, não enxergava nada. O homem havia tirado a minha visão e o meu único amigo havia me traído. Quando me dei conta de que eu estava cega, o meu “amigo” disse “Sua tola. Acha mesmo que alguém seria seu amigo? Quem anda com você ou quer dinheiro ou quer supervisão. E agora que meu amigo conseguiu a supervisão, não precisamos mais de você.”.

Formou-se um silêncio. Pude sentir que ele olhava para mim. Então para quebrar o silêncio constrangedor, continuei:

– Por isso é difícil para eu confiar em alguém. Eu falei que meus pais pagaram os Titãs para cuidar de mim e me ensinar a lutar, porque eu fico sozinha em casa e eu sou rica e cega, portanto vários ladrões tentaram assaltar a minha casa. Porém, a verdade é que meus pais não queriam mais me ver tão só e também queriam que eu me defendesse melhor. Sei que eles fizeram isso para o meu bem, mas é como se eles tivessem me abandonado.

Depois de um momento de silêncio, ele finalmente disse:

– Sinto muito pelo que aconteceu... Quero que você saiba que pode confiar em mim com todo seu coração. Eu nunca vou te abandonar. Você nunca vai se sentir só enquanto eu estiver vivo. Estarei sempre com você e vou te proteger mesmo que isso custe a minha vida.

Essas palavras fizeram meu coração bater forte. Havia coragem e determinação em sua voz. Ele parou de andar e segurou a minha mão.

– Chegamos. – Ele disse. — Foi aqui que Will e eu encontramos Kane. Não solte a minha mão e ande atrás de mim.

Ele deu um passo a minha frente e eu senti seu cheiro de perfume. Mesmo usando luvas, sua mão era confortável e grande. Então nós dois entramos de mãos dadas na caverna.

Notas finais
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