Gold Saints - United
17 Capítulo 12 – Aflição
Notas iniciais
A luz solar já ultrapassava as frestas da janela da minha casa de sagitário, iluminando o meu quarto, me avisando que era um novo dia. Não foi uma noite muito boa, demorei a dormir e tive constantes pesadelos, apesar de não me lembrar de nenhum deles.
Ontem fui chamado com Saga de Gêmeos à sala do mestre, lá ele me indicou como seu sucessor, e a notícia seria veiculada em alguns dias. Apesar de ter certeza da minha competência como cavaleiro de ouro, não tinha a certeza de que seria um bom mestre do santuário, Saga parecia ser mais adequado.
Cheguei ao santuário há muito tempo, desde que meus pais faleceram e o Grande Mestre me descobriu e trouxe até aqui. Aiolia tinha apenas dois anos e mal pode conhecer os pais, então eu desempenhei essa função da maneira que pude, e apesar do temperamento mais explosivo, consequência da falta dos pais, me orgulho dele, é um bom garoto. Desde que cheguei aqui, treinei muito, me tornando um cavaleiro de ouro, junto com Saga, que também treinava. Nós dois fomos os primeiros cavaleiros dessa era, e apesar da convivência e de Saga ser uma pessoa fenomenal, não temos muita proximidade, somos apenas colegas de trabalho, apesar de eu o admirar muito.
Há mais ou menos um ano e meio atrás, Shura chegou ao santuário. Shura tem um potencial imenso, provavelmente o maior que eu já vi, junto com Aiolia. Ele treinou aqui durante alguns meses e alcançou meu nível, se tornando o cavaleiro de capricórnio. Apesar de ser apenas quatro anos mais novo, Shura desempenha seu papel com perfeição, nos tornamos amigos com o tempo, afinal, as casas de sagitário e capricórnio são bem próximas.
Neste ano, comecei a treinar meu irmão, o potencial de Aiolia é absurdo, em pouco tempo ele atingiu o nível de um cavaleiro de prata, e recentemente atingiu o meu nível, dominando o cosmo máximo: O sétimo sentido. Infelizmente Aiolia anda com alguns probleminhas e não chegou a receber a armadura de leão do mestre, que está só testando a paciência dele, afinal, Aiolia já está há alguns dias residindo na casa de leão e sendo tratado como um cavaleiro de ouro.
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Depois de alguns minutos divagando, levantei da cama e logo após me arrumar, resolvi tomar um café. Preparei algumas torradas e quando ia sentar à mesa, escuto batidas na porta e me aproximo para ver quem é.
‘’_Olá, senhor Aioros de Sagitário, o Grande Mestre está convocando todos os cavaleiros de ouro para um anúncio oficial as 09h00min. ‘’ Dizia a sorridente serva da casa de sagitário, como essas mulheres têm disposição esta hora da manhã?
‘’_Certo, muito obrigado. ‘’ A serva seguiu seu caminho e eu fui tomar meu café. Logo depois, vesti minha armadura de sagitário e fui até a sala do Mestre para os avisos.
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Santuário, 10h30min, depois do anúncio do Grande Mestre
Os cavaleiros de ouro iam saindo da sala do Grande Mestre e se dirigindo as suas casas, eu resolvi descer sozinho pra pensar melhor e esfriar a cabeça. Como uma tragédia dessas poderia ter acontecido bem debaixo dos nossos olhos? Onze mortos, justamente no dia da volta de Athena? Como pode?
Saga foi assassinado? Não é possível, isso está errado...! Ontem ele recebeu a notícia de que não seria o novo Grande Mestre, e no mesmo dia foi morto? Isso está muito estranho, ou é coisa da minha cabeça?
Resolvi passear para clarear a mente. Desci até a casa de sagitário, retirei minha armadura dourada e coloquei-a em sua caixa de Pandora. Coloquei minhas roupas de treino e desci as doze casas. Não sei por que, se foi o meu instinto ou puro estresse que me fez descer e dar uma olhada em todo santuário.
Passei pelos campos de treino, onde inúmeros aspirantes a cavaleiros treinavam e mostravam seus potenciais. Sem armadura eu era bem menos reconhecido, então não fui parado muitas vezes, mas percebia fácil a maneira diferente que qualquer um ali me fitava, um olhar de admiração. Os cavaleiros de ouro eram como Deuses, afinal, depois de receberem a armadura não costumavam ficar entre os aspirantes e outros cavaleiros, apenas desciam quando necessário, tinham tudo que precisavam ao seu dispor nas doze casas.
Passei por todos os locais lá, a vila de Rodório, onde adolescentes da idade de Aiolia me deixavam envergonhado com suas brincadeirinhas, onde velhos comerciantes insistiam em dar produtos de graça a um cavaleiro de ouro. Nunca me acostumei muito com toda essa fama, não me considerava tão importante como parecia, e isso me incomodava. Todos viam os cavaleiros de ouro como seres perfeitos, e eu admito que Saga e Shura, e os novos cavaleiros de ouro que começaram há pouco tempo tem inúmeras qualidades, mas não vejo o motivo de uma admiração tão submissa. Por que as pessoas procuram alguém para admirar cegamente ao invés de se inspirar na pessoa e ter tanto sucesso quanto ela?
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Subi até a casa de sagitário para descansar, já tinha passado das 12h00min e eu estava sem fome, então resolvi tirar um cochilo, deitei na minha cama e fechei as janelas, e foi ai que os pesadelos começaram a voltar.
No meu sonho, eu ainda era apenas uma criança, totalmente indefeso, sem poder algum, mas já com as roupas de treinamento. Eu segurava a mão de uma jovem de cabelos castanhos com um longo vestido branco, ela chorava e clamava por minha ajuda, mas não especificava o que eu devia fazer.
Então, luzes de acenderam e nós estávamos dentro de uma arena, uma espécie de coliseu. Sombras cercavam a arena, deixando a garota aterrorizada. Minha agonia só aumentava, eu nada poderia fazer naquele corpo fraco e sem minha armadura, foi então que as sombras começaram a pegar fogo e tomar forma de cavaleiros de Athena. As armaduras não podiam ser distinguidas no sonho, mesmo as sombras se aproximando, foi então que a garota deixou de segurar minha mão, aves negras, semelhante a corvos a seguravam por meio de fios, a levando para longe, até o infinito.
Eu estava sozinho com aquelas sombras, quando uma explosão de luz aconteceu e o cenário mudou. Eu estava em uma praia, na areia eu consegui ler a palavra ‘’Proteja Athena’’. E então, a garota que antes me acompanhava desesperada, agora surgia mais tranquila, sem proferir palavra alguma, eu tentava falar, mas a voz não saia. Das águas emergiu um enorme dragão, que tentou avançar sobre a garota. Agora, sem poder falar, eu apenas pulei e consegui salvar a menina de ser mordida pelo monstro. Foi então que percebi que minha força ali dentro havia voltado e eu já me encontrava no meu corpo adulto.
Concentrei meu cosmo e disparei uma rajada de energia contra o dragão marinho, que se dividiu em duas partes ao invés de morrer. Cada uma das partes sofria uma metamorfose horrenda, enquanto a garota se desesperava novamente e minha agonia voltava, junto com meu corpo de criança e sem energia no meu cosmo.
As duas partes do monstro agora eram humanóides gigantes, um totalmente branco e outro totalmente preto, ambos sem face, era uma espécie de dualidade, e o embate entre os dois gigantes gerava tremores e destruição, protegi a garota com meu corpo pequeno e então, novamente o cenário mudou.
Reconheci o novo lugar pela descrição dos livros, era Star Hill, o monte das estrelas, fica aos fundos do santuário e é um lugar acessível somente para Grandes Mestres. Tentei olhar para baixo, mas o monte star Hill estava em uma espécie de dimensão paralela do espaço tempo, era o pico de uma montanha flutuando em lugar nenhum, e a garota ainda estava lá, agora na forma de um bebê.
Pétalas de rosas começaram a cair, não era algo bonito, e sim tenebroso. Então resolvi adentrar à cabana que fica no topo de Star Hill levando o bebê, e ao entrar, ao invés de uma cabana, eu encontrei uma passagem para o Reino de Hades sob a forma de um enorme buraco que se assemelhava ao chamado ‘’Yomotsu Hiraska’’. A garota era atraída pelo buraco lentamente e eu não podia a deixar ir, mas minhas tentativas de puxá-la eram em vão. Em pouco tempo, o solo começou a se rachar, cortes afiados como uma espada rasgavam o solo, e aos poucos começaram a cortar o meu corpo, decepando parte por parte, enquanto a garota se aproximava da cratera por uma força invisível, foi quando cosmos reluzentes conseguiram a manter no ar e impedir de cair no precipício.
‘’_Meteoro de Pégasus!’’ Essa foi apenas uma das 17 vozes diferentes que ecoavam na minha cabeça, as vozes vinham das energias cósmicas que mantinham a menina flutuando e brilhando, enquanto todo aquele cenário macabro se extinguia dando lugar a luz. Nesse momento abri os olhos e estava na escuridão do meu quarto, suando frio. Apesar de ter sido horrível, as últimas cenas que vi me tranqüilizaram, mesmo não entendendo muito o que aquilo realmente significava.
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Fiquei pensando sobre o sonho algum tempo, foi quando Aiolia veio me visitar, ele me mostrou seu terno e estava animado para a festa que ocorreria na mansão Argos. Eu resolvi não ir, estava sem clima para isso, então Aiolia foi embora.
Comecei a refletir novamente sobre tudo aquilo que tinha sonhado, era o mesmo sonho que na noite anterior me perturbou. Alguém tentava me comunicar de algum perigo, alguém que não poderia se expressar verbalmente. Foi quando liguei as coisas.
O bebê Athena? Só podia ser. Não tinha outra explicação, eu deveria fazer algo que não sabia nem ao menos o que era. Foi então que eu sentei e esperei longas horas.
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01h30min, Casa de Sagitário.
Estava na hora da verdade. Todo esse tempo pensando não havia esclarecido muita coisa, mas eu sabia que Athena estava me convocando e que algo estranho acontecia no santuário com todas essas mortes em pouco tempo. A atitude do Grande Mestre em comemorar a volta de Athena parece lógica, mas justamente em um dia que deveríamos estar de luto pela morte der um cavaleiro de ouro exemplar como Saga? Isso não era certo.
O problema era o Grande Mestre. Por que escolher eu e não Saga como o próximo Grande Mestre sendo que o geminiano era mais conhecido e influente no santuário? E agora essa atitude de ignorar a morte do cavaleiro de Gêmeos? Essas hipóteses só confirmavam aquilo que eu senti na hora: Uma cosmo energia maléfica estava na sala do Grande Mestre, mas era uma energia conhecida. Shaka, o novo cavaleiro de virgem, estava encarregado de rastrear cosmos malignos durante esta noite em que o santuário estava praticamente vazio por causa da comemoração na mansão Argos, mas Shaka deveria apenas rastrear inimigos próximos às doze casas, e não atrás delas! O inimigo estava lá em cima.
Coloquei minha caixa de pandora nas costas, escrevi com uma barra de ferro pontiaguda uma mensagem na parede e a camuflei. Se tudo ocorresse como no sonho, aquelas palavras fariam muito sentido.
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02h30min, Logo após Aioros salvar o bebê Athena da tentativa de assassinato de Saga.
Agora tudo estava claro, Saga não é quem demonstrava ser, como eu não tinha pensado nisso? Graças a Zeus consegui salvar minha Deusa. Mas fui atingindo por um golpe violento de Saga, o cosmo de Gêmeos era muito poderoso e meu corpo sofria com os cortes e sangramentos que uma rajada de cosmo de Saga me fez, me lançando pra fora do templo da Athena.
Como Saga podia ter feito isso? Eu estava em estado de choque, mas sabia tudo o que fazer, Athena estava em meus braços e eu não poderia falhar. Corri pelos barrancos e encostas das saídas do santuário, estava tudo vazio. Soldados me perseguiam, me acusando de traidor. Os planos de Saga não iriam dar certo se dependesse de mim, e eu não poderia correr mais, cansaria muito, então resolvi enfrentar eles. Não coloquei minha armadura, não era preciso disso para enfrentar esses caras. Coloquei o bebê Athena escondido e fiquei de frente para mais de 200 soldados, que corriam avançavam sobre mim.
Um a um, eles foram sendo derrubados, não conseguiam me atingir graças a minha velocidade, e bastava um simples golpe para desmaiá-los, dezenas deles iam caindo aos poucos, mas o tempo estava acabando, então decidi finalizar.
‘’_Sintam a Destruição Infinita do cavaleiro de sagitário! ‘’ O meu cosmo se convertia em inúmeras flechas de cosmo energia que destruíam todos pelo caminho. Era um golpe que economizava tempo, mas que gastava muita energia, por ser de um poder imenso.
Cuidei para que o bebê Athena não sofresse dano algum do ataque. Olhei para os milhares de soldados mortos e me lamentei por ter matado marionetes de Saga, eles não tinham culpa alguma de terem sido enganados.
Levei o bebê Athena novamente até meu colo, agora a pequena menina sorria, apesar do corpo humano em estado primário, a Deusa já estava presente lá dentro, eu senti isso.
Descansei algumas horas e resolvi seguir caminho.
Eu já não conseguia correr como antes, tinha gastado energia demais, eu apenas caminhava, e o sol já quase nascia. Deviam ser mais ou menos 05h30min. Quando encontrei um homem.
Não tive mais que quinze minutos de conversa com o idoso. Era um milionário japonês chamado Mitsumasa que estava próximo ao santuário. Contei toda a história para ele, avisei-o para camuflar a armadura de sagitário e apesar de ter atitudes arrogantes, o homem era sincero e também sentiu o cosmo da Deusa, prometendo que faria tudo que eu pedisse. Meu dever estava feito, pelo menos a primeira parte.
O homem se afastou, e eu resolvi voltar ao santuário. Agora tentaria convencer todos da verdade, mesmo que fosse morto, eu iria contar tudo que sabia. Eu caminhava devagar, para não cansar mais, o golpe de Saga me deixou muito mal, mas não desisti.
Quando estava a mais ou menos 3 km do santuário, uma fenda se abriu na terra a minha frente e eu rapidamente reconheci o autor daquilo.
‘’_Nunca pensei que você faria isso. Trair Athena juntamente com o antigo Grande Mestre... Eu vim aqui aplicar o seu castigo, Aioros. Já fomos amigos e o matarei sem sentir dor em consideração ao passado. Prepare-se! ‘’
Shura estava diante de mim, com sua armadura de capricórnio e um dos braços levantados, na postura do seu golpe Excalibur. Era a hora de eu tentar convencer o meu amigo do seu erro.
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