Gold Saints - United
4 Capítulo 4 - O Iluminado
Notas iniciais
Depois do desferir o meu golpe fatal, a ‘’Rendição divina’’, os três insetos caíram, dois deles estavam desmaiados, mas um começou a esboçar sinais de que voltaria a lutar, mesmo estando caído. Resolvi acabar logo com isso.
‘’Hm? Pelo visto aqui tem alguém que não sabe quando deve se dar por vencido.’’ Fui me aproximando do jovem com armadura avermelhada e que usava correntes como forma de ataque.
‘’As pessoas me chamam de cavaleiro mais próximo de Deus, dentre os 12 cavaleiros de ouro. No entanto, existe um sentimento que eu não tenho nem um pouco, quando comparado a um Deus. ’’ Me ajoelhei em frente ao cavaleiro que aparentava estar vivo. ‘’É a piedade pelos mais fracos. ‘’
‘’Ou melhor, talvez tirar a vida de um fraco sem fazê-lo sofrer seja um ato de piedade. ’’ Foi nessa hora que uma pena me atingiu, ferindo meu dedo, que sangrou.
Nesse momento, continuei tranqüilo por fora, mas por dentro estava nervoso. Mal eu sabia que aquele cavaleiro que apareceu no meio das chamas ia ser o primeiro a me sobrepujar, e que me ensinaria uma valorosa lição...
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13 anos antes.
Fazia cerca de um mês que eu estava no santuário. Poucos me conheciam, só os três cavaleiros de ouro ali presentes, alguns mestres de aspirantes, o Grande Mestre e meus dois rivais para a armadura de Virgem: Ágora e Shiva.
Cheguei da Índia graças Ao Grande Mestre que detectou um grande cosmo ao longe. É fato que despertei um cosmo tremendo desde criança, tanto pelos ensinamentos que tenho com minha própria consciência quanto pelo que aprendi sobrevivendo nas ruas da índia.
Ninguém daqui do santuário me conhece a fundo. Eu não treino nas Arenas como os outros cavaleiros. Sei quando meu poder cresce e não preciso demonstrar fisicamente isso. Por isso o Grande mestre me permitiu treinar já dentro da casa de Virgem, sem mestre algum, apenas desenvolvendo o meu cosmo. Os outros dois candidatos a essa armadura também vieram para cá, e eu os ajudo a desenvolver o cosmo. Sei que não deveria fazer isso por um rival a armadura, mas nosso nível é tão diferente que chega a dar pena. Quando tiver meu combate com eles, pela armadura de Virgem, espero que tenha alguma graça.
Estive meditando havia algumas horas, desenvolvendo meu cosmo, com meus olhos fechados. Essa privação fazia meu cosmo se acumular, não necessitava gastar energia em um ato ridículo como a visão. As coisas vão muito além da aparência.
Shiva e Ágora tinham saído para comprar mantimentos.
Nesse momento, senti passos adentrando a casa de Virgem.
‘’_Ei, você é Shaka não é?!’’
‘’__... ’’
‘’_Não vai me responder, é?’’ O garoto já alterava seu tom, mas não parecia ser desafio, tendo em vista o seu cosmo, emanava um nível de poder próprio de alguns cavaleiros de prata.
‘’_Vou lhe responder. Se você for um aliado, sim, eu sou Shaka. Se for um inimigo, eu sou o seu executor e essa casa será seu túmulo. ’’
Nessa hora senti o cosmo do garoto baixar, e ele se recompôs, voltando a falar como gente ao invés de agir como um animal.
‘’_Meu mestre, Lidyus, pediu para vir aqui tirar algumas dúvidas com você. Eu tentei perguntar a ele, que disse que você era o mais adequado pra me tirar essas dúvidas.’’
‘’_Eu? Ora, um mestre de um aspirante recorrendo a outro aspirante? Mas até entendo, mesmo nós dois sendo aspirantes a cavaleiro, a minha condição é maior que a sua, não acha?’’
‘’_Você precisa realmente se auto-afirmar a cada frase? Tem problemas de auto-estima?’’
Nesse momento, quando percebi que o garoto não era bobo e não se intimidaria facilmente. Decidi falar com ele.
‘’_Vamos logo ao assunto. O que quer?’’
‘’_Preciso esquecer uma pessoa. ’’
‘’_Seja mais específico, conte o que aconteceu e eu direi o que deve fazer, sem burocracias ou perdas de tempo. ’’
‘’_Então... é uma garota que vem me abalando e fazendo eu perder a concentração dos meus treinos na última semana. Por culpa disso acabo perdendo o controle. ’’
‘’_Então agora virei o conselheiro amoroso do santuário? Seu mestre sabia dessa história quando lhe mandou aqui? Duvido que ele seja tolo a esse ponto. ’’
‘’_Não, eu só disse que estava com dificuldade de conter minhas emoções, mas se não puder ajudar, eu vou embora, também odeio perder meu tempo com conversas inúteis. ’’
Nesse momento o observei pelo meu cosmo, sem abrir os olhos, vi o garoto, aparentava ter a minha idade. Os traços não negavam. Eu já havia visto o cavaleiro de ouro de Sagitário, Aioros, e era muito parecido com ele.
‘’_Você tem algum parentesco com Aiolos? De Sagitário?’’
‘’_Sou irmão dele. ’’
‘’_Acho que seu irmão é mais indicado de te responder isso, vá atrás dele. ’’
‘’__... ’’
O garoto apenas se retirou, sem cordialidades, apesar de não exaltar pessoa alguma fora Athena eu admito que gostei do jeito dele, apesar de ainda parecer um pouco tolo.
Esse jeito, de fazer tudo na hora, sem embromações, era o mesmo que eu fazia. Nessa hora tive uma epifania. Percebi que estava enrolando demais, eu, de alguma forma, precisava estar em uma posição acima, não só um mero aspirante, precisava ser logo um cavaleiro de ouro, mesmo que meu sétimo sentido ainda não tenha se aperfeiçoado.
Foi nesse mesmo dia, que graças à conversa com Aiolia que chamei o Grande Mestre, disse para preparar a casa de Virgem para uma batalha. Eu iria derrotar meus dois ‘’rivais’’ e ganhar a armadura de ouro, eu já era respeitado, mas iria ser ainda mais.
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Eram 21h30min da noite, o Grande Mestre veio observar a luta. Ágora e Shiva iriam lutar comigo, um de cada vez, uma grande besteira, afinal, eu poderia derrotar os dois juntos sem dificuldade.
‘’_Podem começar. ‘’ Assim que o Grande Mestre disse essas palavras, Ágora saltou, abrindo os olhos, o que aumentava muito o seu cosmo. Eu que ensinei esse artifício a ele, e o tolo pensava que iria funcionar contra mim. ’’
‘’_Vamos lá, Shaka, dê o seu melhor!’’
Ágora é mesmo um acéfalo. Se eu desse meu melhor ele seria erradicado desse mundo em um milésimo de segundo.
Ele disparava várias rajadas de cosmo. Inúteis contra o meu teleporte, isso me gastava energia, e por isso decidi terminar logo.
‘’_Dessa maneira nunca irá me vencer, Ágora. ‘’
Elevei meus braços e ondas de choque percorreram o ambiente, paralisando Ágora. Depois disso eu poderia simplesmente o derrubar com um dedo, mas não o fiz. Ágora tentava lutar contra as ondas que o paralisavam, mas era nítido que não ia conseguir se livrar.
Cheguei perto dele e toquei o meu dedo em sua testa, ele caiu inconsciente.
Nessa hora, Shiva já retirou seu amigo, voltou ao centro da casa e colocou-se em posição de luta. Ele não era tão impulsivo quanto Ágora, mas também não iria me trazer problemas.
‘’_Já conheço seus truques, Shaka, nessa luta eu vou me superar! ‘’
Eu sabia que ele conhecia alguns de meus ataques, mas meus maiores truques nem eu mesmo conheço, caro Shiva.
Ele se aproximou, querendo um contato direto. Sabia que eu não havia desenvolvido muito minha técnica em combate corporal, por isso nem tentou usar alguma habilidade cósmica, como Ágora fez.
Porém, quando chegou a um metro de distância de meu corpo, apenas movimentei minha mão rapidamente até a sua face e tentei segurar, mas Shiva saltou, se esquivando da minha tentativa de paralisá-lo, vindo por cima ele tentou um chute, que consegui deter cosmicamente, usando minha telecinesia o fiz chocar com uma pilastra.
‘’_Maldito Shaka, agora você vai ver!’’ Shiva se recuperou rapidamente, tentou uma sequência de socos e chutes, todos defendidos facilmente.
‘’_OHM!’’ ao desferir este mantra, meu cosmo subiu o suficiente pra desmaiar Shiva, o lançando 10 metros adiante, já desacordado.
O Grande Mestre não parecia tão surpreso quanto ao meu domínio nas duas lutas, apenas se aproximou e começou a falar.
‘’_Shaka. Eu conheço seu cosmo desde que chamei aqui. Sei que possui o sétimo sentido, e justamente por isso se priva da visão, para elevá-lo ao máximo. Mas ainda não está totalmente aprimorado, não posso lhe dar a armadura agora, mas creio que logo poderei dar sua vestimenta, você está quase completo. ‘’
Com essas palavras o Grande Mestre se retirou. Mesmo não gostando me senti no dever de me ajoelhar a ele e sua sabedoria. Pedi desculpas por ter causado duas lutas desnecessárias, e iria ter paciência para esperar o quanto que tivesse para ter a armadura.
Mas aquilo não foi de todo inútil. A partir daquele dia, Shiva e Ágora foram treinar por armaduras de prata, e eu pude me dedicar inteiramente a desenvolver o meu cosmo.
A conversa breve, mas profunda, com Aiolia instigou em mim o ato que querer que tudo seja na hora, instantâneo. Isso foi errado, percebi que em meio às qualidades de Aiolia, acabei de ‘’inspirando’’ justamente em seu maior defeito, a impaciência. Mas apesar disso, pude perceber que o cavaleiro de leão não seria um tolo fraco, a maior prova disso foi que 13 anos depois, nós tivemos um encontro como adversários, onde Aiolia estava certo e eu estava enganado, quando eu protegi o Grande Mestre da fúria do Leão Dourado, que mostrava suas garras como nunca havia feito antes. Percebi que ele poderia ter me matado em nome de Athena. Percebi que ele teve compaixão por mim. Seria eu um fraco em minha própria concepção da palavra? Alguém que merecia compaixão? Creio que não, pois Aiolia era um homem forte, e nós nos equivalemos, iríamos explodir ou passar 1000 dias e 1000 noites lutando.
Nesse momento o Falso Grande Mestre interferiu e atacou Aiolia, mas se não tivesse o feito, ao menos eu teria passado meus últimos momentos enfrentando um homem tão próximo de Deus quanto eu.
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