Going Under
2 Ninguém acredita nela
Notas iniciais
Pov. Annabeth
–Filha, por que você não passa na casa do Percy, ele foi quase todo dia te visitar no hospital.
–Claro – eu disse sem pensar.
Depois de um tempo dirigindo, ele parou na frente de uma casa simples, mas adorável. Descemos do carro e batemos na porta. Uma mulher de meia idade atendeu, e ao nos ver deu um grande sorriso e chamou seu filho de olhos verdes cor de mar.
Assim que ele me viu, sorriu de orelha a orelha e me deu um longo abraço.
–Ei, cabeça de alga, não vá chorar – eu disse brincando.
–É claro, que não – disse bufando tentando se fazer de machão, mesmo com oito anos.
Entramos e sentamos no confortável sofá da sala, enquanto a tia Sally (mãe do Percy) servia chá e biscoitinhos de manteiga.
–Crianças, vão brincar um pouco no quintal enquanto conversamos – meu pai pediu.
–Claro – eu respondi já me levantando.
Caminhamos até o quintal, que era gigantesco, daria até para fazer um campo de futebol. Em um canto mais afastado havia uma casa na árvore, sempre brincávamos lá, principalmente com jogos de tabuleiro. Subimos, e sentamos cada um em um banquinho que tinha lá dentro.
–Você quase me matou de susto sabia? – Percy disse assim que nos acomodamos.
–Eu soube que você ficou preocupado – eu disse rindo – eu preciso te contar uma coisa.
–Pode falar — ele disse curioso.
Pensei mais uma vez se podia confiar nele, e conclui que era seguro, nós nos conhecemos desde sempre. Então respirei fundo e comecei a falar.
Contei tudo o que havia passado, desde ter seguido o coelho branco até sobre meu encontro com Absolem e o Chapeleiro e de como fui desaparecendo aos poucos. Ele não me interrompeu nenhum segundo, mas não pareceu acreditar muito na minha história, seu rosto entregava tudo.
–Annie, você bateu a cabeça, deve ter sido apenas um sonho.
–Não, foi não! – eu disse irritada e chateada – E eu posso provar.
Saímos escondidos pela porta de trás, e seguimos em direção ao bosque onde brincamos de esconde-esconde.
–Aonde você me achou? – perguntei.
Ele me levou até onde eu supostamente havia caído e encontrado o país das Maravilhas. E bem atrás da árvore estava a toca do coelho, assim que avistei dei vários passos para traz.
–O que foi Annie? – perguntou assustado.
–Foi até aqui que segui o coelho branco – respondi ofegante.
Ele olhou bem o local, chegando perto demais do buraco.
–Cuidado para você não cair – eu o avisei.
–Relaxa – ele disse como se zombasse de mim – aqui realmente tem uma toca de coelho, mas ela não deve ser tão funda a ponto de caber um país inteiro, você não concorda?
Refleti um pouco, e aquilo fazia sentido, mas eu sabia muito bem pelo que eu havia passado.
–Eu não sei como explicar, eu sei que foi real. Você é meu melhor amigo, devia acreditar em mim – eu disse na defensiva.
–Ok, por que não pulamos lá dentro e vemos quem tem razão – ele disse como se aquilo resolvesse tudo.
–Não! – eu gritei alarmada, puxando a manga de seu casaco – por favor, não faça isso, vamos para casa.
–Calma, vou ficar bem.
–Não faça isso! Se pular, nunca mais falo com você – tentei chantageá-lo.
–Tudo bem – disse derrotado – vamos embora.
Oito anos depois
Depois daquele dia, em que acordei do coma, fiquei um pouco viciada em histórias de submundo, e principalmente Alice no país das Maravilha, que descobri pouco tempo depois. Comprei todas as edições possíveis da história, passei horas pesquisando sobre a vida do autor e vendo filmes.
E é claro, junto com essa obsessão sobre isso, vieram os comentários de que eu estava ficando louca, até ouvi uma conversa de meu pai, dizendo que estava preocupado comigo. E apesar de tudo, Percy ficou do meu lado o tempo inteiro, como um bom amigo deve estar.
Aprendi a ser mais discreta com esses assuntos depois de um tempo, como se eu tivesse esquecido, ou superado. Acabei guardando tudo o que eu tinha sobre em quatro caixas grandes que olhava e estudava toda noite.
Enquanto estava no carro indo para a escola, fiquei pensando em o que faria depois da aula quando meu pai me chamou a atenção.
–Annabeth, esta me ouvindo? – ele perguntou aborrecido.
–O que? Desculpe – disse atrapalhada.
–Perguntei se ainda fica pensando naquelas bobagens de pais das Maravilhas – a pergunta me pegou de surpresa, mas respondi com a maior naturalidade.
–Claro que não – menti.
–Que bom, já está muito velha para esse tipo história – ele disse severamente.
Fiquei em silêncio, que ele tomou como assunto encerrado, já sabia a algum tempo que não podia contar com meu pai para esse tipo de assunto.
Fui pegar meus livros no meu armário quando fui abordada por Luke, um garoto do ultimo ano, bonito e popular, mas sem nenhum caráter.
–E ai gata? – ele disse perto demais.
–Oi – respondi seca e fechando a porta do meu armário, tentei sair andando, mas fui bloqueada por ele.
–Quer me encontrar atrás do ginásio depois da escola – ele disse com um sorriso malicioso.
–Não, obrigada – respondi, no mesmo tempo que bateu o sinal indicando o começo da minha primeira aula. O corredor logo já estava quase deserto – Se me der licença.
–Para que a pressa? – ele respondeu me agarrando, me puxou para um beijo que tentei escapar, mas ele é muito mais forte que eu.
Só escutei um “Deixa ela em paz” e no segundo seguinte Luke estava no chão sendo massacrado pelo Percy. Alguns professores chegaram apartando a briga, e eu estava em choque sem conseguir me mexer.
–Vocês três, para a diretoria – disse o professor de biologia.
Ele nos acompanhou até lá. Quando explicamos tudo ao diretor, ele nos deu uma semana de detenção, menos para Luke que levou uma suspenção.
Não vi mais meu amigo até o almoço, onde corri até ele e lhe dei um grande abraço.
–Obrigada por me salvar cabeça de alga – eu disse em seu ouvido.
–Pode sempre contar comigo, Sabidinha – ele respondeu carinhosamente.
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