Going Down For The Second Heartbeat
19 UK Festival
Notas iniciais
*Taylor’s POV
-Está tudo certo. –Tony entrou no meu quarto na manhã seguinte com a notícia. –Fiz uns contatos e eles tiraram a notícia do site e estão procurando por algo relacionado.
-Obrigada. –respondi simplesmente. Estava deitada de lado, olhando para a parede. Passei a manhã e o início da tarde inteira na cama, deste jeito.
Tony ainda não havia entrado no meu campo de visão.
-Vai me dizer que você está desse jeito por causa dessa notícia falsa? –ele me perguntou deitando ao meu lado.
-Não... um pouco, na verdade. Acho que acumulou. –ri sem humor.
Ele não disse mais nada por um tempo. Senti seu peso afundando levemente o colchão e em poucos segundos seus braços estavam ao meu redor.
-Só queria que algumas coisas fossem diferentes sabe?
-Tipo o que? –ele quis saber.
-Não sei direito. Só que às vezes sinto como se estivesse sempre fazendo as escolhas erradas, sempre fazendo bagunça na minha vida.
-Taylor baby, você ainda é jovem, ainda está se acostumando com a crueldade da vida.
-Não jogue os seus 29 anos de experiência na minha cara, ok? –ri um pouco e me virei de frente para ele. –E eu já provei o bastante da crueldade da vida, obrigada.
Rimos juntos embora não fosse exatamente engraçado. Eu, na verdade, poderia ter me irritado com seu comentário, pois me lembrou Matt falando toda aquela merda sobre eu ainda ser uma criança, mas era Tony aqui na minha frente.
-Vai ficar tudo bem. –ele falou.
-Eu sei. –menti.
Tinha esses dias que eu desacreditava um futuro bom. Não em relação a minha vida profissional; com essa seguiria mesmo se estivesse cantando apenas em bares. Falo em relação a minha vida pessoal. Qual é... rockstars também têm!
E isso era na verdade uma questão de dor e contradição pra mim. Eu via aqueles casais nas ruas, apenas de mãos dadas, e não podia evitar pensar o quão bom deveria ser ter alguém do seu lado daquele jeito; saber o gosto do “verdadeiro amor”.
Ok, momento de enjôo.
Ta aí uma coisa que eu não acredito: “verdadeiro amor” ou “amor para sempre”... Desculpem românticos de plantão, porém essas idéias soam fracas para mim.
Deve existir algo próximo o suficiente destes conceitos, entretanto. O problema é que eu não consigo me permitir acreditar cem por cento nisso. Tenho a impressão que sempre vai acabar em dor, não importa o que você faça ou com quem você se envolva num relacionamento sério. Por isso eu estou perfeitamente bem com os meus casos. Sem apego, sem confiança, sem dor. Claro que, eventualmente, o vazio era um preço a se pagar.
Acabei lembrando da conversa no bar com Brian:
-Você já pensou em dar uma chance a ele? –perguntou apontando a cabeça em direção a Tony.
-Quê?
-Anthony. Acho que ele realmente gosta de você.
Eu ri.
-Ele é meu empresário.
-Arrume outro. –ele disse simplesmente.
-Ele é muito bom no que faz. –respondi e ele deu um meio sorriso.
-Você não pode fugir pra sempre sabe? –Syn me olhava quase tristemente.
Franzi meu cenho.
-Amor é um caçador e ele não vai descansar até te achar.
-Uau, em qual caminhão você leu isso? –perguntei e ele riu.
-Infelizmente é a verdade, gata.
Voltei para o presente, onde um Tony sereno me encarava. Devo ter ficado em silêncio por uns longos minutos e ainda sim ele estava lá, me esperando.
Mas não. Eu não posso e não vou fazer isso. Há muita coisa em jogo, muita coisa mais importante do que minha vida pessoal.
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-Quais as outras bandas que tocarão no nosso dia? –Jamie perguntou curioso para Tony enquanto tomávamos café da manhã no dia seguinte.
-Halestorm é a primeira da noite, depois TPR e fecha com Paramore.
-Só? –Mark perguntou intrigado.
-Tem mais de um palco. Que nem acontece no Rock In Rio, por exemplo. –Tony explicou e Mark fez um som de entendimento.
-E quanto aos outros dias? –perguntei curiosa. –Começa depois de amanhã certo?
-Começa amanhã. Somos no segundo dia de festival. –ele explicava. –Infelizmente não sei das outras bandas... –eu podia jurar que vi divertimento cruzar seus olhos, porém me distraí com uma senhora que passava, cheia de tatuagens.
-Acho que vai ter Foo Fighters amanhã. –Tony voltou a falar e meus olhos brilharam.
-Vamos ter credenciais, não é mesmo? –Jamie fez a pergunta em minha mente.
-Claro. –ele riu. –Já está tudo certo.
-Yay! –dei um gritinho baixo de animação e os meninos me olharam e riram.
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Como era de se esperar o Foo Fighters foi demais. Também tocaram The Killers e outra banda britânica que eu não me dei o trabalho de perguntar quem era.
Estava ansiosa no meu camarim, terminando de me arrumar e aquecendo minha voz; Jamie balançava as baquetas descontroladamente, Mark ajeitava o cabelo e Ben fumava. Anthony parecia particularmente nervoso.
-O que houve? –perguntei.
-Grande público. –ele justificou.
-Boa sorte quanto subir no palco. –eu ri e ele me acompanhou.
Poucos minutos depois nos reunimos para a concentração pré-show.
-Está na hora gente. –Anthony falou abrindo a porta do camarim.
-Vamos lá! –Mark soltou.
-The Pretty Reckless! –gritamos juntos e viramos um copo de cerveja.
-Ganhei de novo! –bati meu copo na mesa de centro do cômodo.
-Tem alguma coisa errada nisso. –Mark zoou.
-Não há nada de errado. Hoje é a minha noite. –pisquei e sorri pra ele.
Entramos no palco e o frio que não estava no dia que encontramos aquelas fãs na rua estava hoje. A minha sorte é que eu não estava com as minhas sandálias altas e sim de bota, o que permitia maior mobilidade no palco. Comecei logo a me mexer para me esquentar.
Tínhamos acabado de tocar “Under The Water” uma das músicas novas que lançamos num EP e estava na hora do pequeno intervalo pra mim. Os meninos ficaram fazendo solos e eu rapidamente fui até a lateral esquerda do palco.
-Martha, traz a minha jaqueta, por favor? –pedi a mais nova integrante da nossa equipe, minha maquiadora, que saiu correndo em direção ao camarim. Bebi água e enxuguei um pouco do suor em meu rosto.
-Quer alguma coisa? –Tony me perguntou.
-Não obrigada. –respondi notando um tom de preocupação. -Aconteceu alguma coisa?
-Não, nada. –ele respondeu rápido demais. –Volta pra lá.
Eu sorri embora tenha ficado um pouco incomodada com aquilo. Tony estava o dia inteiro agindo de forma estranha. Ele não ia escapar de mim depois do show.
Coloquei a jaqueta quando Martha chegou e logo depois voltei para o palco.
Fechamos a noite com outra música nova, a “Hit Me Like a Man”. Agradeci a platéia e saí correndo para onde Tony e Martha estavam.
Andei olhando para os fios do chão com receio de tropeçar ou cair e acabei por esbarrar em Tony. Entretanto não foi a sua voz que me disse:
-Pensei que fosse para eu te acertar, não o contrário.
Notas finais
Coloquei a tradução da palavra "hit" no início só no caso de alguém não saber o que era :)
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