Gods World
11 Mundo Inferior
Notas iniciais
– Vocês precisam estar zoando com a minha cara! – Eu disse.
Estavamos parados na frente de uma porta de mármore negro com letras douradas, formando a frase: “ESTÚDIOS DE GRAVAÇÃO M.A.C”, e em baixo “PROIBIDA A ENTRADA DE ADVOGADOS, VAGABUNDOS E VIVENTES.
Leo deu risada.
– Eu pensei exatamente a mesma coisa.
– Depois que entrarmos, como vocês pretendem... Continuar? Quer dizer, ir realmente até o Mundo Inferior?
– Annabeth nos deu um presentinho. – Ele piscou, e então entrou.
No saguão tocava uma música ambiente suave. O carpete e as paredes eram cinza-chumbos. Cactos cresciam nos cantos como mãos-esqueletos. Os móveis eram de couro preto, e todos os assentos estavam ocupados. Ninguém se mexia, falava ou fazia algo. E eles eram meio que... Transparentes.
O balcão de segurança ficava acima de um degrau, e Leo teve que olhar para cima ao falar com o guarda. Ele era alto, tinha a pele cor de chocolate e um cabelo loiro, cortado em estilo militar.
– Com licença, senhor... – Leo parou por um momento, e leu o crachá. – Caronte.
– Ora, ora... O que temos aqui?! Mais semideuses vivos para ocuparem meu tempo?
– Nós queremos ir até o mundo inferior, senhor. – Piper disse, se aproximando. – E eu tenho certeza que o senhor vai nos levar até lá.
Quando ela falou me senti coberta por uma espécie de vontade de fazer qualquer coisa que ela mandasse, qualquer coisa mesmo.
– Não use seu charmezinho comigo, filha de Afrodite, ele não funciona. Além do mais, pessoas vivas não podem entrar no mundo inferior.
– Exatamente como Annabeth disse. – Leo gemeu.
Caronte pareceu ficar furioso.
– Vocês a conhecem! Vocês conhecem a amiga daquele semideus! Aquele que me prometeu um aumento! Ainda não recebi um centavo a mais, nadinha de nada, para poder comprar meu paletó de seda italiana!
– Então é seu dia de sorte! – Nyssa disse, se aproximando de Leo. – Você quer um desses? Pois eu tenho um desses, bem aqui na minha mala... Talvez, se você nos deixasse entrar, eu o entregasse para você...
Os olhos dele brilharam.
– Mas não é que o barco acabou de chegar? Vamos, meus amigos, vamos!
Ele abriu a porta do elevador e esperou enquanto entrávamos. Quando eu fui passar, ele me parou.
– Essa aqui não pode entrar.
Eu olhei Leo assustada.
– Não posso? Como não posso?
– Você é uma mortal, não pode.
Nyssa saiu do elevador.
– Se você a deixar vir conosco, eu posso aumentar para dois paletós!
Ele pensou por um momento e depois deu de ombros.
– Tudo bem, pode entrar. Mas se morrer, não vai gostar de como vai voltar aqui.
Eu estremeci e entrei no elevador. Ele fechou as portas e enfiou um cartão-chave em uma fenda no painel do elevador, e então começamos a descer. Nyssa abriu a mochila que Afrodite nos havia entregado, tirou dois paletós e os entregou para Caronte.
De repente, começamos a ir para a frente, e tudo a minha volta mudou. Os espíritos à minha volta passaram a usar mantos pretos com capuz, inclusive Caronte. No lugar onde deveriam estar seus olhos, haviam órbitas vazias, e eram totalmente escuros, cheios de trevas, noite e desespero. Então o elevador se transformou em uma espécie de barco, e Caronte segurava uma espécie de vara para nos mover. O rio em que nos movíamos era escuro, cheio de óleo, com ossos de peixes, bonecas, diplomas e outras coisas do tipo.
– Esse é o Rio Styx? – Jason perguntou, depois de um momento.
– Ele é poluído, não? Há milhares de anos, quando vocês o atravessam, jogam nele sonhos perdidos, esperanças, desejos...
Eu tremia, não sei se de medo ou se de frio, mas acho que os dois. Cada metro que atravessávamos, eu me encolhia mais. Depois de um tempo Leo me abraçou.
– Hey, — ele sussurrou. – Está tudo bem, pequena, eu estou aqui.
Retribui o abraço por alguns segundos e o soltei. Aquele abraço me fez lembrar do que pensei hoje de manhã, sobre não ter tanta certeza do que sentia sobre Leo. Me fez lembrar de Jake.
Nós paramos sobre uma areia preta e todos começaram a desembarcar.
Mais a frente estravam três entradas separadas embaixo de um arco negro que dizia “VOCÊ ESTÁ ENTRANDO EM ÉREBO”. Os mortos formavam três filas nessas entradas. Duas identificadas como Atendente de Serviço e uma como Morte Expressa. A última fila avançava sem parar, mas as outras duas se arrastavam.
— Para onde vamos agora? – Piper perguntou.
– Meu irmão deve estar no Elísio. Ele tem que estar no Elísio. – Nyssa disse.
– Então vamos para o Elísio. – Leo disse, pegando minha mão e me puxando em direção a um lugar fantástico. Tudo nele era verde e florido. Se eu tivesse que descrever o Paraíso, descreveria assim.
Nós perguntávamos para cada pessoa que víamos onde estava Petrick Blanck. Por fim uma menina de uns 13 anos conseguiu nos responder.
– Petrick Blanck não está aqui.
– E onde ele está? Você sabe?
Ela fechou os olhos com força.
– Não consigo... Me lembrar... Eu vi, eu sei onde. Mas não me lembro.
– Qual é seu nome?
Ela franziu o cenho.
– Zara, eu acho...
– Tudo bem, Zara. – Leo disse, sentando-a no chão, e se sentando ao seu lado. – Faça uma forcinha... Nós precisamos acha-lo.
– Três meninas... Semideusas... Amaldiçoadas... – Cada palavra que ela dizia parecia causar mais dor. – Elas sabem...
– Quem são elas? Onde elas estão? – Nyssa perguntou, chacoalhando a menina.
Zara levantou os olhos, mas ao invés de olhar Nyssa, olhou além dela – E gritou.
E então fomos atacados.
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