Godness Issues
2 Capítulo 2
Rezou por quase uma hora, e como sempre, nenhuma resposta fora envida. Era como se ela fosse invisível aos olhos dos deuses. Ela se levantou e olhou para a cama vazia de sua amiga morta. De pijama mesmo, foi tomar café da manhã. Todos os meninos e meninas estavam presentes na mesa, alguns comendo enquanto choravam baixinho e outros apenas brincando com a comida. Quando Ulyaa se dirigia a mesa, todos olharam para ela com preocupação nos olhos. Ela logo entendeu o porquê. Eles sabiam que se um deus não respondesse logo ela estaria morta em cinco dias, e depois do que passaram, eles não podiam perder mais uma amiga.
— Não se preocupem— falou Ulyaa em um tom sério— se não foi hoje que eles responderam, vai ser amanhã. É só ter fé— ela aparentou firme e segura do que estava falando, mas por dentro ela não tinha tanta certeza.
— Todos nós temos rezado aos deuses por meses, para que algum a tenha como aprendiz, mas isso nada ajudou. Você continua na mesma situação de sempre. Por isso eu preciso falar com você depois— falou Felipe, o mais velho dos homens, porém era um ano mais novo que Ulyaa, agora a mais velha das mulheres.
— Tudo bem, tudo bem. Mas agora precisamos comer. Hoje vai ser um dia duro. Nós perdemos uma grande amiga, mas nem por isso a Sra. Thiaph ou as famílias que iremos hoje vão pegar leve com a gente, ou nos tratar de uma forma especial. Nós vamos ser fortes, e tentar ser felizes, pois assim estaremos agradando o espírito de Alicia— Alícia era a líder de todos, pois ela ara a mais velha, só tinha 19 anos, mas era muito sábia. E agora Ulyaa tinha que assumir esse papel— Eu quero que todos comam o quanto puder, e encarem o dia com firmeza, é tudo que eu peço.
Alguns acenaram com a cabeça, os gêmeos disseram “sim” ao mesmo tempo. E assim voltaram a comer o pão e o mingau de sempre. Depois do café, Ulyaa tomou banho e colocou o antigo vestido vermelho. Ela foi para a sala dos trabalhos onde era iluminada por besouros e lagartixas, os trabalhos disponíveis estavam grudados em um quadro na parede oposta a porta. Felipe foi atrás dela e a puxou para um canto.
— Eu andei fazendo algumas pesquisas— cochichou ele em seu ouvido. Felipe é muito inteligente, tinha cabelos castanhos e olhos igualmente castanhos. Seus traços eram bonitos, mas pelo o fato de Ulyaa o considerar como um irmão, ela nem via mais isso. — tem um conto antigo na biblioteca em que eu trabalho. Nesse conto há um evento muito estranho: os deuses sangram— olhando para Ulyaa com expectativa ele continuou— por isso eu pensei, e fiz os cálculos. Esse livro fora escrito antes da Grande Censura Divina, e quando a censura aconteceu, vários exemplares foram queimados. Eu fico imaginando se esse fato é realmente verdade. Se for.... seus problemas terão acabado.
— Felipe, eu ainda não estou entendendo, como isso vai me ajudar?
— Os deuses sempre buscam o poder, se você mostrar-se capaz de ferir pelo menos um ser poderoso, os deuses vão ver que você seria uma peça indispensável. E nem tente negar Ulyaa, eu sei que você é boa na luta de espada. Quando seu pai ainda era vivo ele não treinava você?
— Sim, é verdade. O problema é que eu não sei se eu me lembro das técnicas, faz muito tempo que eu não toco uma espada. E eu nem tenho uma, como eu posso mostrar meu potencial de mãos vazias?
— Pegue isso— entregou para ela um papel de trabalho que havia sido retirado do quadro— esse trabalho exige que você limpe a casa do jovem lorde Staus. Eu já fui lá antes, Ulyaa. Tem muitas armas, muitas mesmo. Nenhum homem tão jovem conseguiria ter o controle de todas. Eu te peço Ulyaa: roube uma arma do lorde Staus!
— Mas como eu farei para provar alguma coisa para os deuses, se eu não tenho a mínima ideia de como falar com eles? Minhas preces não funcionam!
— Pode deixar isso comigo Ulyaa, por enquanto só se preocupe em roubar uma espada. E vamos manter essa conversa em segredo— Ela acenou com a cabeça.
Enquanto caminhava entre os túneis que levavam às casas mais chiques, que ficavam mais no topo da árvore, Ulyaa tremia de nervosismo. Ela sabia as consequências de um roubo: a perda das mãos. Mas se isso significasse que tinha uma chance de sobreviver, ela faria de tudo para conseguir.
Quando chegou ao endereço que constava no papel, ela bateu três vezes na porta. Um mordomo abriu a porta, ela se apresentou e entregou o papel que pegou no orfanato. O mordomo sinalizou para que ela entrasse. Ele a conduziu para a cozinha e falou:
— Lorde Staus deseja que você limpe a sala de jantar e a sala de estar— o mordomo sinalizou para um monte de poções e materiais de limpeza— use isso para fazer seu trabalho.
O mordomo esperou ela pegar os materiais de limpeza e a conduziu pela colossal mansão do seu amo. Enquanto passavam pelos cômodos, ele fazia um comentário sobre a função e o nome do cômodo. Ulyaa nunca tinha limpado aquela casa, e por isso ela pode afirmar que era a casa mais bonita que ela havia visto em toda a sua vida. Cada teto de cada cômodo a surpreendia com belíssimas imagens em movimento. Os móveis eram chiques e eles combinavam perfeitamente com a decoração dos seus respectivos cômodos. Eles passaram pela sala de armas, era imensa, tinha duas poltronas, uma de frente para outra, e sob elas havia um tapete branco. As paredes da sala de arma faziam jus ao nome do cômodo, nelas haviam estantes e mais estantes de vidro contendo espadas, adagas, arcos, machados de guerra, chicotes e outros armamentos que Ulyaa nunca tinha visto na vida.
Depois de passar por mais dois outros cômodos o mordomo finalmente parou. A sala tinha uma imensa mesa de madeira, com vinte e duas cadeiras. Tinha flores em jarros por quase toda a mesa, havia duas grandes janelas com cortinas. Ulyaa correu para olhar, não haviam janelas no orfanato, pois os pobres ficavam na parte interna da arvore colossal. A vista era linda, ela podia ver a sombra que a grande árvore projetava no chão, os rios, e pequenas árvores, que mais pareciam com pequenos besouros por causa da altura que ela estava. O mordomo limpou a garganta, fazendo com que ela se virasse para ele.
— Essa é a sala de jantar, ela é a sede dos grandes banquetes que tem nessa vila. Pode ficar à vontade para limpar, a sala de estar é bem do lado desta, então você não terá dificuldades para encontrar. Vou lhe deixar à sós agora, adeus.
— Adeus.
Ulyaa começou a limpar enquanto o mordomo se dirigia a porta, por que ela tinha que manter o disfarce. Quando ela não podia mais ouvir os passos do mordomo ela se dirigiu a sala de armas, pelo caminho que havia decorado rapidamente. Ao chegar à sala ela foi direto para a estante de espadas, deu uma olhadela ao redor da sala, e voltou sua atenção para achar uma espada.
Seus olhos logo se depararam em uma espada com uma bainha cravejada em diamantes. Que lindo! Ela tirou a espada de sua bainha e percebeu o quanto a espada era leve. É como se fosse feita para mim. Ela começou a manejar a espada pelo quarto para ver se ela levaria essa mesma.
— Eu também amo essa espada.
Com um grito ela se virou rapidamente para o ponto onde a voz tinha surgido. Era de uma das poltronas. Nela estava sentado um jovem de 21 anos com olhos azuis e com os cabelos negros, sinal que era um abençoado pela morte, seus trajes eram chiques e finos, usava luvas brancas e um terno que só a elite usava. Só poderia ser uma pessoa: Lorde Staus, estou fadada! Ela caiu sobre os seus próprios joelhos. Ele abaixou o livro que estava lendo, se levantou e foi em direção de Ulyaa.
O pobre coração dela estava sambando dentro do seu corpo, ela queria chorar, mas tinha que permanecer firme. O homem esbanjava poder, só a presença dele fazia com que ela ficasse com medo. Ela odiava essa sensação.
— Você está bem? —falou o homem mais poderoso da vila, oferecendo a sua mão para Ulyaa. Ele a levantou. — gostei da sua técnica com a espada, você é muito boa! Venha. — ele pegou uma espada de uma das estantes— pratique comigo!
Ela ficou impressionada com o modo como ele praticamente ordenou o que ela tinha que fazer. Ela guardou a espada que estava segurando na bainha e a colocou gentilmente na estante de onde ela a havia pegado.
— Desculpe meu Lorde. Eu tenho muito trabalho a fazer, se me der licença voltarei a realizar as minhas obrigações— Ulyaa tentou demonstrar que falava a verdade, mas mesmo assim tinha a sensação de que ele não havia engolido a mentira que contara. Um frio percorria pela barriga de Ulyaa, ela tentava calcular cada expressão de seu rosto, escondendo o medo desesperadamente, mas mesmo assim suas mãos tremiam, sinalizando a mentira – O senhor não teria outra coisa melhor para fazer também? – não conseguiu manter sua postura, demostrando um pouco de raiva no timbre da sua voz, para ela aquela maneira esnobe, que deparava-se várias vezes em diversas casa, era a pior coisa que tinha que enfrentar.
— Você é muito corajosa ao falar desse jeito comigo, e para sua informação ter maestria em todas as artes da espada é também uma das minhas obrigações, eu mantenho essa vila a salvo. Por favor, me ajude a proteger onde vivemos, vamos praticar juntos? — ele deu um sorriso de divertimento.
— Eu realmente não posso, tenho que limpar sua sala de jantar e de estar. Nós órfãos não podemos procrastinar no trabalho.
— Eu sei que você acha que não vai ganhar nada com isso, mas eu vi o seu jeito com a espada, faz muito tempo que não luto com alguém bom. E eu posso te dar um pagamento bom, você poderá até ganhar aquela espada que você estava segurando – essa é minha chance, pensou Ulyaa
Ulyaa pegou a espada de diamante da estante, e a tirou da bainha. Nunca havia treinado com uma espada de verdade com outra pessoa, ela estava animada como nunca. Fez a pose número 1 do livro da Arte das Espadas.
— Vamos? — Ulyaa falou o desafiando. Ambos sorriram, e assim começaram.
Ele avançou rápido como o vento, com a lâmina da espada brilhando a sua frente. Ela defendeu o ataque deferindo um golpe logo em seguida, que ele defendeu de modo impressionantemente rápido. Ele avançou. Ulyaa se sentia pressionada, teve que recuar até não poder mais. Ele é muito rápido. Lorde Staus a desarmou, e colocou a ponta da espada apontando para o coração de Ulyaa. Ela havia perdido.
— Nossa! Fazia muito tempo que eu não me divertia assim— falou o Lorde com um sorriso no rosto.
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