Notas iniciais
Minha primeira fic, sejam bons :)

Gostei muito de escrever sobre esse mundo, espero que gostem. Qualquer opinião é aceita.

O suor fazia com que o seu cabelo grudasse na sua nuca. Seu joelho doía, pois ele se apoiava desconfortavelmente ao chão. O quarto estava silencioso, com exceção do balbuciar das palavras divinas que ela conhecia tão bem. Ela precisava se concentrar, seu futuro dependia desse acontecimento. Sua vida estava à mercê das decisões dos deuses, e ela nada podia fazer fora rezar. Ulyaa ficou despontada, nenhuma resposta havia chegado por nenhum dos deuses.

Havia ficado na mesma posição por duas horas consecutivas, o café da manhã já devia estar servido há muito tempo. Dando uma olhada rápida no quarto, pôde ver as dez camas distribuídas da maneira de sempre e Alicia deitada numa dessas camas, ela ainda dormia, um sono forte e pesado. Não seria Ulyaa quem iria tirar ela do mundo dos sonhos.

No orfanato onde Ulyaa morava tinha duas alas, a ala feminina e a masculina. No total tinha 19 órfãos, dez mulheres e nove homens. Todos viviam com medo, pois os órfãos são as vítimas preferidas dos deuses. Ninguém iria sentir falta deles se por acaso os deuses os matassem. Dentre todos que viviam no orfanato, Ulyaa era a única abençoada pela morte. Isso significava que se ela tivesse um deus como mentor, ela poderia viver mais do que todo mundo, até uns 100 anos de vida ou mais. O problema é que se ela não tivesse um mentor, ela morreria quando completasse 18 anos. Esses abençoados que morriam desse jeito tinham um belo apelido, eles eram chamados de “lixo dos deuses”.

Ulyaa tinha quase certeza que era classificada como lixo pelos deuses, pois seu aniversário já estava chegando, e nenhum deus tinham a aceitado como aprendiz. Sua esperança já estava no limite. Mas desistir estava fora de cogitação, ela prometera às crianças do orfanato que iria ser forte, e que rezaria aos deuses todos os malditos dias. E assim ela fez.

Se levantou com dificuldade da sua posição de reza. Pegou um vestido velho do baú que ficava em frente a sua cama. Foi andando em direção ao banheiro que dividia com outras nove meninas, o que fazia dele a parte mais caótica do seu mundinho. Quando abriu a porta de madeira, um cheiro horrível invadiu o quarto. Era ruim o bastante para acordar qualquer um, com esse pensamento na cabeça, Ulyaa se virou culpada para ver se havia acordado a pobre Alicia. Para o seu alivio ela continuava inerte como uma pedra.

Prendeu a respiração e entrou no banheiro, que se constituía em dois compartimentos de fezes e urina, e uma ducha. Ela se despiu correndo e entrou na ducha, logo acionando a válvula que liberava a água. Ela gritou quando a água fria caiu em sua cabeça, mas permaneceu debaixo da corrente de água. Lavou seu corpo e seus cabelos, respirou enquanto se ensaboava, pois o sabão conseguia mascarar o cheiro desagradável. Pegou a toalha que tinha o seu nome escrito e se secou rapidamente. Ela já alocava perfeitamente o raro ar que conseguia em todas as atividades dentro daquele banheiro, é isso que eu chamo de anos de prática, pensou ela.

Colocou as partes de baixo, pegou uma escova de cabelo mais próxima e o vestido que ela havia separado mais cedo. E saiu do banheiro, onde ela poderia finalmente respirar. Abotoou o vestido velho e vermelho, escovou seus cabelos longos e negros, um sinal da morte. Finalmente estava pronta para tomar o café. Saiu do quarto pela porta que dava na sala de jantar, como ela havia imaginado, não havia ninguém a mesa, eles já devem ter começado seus afazeres. Pegou um prato e serviu do mingau que já estava frio e um pedaço de pão duro para acompanhar.

Estava comento tranquilamente quando foi interrompida pela senhora Thiaph, a responsável da vila pelos órfãos. Ela fazia o favor de fazer a vida de todos daquele lugar ser uma grande miséria.

— Ulyaa, o que a “vossa alteza” acha que está fazendo? — Sra. Thiaph falou com o seu sarcasmo de sempre— quase todo mundo foi servir a uma família e você ainda está aqui! TOMANDO CAFÉ! Você não é uma princesinha! Você é uma inútil! Vai lá pegar um trabalho, senão você vai ficar sem ver comida até o seu aniversário! Mas onde está a droga da Alícia?

— Eu... eu não sei— Ulyaa mentiu, ela não podia entregar a sua amiga.

— Eu vou ver se ela está na ala das meninas, e você trate de tomar jeito! — A senhora se virou em direção da porta da ala feminina. Correndo, Ulyaa segurou seu braço.

— Mas... — tentou defender sua amiga, mas logo recebeu um tapa na cara da Sra. Simpatia.

— Menina metida, trate de fazer o que eu mandei! AGORA! Se não a sua amiga que vai sofrer as consequências.

Sem outra escolha, Ulyaa se virou em direção à porta que levava à sala de trabalhos. Olhando para traz ela viu a responsável pelo orfanato entrar gritando na ala feminina. Coitada da Alícia, a abençoada pela morte pensou se sentindo completamente impotente. Já estava entrando na sala de trabalhos quando um grito ecoou por todo o orfanato.

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Alícia havia sido levada pelos deuses. As lágrimas nos olhos de Ulyaa estavam impedindo a visão da sua amiga morta. Ela se lembrou de todos os momentos que passara com Alícia, toda aquela história que ela e a amiga inventaram sobre o mundo fora daquela vila e das paredes brancas e encardidas do orfanato.

Raiva e tristeza eram as únicas coisas que ela sentira naquele dia. Ao servir a uma família durante a manhã e à tarde tudo que ela queria fazer era fugir dessas obrigações e seguir o sonho que compartilhava com a amiga morta. Mas ela não podia, pois as leis dos homens não permitem, e os órfãos eram sempre monitorados. Afinal ninguém mais podia viver sem esses pequenos servos, eles são uma mão-de-obra importante para toda a vila e de suma importância para os deuses. E, além disso, para dificultar e frustrar os sonhos de Uylaa, a vila ficava no tronco de uma árvore de 400 metros de altura, fugir dali não era nada fácil.

Todos os meninos e meninas do orfanato se encontravam ao lado do corpo inerte que algum dia pertencera a amiga de todos aqueles que estavam presentes na sua “cerimônia do adeus”. A noite havia chegado, mas não havia trago a tranquilidade. Os besouros luminosos preenchiam a sala, parecendo as estrelas que um dia Uylaa lera em um livro. Dois abençoados pela morte estavam recitando uma prece, enquanto outro espalhava fumaça divina ao redor do corpo morto.

Quando o corpo entrava em contato com a fumaça, ele se despedaçava e se transformava em pó. O pó foi gentilmente transferido para um recipiente de madeira que depois ia servir de oferenda aos deuses. Adeus Alícia, você foi uma grande amiga. As lágrimas corriam pelo rosto, ela estava com problemas para respirar, ela não conseguiu se conter, mesmo tendo que ser forte pelos mais novos, ela não conseguiu. Abraçou Jiaa e Adam, os mais novos da trupe, com esperança de que isso fosse o bastante para esconder suas lágrimas.

Os abençoados pela morte que estavam realizando a cerimônia começaram a cantar. Isso só podia sinalizar uma coisa: a oferenda estava começando. Ulyaa e todos os meninos e meninas do orfanato sabiam exatamente o que iria acontecer, pois eles já haviam ido a cerimonias do adeus antes, e nunca se esqueceram como era. Os besouros luminosos começaram a ficar agitado, eles começaram a dançar em círculo ao redor da sala, enquanto isso, as suas cores iam mudando. O recipiente da Alícia foi colocado no centro da cama de defunto. Um dos abençoados pela morte ateou fogo no recipiente com a sua própria mão. Eles são mesmo poderosos.

As chamas começaram vermelhas, e depois mudaram de cor conforme os padrões dos besouros. E todos os presentes falaram “adeus” em uníssono, jogando uma coisa que lembrava a morta no centro do fogo. Ulyaa jogou um diário antigo de aventura. Cada amigo jogou algo: um livro, algumas cartas, um brinquedo antigo, um repolho (Ulyaa estava muito curiosa sobre o “por quê”), desenhos. E assim a “cerimônia do adeus” se encerrou.

Notas finais
Esperam que tenham gostado desse mundo :)

Mais informações só no próximo capítulo hehe.

Adios Muchachos