Olhei horrorizada para o grande aglomerado cheio de pus nas costas de Alex. Se pudesse, ou conseguisse, teria vomitado as tripas ali mesmo. Tentei colocar o dedo, mas, a qualquer toque, Alex se retraia feito uma cobra e se desvencilhava.

– Está muito ruim, não é? — indagou. Ele começou a andar pela caverna desgovernado, passando várias vezes pelo mesmo lugar. Seu rosto estava cheio de suor, os olhos vermelhos, e ele estava corado até parecer um tomate ambulante.

– Nãooo... — menti, mas para mim mesma do que para ele, porque se algo acontecesse, não importa o quanto grave, eu nunca iria me perdoar por trazer ele para essa enrascada.

Estávamos na parte mais escura da caverna, mas ainda sim, conseguíamos enxergar excepcionalmente um ao outro. E eu podia o ver morrendo. Por Deus! Ele não vai morrer!

Não. Recuso-me.

– Alex, fofo, porque você não deita um pouco? Assim dá tempo ao tempo. Veremos como sua ferida lidará. Ok. — bati no chão ao meu lado — Pode deitar no meu colo.

Após deitar na minha colcha, eu afaguei seus cabelos castanhos brincando com ele, os enrolei nos dedos, e ele deu risada. Morna e engasgada. Meu Deus, por favor, não tire ele de mim antes da hora.

– Não se preocupe comigo. — ele sorriu, brincando com meu dedo sem ao menos se dar conta. — Vou ficar bem. É só uma mordidinha. Nem dói tanto... — então como para provar o contrário, ele gemeu e se contorceu no meu colo. Seus olhos verdes estavam cada vez mais vermelhos.

– Por favor... — balbuciei, o balancei apertando-o contra o peito. — Não me deixe.

– Jane, querida, eu posso quase estar morrendo, mas ainda sou homem, e você me dar acesso aos seus peitos só faz minha mente achar outra forma de ficar doente no futuro. — ele brincou meio engasgando. — Não chore, por favor, lembra que é minha garotinha forte! E não quero mais lágrimas caindo dos seus belos olhos azuis! Entendeu?

Bom, se ele tiver esse tal futuro, eu ficaria orgulhosa.

Apalpei sua pele cheia de suor. Não havia percebido que estava chorando.

– Você não está quase morrendo, porra! E é bom controlar seus impulsos masculinos, certo? — trovejei, jogando os braços para cima — Sabe o que eu estava lembrando agora pouco?

– Que sou incrivelmente irresistível.

– Não. Estava lembrando-se do nosso primeiro beijo... E então fomos atacados. — solucei.

– Você sabe como confortar homens antes deles morrerem, sabia. E sobre o beijo de agora, hein?

– Não é seu fim, bobão. Não vai ter seu último beijo. Com a última garota. E não vai morrer!

– Você fala como se eu escolhesse alguma outra garota que não fosse tu. — indagou.

Pronto! Agora posso abrir o maior berreiro, e ainda sair toda sentimental.

Ele estava prestes a fechar os olhos para me deixar quando me inclinei o máximo pra frente que deu, então num gesto desesperado, o beijei.

Ele soltou um suspiro antes de apagar. Eu bati. Chacoalhei. Soquei. E não tive nenhuma reação da sua parte. Com os olhos cheios de lágrimas contemplei seu rosto corado enquanto sua respiração ia ficando mais fraca a cada segundo. Girei seu corpo até ficar de frente com o machucado. Gente! Por que ele? Não poderiam ter me picado? Qual é o problema comigo?

Ele não vai morrer.

Enfiei os dedos dentro da sua calça verde procurando algo que sabia já estar lá, tateei o bolso e achei o canivete suíço que ele costumava esconder quando éramos pequenos, ele cismava que era um meio de proteger-me dos garotos com "más intenções". E isso até que funcionou. Por um tempo. Só que aí ele me deixou, mudou de casa, morou dois anos no apartamento com seu melhor amigo, Peter, e consequentemente sumiu da minha vida. Assim como previsto depois daquele beijo.

Queria poder ter mais tempo com ele.
Ele voltou assim que soube da nossa viagem, se ofereceu como meu guarda costas particular, e então nosso clima mais ameno prevaleceu. Ainda suspeito que ele só queira fazer alpinismo nas montanhas perto do chalé, que era para onde estávamos indo. Mas isso não importa agora. Só o que quero é tirá-lo dessa enrascada e sobreviver.

Nunca ninguém me deu aulas como limpar ferimentos de aranha, nem se poderia ao menos cortar, sabe, para limpar — e deixar a coisa mais bonita, — então terei que improvisar. Mesmo que isso esteja colocando a vida dele em risco. Com o dedo indicador saquei a lâmina, ele quase cortou meu dedo, era tão brilhante!

Água! Eu preciso de água. Mas não tenho água. Droga. Vou matar Natacha assim que vê-la. Se ela acha que me enfiar dentro de uma caverna cheia de aranhas mutantes vai fazer com que minha mente aceite esse papo de Deuses. Há. Nem faz ideia de como uma mulher pode ficar furiosa quando seu melhor amigo-irmão está em perigo de morte. Tô soltando fogo pelas orelhas!

Pensar não vai me ser útil. Apenas corte. Fechei os olhos e mansamente, o mais fraca que consegui, apertei a faca sobre sua ferida. Um líquido ácido bateu nos meus dedos. Gritei me afastando, pulei para trás com força, então abri os olhos e ouvi Alex gritando em agonia. O som era insuportável. Eu fiz errado. Fiz alguma coisa completamente errada, e agora ele está pagando por isso.

– Alex. Alex. — me ajoelhei tentando fazer ele abrir os olhos. Ele os mantinha apertados com força enquanto urrava de dor. Estava de costas, por isso não consegui ver se o ferimento abriu por inteiro ou se o estava ferindo ainda mais. — Alex, por favor. Me deixe ver. — implorei.

Não liguei para dor alucinante que vinhas dos dedos. Não ligava nem um pouco para mim. Só queria o fazer parar de gritar. Peguei sua mão com força a apertando contra meu rosto com força, as lágrimas já borravam minha visão, e eu gritava por ajuda mesmo sabendo que ninguém viria ao seu socorro.

Passei as próximas horas escutando ele gritando e se debatendo. Ele gritava por mim. E eu não podia fazer nada! Estava impotente diante da sua dor. Quando finalmente apagou novamente, eu estava tão cansada, que com sua mão como travesseiro deitei no chão e dormi. Claro, ter chorado litros deve ter ajudado no processo.

No instante que acordei senti a falta do seu toque, poderia sentir isso de longe. Levantei rapidamente analisando a caverna de onde estava. Não o encontrei em lugar nenhum, suponho que poderia ter ficado bem e ido atrás de água. Talvez estivesse com cede! Caramba, e se ele estiver bem? Essa possibilidade é tão grande quanto uma latinha de milho seco. Meleca.

Coloquei as mãos na boca ampliando o som, que ecoou por toda a caverna.

– Alex! Onde você está?

– Creio que esteja falando do seu amiguinho. Certo? — uma voz sedutora falou atrás de mim.

Entornei e vi um homem alto sentado em algo invisível, ele estava me olhando com intensidade e... bom... Tinha olhos vermelhos. Era dono de belos cabelos negros que lhe cobriam parte da testa e um sorriso travesso nos lábios. Algo nele me parecia familiar. Mas não consegui identificar o quê.

– Onde ele está? — eu disse entre dentes.

O homem bufou.

– Não adianta nada ficar bravinha comigo. Sou só um conselheiro. — estalou os dedos.

– Eu não quero concelho porcaria nenhuma! Onde Alex está?

– Que garotinha fascinante. Mesmo com seus dedos queimando no pior veneno de aranha já criado em Godlin, você só se preocupa com aquele homem mortal. Diga aí, acha mesmo que vai sobreviver durante o resto de dia? Anda lá.

– Meus dedos? — tinha uma vaga lembrança de eles terem se ferido durante o corte de Alex, mas não era tão ruim assim. Porra! A pele por cima da ponta dos meus dedos estavam quase descascando de tão vermelha, cheias de bolinhas protuberantes.

Não! Isso não importa agora, pensei decidida.

– Entende meu problema? Estou tão dividido... — murmurou pensativo — Quer a cura para você? Ou para o homem mortal?

Nem hesitei ao responder.

– Para ele.

– Eu não quero dar pra ele. Você parece bem mais propensa ao triunfo. Talvez um acordo... — ele tamborilou os lábios. Então estalou a língua — Já sei! — levantou. Por Deus! Esse homem é gigante! — Para salvar seu amado mortal, Jane Lovely, está disposta a fazer um acordo com o diabo?

– Que tipo de acordo? — enfatizei.

– Prazer, meu amor. Meu nome é Loki. — se gabou — Mas conhecido como Deus do fogo.

Franzi o cenho antes de cair na maior gargalhada sarcástica que já proferi na vida.

– E eu sou o zoboomafoo. — bufei.

– Eu não sei o que quer dizer com isso, senhorita. Porém, posso contemplar seu estado de euforia por causa do choque. E por minha beleza interminável. — acrescentou todo convencido. Tá, se não fosse a grande barreira da sanidade dividindo meus pensamentos, poderia considerar a possibilidade de ser verdade.

– Loki — gargalhei — Deus das travessuras, trapaça, é arrogante, e muito perigoso.

– Deus do sexo. — afirmou e olhou para mim de maneira engraçada. Ele parece um bom homem, se tirar seus olhos vermelhos, sua cara até que é simpática.

– Casado... — lembrei.

– Ele nem sempre precisa saber de tudo. — me informou.

– Tem filhos! Se não me engano, seu filho cobra matou seu irmão de sangue. Perai, o irmão de sangue de Loki.

Ele trincou a clavícula.

– Eu sou filho adotivo de Odin e irmão de sangue de Thor. Fizemos um pacto de sangue a tanto tempo. — ele suspirou passando os dedos pelo cabelo — Mas Thor não está morto, apenas perdido.

Pelo tom da luz na caverna dava para ver que já escurecia, tinha de encontrar Alex antes de tudo ficar escuro.

– Eu não quero saber sobre quem você pensa que é. Quero o Alex, e agora! — bati o pé no chão.

– Sabe o que mais sei fazer? — ele sussurrou andando até mim, pegou minha mão e rodopiou até estar atrás dele. — Eu sou um estrategista. — seu hálito quente bateu na minha orelha — e não vou deixar você sair daqui até que... — ele inspirou fundo — temos um acordo.

– Quem garante que tem essa tal cura? E se estiver mentindo? Conheço seus fetiches.

– Um beijo. — sussurrou na minha nuca.

– O que? Nunca. — e me afasto.

Eu sei que não devo nada ao Alex. Não sou sua namorada. Mas beijar outra pessoa parece errado, incerto, e eu não quero. Mesmo com "Loki" sendo alguém bastante atraente para um gigante.

– Não, bobinha, estou dizendo que me beijando vou poder mostrar que pode confiar em mim.

– Então vai me seduzir.

– Bom, sim, e não. Você é seduzível?

– Nem tente me beijar. Ou vou te dar um soco na cara. Loki. — ameacei dando dois passos para trás. Não sou boa em luta, e não estou a fim de testar minha força ainda. Por isso, se ele se aproximar demais, vou usar a faca para me defender.

– Que mulher. — ele passou o dedo indicador na minha bochecha delicadamente — Sou excêntrico em acha que você faria qualquer coisa pelo mortal?

E foi quando ele me beijou num gesto rude. Eu me senti sendo puxada para a escuridão indômita e infinita. Tentei afastá-lo com as mãos, mas ele segurou minhas costas e se prontificou em cima de mim. Depois tudo ficou negro.

A noite ficava cada vez mais escura em Godlin quando Loki encontrou a pequena janela do sexto andar do grande castelo, ele se iludiu incerto, sobre o que estava fazendo ali de verdade. Apesar de no fundo ter certeza que já sabia a mais tempo que se permitia admitir, ele tentava fazer sua mente desviar-se para qualquer jogo ou trapaça que lhe vinham na cabeça. Tudo parecia tão incompleto.

Ele não entendia esse sentimento que crescia dentro de si, por mais que tenha consultado todos os curandeiros de Asgard e tenha falado com Odin sobre isso, tudo em seu mundo se resumia a Godlin. E isso era tão errado para um Deus. Nem que, sendo o que era, um Deus da trapaça, poderia ter certeza do que acontecia. E tinha seu irmão!

Ele não se importaria se apenas eu a observa-se... Um pouco, pensou ele com um sorriso no canto da boca.

Loki entrou sorrateiramente dentro do quarto com poucos lampejos de luz da lua. Ela jazia deitada na cama cheia de mimos, era tão bonita, tão delicada, doce. Tudo o que vinha a sua mente era sobre ela nos últimos tempos, ele havia tentado se convencer que isso era apenas mais uma de suas travessuras, onde ele, novamente, tinha a ânsia de ter tudo o que seu irmão queria ou tinha.

Mas ao contemplar o belo rosto anguloso e belo... Ele soube que largaria tudo. Tudo por ela. Ele a amava!

– Amo-te bela mortal. — admitiu em voz alta — E sei que não sou bom o bastante para ter tanta beleza em minhas mãos, e que, se algum dia você fosse escolher, estaria com Thor. Não a mim. E eu lamento terrivelmente por isso. Queria que me amasse, que me quisesse, queria ser sua escolha, não ele. Eu queria, pela primeira vez em milênios, pertencer a alguém, e escolhi você. — ele andou sorrateiro até a beira da cama e acariciou o rosto da garota, que ainda jazia. — E deve ser a escolha mais egoísta da minha miserável vida. Porque, eu não tiro você da cabeça, e... — ela se mexeu e ele continuou — se eu não posso ter você. Que assim seja. Mas, por Odin, escolha um mortal! Porque nem eu suportaria sobreviver ao te ver todos os dias com ele. Durma bem, minha amada.

E assim ele deixou o quarto dela, prometendo ao seu próprio coração bandido que nunca mais pensasse em qualquer coisa relacionada ao irmão. Não poderia sobreviver a outro transtorno dessa magnitude. Assim que voltou para sua casa no outro castelo, ele contou tudo para o pai de todos, que ficou furioso com o irmão. Mas ele não sabia que a fúria dele se despertaria pela mortal, não pelo seu irmão e assim, naquela noite sem estrelas, ele percebeu que assinou o atestado de morte de sua mais estimada mortal.

Mordi seus lábios saindo do transe. Ele havia me mostrado a verdadeira história de Heath... e... e... Como se tivesse acabado de descobrir uma traição de muito tempo, a única palavra que saia da minha boca era:

– Traidor! Traiu seu irmão porque achou que se não podia ficar com a mocinha, ele também não poderia! É o pior tipo de desonra. E agora ele está morto! Sem nem saber que o verdadeiro causador da morte dela foi você. — cuspi como se as palavras fossem ácidas presas na minha garganta. Eu não sei como ele conseguiu me fazer ver aquilo, mas isso, ao invés de fazer-me confiar nele, só me fez querer cravar a lâmina no lugar onde deveria estar seu coração. Também não sei o motivo da minha explosão, pode ser porque eu me mataria antes de trair Alex do jeito que ele fez, e tão descaradamente, tenho que acrescentar. Ain... Que ódio! Não acredito que ele teve a ousadia de me beijar! Só tinha beijado uma pessoa na vida toda (se não contar os beijos da dona Elisa, claro) e ele foi Alex. E seus lábios eram tão... Bah! Horríveis!

Ele se afastou com um sorriso travesso no rosto.

– Normalmente não é essa reação quando beijo as mulheres — ele passou os dedos pelos lábios com um olhar lascivo.

– Não deveria ter me beijado... Seu... Seu... Monstro! Não me surpreende que Heath tenha... — não consegui terminar, porque ele ao escutar o som do nome da garota colocou uma mão na minha boca e outra na minha garganta, me prendendo contra parede.

– Nunca. Mais. Fale. Isso. Dela. Sua mortal idiota. — disse entre dentes. Depois bufou tão rudemente que me surpreendi por não ter engasgado.

– Mexi na ferida? — OK, eu não tenho muita autoproteção em relação a ele.

Para minha surpresa ele sorriu. Porém, não era aquele sorriso despreocupado de antes, tudo que se via nele era a mais pura e cristalina maldade.

– Você sabe qual a facilidade que teria de arrancar sua cabeça fora? Têm ideia de como isso é tentador agora? — Eu não tenho ideia não, já até imagino a cena completa, pensei sarcástica.

– Mas não vai fazer! — acho que foi isso que queria dizer, mas minha garganta estava cada vez mais fechada, e meus pulmões gritando por ar desesperados. Se ele não quebrar o pescoço, provavelmente morrerei asfixiada. Se ele me matar, pensei, vou caçar ele como um fantasminha nada camarada.

– Me de apenas um motivo. Nem precisa ser realmente bom. Ou, minha bela e tola humana, essa será sua última visão. Eu. Não. Suporto. Mais. Você. — disse cada palavra pausadamente apenas para eu ter certeza do recado.

Se ele quisesse mesmo uma resposta, ia ter que procurar na minha mente, porque a cada segundo pontos negros iam borrando minha visão e cada vez mais eu não raciocinava direito. Ah, e ia ter que ser nos cantos mais remotos.

– Não pareceu não me suporta quando me beijou, Loki. — juntei toda minha força para dizer. Coloquei as mãos nos seus ombros largos tentando afastá-lo. É impressão minha, ou a caverna está ficando escura?

Algo nos seus olhos mudou, infelizmente, foi um segundo antes da escuridão me engoli. Só acordei novamente com duas mãos na minha testa, elas eram pesadas e geladas, mas de uma forma estranha, reconfortantes. Tinha medo de abrir os olhos e me deparar no inferno, com capetinhas rondando e tudo. Entretanto, se fosse o inferno, não teria algo gelado. Ou teria?

– Desculpe. — escutei como num zumbido tímido.

Horas depois estava tentando acorda por completo outra vez. As mãos já haviam me largado e eu só escutava o crepitar do fogo ao meu lado, isso mostrava que ainda estava vida, pelo menos. Ah, minha garganta ardia o inferno também.

O som de passos me assustou como na morte, abri os olhos de súbito deparando-me com uma grande fogueira. Pessoas sussurravam baixinho do outro lado. Tentei fazer meu pescoço virar algumas centelhas para poder escutar melhor, mas tudo que consegui foi outra dor que me fez gemer alto. Péssima ideia. As vozes cessaram imediatamente.

– Levanta logo, humana. Temos que procurar seu amiguinho. — Loki apareceu na minha visão periférica.

– Gr... — grunhi engasgando.

– Escutou o que eu disse? O humano sumiu! Eu o deixei num lugar e alguém roubou seu corpo... Não me olhe assim. Só estava tentando ajudar, e por culpa sua, ele sumiu do precipício!

– Colocou ele no precipício? — minha voz saiu rouca, enquanto tentava, desastradamente, me sentar no chão da caverna. Estava sol, ou o calor emanava de mais do fogo, mas afinal de contas, muitas gotas de suor se formaram na minha testa. O medo quase nem me atingiu mais. Se eu tinha medo do Loki? Sim, óbvio, ele é o pior tipo de Deus para ser rejeitado. Mas ainda que, ele seja gigante e medonho, meu medo por ele evaporou substituído por ódio.

Todo o meu corpo doía a cada movimento. Ele tinha uma força incrível, tenho que admitir, mas ainda doía essa força, e eu não iria deixar isso barato. Ah, não, ele ia ter minha vingança.

– Onde mais esconderia o humano? — ele disse como se fosse à coisa mais óbvia do mundo.

– Temos que encontrá-lo então.

Algo nele mudou por segundos, sua máscara caiu dando lugar a algo parecido com horror, só para desaparecer em seguida.

– Pela floresta negra? Está maluca. Eu não entro lá nem que Odin me arraste pelos cabelos. E olhe que ele já tentou fazer isso, e doeu bastante. — ele andou de um lado para o outro, sua perna grande dando vários passos enormes.

– Achei que fosse um Deus. — provoquei.

– Não quer dizer que sou corajoso.

– Medroso. — acariciei minha garganta onde suas mãos prenderam. Se tivesse um espelho poderia ver as marcas. Sabia que brincava com o fogo diminuindo ele dessa forma, também sabia que tinha um sério problema de autocontrole. Acho que foi a única forma de distraí-lo por algum tempo até achar o Alex e matar Natacha, torturá-la e fazer dizer como sair desse lugar. O pensamento me fez sorrir.

– Não tem proteção própria, não é? — e sorriu.

– Afinal das contas, o que você quer comigo? — perguntei o que mais me intrigava na hora. Tá que também tentava desvencilhar pensamentos que envolviam minha cabeça fora do meu corpo da sua mente.

– Isso não está em questão. Eu não gosto que me chamem de medroso. Sou uma pessoa bem...

– Temperamental?

– Não. — apontou.

– Incrivelmente chatooo. — joguei sugestivamente.

– Também não.

– Gigante?

– Sádico. É isso. Adoro matar pessoas que ficam me irritando quando não estou num dia bom, e minha bela, não estou nesse dia hoje. Cale-se. — vociferou apontando os longos dedos para mim. — Tome um pouco de água. Sairemos daqui em cinco minutos. Não se atrase.

– Não tem água, ogro.

– Vai mesmo continuar com esses apelidos medíocres? — estreitou os olhos — às vezes jogos mortais são meus prediletos. Gosto de ver sangue.

– Ta bem. Ta bem. Mas não vou te chamar de Loki também, fica parecendo que estou vivendo na era viking, Luke é bem melhor. E, seu ceg... Não tem água.

– Ah, é. — ele estalou os dedos teatralmente e uma garrafa de água mineral apareceu na minha frente. — Se quiser tomar um banho. Tenho certeza que ficaria feliz em ajudar. — Ah, eu vou correr para América só para ter uma visão linda da sua bunda, sonha!
Depois que bebi toda a água da água da garrafa tentei me levantar várias vezes sozinha, mas não conseguia. Loki estendeu a mão sem olhar para mim. Ele era tão alto. A peguei me colocando de pé, não sem antes reparar que estávamos em outra parte da caverna longe da de antes. Teria ficado tentada a perguntar sobre isso, mas algo no meu interior dizia que ele provavelmente nem teria razão para responder.

Com uma rajada de vento o fogo se apagou. Loki se colocou a andar para um dos túneis escuros da caverna, sem nem se dar ao trabalho de ver se eu estava seguindo. Bufando o segui. Como sempre a caverna estava em um aspecto oco, todos os passos ecoaram, há cor dela era marrom avermelhado e o chão cheio de poeira. Tive que conseguir forças para continuar andando para seguir seus passos gigantes, ele não dava moleza, continuou andando dessa mesma forma sem se importa que talvez eu estivesse ainda me recuperando da quase morte, e que poderia desmaiar a qualquer segundo. Mas eu nem sonharia em fazer isso. Tinha que salvar Alex, e meus pensamentos voaram para o que ele poderia estar fazendo agora. Será que ainda está apagado? Sentia dor? Deus! Que não sentisse dor.

Naquele dia caminhamos por mais algumas horas antes de sentarmos em outra fogueira. Era incrível! Saia fogo da mão dele. Em todo aquele termo, eu havia tentando falar com ele, até zombava as vezes — e ele rosnava em resposta -. Fiquei muito tempo no meu casulo de ferro. O homem da máscara nem apareceu mais, o que foi um alívio, já que estava desastrada e concentrada demais pensando no que poderia estar acontecendo com Alex.

E, se por acaso, a pessoa que o tirou do precipício foi Natacha? E se ele estivesse em segurança? O que esse Loki quer comigo? Por que estamos dentro de um reino viking? E esses Deuses, realmente existem? Loki é mesmo Deus do fogo? Ou é apenas uma piada que meus amigos fizeram comigo? Então, se fosse mesmo isso, não deixariam Alex morrer, certo?

– Coma isso. Vamos ter que andar por mais alguns dias para conseguir entrar na floresta negra. — ele me deu um prato com o que parecia sopa.

– Onde conseguiu isso? — perguntei testando a temperatura com o dedo mindinho. Estava quente.

– Magia. Coma, por favor.

Ele se sentou no chão da caverna colocando um chapéu sobre os olhos. De onde saiu o chapéu? Ela preto e grande, me lembrava algo de caubói.

– Não está tentando me envenenar, não é? — perguntei apertando o prato. Estava faminta. Poderia comer até pedras se me dessem, mas não iria morrer ali. Não sem antes achar e tirar Alex daqui.

– Tenho meios muito mais rápidos de te matar.

– Uhh. Como? — sabe aqueles momentos da vida que se quer enfiar dentro de um liquidificador e esmagar suas mãos numa rocha? Por ser tão idiota. Arrependi-me de ter falado as palavras assim que saíram da boca, queria poder engoli-las de volta.

Um ar gelado passou por mim, me congelando, literalmente no lugar. Eu não conseguia mexer um músculo. Estava tão frio... E tudo o que eu queria era ir dormi. Se pudesse ao menos fechar os olhos e tentar um milésimos de paz.

– E tenho modos bem mais criativos de tentar isso também. — adicionou ainda com os olhos cobertos pelo chapéu.

O gelo foi substituído pelo fogo. Senti todas as minhas veias queimando em dourado e vermelho, meu corpo se convulsionou para frente num solavanco. Berrei de dor colocando as mãos na orelha. Elas estavam queimando. Eu estava queimando. E esse era o que Loki queria sua vingança pelos apelidos maldosos que havia inventado para ele.

– Por favor. — chorei deitando no chão gelado.

– Não seja boba, parei de fazer isso a muito tempo. — sua voz era só um sussurro no meio das minhas lamentações. Que bom que acha que vou acreditar! Porque tudo queimava no mais puro fogo.

Era como se várias agulhas fossem enfiadas em braça no meu corpo.

– Então faz parar. — sussurrei ereta no chão. Desisti de tentar para o fogo que vinha de dentro.

Um jato de água foi jogado em cima de mim. Quase engasguei com tanta água, mas de certa forma, foi revigorante a água e fogo se juntando.

– Você estava literalmente pegando fogo, mulher! — exclamou Loki. Ele tinha se levantado e colocado-se perto de mim, onde poderia ter uma bela visão de mim me engasgando profundamente.

– Vaiiaachint! Achint! Vai se ferrar, monstro. — disse com meu todo corpo se torcendo tentando aguentar o tranco que era não poder respirar direito. Meus músculos estavam moles.

– Você está bem? — perguntou mais curioso do que preocupado.

– Me ignore! Suaaaachitn! Besta ambulante. — já estava cansada dele bancando o Loki bom e Loki ruim a cada dois segundos.

– Não dá — Loki bateu a mão na testa — É impossível desviar os olhos de uma garota com a camiseta molhada. O que posso fazer? Sou Deus do sexo.

– Você faz questão de lembrar isso a cadaachint! Segundo. E pare de olhar para os meus peitos seu idiota.

Ele desviou o olhar corando um pouco. Para tudo! Loki, Deus estrategista e super-fodastico corando? A terra está girando nos eixos? Duvido completamente.

– Alguma parte dói?

Encostei a cabeça na terra fria.

– Tudo — sussurrei.

– Eu sinto muito. — ele parecia sincero.

– Eu também.

No momento que consegui me recuperar, decidi não olhar mais nos olhos vermelhos dele, porque estava de alguma forma muito estranha magoada por ele me querer morta duas vezes no mesmo dia. Então sentei na parte mais afastada e encolhida da caverna para descansar, tive que acalmar meus músculos fazendo massagem neles, e também já estava anoitecendo, o que significava frio. Nem sentia fome, estava odiando aquele homem! Ódio saciou qualquer tipo de fome que poderia vir em mim.

Não farei com Loki e ele não falou comigo em nenhuma parte daquela noite. Uma vez, com tanta curiosidade, olhei de soslaio pra ele, só que flagrar ele me observando com o cenho franzido. Com a cabeça encostada na pedra ele parecia quase arrependido, mais devia estar imaginando, era minha mente pregando pesas e tentando achar um jeito de inocentá-lo, provando que não me mataria enquanto dormia.

Uma lágrima grossa e morna deslizou pela minha bochecha. Ela pingou na minha mão e eu a observei ganhando outro tom até ficar dourada brilhante. No que eu fui me meter?

Foi à única lágrima que derramei naquela noite. Poderia ter chorado baixinho que Loki nem teria escutado, suponho, ou se importado, mas não daria esse gostinho para ele.

– Eu sinto muito... Não foi minha intenção deixar aquele encanto se espalhar pelo seu corpo. — ele disse.

Fingi que estava dormindo. Iria ignorá-lo para sempre.

Acordei na manhã seguinte me sentindo um lixo ou lixa, tanto faz, todo meu corpo doía demais para entender a comparação. Loki estava em um silêncio aterrorizante. Andamos por mais algumas horas até chegarmos a outro nível da caverna, ficava mais baixo e mais alto como se fosse um comeia de abelhas. A cor era mais vermelha como escarlates. O ar pesado, e os túneis estreitos.

Caminhei exausta por algumas horas. Meus olhos estavam pesados quando tropecei no chão apedrejado, se considere de passagem, mas quando ia cair no chão, duas mãos firmaram meus ombros no chão.

– Vamos descansar aqui. Você parece exausta. Por hoje. — e me largou.

Como num passe de mágica, a fogueira apareceu. Num passe de mágica. Aquela Natacha cão chupando manga deveria estar no lugar de Alex. Ela é culpada por isso. Ela não tinha o direito de trazer-nos aqui apenas para depois nos largar dentro de uma caverna.

– Pode me contar uma história? Sobre seu... Hm... Povo?

– Achei que não quisesse falar comigo. — indagou sentando no chão lamacento.

– Não estarei falando contigo, afinal, quem contará a história será você.

– Certo. — Loki esfregou as mãos para frente, o movimento foi tão parecido com o da estátua que me fez rir, um pouco. Eles olhos seguiram o fogo. — Freya era uma garota muito prestativa nas montanhas do norte. Ela tinha...

– Freya como a deusa? Do amor e fertilidade?

– Sim, sim. Agora cala a boca e escuta. Freya vivia com seu pai numa casa de fazendo, todos naquela época adoravam se ajudar, de rebanhos, até projetos agrícolas. Quando em uma noite passeava pelos recantos da floresta negra, se deparou com um homem machucado e esfolado, ele sangrava muito e estava a beira da morte. Freya imediatamente se ressentiu, não queria ter problemas e já estava há noite, se não voltasse, logo seu pai estaria atrás dela com uma espada cortante. Sentiu-se dividida. Não queria de jeito nenhum larga o homem para morte, e nem sabia o porquê, talvez compaixão mútua instantânea. O homem murmurava coisas muito estranhas. Ela o deixou com uma seria promessa de que voltaria ao seu socorro assim que a tivesse chance. Sabia, que se seu pai o encontrasse com ela, provavelmente seria o fim dos dois, então deixou um lenço para ele, amarrado entre seus dedos...

– Lenço? Que coisa mais antiga e careta.

O olhar que Loki me mandou me fez encolher na hora e calar a boca.

– Quando voltou e ajudou o homem naquela noite, depois de conseguir sair pela janela do quarto quando tinha certeza que o senhor seu pai estaria dormindo demais para se dar conta de sua ausência, ele já se engasgava com o próprio sangue. Freya chorou pedindo aos Deuses sua ajuda divina e para ajudar o pobre homem. O que foi uma péssima ideia. Já que só um Deus estava disposto a ouvi-la e atender seus pedidos. Ele apareceu na sua frente com toda sua glória, ela nem ligava para isso, só queria mesmo ter a chance de salvar a vida dele. O Deus lhe fez a proposta: se ela desse a ele sua coisa mais sagrada, ele curaria o mortal. O Deus era um tolo completo, achando que ganharia sexo com uma bela jovem, mas isso não aconteceu, quando Freya aceitou o acordo sabia que, se ele queria sua coisa mais sagrada, ela daria de bom grado.

– E o que aconteceu? — perguntei curiosa.

– A coisa mais sagrada da moça, ela um cordão de ouro branco que prendia no seu pescoço. Podia não ser o mais belo de todos, mas tinha valor sentimental para Freya. Ele já havia pertencido a sua mãe. Junto com todas as mulheres da sua família. Era o colar Foster e ela deu ao Deus, Ah, ele ficou tão bravo com ela que, apesar de sua promessa de salvar o mortal, ele só o curou. Depois desapareceu.

– Só curou?

– Nem só de vida vive o homem, formosa mea. Ele não estava lá por acaso. Tinha fugido dos confins da floresta negra porque estava devendo, ele perdeu tudo, sua esposa, sua filha, e sua dignidade. Por isso, noites após Freya ter ajudado aquele homem que achava nobre. Só para garantir que entendeu ela já estava apaixonada. E... Bom... Ele também. Ela queria fugir com ele, queria ter uma vida com o homem, mas ele sabia que estaria levando sua nova amada. Então se jogou no penhasco mais próximo.

– Que horror!

– E a garota Freya Foster, achou que ele não a amava o bastante, então se matou também. E os dois morreram assim como viveram, mentindo.

– Sua história me da vontade de vomitar. — Resmunguei deitando no chão.

– Sabe a moral da história?

– Qual?

– Que eu ganhei um colar mais belo e mais desgraçado que já havia visto na vida. Depois que soube da morte dos dois. Fiz questão de jogá-lo no mesmo penhasco que a garota, porque...

– O que? Estava apaixonado por ela também? — o fuzilei com os olhos.

Ela arfou baixinho.

– Ao contrário do que pensa, formosa mea, não me apaixono tão facilmente. Heath foi à única.

– Sua esposa... — sugeri.

– Não. Pensamos que amor vinha depois do casamento, mas com ela, não senti nada ao menos comparado com o de Heath.

O fitei por um longo tempo com as sobrancelhas erguidas, desdenhosa, enquanto ele observava o fogo.

– Por que fica tentando fazer com que me lembre dela? — perguntou esperançoso.

Me mexi no lugar, desconfortável, pelo rumo que eu mesmo tinha levado essa conversa.

– Da Heath ou sua esposa? — perguntei.

– Você sabe muito bem qual, formosa mea.

– O que isso quer dizer? "Formosa mea"? — tentei mudar de assunto.

– Morre antes de saber. — ele sorriu mostrando que só brincava, mesmo assim estremeci.

Ele trovejou uma risada.

– Eu não irei machucá-la Jane. Relaxa.

Loki com uma atitude despreocupado, os braços jogados no chão, parecia quase... Jovem.

– E assim que eu espero — eu murmurei.

– Com certeza, minha cara, iremos achar seu amigo humano, e assim poderemos continuar a jornada.

– Hein?

– Sobre pesos. Acho que chegaremos até ele quando você estiver pronto. Fofa.

– As vezes você é muito estranho. Sem querer ferir seu ego. Já que acha que eu devo estar pronta para resgatar meu melhor amigo, que seja, já estou pronta para fazer qualquer coisa por ele. — grunhi, revirando os olhos e me mexendo novamente no chão — se pode fazer comida, porque não faz um colchão para mim, hein? Não seria nada mau.

Loki fechou os olhos como se sentisse dor por muito mais tempo que eu poderia achar confortável, então de repente, havia um colchão de ar ao meu lado e perto da fogueira. Olhei para o negócio perplexa. Tinha que admitir que era estranho deixar as coisas aparecerem assim do nada, bem na minha frente.

– Dói fazer isso?

– Só com coisas grandes. É difícil materializar entre os dois mundos. Espero que goste da cama.

– Pegou algo do meu mundo? — não tinha como dizer o quanto aquilo soava ridículo. Estávamos na terra. Só tem esse mundo. Certo?

– Sim.

– Sinto muito que tenha doi-do então. — disse eu, pulando do chão para a grande coisa mais gostosa do mundo. Um colchão! Ah, que perfeito. — Quer deitar aqui? Tem espaço o bastante.

OK, eu não sei de onde veio essa, mas decidi que para minha própria sanidade deveria ser porque ele havia sentido dor com aquilo, então tinha que compartilha. Eu acho.

– Me convidas pra sua cama, minha bela? Sabia que isso é um péssimo indício?

– Provavelmente deve ser a água. — Resmunguei fechando os olhos com força — Eu não sei o que deu em mim.

– Se sente atraída por mim? — seu tom era sombrio.

– Não. Eu amo outro.

– Isso não importa. E ai? Sente-se atraída por mim?

– Não. — respondi imediatamente.

Ond ele quer chegar com isso?

– Mentir na minha cara, formosa mea? Posso sentir seu pulso daqui. — ele estava rindo.

– Ok. Acho você bonitinho. Apenas isso. — sussurrei corando, e muito. Nem isso! Sinto repulsa dele. E muita raiva por ele ter sequestrado Alex, não que eu vá admitir, pelo menos não até ele trazer meu melhor amigo de volta.

– E por que está me convidando para seu... — ele trovejou uma gargalhada — colchão?

– É justo. Teve que fazer esse negócio de materializar e você disse que doía. — Eu não queria convidar ele para perto de mim, nunca vou parar de pensar no que ele fez, na maneira que tentou me matar: duas vezes!

– Então sente pena de mim? — disse ele, aparentando tormento.

Abri um dos olhos e vi que me fitava com intensidade.

– Sinto. Você perdeu alguém que amava muito. E está preso a mim dentro de uma caverna sem saída, porque eu não sei, provavelmente poderia sair daqui a qualquer momentos com esses poderes super-fodasticoa de Deus. O mínimo que posso fazer é deixar você deitar do colchão muito largo, onde não precisa ficar a menos que cinquenta centímetros de mim.

– Eu não quero sua pena!

– Então o que quer? — gritei, indignada.

– Seu amor, porra! — ele estava curtindo com a minha cara, tenho certeza.

Fiquei completamente sem ar, e observei quando seu corpo ficava nublado até desaparecer. Ele me deixou na caverna sozinha. E a única merda que passava na minha cabeça era: Como será que ele aprendeu aquele palavrão?

Notas finais
Amo o Lokinho kkk