Goddess and Monster - Part 1

6 Capítulo 6 - A moça de vida fácil


Notas iniciais
Não vou deixá-los afogarem a derrota do Brasil nas bebedeiras. Afoguem as mágoas na atualização da minha história, galera! Em comemoração de 500 visualizações, postei a fanfic mais cedo e com uma surpresinha. =P

Encontraram uma estalagem a alguns metros da entrada da vila. A praça central tinha uma fonte de água, mas seca e estava cheia de crianças brincando e mercadores com carroças. Eles pararam em frente a estalagem Margem da Estrada, quando um rapaz jovem, da idade de Sansa, os recebeu para levar Estranho para os estábulos. O rapaz, de cabelos castanhos e olhos verdes, se assustou com o cavalo que não o recebera tão bem assim.

– Eu levarei para os estábulos, rapaz – disse Sandor, rudemente, e sussurrou para Sansa. – Fique aqui, não fale com ninguém, não diga seu nome, nem tire o capuz. – ordenou. Sansa assentiu sem retrucar.

Sandor saiu com o rapaz para os estábulos, deixando Sansa sozinha em frente a estalagem. Ela decidiu entrar e o cheiro de vinho e carne assando impregnou seu nariz. No mesmo instante, seu estômago respondeu à altura. O lugar estava vazio, com mesas espalhadas, um balcão logo à frente da porta. Ela desejou poder comer logo, pois viver de maçãs e ameixas não foram suficientes para satisfazer-lhe.

Escolheu uma mesa ao canto, onde ninguém pudesse reparar nela. Queria tirar o capuz, mas o Cão lhe ordenara para não fazer isso. Uma moça gorducha se aproximou, perguntando, simpaticamente, se podia ajudar. Uma menina de olhos azuis, com cabelos loiros desgrenhados se agarrava às pernas da mulher. Sansa lhe sorriu, ganhando um sorriso inocente de volta.

Sansa pensou por um momento. Talvez, poderia pedir o jantar para ela e Sandor. Ordenou que a moça lhe trouxesse carne assada e o que tivesse de legumes e vinho para duas pessoas. Lembrou-se também de perguntar se ela poderia lhe arranjar alguma erva ou unguento para ferimentos, para que pudesse colocar nas mãos e no rosto de Sandor.

A mulher se afastou com a criança e Sandor entrou na taberna, sentando-se de frente para Sansa.

– Eu pedi comida para nós dois. – avisou Sansa.

Sandor apenas assentiu. Tinha a expressão carrancuda de sempre.

– Eu posso tirar meu capuz? – perguntou Sansa, já colocando a mão no capuz para abaixá-lo.

– NÃO! – negou Sandor, alto demais para chamar atenção. Ele olhou em volta e agradeceu que o lugar estava vazio.

Sansa tirou as mãos do capuz, frustrada.

– Vamos ficar aqui esta noite? – perguntou Sansa.

– Sim – respondeu Sandor. – Amanhã, vou tentar vender as joias.

Sansa assentiu. A mulher trouxe a comida logo depois, enquanto a pequena menina loira tentava equilibrar duas canecas de vinho em suas mãozinhas. Sansa ajudou-a antes que ela caísse e recebeu um sorriso meigo de agradecimento da menina.

Eles comeram carne assada, batatas e cenouras. Sandor avançava na comida, depois de tanto tempo sem comer e vivendo à base de frutas. E Sansa se perguntou por que ainda continuava com suas cortesias e educações diante de um lugar tão vazio e vestida em suas piores vestes. Ela começou a comer de forma bruta, como Sandor fazia, colocando muita comida na boca, mastigando rapidamente e engolindo antes de dar mais garfadas. Sua fome era enorme e sentia seu estômago agradecendo-lhe. Foi quando reparou que Sandor parara de comer.

Sandor a olhava, com um ligeiro sorriso de canto.

– O que foi? – perguntou Sansa. Sabia que estava sendo muito desajeitada para uma lady. Mas não se importava mais. Se ela estivesse perto de sua família, da corte ou de seus pretendentes, ela seria comportada. Mas ali, com Sandor a sua frente, ela não se importava mais.

– Nada. – respondeu e voltou a comer, ainda com o sorriso no canto dos lábios. – Você parece um moleque esfomeado.

Sansa fechou a cara. Aquilo era uma ofensa. Mas não podia reclamar. Ela estava mesmo comendo como uma esfomeada. Ela decidiu parecer mais lady, agora que sua fome se fora um pouco.

Nem repararam que a noite caiu enquanto comiam. Sandor já estava na terceira de caneca de vinho quando a comida estava quase acabando. A taberna começava a se encher. Homens gargalhando e enchendo o lugar com seus cheiros de cavalo e lama. Sansa sentiu um frio na espinha ao se lembrar da última vez que estivera em uma taberna. Era o mesmo cheiro dos homens que a sequestraram. Mas Sandor estava ali, dessa vez. Ela não teria o que temer.

– Você devia subir para se limpar – disse Sandor. – Nossas coisas já estão trancadas em um quarto.

– Eu só tenho esse vestido. – disse Sansa.

– Arranjarei outro pra você amanhã – avisou.

Sandor começava a falar meio seco e rude e monossilábico e Sansa percebeu que ele estava no estágio inicial da embriaguez.

Sansa reparou que Sandor não tirava os olhos de alguém enquanto bebia. Ele tinha olhos esfomeados e a menina não entendeu o motivo, já que ele tinha acabado de comer. Decidiu virar a cabeça, a aba de seu capuz incomodando sua visão, e viu uma mulher branca como leite, de cabelos vermelhos como os de Sansa, vestindo uma roupa tão fina como o vestido de Sansa, que quase fazia seus enormes seios escapulirem. Ela olhava para Sandor, de vez em quando, mas parou de fazer isso, quando reparou na menina. Sansa desviou o olhar.

Foi quando a ruiva se perguntou como Sandor sentia tanto desejo por uma mulher que se deitava com todos os homens. Como os homens sentiam desejo dessa forma? Obviamente, era a bebida falando por Sandor. Ele nunca lançara nenhum desses olhares para ninguém quando estavam na Fortaleza Vermelha, e oportunidades nunca lhe faltaram. Mas lá, ele era um guarda, ele não podia fazer isso.

Aquela mulher, definitivamente, era uma moça de vida fácil. E Sansa se perguntou onde estava a dignidade delas.

Lembrou-se do que Cersei lhe dissera. Algo sobre as armas de uma mulher estarem entre as pernas. Sansa sentiu um calafrio e queria fugir dali. Aquela era a dignidade delas.

O Cão chamou uma outra mulher que entrara na taberna. Parecia parente da dona do local. Ele lhe ordenou que levasse Sansa para o quarto e preparassem seu banho. A mulher nada falou, apenas assentiu. E depois de quase vinte minutos, ela chamara Sansa para que subisse.

Sansa se levantou da mesa, mas antes, Sandor lhe segurou o pulso. Ele mexeu em suas botas e lhe deu a adaga.

– Fique com isso até eu chegar.

Sansa pegou a adaga e escondeu sobre a capa. Ela acompanhou a mulher para seu quarto.

A estalagem ficava em cima da taberna e as escadas ficavam do lado de fora, logo ao lado do estabelecimento. Ao topo, as escadas davam para um corredor comprido, cercado de portas, uma de frente para a outra. O quarto de Sansa ficava muito longe das escadas.

Quando Sansa entrou no quarto, ele cheirava a alfazema. Não imaginava que um lugar tão simples pudesse ter um bom aroma. Esperava que fosse um lugar sujo e feio, fazendo jus a taberna abaixo. Assim como os quartos do bordel em Rosby faziam jus ao resto da casa.

Haviam duas camas, e Sansa suspirou por ter a oportunidade de dormir sozinha. Não totalmente sozinha. Mas não teria que dividir a cama com Sandor. Uma banheira fumegante estava a sua espera e os pertences estavam em cima de uma das camas. Uma mesa com duas cadeiras do lado oposto à banheira. Sansa agradeceu a mulher antes que ela saísse.

Sansa, finalmente, tirou a capa. E o vestido ensanguentado. Ela se viu nua rapidamente. Não usava nada por baixo do vestido, nem espartilho, nem vestido de algodão. Sandor tinha razão. Aquele vestido e nada eram a mesma coisa. Ruborizando só de pensar em quantas vezes Sandor analisara seu corpo sem que ela percebesse.

Ela entrou na banheira, sentindo-se relaxar com a água quente. Agradecendo a oportunidade de se limpar duas vezes em menos de uma semana, depois de dias de sujeira. As marcas arroxeadas de seu corpo estavam menos piores.

Sansa se lembrou da mulher que Sandor olhava. Ou melhor, desejava. Ela usava o mesmo tipo de roupa que Sansa ganhara no bordel. Perguntou-se como elas faziam quando sentiam frio e como podiam andar por aí sem sentirem vergonha. Lembrou-se de Shae. Ela também usava vestidos parecidos.

O que mais incomodou Sansa foi que aquela mulher era muito parecida com ela. Mas decidiu não pensar a respeito. Sandor estava ali para lhe proteger. Era apenas coincidência ele desejar uma mulher parecida com ela.

Ela saiu da banheira, depois de alguns minutos. Enrolou-se em um pano de algodão para se secar e foi até a cama. Abriu a bolsa de Sandor. Lá estava sua boneca. Ela cheirou o objeto e apertou contra o peito, voltando a guardar. Encontrou suas joias enroladas em um pano. Havia muitas que Cersei lhe dera e algumas que foram presente de seu pai. O mais delicado dos objetos era um anel de prata com o rosto de um lobo cravado. Ele parecia saltar do anel, com sua boca aberta e presas à mostra. Podia sentir toda a textura dos detalhes do animal. Fora presente de seu pai, quando fizera catorze anos. Era a única coisa simples e prateada no meio do ouro do resto das joias escandalosas.

Ela guardou os objetos. Depois de seca, colocou o mesmo vestido e a capa, mas com capuz abaixado. Colocou suas botas, guardando entre elas, a adaga que estava jogada na cama.

Decidiu voltar para a taberna. Não havia muito o que fazer ali. Quando estava trancando as portas, a mulher que Sandor olhava passava pelos corredores. Sansa abaixou a cabeça, recolando o capuz, quando parou para pensar.

Nunca teve como agradecer a Sandor por sua proteção. E ali estava uma chance de fazer isso. Sandor nunca aceitaria títulos de seu irmão, nem ouro de suas próprias mãos. Ela não tinha nada para oferecer e nem tinha a garantia de que Sandor a acompanharia até Winterfell de bom grado. Ela devia agradecer agora, durante a viagem. Demonstrar pequenos gestos de gratidão.

Sansa destrancou a porta do quarto, se virou para a mulher que já estava longe e estava abrindo uma porta.

– Com licença – Sansa falou alto o suficiente para ela ouvir. A mulher a olhou e se aproximou.

– Posso lhe ajudar, mocinha? – perguntou a mulher, assim que se aproximou. Ela estava bem perto de Sansa, cheirava a rosas brancas e tinha um olhar sedutor, mesmo para a menina.

Sansa percebeu que não sabia como fazer seu pedido sem parecer indelicada. Chamou a mulher para entrar no quarto.

– Você quer alguma ajuda específica? – perguntou a mulher, logo após entrarem, dando uma boa olhada no corpo de Sansa.

– Ajuda?

A mulher se aproximou. Eram quase do mesmo tamanho, sendo Sansa um pouquinho mais alta. Ela alisou os cabelos vermelhos da menina.

– Vi que estava acompanhada – disse a mulher. – Ele é seu marido?

– Não! – Sansa quase gritou.

A mulher lhe deu um sorriso malicioso. Sansa percebeu que seus olhos eram verdes, diferente dos azuis dela.

– A senhora parece bem nascida. E é jovem – a mulher rodeava Sansa, ainda alisando seus cabelos. – Me parece donzela. Quer que eu lhe ensine a arte do amor para praticar com seu companheiro?

Sansa ruborizou. E a mulher, já a sua frente, deve ter percebido, pois aumentou o sorriso malicioso.

– Não. Eu não quero nada disso – disse Sansa, nervosa.

Não estava entendendo como ela poderia lhe ensinar coisas. Ela não era um homem. E mesmo se fosse, Sansa jamais aceitaria uma coisa assim. Deu um passo para trás, para se afastar da mulher.

– Olha, aquele homem que estava me acompanhando – começou Sansa, um pouco ruborizada. Tentaria ser delicada. – Ele fez muito por mim, me protegeu quando ninguém podia, arriscou sua vida por mim e eu não sei como agradecê-lo por isso.

A mulher deu outro sorriso malicioso.

– A melhor forma de agradecer está entre suas pernas, mocinha. – sussurrou, soando como a Cersei de dias atrás.

– Não! – irritou-se Sansa. – Eu quero que você faça isso por mim. – quase vomitou as palavras. Sentiu que foi indelicada, mas a mulher não pareceu se importar.

– Quer que eu o agrade? – perguntou a ruiva mais velha.

– Sim – Sansa foi até a cama, ficando de costas para ela.

Pegou as joias e procurou por algo pequeno e simples que pudesse servir como pagamento. O anel de lobo era a única coisa que se encaixava. As outras joias eram grandes e Sandor daria falta delas. Lembrou-se dos três dragões de ouro que roubara do bordel. Estavam em suas botas. Teve que tirá-las para pegar as três moedas. Virou-se para a mulher, com o anel na mão e os três dragões de ouro na outra.

– Se você fizer isso, essas são as únicas formas de agradecimento que terei. – disse Sansa. Torcendo para que ela aceitasse alguma de suas oferendas.

A mulher se aproximou, observou os objetos sobre a mão de Sansa. Pegou um dragão de ouro e o anel do lobo Stark. E abriu um imenso sorriso para Sansa.

– Farei o que pede e este pagamento é o suficiente – afirmou a moça. Ela observou Sansa, virando a cabeça e quase colando seus corpos. – Mas por essas duas moedas que lhe poupei, posso lhe ensinar o que irei fazer.

Sansa ruborizou. Não conseguia imaginar como a mulher ensinaria a arte do amor. Não tinha como duas mulheres fazerem isso. Ou tinha?

– Não, obrigada – disse, envergonhada, sem se afastar dela. – Mas posso lhe dar tudo isso para que cumpre o que lhe peço.

A mulher se afastou, desistindo das investidas.

– Não é necessário. – e lhe deu um sorriso delicado antes de virar as costas e sair dali.

***

Sandor estava na nona caneca de vinho. Sua cabeça não rodava, mas sentia seu sangue ferver e sua vontade de tomar uma mulher ou entrar em uma briga para matar um homem só aumentava.

Ele terminou a nona caneca, e já ia pedir a décima, quando a mulher ruiva que observava entrou na taberna. Ela procurou por alguém, até seus olhos encontrarem o de Sandor e ela andara em direção a ele, com um sorriso nos lábios.

– Boa noite, sor. – cumprimentou a moça.

– Não sou nenhum sor. – Sandor nem se preocupou em ser gentil com a mulher. Ela nem se ofendeu. Apenas aumentou o sorriso.

A mulher sentou no colo de Sandor. Se sentiu algum nojo, repulsa ou medo da queimadura do Cão, não demonstrou. Sem perguntar, ela pediu que a mulher da taberna trouxesse outra caneca de vinho.

Sandor passou a mão pelas costas da mulher. Levantou um pouco do vestido, quando sua outra mão passou pelas coxas.

Ela reparou na espada embainhada de Sandor e alisou-a.

– Bela espada. – elogiou.

Sandor alisou os cabelos da mulher. Sentiu suas partes baixas endurecerem. Queria pegar forte no cabelo dela.

Quando o vinho chegou, a prostituta levou a caneca a boca. Sem engolir a bebida, segurou o rosto de Sandor, encostando seus lábios nos dele, e deixando o vinho cair de seus lábios para serem depositados na boca de Sandor.

Ele aceitou o vinho de bom grado. Sentiu-se ainda mais excitado. Gostou de receber a bebida da boca da mulher.

Sandor tomou a caneca das mãos da mulher e terminou a bebida de uma vez só. Levantou-se, deixando que a mulher saísse de seu colo. Deixou alguns veados de prata sobre a mesa e a guiou para fora da taberna.

Ele parou por um instante, quando lembrou-se que não estava sozinho e não poderia ir para seu próprio quarto. A mulher pareceu ter entendido e o guiou pelas escadas, levando-o para um quarto distante do quarto onde Sansa estava.

Sansa. Aquela prostituta era parecida com ela. Por isso, a observou tanto. Ela era o tipo de mulher que poderia fazer o que quiser, coisa que não aconteceria com Sansa.

Enquanto a prostituta faria o que ele mandasse, Sansa estaria chilreando suas cortesias e lhe dizendo o quanto ele era grosso e rude e desviando seu olhar de seu rosto, ou, ainda, fazendo uma careta de nojo para sua queimadura.

Foda-se Sansa.

Eles entraram no quarto e ele fechou a porta, sem se importar em trancar. Virou a mulher de costas e jogou na cama, prensando sua excitação contra o traseiro dela e agarrando seus longos cabelos ruivos. Fungou os fios, como fazia, de vez em quando, com Sansa quando ela estava no cavalo. O cheiro de rosa impregnou seu nariz, diferente do cheiro de limão de Sansa.

Ele virou-a de frente, dando-lhe um beijo caloroso, passando sua língua por toda a boca da mulher. Queria deixá-la totalmente presa a ele. Queria invadir-lhe com força, sem dó de machucá-la.

A prostituta o empurrou, jogando-o na cama e ficando sentada sobre a excitação de Sandor. Ela abaixou as alças do vestido, deixando seus grandes seios à mostra. Eram grandes até para as mãos de Sandor. Ele a tocou, se levantando e arrancando-lhe outro beijo.

A mulher beijou o pescoço de Sandor, arrancando gemidos dele, enquanto o homem lhe apertava os seios. Ela passou suas mãos femininas pelo rosto de Sandor, afastando-lhe os cabelos e sem se importar com a cicatriz.

Foi quando Sandor sentiu um pedaço gelado nos dedos da mulher. E foi quando aquele pedaço gelado passou perto demais de seus olhos, enquanto ela afastava seus cabelos, e ele conseguiu enxergar o que era. Como ele não reparara quando ela tirou o vestido?

Ele agarrou a mão da mulher com força, vendo o objeto enfiado em seu dedo anelar. Era um anel de prata e Sandor viu que tinha um lobo cravado. Ele lembrou-se de ter visto esse anel em algum lugar entre suas coisas...

Lobo. Prata. Era um anel Stark. E estava entre as joias de Sansa.

– Onde conseguiu isso? – perguntou Sandor, com a voz rouca, segurando os dedos dela com força. Tirou-lhe o anel e a mulher não reclamou.

A mulher não respondeu. Apenas sorriu e tornou a beijá-lo, mas ele a afastou, esperando uma resposta. Ela suspirou.

– Você tem uma companheira de sorte que se importa com você.

A espinha de Sandor gelou. Por um instante, pensou que ela poderia ser uma salteadora e roubou o anel em seu quarto. Mas com aquela frase, ele entendeu o que significava aquilo. Havia pouco que Passarinho viera com uma história de que precisava agradecê-lo.

Sandor jogou a mulher sobre a cama, saindo do quarto e batendo a porta. Com passos largos, ele chegou até o quarto que dividia com Sansa.

***

Sansa se preparava para deitar. Já estava sem o capuz e ajeitou sua cama e a de Sandor, para que ele dormisse quando chegasse. Provavelmente, estaria muito bêbado.

Nem teve tempo de se colocar sobre a cama, quando a porta abriu com violência e Sandor entrou por ela, meio cambaleante, mas com passos firmes e largos.

Ele estava com o rosto em fúria, vermelho. Pegou-a pelos braços, apertando-lhe e Sansa sentiu um forte cheiro de vinho em seu hálito.

– Você ficou maluca, menina estúpida? – perguntou, quase gritando.

– Você está me machucando. – Ela tentava se desvencilhar dele. Suas grandes mãos deixando um vermelho forte em seus braços branquelos.

– Acha que pode me oferecer assim? – perguntou Sandor, a raiva em sua voz era transparente e Sansa sentiu-se muito assustada. Sandor aproximou a própria mão do rosto dela e um brilho prateado estava na metade do dedo mindinho de Sandor. Era o anel de lobo que tinha dado como pagamento àquela mulher.

– Eu... Só queria te agradar. – Sansa falou sem pensar, nervosa o suficiente para ficar quieta, mas sua necessidade de defesa foi maior.

Sandor soltou-a e antes que Sansa pudesse fugir, ele lhe estapeou a face.

Sansa não esperava por isso. O Cão era muito maior que ela, e a força dele a fez cair no chão. Ela colocou a mão no rosto, desejando que isso diminuísse a dor. Sentia seu rosto ficando quente, e as lágrimas começaram a brotar. Sentiu gosto de sangue, até sentir um corte em seu lábio. Sandor lhe batera com o anel no dedo. Ela levantou os olhos para ele, sua visão turva pelas lágrimas e seu rosto duro como mármore. Ele tinha raiva nos olhos e não pareceu se importar com o que acabara de fazer.

Sansa se levantou e saiu correndo, passando pela porta, nem percebendo que a prostituta vira tudo e tentara lhe parar. Desceu as escadas, correndo pela praça de Altheia e se infiltrando pelas ruelas da vila. Quando o fôlego lhe faltou e ela sentiu que já estava longe o suficiente, Sansa se enfiou em um beco, se jogando no chão sujo e chorando tudo o que tinha para chorar.

As lágrimas rolavam e ela não se importava se estava chorando alto. Não se importava se aparecessem homens e a matassem por incomodar seu sono. Não se importava com mais nada. Tudo o que queria era se deitar em algum lugar e morrer.

Um misto de emoções passou por seu corpo. Queria voltar para casa, para Winterfell, se jogar nos braços da mãe. Sentia falta da família e até mesmo de Arya, que estava perdida pelo mundo. Queria morrer. Queria ter se jogado da janela na Fortaleza Vermelha quando teve a chance de fazer isso. Queria ter morrido no lugar do pai, que sempre fora a pessoa mais honrada que ela conhecera.

Seu pai. Seu honrado e amado pai. Ele nunca faria o que Sansa fez. Nunca pagaria uma moça de vida fácil para agradecer uma pessoa. Ele teria dado algo de maior valor.

Não que a mulher não tivesse seu valor. Mas ela descobrira tarde demais que esse não era o pagamento adequado. O agradecimento adequado.

Seu pai teria vergonha de suas atitudes nos últimos dias.

O vento frio que passou por seu corpo, se infiltrando pelo tecido fino que usava a fez lembrar de casa. De Winterfell.

Se ela estivesse morta, ela poderia voltar para casa. Queria que Sandor tivesse matado-a ao invés de estapeá-la. A dor seria menor.

E nem se importava com a dor física, a dor em seu rosto. A dor em sua alma era muito maior. Nunca mais poderia confiar em Sandor. Logo Sandor, o único que prometeu protegê-la. O único que se importava em lhe dar avisos na Fortaleza Vermelha, onde um ninho de ratos havia. O único que a tirou daquela gaiola. O único que nunca machucou Sansa quando Joffrey ordenava.

O único que disse que nunca machucaria Sansa.

Ela olhou para sua mão atada. Tirou o pano que revestia a pele e observando que o corte estava quase cicatrizado, deixando apenas um filete de pele branca e esquisita. Aquele pacto não valeu de nada. Não podia mais confiar no Cão de Caça.

O beco em que se enfiara estava apenas iluminado com archote na parede. Havia alguns barris por ali, e ela escutou ruídos. Seu coração gelara.

Sansa olhou em volta para procurar pela fonte do ruído, quando viu um par de olhos brilhante e cabelos loiros desgrenhados observando-a, atrás de um barril.

A menininha do bar deveria ter por volta de 7 anos. Era pequena e magrela. A menina se aproximou de Sansa, se ajoelhando ao seu lado. Suas pequenas mãozinhas de bebê passaram pelo rosto de Sansa, afastando os fios ruivos que estavam grudados na pele lacrimosa.

Por algum motivos sem explicação, Sansa sentiu aquelas mãozinhas geladas lhe confortarem. Ela lembrava-lhe Bran Stark. Talvez fosse o ar de criança travessa e as mãos gentis. A pequena menina se sentou ao lado de Sansa, puxando o braço da moça para que ela se curvasse e deitasse sobre suas pernas. Sansa o fez e deixou que a menina lhe acariciasse os cabelos. Isso fez a ruiva chorar. Ela tinha cheiro de bebê.

Ela cochilou por um instante e não percebeu quanto tempo se passou, quando escutou mais ruídos. A menina parou de acariciar-lhe e tocou no ombro de Sansa. Aquele toque parecia um alarme.

Sansa se levantou, vendo três homens se aproximando do beco, olhando-as e rindo.

Não, de novo não. Pensou Sansa.

Ela ficou de pé, ajudando a menina se levantar e segurando suas mãozinhas. Ela se enfiou atrás das pernas compridas de Sansa.

– Não está muito tarde para as duas mocinhas ficarem vagando por aí? – perguntou um dos homens. Ele era careca e tinha dentes podres. Os três homens soltaram mais gargalhadas. Estavam bêbados.

– Estamos voltando para nossos aposentos. – disse Sansa, fazendo menção de se afastar dele, mas um dos homens entrou na sua frente.

– Não vá ainda. Fique com a gente. – disse o que lhe atrapalhou o caminho. Ele tinha cabelos castanhos e olhos tão azuis que Sansa pensou que ele estivesse cego.

Sansa lembrou-se da faca em suas botas. Se abaixou rapidamente e tirou-a dali, estendendo a parte pontuda, ameaçando-os.

– Acho melhor nos deixarem passar. – alertou com firmeza.

Os homens gargalharam mais uma vez. E o careca fez questão de se aproximar, certo de que Sansa, uma lady pomposa, educada e fraca não o atacaria. Grande engano.

Juntando toda a raiva que se acumulara durante o choro, Sansa o atacou e a faca fez um corte profundo no braço esquerdo do homem, que se afastou, protegendo o ferimento. O outro homem, de cabelos e olhos castanhos e tão magro quanto Sansa, se aproximou para agarrá-la. Mas a menina que se escondias nas pernas de Sansa correu para lhe chutar um joelho e empurrá-lo quando ele se curvou. O outro homem ficou desnorteado e não sabia se pegava as duas meninas ou se ajudava os amigos.

Sansa aproveitou a deixa, pegou a menina no colo e, com a adaga na mão, correu para longe do beco. Ela tentou se lembrar como saía dali para chegarem a praça, mas ela correra tanto fugindo de Sandor que nem percebeu como se perdera por ali. A menina teve que guiá-la, lhe apontando para os lados que ela deveria ir.

Chegaram a praça central, atravessando-a e se aproximando da taberna. Sansa ia subir com a menina, mas ela fez menção para sair do seu colo.

– Vá para dentro, para perto de sua mãe. – Alertou Sansa e a menina assentiu, entrando na taberna.

Sansa se virou para subir as escadas correndo e trombou com um homenzarrão.

Ele ainda tinha a expressão carrancuda.

– Onde você se meteu, menina? – rosnou o homem. Ele segurou-a pelos ombros. Ela pensou em fugir, mas quando olhou para trás, os homens que atacou estavam chegando a praça central.

Sandor deve ter percebido o olhar de Sansa. Ela tremia e a adaga ainda estava em suas mãos, ligeiramente apontada para ele. O objeto estava sujo de sangue.

– Tentaram te machucar? – perguntou Sandor. Ele parecia preocupado, mas Sansa sabia que era falsidade.

Você me machucou.

Ele não esperou a resposta. Os homens olhavam para eles de forma raivosa e Sandor apenas pegou Sansa pelos ombros e guiou-a pelas escadas.

Quando chegaram no quarto, ela tremia. De frio e de medo. Medo dos homens, medo de Sandor. Não saíra com a capa e sua pele estava gelada. Ela não se importava.

Ela ainda apontava a ponta da faca ensanguentada para frente. Sandor fechou a porta e, por trás de Sansa, envolveu seus braços nela, tirando a faca de suas mãos nervosas.

– Vai dormir, menina. – disse Sandor, se sentando em uma cadeira, limpando a adaga.

Sansa não olhou para ele. Nem ousaria. Se jogou sobre a cama, enrolou-se nos cobertores e esperou que o sono viesse. Não iria limpar a terra dos vestidos. Não iria limpar o sangue de seus lábios.

Iria apenas dormir e torcer para não acordar mais.

***

Cenas do Próximo Capítulo (leia-se com a entonação de um narrador de novela mexicana)

Sansa ouviu barulho de água e uns resmungos masculino. Ela abriu os olhos, reparando que o quarto era invadido pela claridade do sol. Ela protegeu os olhos com a mão, esfregando-os e bocejando. Levantou-se devagar, saindo da cama ainda sonolenta.

Foi aí, então, que reparou que Sandor não estava na cama ao lado.

Foi aí, então, que viu que Sandor estava parado em pé, em frente a banheira, pingando água e totalmente nu.

Notas finais
Primeiramente, gostaria de agradecer SEMPRE todos que estão lendo, acompanhando, curtindo, comentando, visualizando! A fic tinha 495 visualizações ontem e hoje, quando fui olhar, tinha 516. Quase caí pra trás. Fico feliz que tenha atingido tudo isso! Por conta disso, decidi postar o capítulo mais cedo e, como podem ver, decidi postar cenas do próximo capítulo. Sim, você não leu errado, essa cena bapho estará no próximo capítulo. Pretendo fazer isso sempre! Mas correndo risco de mudar uma coisinha aqui ou ali para aperfeiçoar. Obrigada por tudo, suas lindezas!