Notas iniciais
Sansa sequestrada, Sandor sozinho, um bordel pela frente... ___ Atrasada, mas chegando! Travei um pouco essa semana. Mas saiu do jeito que eu queria! Yay! Espero que gostem!

Capítulo 4 — Rosby

Sandor ajeitava o manto para que Sansa se deitasse. Preparou o cavalo para a partida ao amanhecer. Não apagaria o fogo até a ruiva voltar, para que ela não se perdesse.

O cansaço estava batendo. Ficar sem vinho o fez sentir melhor seu corpo e como ele estava dolorido pela armadura e pela viagem.

Sansa demorava para voltar. Ele começou a ficar desconfiado. Decidiu ir atrás, mesmo sabendo que ela o esfolaria por isso. Ele riu internamente, ao pensar em flagrar Sansa fazendo coisas íntimas e como ela agiria.

Sandor andou até o lugar onde Sansa estaria. A luz da lua mal iluminava o caminho escuro. Ele saberia reconhecer a silhueta da menina. Mas nada encontrou.

Andou por minutos pela área onde Sansa deveria estar. Gritou-a pelo nome. Nenhum sinal de Sansa.

Vadia. Pensou. Certamente, o Passarinho aproveitou para fugir. Seu coração palpitou. Sansa o traiu. O pacto não serviu de nada. Ela não sobreviveria sozinha na floresta. Pouco se importava. No entanto, a palpitação demonstrava que Sandor estava preocupado. Gritou por Sansa mais uma vez. Sem resposta.

Ao passar por quatro árvores de onde estava a fogueira, ele olhou para seu acampamento. Aparentemente, Estranho estava bem e o fogo, aceso.

Foi quando Sandor sentiu um cheiro característico que fez seu coração palpitar mais que antes. Cheiro de álcool. Ele fungou seu nariz, como um cão. Cheiro de homem. Desembainhou a espada, sempre a espreita.

Sansa não estava em lugar nenhum. E o cheiro estava se esvaindo. Amaldiçoou-se por não ter acompanhado Sansa. Ela fora sequestrada. Era a única explicação. O desespero bateu. Não fugira de Porto Real para deixar que Sansa fosse humilhada e maltratada de novo. Ou estuprada.

Sandor voltou para o pequeno acampamento, colocou seu manto de volta e a espada na cintura. Chutou a terra para apagar o fogo. Subiu no cavalo e seguiu a trote para onde Sansa poderia estar e desejou que nada de ruim estivesse acontecendo com o Passarinho.

***

Sansa sentia-se tonta por estar de cabeça para baixo. A mordaça apertava sua boca e começava a sentir dor no local. Quando levantava a cabeça, nada via. Estava escuro demais para distinguir algo na mata fechada.

Os homens riam e falavam coisas rudes que fazia Sansa se envergonhar e sentir medo.

– Uma donzela para nós – disse uma das vozes. – Além de comida, teremos uma mulher para nos esquentar a cama.

Os outros homens riram. Sansa estava assustada demais para se debater.

O homem que a carregava a jogou para cima de um cavalo. Ele subiu por trás dela e amarrou suas mãos com um pedaço de corda. Sansa conseguiu distinguir a silhueta dos outros homens. Eram quatro homens para três cavalos. Dois homens dividiam um cavalo e o outro estava sozinho. Não conseguia identificá-los, nem enxergar seus rostos.

– Tem um bordel na próxima vila – disse o homem que estava sozinho no cavalo.

– Sim – confirmou a voz próxima a Sansa. – Vamos levar essa belezura para se limpar. E vamos beber e comer. Estou faminto. E essa menina está imunda!

Os outros gargalharam. O cavalo começou a correr. Sansa não soube dizer por quanto tempo cavalgaram. Poucos minutos, horas, talvez. Estava assustada demais. Pensava em Sandor, desejava que ele a encontrasse. Suas lágrimas secaram e não queria derramar mais nenhuma gota para esses homens.

Chegaram a uma vila vazia e escura. Sentira certo alívio por sair da mata fechada. Talvez, pudesse encontrar algum tipo de ajuda ali. O homem que a carregava levantou o capuz da capa da menina e tirou a mordaça de sua boca. Os cantos de sua boca e bochechas estavam doloridos.

– Se você ameaçar gritar, eu te corto. – Ameaçou, novamente, o homem.

Pararam os cavalos em um estábulo público, onde um jovem menino os receberam. Ali, à luz de lamparinas, Sansa pôde ver como eram seus sequestradores. O homem que estava no seu cavalo era loiro, com olhos azuis e de nariz grande. O que estava sozinho em um cavalo era ruivo, de olhos castanhos, muitas sardas e acnes. Os que dividiam o cavalo eram morenos, mas um deles era forte e corpulento e o outro, extremamente magro.

– Jerick, leve a menina até o bordel – disse o moreno de olhos azuis para o ruivo.

Jerick pegou a menina pelos braços e arrastou pela vila vazia até uma casa com uma placa de madeira entalhada pendurada na porta. Fogo de Deusa. Era o nome do bordel. Eles entraram por uma porta simples de madeira e o ambiente interior era algo que Sansa nunca tinha visto.

O local era todo decorado com tecidos em tons avermelhados, cadeiras com almofadas enfeitadas de dourado. Por fora, parecia um lugar calmo. Mas se enganava quem pensava isso. Dentro do bordel, ouvia-se muita conversa, murmúrios, risos e gargalhadas. Os homens, a maioria cavaleiros, estavam sorridentes, e se contrastavam no ambiente com suas roupas escuras e neutras e com mulheres em suas pernas. Essas, usavam vestidos leves – alguns, transparentes – de cores fortes, como vermelho, rosa e laranja. Algumas mantinham os seios descobertos, sem pudor e incômodo dos olhares masculinos. Um cheiro forte de rosas e flores do campo se misturando com suor masculino impregnou o nariz de Sansa. Havia outro odor que Sansa não conseguia identificar, mas algo lhe dizia que era característico de bordéis. Cheiro de sexo.

Uma mulher mais alta que Sansa, de cabelos castanhos e encaracolados, os recebeu. Ela usava uma túnica de cor vermelha e tão fina que dava para visualizar os contornos de seu corpo curvilíneo. Sansa ruborizou. Nunca pensara que, algum dia, entraria em um lugar assim. Mal se sentia a vontade com seu próprio corpo.

A mulher acariciou o braço de Jerick, dando-lhe um olhar sedutor. Para Sansa, ela lhe deu um olhar maternal e a menina se perguntou se isso era possível vindo de uma prostituta.

– O que me trás, sor? – perguntou a mulher, colocando a mão no queixo de Sansa e analisando-a. Queria poder lhe contar que fora sequestrada e que ali não era seu lugar. Queria pedir ajuda. Mas um instinto lhe dizia para ficar quieta.

– Encontramos essa menina perdida na mata – disse Jerick, alisando as costas de Sansa. – Eu e os rapazes queremos um pouco de diversão. Mas como pode ver, ela está bem maltratada.

A prostituta abaixou o capuz da capa de Sansa, deixando os cabelos vermelhos descobertos. Observou a ruiva atentamente, da cabeça aos pés. Sansa estava suja, com o vestido imundo e rasgado na altura do joelho, com uma atadura suja e ensanguentada em sua mão direta, cabelos desgrenhados.

– Eu cuidarei dela – disse a prostituta, pegando Sansa pelos ombros e levando-a em direção a uma escada. Sansa olhou para trás para ver Jerick saindo do bordel.

Algumas mulheres desciam as escadas, enquanto ela subia. Sansa se encolhia e tentava não olhar a sua volta. Estava ruborizada e sentia-se tímida com a situação. A mulher a levou para um quarto e, por um segundo, Sansa se sentiu calma. Talvez, pudesse pedir ajuda.

– Eu... – Sansa tentou dizer. A mulher parou para ouvir. Mas Sansa não sabia o que dizer.

A prostituta sorriu diante do nervosismo da garota.

– Meu nome é Amina – apresentou-se. – Sou responsável do bordel quando o meu senhor não está.

– Meu nome... – Sansa parou. Não poderia dizer quem era. – é Elia.

Amina sorriu. Ela tinha olhos e pele amendoados. Não parecia ser de Westeros.

– Irei cuidar de você – ela disse com olhar sedutor para Sansa.

Um súbito medo passou pela espinha de Sansa. Cuidar de você. A mulher iria arrumá-la para deixar que aqueles sequestradores a possuíssem.

Amina tirou a capa de Sansa e a posicionou de frente a um espelho, onde a menina teve a oportunidade de se olhar. Estava irreconhecível. Cabelos desgrenhados e embaraçados, tão sujos quanto sua pele e vestido. Havia um arranhão em sua bochecha e ela se perguntou onde conseguira aquilo. Talvez, quando tentara fugir de Sandor.

Sandor. Sansa precisava contar a verdade. Mesmo que aquilo a afastasse de Sandor. Talvez, fosse até melhor e mais seguro.

– Eles... me sequestraram.

Amina tinha acabado de abrir seu vestido quando Sansa falou. Ela olhou para Sansa através do espelho.

– É claro que sim.

Amina parecia muito segura de si e do que falava. Não pareceu se surpreender. E pareceu entender a indignação de Sansa.

– Muitas daqui vieram sequestradas – contou a mulher. – Mas te pergunto: O que fazia sozinha na mata à noite?

Sansa não respondeu. Não poderia contar toda a verdade.

– Eu estava voltando para casa.

– E onde é sua casa?

– Longe. No Norte.

Sansa não poderia confiar na mulher. O que ela estava fazendo? Não poderia confiar em uma prostituta que acabara de conhecer. Sandor a mataria.

Se voltasse a ver Sandor.

Lágrimas brotaram de seus olhos, mas ela se recusou a deixá-las cair. Ao mesmo tempo que gostaria de estar com Sandor, gostaria de estar longe dele.

A mulher preparava uma banheira – com água quente vinda de uma bacia na lareira. Foi quando Sansa reparou no quarto. Havia uma cama grande de casal, com lençóis de seda clara; a lareira acesa aquecia e iluminava o ambiente, que havia apenas algumas velas. Uma iluminação que lembrava o andar de baixo. Vermelho. A banheira estava exposta do lado oposto da cama. E não tinha nem um biombo para separá-lo do resto do cômodo. Um armário grande em um canto mostrava que o quarto parecia ter dono. Uma mesa perto da porta mantinha uma bacia de ferro e uma jarra. E flores. Tinha flores por todo canto.

– Eu não posso ficar – Sansa avisou. O desespero bateu em seu íntimo e se pedisse com educação, a mulher poderia deixá-la ir. – Eu não posso ficar aqui. Preciso ir para casa. Por favor, me deixe ir. – Sansa choramingava.

Amina se aproximou dela, disse-lhe para tirar o vestido e não respondeu por um bom tempo. De alguma forma, o olhar e o sorriso da mulher a acalmavam. Não queria tirar o vestido e ficar nua na frente dela. Não queria ser preparada para aqueles homens. Mas, talvez, se colaborasse, arranjaria um jeito de fugir.

Tirou o vestido, tímida, e entrou na banheira com a água quente. Não estava escaldante, estava confortável. Amina colocou alguns óleos perfumados na água. Estava realmente precisando de um banho. E comida.

– Você pode me arranjar um pouco de comida? – perguntou Sansa, inocentemente. Tinha medo de parecer abusada. Não era algo típico de uma lady.

Amina sorriu amavelmente. Andava pelo quarto, mexendo em um armário, expondo um vestido verde.

– Você parece uma menina de ruelas – disse-lhe Amina. Sansa entendera o que ela quisera dizer com aquilo. Estava suja e faminta, sequestrada na floresta por homens desconhecidos, onde, supostamente, perambulava em busca de sua casa. Aquilo a ofendeu, mas sabia que era a realidade.

A moça saiu do quarto. E Sansa pensou que seria um bom momento para sair dali.

***

Sandor amaldiçoava a ruiva de todos os jeitos possíveis. Onde a menina se metera?

Ele corria com seu cavalo pela floresta escura. Seu faro de cão lhe dizia que a menina não estava segura e isso o preocupava, internamente.

Passado algum momento cavalgando, Sandor entrou por uma campina e viu iluminações. Uma vila. Reconheceu o lugar. Rosby. Uma pequena vila em volta, e um pouco distante, do castelo de Rosby. Não era um bom lugar para se estar. Ainda estavam muito próximos de Porto Real. Com certeza, o reconheceriam ali. E também reconheceriam Sansa. Amaldiçoou a si mesmo por não ter ficado próximo a Estrada do Rei. Sentia como se tivesse cavalgado muito para chegar a um local tão próximo. Como se tivesse andado em círculos.

Mas não podia deixar a ruiva. Teria que se arriscar a entrar na vila e torcer para não fosse reconhecido. A noite poderia lhe dar um pouco de sorte.

Quando chegou perto, decidiu tirar seu manto da Guarda Real. Queria se livrar dele, mas se isso acontecesse, ele não teria com o que cobrir Sansa nas noites frias.

Se encontrasse Sansa.

Ao chegar aos estábulos públicos, um pequeno menino o recebeu. Mesmo à noite, ele se assustou com o rosto queimado do Cão. Pediu ao garoto que escondesse Estranho, junto de seu manto e que lhe arranjasse uma capa. Deu-lhe um veado de para como pagamento.

Ajeitou o cabelo por cima da cicatriz e com a capa vestida e o capuz em sua cabeça, Sandor perambulou pela vila vazia. As casas e o comércio estavam apagados e fechados. Os únicos locais abertos eram um bordel, uma estalagem e uma taberna logo embaixo da estalagem. Ele caminhou até a taberna, desejando que estivesse vazio o suficiente para que não o reconhecessem.

Não estava.

Os olhares vieram para ele. E ele agradeceu por ter escondido a cicatriz. Ele caminhou lentamente para uma mesa no canto, tentando mostrar que não era perigoso, enquanto os olhares se desviavam, pouco se importando com um homem comum de capa marrom.

Uma mulher de cabelos cor de mel e muito magra chegou até ele, perguntando o que queria. Ele abaixou a cabeça e apenas rosnou por uma caneca de vinho e uma costela de porco.

Vinho. Finalmente, teria o seu vinho.

Observava os homens na taberna, esperando que alguém lhe desse alguma dica de onde poderia estar Sansa Stark. A maioria gargalhava e falava alto. Ele mal conseguia ouvir as palavras com seu ouvido bom, diante de tanta gritaria.

Cinco mesas estavam ocupadas. Algumas com cavaleiros de pouca importância, fazendeiros e prostitutas sentadas em seus colos.

Quando sua comida chegou, a primeira coisa que fez foi beber boa parte do vinho, agradecendo aos Sete pela criação da bebida. Ele comeu como se estivesse há anos sem comida. Se Sansa estivesse ali, estaria gracejando sobre como ele era estúpido e ogro por comer daquela forma. Provavelmente, ela o ensinaria a comer.

Ele desejou que ela estivesse ali.

Pediu para que a garçonete enchesse seu cantil e perguntou sobre quartos vazios. Se encontrasse Sansa, poderia deixá-la ter um pouco de conforto mesmo num local arriscado.

– A Batalha de Blackwater entrará para a história! – gritou um dos homens.

– Nós entraremos para a história! – gritou outro. Estavam bêbados.

Sandor escutou com curiosidade. Até onde lutou, a batalha estava perdida para os Lannisters. E aqueles homens não pareciam homens de Stannis.

A mulher voltara com seu cantil e percebera que ele prestava atenção na conversa.

– Alguns homens ainda estão comemorando a vitória. – disse a mulher.

– Vitória de quem? – arriscou Sandor.

– Ora, dos Lannisters! – disse-lhe como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Tywin Lannister viera de Rochedo Casterly com sua tropa e lançou Stannis para longe!

Tywin Lannister. Os Lannisters ganharam. O que significava que já deram falta de si e de Sansa. O que significava que estariam caçando por suas cabeças. O que significava que estavam em grande perigo naquela vila.

Foi quando a porta da taberna se abriu e duas mulheres robustas, de seios fartos, cabelos castanhos e roupas transparentes entraram. Elas se dirigiram para uma mesa próxima, onde estavam quatro homens. Sentaram em seus colos e riram quando eles lhe disseram alguma gracinha. Foi ali que o coração de Sandor gelou.

– Poderão nos visitar daqui a pouco, rapazes – disse uma das moças. – A ruivinha de vocês está se aprontando.

No mesmo momento, Sandor se levantou de supetão, arrancando olhares curiosos. Ele pensou por um segundo e voltou a se sentar. Não poderia levantar suspeitas. Seu coração batia acelerado, tentando se lembrar como era a vila e onde Sansa estaria. O únicos lugares abertos eram a estalagem, a taberna e o... bordel.

Sandor quis gritar todos os palavrões para aqueles homens e mulheres. E imaginou se Sansa estivesse ali.

Se Sansa estivesse ali, iria obrigá-lo a pensar logicamente. Iria acalmá-lo e gracejar suas educações.

Aja com educação. Obrigada, sor.

Sandor bufou. Odiava as gentilezas de Sansa. Teria que planejar uma estratégia para tirar a menina dali com segurança. E não serem descobertos.

– Não somos como o Cão do rei que fugiu com o rabo entre as pernas! – gritou um deles, arrancando gargalhadas do resto.

Sandor fechou o punho sobre a mesa, desejando destruir esses homens. É claro que já sabiam que ele era desertor.

Antes que se levantasse para esmurrar a cara de um, as duas mulheres se levantaram, enquanto dois homens, que estavam em outra mesa, a acompanhavam. Era hora de agir.

Sandor deixou alguns veados de prata sobre a mesa e saiu da taberna, tentando ser discreto, apesar de seu tamanho. Eram um bando de bêbados burros por não terem desconfiado de Sandor sob o capuz.

As duas mulheres e dois homens caminharam pela vila até uma porta simples de madeira, onde era o bordel. Ele olhou para a placa Fogo de Deusa, e bufou pelo nome. Sansa não tinha nenhum fogo de deusa. No máximo, o gelo de uma donzela. Ele riu internamente pela comparação.

Esperou por alguns segundos antes de entrar. E quando entrou, o cheiro de rosas e sexo impregnou seu nariz. Uma mulher de cabelos cacheados o recebeu de sorriso aberto e lhe perguntou se poderia ajudar.

Ele pensou por um instante. Sim, ela poderia ajudar. Ele poderia exigir uma mulher específica.

– Me arranje uma ruiva. Não tenho muito tempo. – rosnou para a mulher. Mas ela não se assustou com sua grosseria.

A mão quente da mulher o puxou até uma prostituta ruiva, de cabelo lisos e brilhantes. Por um instante, Sandor pensara que era seu passarinho, mas quando ela se virou, se mostrou uma mulher simples e feita. Passarinho tinha traços joviais.

Ele aceitou a mulher mesmo assim e a ruiva o levou para o andar de cima, para um dos quartos. Eles passaram por algumas portas entreabertas, e algumas passagens apenas com uma cortina como porta. Em alguma daquelas portas, Sansa poderia estar. Iria inventar uma desculpa para a ruiva sair do quarto. E teria que pensar em algum jeito de encontrar Passarinho.

***

Sansa saiu de seu banho, esperando se secar naturalmente em frente à lareira. Caminhou até a cama onde a mulher lhe deixara um vestido bonito de cor verde. Ela o vestiu, desejando que tivesse alguma roupa por baixo, se olhando no espelho que ali havia, percebendo como ele era... indecente. O vestido era levemente transparente, com o tecido muito fino. Ele não tinha decote, era fechado quase até o pescoço, com a parte da frente bem frouxa e presos por uma corda. Mas atrás, suas costas estavam nuas, exceto por um tecido que se prendia com a mesma corda da parte da frente, e se jorrava numa espécie de capa, que se completava com a parte debaixo. Sansa nunca usara nada parecido e lhe lembrara os vestidos que Shae usava. A cintura era marcada por uma faixa de couro marrom e os ombros eram enfeitados com fios de bronze. Era um bonito vestido, mas não se sentia confortável.

Sansa se sentia diferente. Não era digno de uma lady. Era um vestido de prostituta.

Amina lhe trouxera algumas frutas, queijo e pão enquanto Sansa estava no banho. A bandeja com comida estava em cima da mesa próxima a porta e Sansa comeu tudo o que podia, o mais rapidamente possível. Sentiu-se como Arya enquanto comia daquela maneira.

Ela ajeitou os cabelos, colocou suas botas sujas e se virou para vasculhar o quarto. Às vezes, ouvia passos pesados no corredor e parava imediatamente. Mas quando os passos cessavam, ela voltava a vasculhar. Havia três dragões de ouro e um colar dourado com pedras vermelhas em uma gaveta. Ela o colocou e guardou as moedas por dentro do decote. Não era certo roubar. Septã Mordane lhe ensinou que isso era extremamente feio. Mas não tinha dinheiro nenhum. Acabou colocando o colar de volta no lugar, mas ficando com o dragões de ouro. Aquela mulher poderia conseguir esses dragões facilmente mais tarde.

Iria fugir dali custe o que custar.

Ela abriu a porta ligeiramente, verificando se não havia ninguém nos corredores. Ela saiu, tentando fazer o mínimo de barulho possível. E se perguntou por onde iria sair. O corredor era grande e havia algumas portas. Ela andou por eles e se perguntou se alguma lhe apontava pela saída ou pela porta dos fundos. Não poderia sair por onde entrou.

Alguns quartos não tinham portas, apenas cortinas transparentes e Sansa viu alguns casais fazendo... coisas. Ela virou o rosto ruborizado. Nunca viu um casal consumando o casamento. Não, não era um casamento. Não era certo o que faziam.

Ela percebeu que teria de voltar para o quarto. Lembrava-se de uma janela. Talvez, desse para pular. Mas antes que abrisse a porta, o homem de cabelos loiros que lhe sequestrara subiu as escadas e apareceu à sua frente. O coração de Sansa gelou.

– Boa noite, mocinha – disse o homem. – Vejo que está a minha espera.

Não, não estou, quis dizer.

Ele abriu a porta e empurrou Sansa com violência para dentro. Ela se afastou o máximo que podia. O homem fechou a porta, mas se esquecera de trancar. Ele se aproximava dela, observando-a da cabeça aos pés, com olhos maliciosos. Sansa se sentiu nua.

– Deixe-me apresentar para a mocinha – disse o homem. – Meu nome é Rurik. Gostaria de dizer seu nome?

Sansa ficou calada. Tremia da cabeça aos pés. Sentia medo, seus dedos estavam gelados, seu coração palpitava como se fosse pular de seu peito e suas pernas estavam quase cedendo. Lágrimas começavam a se formar.

O homem se aproximava lentamente, tirando a cota de couro e a cota de malha que usava e as botas.

Ela se afastava cada vez mais, até que esbarrou na cama e caiu sentada sobre ela.

– Não precisa me dizer o nome – disse-lhe com voz amarga e sussurrante. – Gosto assim. As putas servem para isso.

Quando ele estava bem próximo, Sansa não teve outro instinto senão o empurrar e correr até a porta. Ela deixou as lágrimas cairem, segurou a maçaneta, chegando a abrir e juntou ar para começar a gritar quando o homem a agarrou pela cintura e pelos seus cabelos, puxando-o para trás. O grito de socorro foi substituído por um urro alto de dor. O homem bateu a porta com força, trancando-a e a prendeu ali, enroscando suas partes no traseiro de Sansa.

– A menina está com medo? – sussurrou em seu ouvido. – Pelo visto, é uma donzela. Não tenha medo, irei mostrar que é gostoso.

E dizendo isso, ele empurrou os quadris contra Sansa e ela sentiu algo que não queria sentir. Sentiu nojo e seu estômago se revirou, enquanto as lágrimas caíam e ela não se importava mais em chorar alto.

Ele a puxou, e a jogou sobre a cama. O homem começou a desamarrar o laço da calça, enquanto Sansa se debatia. Isso a lembrou do dia do motim, na despedida da Princesa Myrcella. Não queria passar por aquilo de novo.

Rurik ria amargamente da situação, tentando prender Sansa com suas pernas. Por um breve instante, Sansa se lembrou de Joffrey. Ele era loiro como o rei e sua risada era tão maldosa quanto. E isso fez Sansa estremecer todo o corpo e sentir uma angústia grande dentro de si.

Ele passou a mão em seu rosto e os dedos em seus lábios, enquanto ela tentava empurrá-lo. Sansa aproveitou para virar o rosto e morder forte seu dedo indicador. Usou toda a força de seu corpo em seus dentes. O homem urrou de dor e puxou a mão, deixando o caminho livre para Sansa. E quando ela tentou se levantar, ele lhe deu um tapa forte no lado direito de seu rosto, jogando Sansa de volta a cama, deixando-a tonta e com ardência no local.

Ela lutava bravamente contra o homem e nem escutou a porta se esmurrar, nem passos largos caminharem até eles. Apenas viu uma mão enluvada passar uma adaga no pescoço do homem, que se abriu em um corte profundo, jorrando sangue sobre Sansa. Os olhos maliciosos do homem se tornaram vazios e ele caiu sobre ela, que nem teve tempo de se desviar.

E lá estava ele. O mesmo homem que a salvara do motim. A cena se repetia de forma intrigante. Lá estava Sandor, grandioso, com uma capa por sobre a armadura, segurando a adaga ensanguentada e tirando o corpo de cima de Sansa.

– Passarinho está perdida? – ele esboçou um sorriso. E ao mesmo tempo que Sansa sentiu alívio, também sentiu desprezo. Como ele poderia fazer piada de uma situação daquela?

Ela tremia toda e não conseguia se levantar. Estava com o rosto sujo de sangue e o vestido também. Sandor a puxou pelos braços, ajudando-a a se levantar. Desta vez, ele não tomou-a pelos ombros. Apenas se virou para fechar a porta esmurrada e foi até a janela.

– Não temos tempo, menina. Precisamos fugir.

Ele analisou a altura que teriam que pular. Não era alto o suficiente para que ele se machucasse, mas alto o suficiente para que Sansa se quebrasse inteira.

– Não está pensando em pular, está? – perguntou Sansa, se apoiando no parapeito da janela.

Ele a olhou e os olhos marejados e inocentes da menina quebraram seu coração. Ela já passara por muito sufoco, não iria arriscar que ela se machucasse mais ainda. Ela tinha sua capa nas mãos, pronta para partir.

Ele puxou o capuz por sobre a cabeça e foi até a porta.

– Sabe agir como uma puta? – perguntou o homem.

Sansa se ofendeu.

– É claro que não!

– Então é melhor começar a aprender – e dizendo isso, ele agarrou sua mão.

Passaram pelos corredores, sem que ninguém os incomodasse. Sandor não sabia onde poderia ter uma porta dos fundos e teria que arriscar a porta da frente. Sua ideia era que Sansa o puxasse para fora do bordel, como se ele fosse apenas mais um cliente. Poderiam tentar passar despercebidos assim.

Eles desceram as escadas, se escondendo atrás de uma treliça de madeira e enfeitada de flores. Poderiam ver as mulheres e os homens se enroscando e beijando nos sofás e almofadas do salão. A porta era logo à esquerda. Mas teriam que atravessar o local onde todas as prostitutas ficavam. À direita, havia um corredor. Mais quartos. E Sandor andou para saber o que havia além.

Uma cozinha. Com portas do fundo. Haviam três prostitutas.

– Você está vestida como uma puta – disse Sandor, fazendo a menina ruborizar. – Me puxe para fora do bordel. Assim, não vamos chamar tanta atenção.

Aproveitando que as moças estavam de costas e entretidas conversando sobre um cliente super dotado, Sansa puxou a mão enorme de Sandor. As mulheres lançaram olhares vazios, como se aquilo fosse a coisa mais normal de se acontecer, ignorando-os e voltando aos risos e conversas. Passaram pela porta. Fora fácil demais.

O vento gelado da noite bateu no corpo de Sansa, que percebeu que o vestido nada protegia do frio. Ela tremeu e queria ter tempo para colocar a capa, mas Sandor a puxou pelo braço, dando a volta no bordel e caminhando pela vila escura e vazia.

Andavam depressa e Sandor desejava que o menino não tivesse o dedurado e que Estranho estivesse protegido. Foram interrompidos por um grito feminino cortante no bordel.

Sansa se estatelou, de olhos arregalados e Sandor teve que puxá-la para que continuasse a andar. Pronto, descobriram o cadáver do homem.

Ouviram murmúrios e passadas pesadas e os primeiros homens que saíram da taberna foram os que sequestraram Sansa. Eles logo repararam que ela fugia.

– Hey! – gritou uma das vozes. Eles começaram a correr atrás, enquanto outras pessoas saíam da taberna sem entender a situação.

Sansa não olhou para trás e Sandor a puxou, obrigando-a a correr.

Após algumas passadas, finalmente chegaram aos estábulos. O menino estava sentado em um banco.

– O cavalo negro, menino, rápido! – esbravejou Sandor.

O menino foi até Estranho, que estava muito afastado, escondido, como garantira para Sandor.

Sandor pegou Sansa pela cintura e a colocou sobre o sela do cavalo. Mas antes que Sandor pudesse fazer o mesmo, os passos apressados dos três homens se aproximaram. O desertor virou-se para o menino.

– Saia daqui, garoto!

E o pequeno menino se colocou a correr, antes que os três homens chegassem. E quando chegaram, Sandor tirou a capa que usava e desembainhou a espada.

Os três homens sacaram suas espadas e atacaram sobre Sandor. Ele se defendeu do primeiro. Ele parecia novato e Sandor o atacou com rapidez, espetando- pela barriga, deixando o rapaz cair no chão.

Os outros dois homens iam se afastando, enquanto Sandor, gradioso, avançava. Os clanks das espadas eram ouvidos por Sansa, que chorava baixinho e tremia de medo e frio.

Estavam quase fora dos estábulos, quando os dois homens ficaram entre Sandor. O ruivo atacou Sandor por trás, pelas pernas, sem causar algum arranhão, mas fizera Sandor cair pelo ataque inesperado. O moreno foi para cima do homem que rolou para ficar de costas sobre o chão, se defendendo, não conseguindo evitar que a ponta da espada lhe arranhasse do lado queimado de seu rosto.

Naquela altura, Sandor já imaginava que eles o tivessem reconhecido. E não se importava. A única coisa que queria era sair vivo dali, com Sansa em seu encalço.

Sandor conseguiu enfiar sua espada no peito do moreno quando ele o atacou novamente. Rolou sobre o corpo, tornando a ficar em pé, se virando para o ruivo, que Sansa se lembrava se chamar Jerick.

E antes que ela esperasse algum sinal de Sandor, ela esporeou o cavalo com suas botas para que ele andasse. A luta dos dois homens se estendera pela vila, arrancando olhares confusos dos outros habitantes.

Quando Sansa viu Sandor atacar o pescoço do ruivo, ela esporeou o cavalo mais uma vez para que ele corresse, se segurando nas rédeas. Mas não fora rápida o suficiente para evitar que Sandor fosse reconhecido.

– O Cão! – gritou uma voz, apontando para o cavaleiro.

Sansa chegou perto de Sandor, puxando as rédeas e ele a olhou espantando. Não imaginava que Passarinho soubesse controlar um cavalo. Ele subiu na frente de Sansa, que se afastou para não ser esbarrada por ele.

– Segure-se em mim, Passarinho. – disse Sandor.

Sansa passou os braços por sobre a cintura do Cão e, aos gritos dos habitantes de Rosby, fugiram da vila.

Notas finais
Ps.: Para fazer o vestido verde da Sansa, me inspirei naquele vestido rosa característico da Shae. Não soube descrever tão bem, aquele vestido é meio confuso. o.O Espero que tenham gostado do capítulo! Prometo não demorar tanto para o próximo! Obrigada a todos que estão acompanhando, lendo, apoiando, favoritando, comentando! Comentem seus pensamentos! Elogios, críticas negativas e positivas, sugestões, um alô são muito bem vindos! Estou aqui aberta para saber o que estão achando! Obrigada e até a próxima! Ps².: Jogo do Brasil hoje, vamos torceeeeer!