Goddess Is Calling

12 Capítulo 11 - Encurralado


CAPÍTULO 11 – Encurralado

Alguns minutos de caminhada depois, a dupla chega nas minas… A estrutura era gigantesca e muito íngreme, dando uma impressão de que estava comprometida e que poderia desabar a qualquer momento. Sem perceber de que o Grupo de Busca El estava logo atrás, Ain diz:

— É melhor entrarmos logo. – disse ele ao ver o trio chegando no local. – Eu não quero atrasar muito… preciso encontrar o El.

Add diz:

— Ei, cara… sem pressa. – disse ele. – Por que essa pressa toda? Só por causa daqueles jovens lá?

Ain ignorou a pergunta.

— Só vamos logo! – exclamou. – Não temos muito tempo.

Add disse:

— Tudo bem, pode parar aí! – disse Add usando seus dínamos para paralisar Ain. – Agora você irá me explicar o por que de estar evitando aquele trio!

Ain tentava burlar o sistema de paralisia, mas sem sucesso.

— Não devo satisfações a você! – exclamou o sacerdote. – Eu já te disse, não posso entrar em detalhes… é inaceitável perante os olhos da deusa!

O Errante se comunicou mais uma vez.

— Conte tudo… – disse o outro Ain. – Não poderá se esconder desse cara como com aqueles jovens. É melhor você abrir o jogo e dizer a verdade!

Ain ficou encurralado…

— Maldita hora em que eu me esbarro com este menino! – pensou ele. – Se eu tivesse continuado sozinho e na minha, eu já estaria em Altera… Mas, se eu continuar me escondendo, logo a verdade pode vir a tona. Infelizmente o Errante tem razão… tenho que contar todo o meu passado a esse garoto.

Sem paciência para esperar, Add decide utilizar seus dínamos para eletrocutar Ain.

— Pela última vez… se você não me contar tudo, eu irei utilizar o sistema de eletrocussão dos meus dínamos. – disse Add. – A voltagem é tão grande, que poderá matá-lo na hora… superando 10000 volts.

Ain pensou:

— 10000 volts! – pensou Ain sobre o dano de eletrocussão em seu corpo. – É o suficiente para destruir a minha forma física… me perdoe, deusa Ishmael, mas eu terei que contar meu objetivo neste mundo para esse jovem.

Os dínamos estavam começando a criar faíscas, indicando que a eletrocussão estava iniciando.

— Tudo bem! – disse Ain. – Eu te conto sobre meu real objetivo aqui… só por favor, desliga esse negócio!

Add desativou a eletrocussão…

— Agora conte tudo! – disse ele.

Sem saída, Ain decide contar todo o seu passado para Add…

Momentos mais tarde…

— E foi assim que eu parei neste mundo… – disse Ain sobre todos os seus anos desperdiçados em Henir. – Fiquei 10 anos vagando por aquele vazio sem fim, até que finalmente eu encontrei um resquício de vida naquela imensa escuridão…

Add entendeu toda a história.

— Isso deve ter sido horrível. – afirmou ele. – Seu psicológico deve ter ficado abalado… mas, como você chegou até aqui? Ainda mais, sozinho.

— Aquele trio lá, que está chegando aqui… – disse Ain apontando para o Grupo de Busca El. – Eles me acompanharam por um tempo. Mas, nós acabamos tendo uma pequena briga… e eu, bem, eu decidi seguir minha jornada sozinho. Eu lutei contra Benders, lutei contra Wally mesmo ele ter escapado… e agora estou aqui.

— Olha, sinceramente… eu acho que você deveria sei lá, não se esconder daqueles jovens. – disse Add. – Eles te acompanharam até a Floresta das Sombras, e se não fosse por eles, você não estaria aqui… Deveria agradecer a eles.

— Eu agradeço sim… – disse Ain sorrindo. – Mas, eu decidi ser acompanhado pela minha própria intuição. Uma entidade que está me guiando nessa jornada… claro, tem vezes que eu não dou ouvidos a ele. Mas no final ele sempre tem razão… foi ele quem me incentivou a contar tudo para você.

Ao estranhar o assunto da tal entidade, Add pergunta:

— Qual o nome desta tal entidade? – indagou. – Por acaso, se parece com você? Só que, com uma aparência totalmente oposta da sua?

— Ele não tem nome… mas eu chamo ele de Errante. – afirmou Ain. – E ele realmente se parece comigo. Até a voz é semelhante…

Add alertou a Ain sobre o Errante.

— Olha, sem querer ser chato… mas você não deveria ouvir este Errante.
— disse Add. – Quando eu estive repleto de livros e conhecimentos sobre nasods, eu li também sobre entidades que se disfarçam de intuições, apenas para atrair a pessoa para um perigo maior. Tem pessoas que acabaram morrendo ao seguir esta tal entidade…

Ain assustou-se.

— Não acredito que ele seja uma entidade ruim. – afirmou Ain confiante sobre o Errante. – Se não fosse por ele, eu não teria derrotado Benders.

Add fez um monólogo com os seus dínamos, formando diversas figuras geométricas, semelhante a cubos.

— Me fale como esta entidade é. – disse Add pedindo para que Ain descreva a aparência do Errante. – Posso tentar formar um retrato falado dele e analisar o nível de malefícios que ele possui.

Ain começou a sua descrição.

— Bem, ele é igual a mim. – afirmou. – Porém, ele tem a aparência um pouco mal cuidada. Seus cabelos chegam até parte das costas, porém são muito enredados e sujos… Suas vestes são escuras, dominadas pelo preto. Sua pele se despedaça aos poucos, revelando linhas de Henir na pele… Ele usa um manto, semelhante a cor das minhas vestes, porém, é somente uma capa que cobre a sua cabeça. Ele usa uma atadura enrolada em sua cabeça, que cobre seu olho esquerdo… Sua expressão é triste e sombria, e sua voz rouca como um garfo arranhando um quadro negro.

Add consegue formar um possível retrato falado do Errante.

— De acordo com os meus dínamos, esta entidade por acaso é assim? – disse Add mostrando uma imagem holográfica do Errante, o que deixou Ain surpreendido com total tecnologia que o garoto utilizara.

— ASSIM MESMO! – exclamou Ain ao ver que Add havia acertado a aparência do Errante. – Ele é dessa forma… puxa, como você conseguiu adivinhar?

— Meus dínamos analisaram a forma que você descreveu esta entidade e a guardou em um banco de dados. – afirmou ele. – Logo foi utilizado uma pesquisa mais elaborada, e assim eu consegui a possível imagem deste indivíduo que você chama de Errante.

Add pesquisa mais a fundo sobre o tipo de entidade que Ain estava lidando, porém, sua descoberta acabou gerando uma grande preocupação.

— Eureca! – disse Add. – Encontrei o tipo de entidade que este cara é… Mas… Droga.

— O que foi? – indagou Ain.

Add, sem acreditar no que havia descoberto, olhara para Ain com medo.

— Ainchase, você está correndo um sério perigo! – disse Add.

— Porque? – indagou Ain.

— O Errante é classificado como uma entidade traiçoeira e maligna, capaz de manipular seus hospedeiros com promessas de ajuda e amizade. – disse Add. – Quanto mais o hospedeiro acredita nestas promessas, mais o Errante evolui sua forma física, que enquanto não estiver satisfeito da confiança da sua vítima, permanecerá apenas em pensamentos ou sonhos. Porém, quando chegar o momento de que ele não possa mais aguentar viver na mente da vítima, ele poderá se materializar em forma física. Ou seja, ele se tornará em um ser como todos nós… Quando ele estiver cara a cara com sua vítima, o Errante, que futuramente em sua forma final será chamado de Monarca, poderá matar a sua vítima com o objetivo de tomar seu lugar no mundo para matar todos aqueles que fizeram amizade com seu alvo.

Ain ficou assustado com a informação sobre a entidade que permanecera em sua mente.

— O Errante pode se alastrar na mente do alvo em forma de parasita, iniciando-se em sonhos e terminando no controle de suas decisões e emoções. – Add continuou informando. – A gravidade desta entidade na sua primeira forma é considerada como não grave, pois não vai afetar as decisões e emoções da vítima. Mas, quando ela atingir sua primeira evolução, cientificamente chamada de Apostásia, ou popularmente como Soberano do Vazio, sua gravidade se tornará letal podendo danificar parte do cérebro da vítima, fazendo-a não ter mais controles sobre suas emoções e decisões.

Ain ficou com medo.

— Nunca imaginei que o Errante seria tão…

— Destrutivo? – complementou Add. – Ain, deixa eu te falar uma coisa. Como você acabou de me falar, você é apenas uma criação da deusa… a deusa por acaso sabe disso?

— Não, e não quero que ela saiba. – afirmou ele. – Não quero preocupá-la, se ela descobre, ela mandará outro sacerdote no meu lugar.

— Conselho de amigo… – disse Add. – Não escute mais este Errante. Não se comunique mais com ele, caso ele tentar se comunicar, ignore-o! Seu caso não está letal, mas já está começando a se alastrar em suas decisões… Se você ouvir ele apenas uma vez, já será o suficiente para ele dominar suas emoções.

Ain disse:

— Tudo bem… – afirmou ele com receio. – Vou tentar não me comunicar com ele.

Após esta longa conversa, a dupla finalmente entrou nas minas para encontrarem a Aeronave de Carga, e finalmente enfrentar Wally. Mesmo sabendo que sua relação com o Errante pode se tornar traiçoeira, Ain ainda não aceitou a hipótese de que a entidade possa estar o manipulando… o que poderá tornar as coisas mais difíceis para ele no futuro.