Godan
10 Vendetta
Notas iniciais
12 de dezembro de 752 D.C.
Balder caminhava lentamente pelo corredor subterrâneo em Mijolnir, encarou o portão de madeira por dez longos segundos e por fim girou a maçaneta; caminhou em direção ao seu amigo e o encarou frustrado.
-O garoto... – Começou Balder. – Kido Suzuki está morto.
-Então conseguimos?! – Exclamou Erick se levantando do trono de pedra. – Se o Krïeger está morto então...
-Está satisfeito? – Perguntou Balder com tom de repugnância. – Agora que finalmente matamos um garoto por nossos interesses egoístas... Diga-me: Está satisfeito?
-Balder... – Sussurrou Erick. – Você sabe o porquê fiz isso... Agora já está feito. Você viverá... Nós superamos o destino.
* * *
16 de Dezembro de 732 D.C. – Ishikawa, Gondir.
Kazuno Takahashi segura com firmeza o diário, sentia a raiva correndo em suas veias, a vontade de vingança o corroia por dentro. Seu amigo a essa hora estaria em estado de decomposição naquela floresta escura enquanto os responsáveis por sua morte bebem e comem felizes pois pouparam a vida de Balder, o egoísta miserável que se aproveitou da vida de outra pessoa para salvar a própria.
-Sora... – Disse Kazuno tremendo de raiva. – Acho que não precisamos de mais provas.
-Não, não precisamos. – Respondeu Sora guardando as cartas no baú. – Precisamos descansar, vamos para alguma taberna, dormimos e amanhã de manhã iremos para Mijolnir resolver isso.
* * *
Amanheceu. Sora acordou e chamou Kazuno que dormia na cama do lado.
-Kazuno-kun. – Disse ele em tom chamativo. – Precisamos ir, só pagamos por uma noite.
-Sim, sim. – Respondeu Kazuno coçando os olhos.
-Seja rápido, o pessoal daqui é bem rígido, precisamos sair sem causar nenhum problema.
-Tudo bem... Já desço. – Respondeu ele encarando Sora com olhos de sono. – E Sora... Nada de símbolos hoje, eu trouxe uma capa preta para escondermos os símbolos de nossos clãs. Hoje agiremos como renegados.
Assim, Sora vestiu suas roupas negras e leves, posicionou todas as suas lâminas em seus cintos e tornozelos, guardou sua katana de lâmina curta em seu sinto e vestiu uma capa preta com capuz; aguardou Kazuno descer e então ele apareceu com a mesma roupa do dia anterior, a armadura de peão, espada de Krïeger em sua bainha e capa preta cobrindo o corpo inteiro. Kazuno colocou o capuz e tocou o ombro de Sora, fazendo sinal de que estava pronto.
Após quase três segundos eles reapareceram cercados por estruturas de concreto, Sora olhou ao redor, estavam num beco em Mijolnir.
-O que aconteceu? Onde está o sol? – Perguntou Kazuno observando o céu estrelado de verão.
-Kazuno, nós estávamos em Ishikawa, se lá era dia, óbvio que aqui é noite! – Respondeu Sora. – Eu tenho um plano: nós seguiremos pelos becos e vielas, há menos chances de encontrarmos guardas ou soldados aqui do que na área nobre.
-Concordo, daqui iremos direto para o castelo vermelho, lá decidiremos o que fazer. – Falou Kazuno com determinação. – E Sora... Sem mortes.
Então eles seguiram com velocidade pelos becos e escalando paredes com agilidade, Sora que vestia roupas mais leves seguiu na frente, Kazuno, como estava trajando armadura, seguiu o amigo.
Correndo como gatos pelos telhados, sacadas e vielas; os dois amigos estavam próximos ao castelo vermelho onde, supostamente, Balder está. Chegando próximo ao local, Sora avistou alguns guardas fazendo ronda ao redor do castelo. O jovem oriental olhou para os lados e viu locais onde eles poderiam se abaixar para pegar os inimigos desprevenidos, o único problema seria não matá-los; ele teria de utilizar de suas habilidades com o ninjutsu.
Sora fez sinal para Kazuno seguir pelo lado direito, assim ele correu escondido pelo lado direito, quando avistou o primeiro guarda, Sora o agarrou pela garganta enquanto o mesmo estava de costas, então o deitou no chão silenciosamente para que os outros não se alertassem. E após mais três seções de estrangulamento não mortal de guardas humanos, Os dois ganharam espaço para passar para a lateral esquerda do castelo sem serem percebidos.
-Muito bom... – Sussurrou Kazuno com positividade. — Por aqui tem espaços onde podemos escalar para o terceiro andar, de lá desceremos até a sala do trono, onde encontraremos Balder.
-OK! – Respondeu Sora saltando para agarrar um cano de metal, por onde escalou com as mãos até uma escada que estava travada, o ninja camponês destravou a escada, que por sua vez escorregou até próximo ao chão, logo à frente de Kazuno.
Sora continuou seu caminho pelo cano ao lado de Kazuno que seguia pela escada; e foi assim até uma janela composta por madeira real polida e aço, por onde ambos entraram sorrateiramente.
Ao adentrar no castelo vermelho, Sora olhou ao redor, eles estavam num corredor escuro que dava acesso à escadaria principal; Os dois seguiram velozmente pelas sombras até o lugar em que havia uma grande escada descendo e outra no sentido oposto.
-Tem certeza? – Perguntou Kazuno. – Descer pela escadaria principal iria chamar muita atenção.
-Não discuta, Kazuno-kun. – Respondeu Sora com firmeza. – Este é o local mais improvável em que dois invasores desceriam, os guardas estão nos locais mais escondidos aguardando inimigos.
Assim que Sora terminou de falar, correu para a escada que os levou até o segundo andar, onde deram de cara com várias portas paralelas de madeira e um grande portão com adicionais de metal no final do Corredor que era guardado por dois guardas; o camponês arremessou duas kunais, acertando ambos os guardas no olho. Os vingadores correram até a porta, onde pararam para refletir sobre a situação:
-E agora? – Perguntou Sora colocando o ouvido no portão. – Ouço vozes murmurando no interior da sala.
-Eu conheço este lugar. – Afirmou Kazuno. – Ai é a sala de reuniões do alto escalão do clã dos Humanos, provavelmente está havendo alguma reunião.
-Então eu tenho uma estratégia... – Começou Sora. – Teletransportarei por meio da minha técnica do Vazio para o centro da sala, será rápido.
-E arriscado. – Disse Kazuno com ênfase em suas palavras. – Você poderá aparecer dentro de uma parede ou alguma estante, não sabemos o conteúdo da sala!
-Mas podemos palpitar. – Continuou o camponês confiante. – Provavelmente há um trono de pedra e uma longa mesa retangular para os senadores e outros bajuladores da nobreza; é bem provável que encontremos Balder aqui.
-“Provavelmente”... Detesto essa palavra. – Retrucou Kazuno pensativo. – Também é provável que Balder não esteja ai, e é ai que eu entro, descerei até o térreo e procurarei por ele pessoalmente na sala do trono.
-Tudo bem.
-E Sora... –Prosseguiu Kazuno. – Caso ele esteja ai... Estará cercado por guardas reais, ou seja, os guerreiros mais capacitados e especialistas em proteger o rei, que por sinal é quem nós viemos buscar.
-Kazuno, o clã dos Humanos não tem muitas opções de guerreiros para poder escolher os “mais capacitados” para proteger o rei. – Disse Sora com um sorriso sarcástico. – Já em meu clã, sou um guerreiro da segunda classe da ordem dos ninjas mais habilidosos, então, confie em mim.
-Hm... Então “ninja mais habilidoso”, caso eu não encontre Balder, voltarei para cá e entrarei na sala por alguma janela.
Sora aguardou Kazuno se distanciar para a escadaria para começar sua missão. O guerreiro camponês concentrou sua energia e colocou sua mão direita no portão; ele sentiu suas células agitarem com uma corrente de energia que emanava de um ponto do meio de sua barriga, meio segundo de escuridão, surge uma sala repleta de guardas, não era uma reunião, mas sim descanso do guarda, ele sente seu instinto assassino surgir.
-Olá! – Falou ele abaixando a cabeça fazendo com que a sombra do capuz em seu rosto aumentasse; sacou duas kunais e se preparou. – Onde está o rei Erick?
Foi como se tudo estivesse mais lento, ele podia prever cada golpe de cada guerreiro, o primeiro tentou socá-lo em vão, pois Sora esquivou e cortou sua garganta, o sangue em seu rosto só aumentava a sede, mais um executado, respira, dá um mortal, investe no próximo, como brincadeira de criança, pausa de um segundo, esquiva, corta garganta, mais sangue, o sexto sacou uma faca, Sora o matou tão facilmente quanto os outros, pula, usa o corpo do sexto ainda em pé como impulso, arremessa kunai no próximo, mas o próximo defendeu com uma espécie de bracelete de ferro e aproveitou a inércia do corpo de Sora para acertar no rosto do garoto um soco em cheio.
Sora caiu e rolou sacando sua katana de lâmina curta, investiu contra o guerreiro, que por sua vez esquivou e deu uma joelhada no estômago do ninja, em seguida o agarrou pelo pescoço com as mãos e o pressionou contra a parede.
-ACHA QUE PODE ZOMBAR DA GUARDA REAL?! – Perguntou o homem dando uma série de socos no rosto de Sora. – Eu vou lhe mostrar a verdadeira força dos Humanos.
O homem jogou Sora no chão e socou seu rosto mais vezes, sacou sua faca e ia degolar Sora, mas uma janela atrás deles se quebrou e Kazuno surgiu sacando sua espada de lâmina escura de lâmina média.
Sora avistou do chão Kazuno atacar o guerreiro humano com a espada, o soldado se defendeu e desarmou o mercenário cortando o lado direito de sua bochecha, fazendo o capuz cair.
-Eu reconheço você! – Gritou ele atacando Kazuno novamente com a faca; o ruivo esquivou e socou o rosto do homem com força, mas ele parecia ser feito de pedra e não reagiu ao golpe, o homem socou o queixo de Kazuno, que por sua vez caiu pesadamente sobre o sangue dos outros humanos, o guerreiro vinha atrás dele, ele precisa sobreviver.
* * *
Kazuno Takahashi está deitado de bruços no chão frio de pedra do castelo vermelho dos Humanos em Mijolnir, quase nocauteado ele rola no chão sem saber o que fazer, até que lembra do treinamento em magia que Tsuki lhe deu alguns dias atrás e concentrou seus pensamentos em uma única frase: “Liberar 5%”. Automaticamente ele se sentiu revigorado como se começasse a exercitar um músculo que estivera parado há anos e se esquivou do golpe do guerreiro, agora levantado, Kazuno parte para o contra-ataque sacando seu punhal e arremessando no homem, que por sua vez se esquivou, em seguida, Kazuno socou o nariz do Humano socando-o três vezes seguidas, logo depois deu uma joelhada no estômago do mesmo e o jogou na parede.
O guerreiro Humano ainda se levanta e erra um soco, Kazuno, por sua vez, ergueu a mão e o cristal de seu punhal voltou para sua mão com o cristal roxo de seu cabo brilhando, então o ruivo esfaqueou o guarda real cinco vezes no estômago.
-Facadas no estômago lhe dão aproximadamente quinze minutos antes de sua morte. – Sussurrou Kazuno no ouvido do homem que sangrava como um boi abatido. – Posso troná-los os 15 minutos mais dolorosos da sua vida, então... Onde está o rei?
-Acha que trairei nossa majestade? – Indagou retoricamente o homem. – Você subestima a guarda real. – Concluiu ele cuspindo sangue no rosto de Kazuno, então o mercenário puxou o punhal e degolou o guerreiro.
-Sora! – Exclamou Kazuno se ajoelhando ao lado do companheiro ferido, — Você está b...
-Não pergunte isso, Kazuno, devo ter uma ou duas costelas quebradas, obviamente não estou bem. – Sussurrou o amigo exibindo expressões de dor.
-Ele não me deu informações sobre Balder... – Os guerreiros da nova guarda real são fiéis demais. – Sora... vá para casa, você está muito ferido.
-Eu posso ter alguma utilidade...
-Não, irmão, você me ajudou até aqui, muito obrigado, mas você deve ir e descansar, pois seu clã também precisa de você.
-Tudo bem... Só... Vingue nosso Krïeger. – Falou Sora erguendo seu braço direito e sumindo.
O tempo agora era como um rio, e Kazuno estava contra a correnteza. Imerso em um turbilhão de pensamentos num único segundo, finalmente toma uma decisão.
* * *
Balder Thorpe caminhava calmamente sobre as gramas verdes do jardim, o vento fazia sua capa farfalhar contra sua armadura recém-colocada, é interessante o momento, a gritante calmaria antes da tempestade que se espera, o sentimento de perda mesmo sem ainda ter perdido nada, mas quem se perderia seria o próprio, como assim foi profetizado.
Paradoxos são tão irrelevantes quanto pleonasmos nessas horas, um amor não correspondido, mas por que com ele? Seu melhor amigo... Tantos anos se passaram e ele ainda sente a dor de não poder agir conforme sua vontade, a vontade que o corrói por dentro e ao mesmo tempo o conforta, por saber que não durará para sempre, talvez, contudo ele não sabe ao certo o que deve fazer, em horas como esta... Só o instinto.
Um barulho às suas costas... Começou.
-Então... Finalmente apareceu, achei que teria de esperar a noite inteira. – Disse Balder sentindo a presença de seu oponente. – Agora se mostre e diga-me: veio para me matar?
Assim Kazuno saiu das sombras do jardim e deixou-se ser iluminado pelo luar de verão, seu capuz negro sombreava seu rosto de forma que só o queixo ficasse à amostra.
-Eu gostaria de tornar tudo assim tão simples Balder. – Respondeu ele levando sua mão direita a tocar a espada da lâmina dourada de seu falecido amigo. – No entanto, ambos sabemos que é bem mais complicado do que parece.
-Balder... – Repetiu o Falso Rei Erick fitando o homem encapuzado com curiosidade. – Você fala meu nome como se estivesse acostumado com a sensação de dizê-lo, você profanou o castelo abandonado, leu as cartas, tomou o amuleto da morte e assistiu a profecia... Seu mercenário desgraçado.
Notando que o Mercenário se surpreendera ao ouvir suas palavras, Balder dá uma risada sarcástica e se prepara para o que viria a seguir.
-Sim... O que um nome pode nos dizer... – Concluiu Balder.
-De fato profanei suas intimidades com seu rei homossexual, mas não venho por punição religiosa, e sim pela justiça e vingança de um homem inocente que morreu pela sua ganância e desonra, Balder – Disse o homem encapuzado se tornando agressivo e sacando sua espada dourada.
-Ora! – Exclamou Balder excitado. – Que grande ironia um estrangeiro me ameaçar com uma espada que outrora foi minha! Sempre aguardei seu retorno, mas confesso que nunca imaginei que seria dessa forma.
-Você sabe dos crimes que cometeu! – Gritou o homem sem medo dos guerreiros Humanos que poderiam vir. – Ajoelhe-se para que eu corte sua garganta de uma forma que não me suje tanto.
-Isso! Grite! Mostre a fúria dos guerreiros encapuzados do oeste. – Exclamou Balder sentindo seus pelos arrepiarem. – Vou lhe dizer como isso acabará: irei lhe mostrar com luta um guerreiro de verdade, tomarei minha espada de volta e cortarei seus membros, e serei conhecido como o homem que driblou o destino... DUAS VEZES!
Então Balder sacou sua espada de uma forma que o som produzido ecoasse prazerosamente pelas paredes do castelo, e finalmente investiu contra o Mercenário.
* * *
Kazuno defendeu o golpe de Balder imediatamente, ele era rápido demais para sua idade, a cada golpe do velho, um contragolpe falho de Kazuno. Respira, defende, ataca, esquiva, o combate torna-se exaustivo devido à diferença de nível dos combatentes, Balder era muito melhor com a espada, e Kazuno só era motivado pela fúria e desejo de vingança, e nada pior que isso para atrasar um guerreiro, exceto talvez por uma perna decepada, mas este não é o caso. Como sequência de movimentos, Kazuno avança mais e torna-se o ativo no combate, de forma que o fez cansar ainda mais, um golpe forte com a espada em direção à cabeça de Balder, mas o antigo Krïeger defendeu.
O impacto das espadas fez o corpo de Kazuno tremer, assim seu capuz caiu, exibindo então seu rosto pálido com um corte horizontal na bochecha esquerda, ainda sangrando. O verde dos olhos do ruivo espelhou o ódio do castanho dos olhos de Balder.
-KAZUNO TAKAHASHI! – Exclamou Balder dando uma risada histérica. – Impressionante como a vida se volta contra mim, não é, caro oponente. O neto do meu outro melhor amigo tentando me matar! Se essa é toda a sua raiva, então não é o suficiente para executar seu objetivo, você não tem vontade o suficiente, seu sentimento de vingança sequer é suficiente para mover seu corpo contra mim.
Balder desarma Kazuno com sua espada e ataca com a mesma, Kazuno desliza a lâmina com seu bracelete da armadura e chuta a articulação do cotovelo do Falso Rei Erick, fazendo com que derrube pesadamente sua espada no chão, mas não é o suficiente para parar o homem, ele investe em um soco com toda a força no rosto do Mercenário, o soca mais três vezes e começa a gritar:
-Você não sabe... Você não sabe nada sobre a vida, Takahashi. A dor de perder um amigo foi o suficiente para enfurecer seu coração? – Exclamou Balder ainda socando o rosto do ruivo. Kazuno sentia muita dor, seu corpo não podia mais mover um dedo, ele podia ver uma lágrima brotando no olho de Balder enquanto ele executava a sequência de movimentos. – Pois saiba que eu perdi tudo! Não me resta mais família, companheiros, amantes, nada! Eu perdi tudo nessa vida miserável, seria um favor ser morto agora, mas o mundo é tão cruel que enviou um moleque fraco para tentar!
Kazuno sentia o sangue escorrer e encharcar seus olhos, ele não sabia mais se Balder o batia para se defender ou para extravazar suas mágoas do mundo afora. Como um movimento involuntário, seus lábios sibilaram como um mantra as palavras que ecoaram com ainda mais força em seus pensamentos: “20%”. Foi como se suas forças fosse restauradas, uma energia que percorria em suas veias e revigorava seu corpo cansado; ele não sentia mais dor e os ferimentos foram levemente restaurados, bom, não totalmente, mas o suficiente para que ele desse um chute bem no rosto de Balder e levantasse.
-Não é a vingança que me motiva Balder... – Disse ele enxugando o sangue dos olhos e retirando sua capa preta, exibindo sua armadura arranhada. – Mas sim a esperança de meu amigo finalmente descansar em paz.
Assim ele sacou as duas Katanas em suas costas e com um giro, partiu para o ataque novamente. A magia que ele tinha invocado o tornou muito mais forte, era possível ver seus olhos que de um verde avelã assumiram um tom roxo brilhante, na tonalidade de um dragão. Faíscas roxas acompanhavam os movimentos de Kazuno como uma leve aura emanada por seu corpo, então finalmente acertou golpes em Balder, cortes não muito profundos, já que o antigo Krïeger recuperara sua espada e se defendia novamente, mas já era um começo!
-Ah... Magia... Pura magia... Como é bom vê-la novamente! – Exclamou Balder parecendo ainda mais instigado. – Então por que não senti-la?
Então ele deslizou para trás e sacou rapidamente um cristal vermelho, em seguida o esmagou, liberando uma fumaça da mesma tonalidade que envolvia seu corpo e impediu os movimentos de Kazuno.
-INFERNO! – Berrou Balder parecendo flutuar em meio a uma bomba de chamas que foram invocadas do cristal, queimando boa parte do jardim, inclusive uma parte da capa de Kazuno que se encontrava no chão.
* * *
O novo general dos peões Humanos, Seth Harrison, um homem de meia idade com cabelos e barba castanhos, estava sentado no corredor na porta de um cômodo do Castelo Vermelho, com seu cachimbo na boca ele enchia os pulmões com uma fumaça branca e em seguida a soprava fazendo-a preencher o local e impregnar seu cheiro nas paredes feitas de pedra, apesar de relaxado, ele estava atento, ouvia gritos nos Jardins, mas até então se limitou a obedecer às ordens de seus superiores.
Ele esperou sentado por vários minutos, esperou por algo que parecia nunca vir, mas o que seria esse algo? Talvez só alguma ocorrência. -Meu Deus, o barulho lá fora está cada vez mais alto! – Pensou Seth.
Então um grande clarão vermelho fez seu cachimbo cair devido ao susto que Seth Harrison levou, ele correu escada a baixo até o térreo, onde encontrou o grande portão interno para os jardins, mas, obviamente foi interceptado por dois guardas superiores.
-O que estão fazendo seus desgraçados de merda? – Exclamou Seth indignado. – Deixem-me passar!
-Cale-se, Seth, você sabe que não pode passar, o rei Erick está tendo um momento de terapia pessoal, ele não quer ser incomodado, não importa o que ele esteja fazendo. – Respondeu um dos guardas, então Seth o socou na boca e tentou forçar a porta quando o outro guarda pôs uma faca em seu pescoço.
-Vá embora Harrison... – Disse ele. – Pelo menos uma vez aceite uma ordem sem contestar muito, tire esse seu rabo daqui para não me obrigar a cortar essa sua garganta.
* * *
Kazuno Takahashi segurava uma onda de fogo com um escudo produzido com magia, no entanto a temperatura era tão alta que derreteu a Katana que ele usava para sustentar o escudo, que por sua vez foi quebrado, queimando assim o ombro direito de Kazuno arremessando-o para um arbusto que ficou em chamas.
O ruivo estava muito ferido, ele levantou tremulamente segurando que Katana que lhe restou com a mão esquerda.
-Você é de fato resistente. – Riu Balder aparentemente cansado. – Mas se pretende me enfrentar até o fim... Que assim seja!
Como resposta Balder recuperou sua espada e partiu para cima de Kazuno, contudo ele parecia mais cauteloso, o Mercenário entrou em combate novamente com o regente dos Humanos, ambos produzindo golpes pesados, mas Balder estava mais lento que antes e Kazuno um pouco mais rápido que o oponente devido ao seu uso de magia, mas ainda assim estava muito ferido e precisava encerrar a luta quanto antes.
Kazuno faz uma sequência de golpes em Balder, que por sua vez não conseguiu defender dois deles e acabou ferido no braço direito e na mão esquerda, então ele deu um chute em Kazuno, que caiu e recuperou sua espada que estava emaranhada com sua capa preta, bem, obviamente não houve tempo para desprender a espada totalmente, então a pegou junto com a capa preta chamuscada e correu como um raio na direção do peito de Balder.
* * *
Seth Harrison correu para o local onde estava descansando e pegou sua besta, em seguida foi até a janela mais próxima que dava acesso ao Jardim enquanto carregava sua besta, destrancou-a e abriu-a, assim assustou-se ao ver um guerreiro com uma espada dourada indo na direção do rei em alta velocidade.
-Merda! – Exclamou ele atirando no guerreiro com sua besta.
* * *
Balder Thorpe estava calmo, cansado e ferido, mas ainda calmo, chegou a hora, era exatamente como na visão do amuleto ou seja lá qual for o nome dessa merda, um vulto preto com uma espada vindo em sua direção, em seguida uma dor alucinante.
* * *
Kazuno Takahashi saboreava a sensação de cravar a espada de seu melhor amigo no coração de Balder o mais fundo o possível, ele já podia sentir em sua mão direita o sangue quente que pingava da boca do oponente, ele sorriu e quando Balder deslizou para o chão...
* * *
Seth errara a primeira flecha, puta merda, o rei está morto, ele precisa matar esse bastardo imediatamente! Então atirou uma segunda flecha.
* * *
Kazuno observava Balder em seus últimos momentos quando uma flecha atingiu sua coxa direita, agora ele precisava concluir seus planos imediatamente, Erick ainda esperava sua morte no subsolo e agora mal lhe restavam forças para seguir, além dessa flecha que penetrara em sua perna.
Ele concentrou toda sua energia e sua aura roxa tomou a forma de asas que impulsionaram ele até a floresta onde ele caiu pesadamente no chão sem forças.
Ele concluiu metade de sua missão, mas agora agonizava no chão de uma floresta, sua coxa doía muito, seu ombro ardia como nunca, então ele desmaiou.
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