Godan
3 Takahashi sempre em perigo
Notas iniciais
Dor, e com um grito desesperado, Kazuki sentiu a lâmina da espada de Tsuki rasgando sua alma, e de súbito a mesma dissipou; isso nunca havia acontecido, Tsuki se aborreceu e ficou sem entender, mas com um movimento inesperado surgiu uma figura de aproximadamente cinco metros de altura, havia muita fumaça negra, mas Tsuki soube identifica-lo.
—Boa noite... Morte?
—Olá Tsuki, quem foi a vítima desta vez? – Falou o ser enorme que vestia um manto negro com um capuz profundo que cobria seu rosto.
—Kazuki Takahashi.
—Kazuki? Já ouvi esse nome, mas acredito que não pertença a este garoto... Eu o aprisionei no purgatório antes que você o matasse de vez.
—Ah então foi você, por que salvá-lo?
—Eu vi o futuro dele, fará grandes coisas em relação ao futuro do mundo se o deixar vivo e você irá presenciar tudo isso. Mas se matá-lo agora ele irá direto para o inferno, deseja soltá-lo?
—Kazuki Takahashi nunca fez nada de bom em toda a sua vida medíocre, que tipo de coisas ele fará para causar uma reviravolta no mundo?
—Descubra.
—Não sei se devo fazer isso...
—Tsuki quantas vezes eu já menti pra você? É importante, o que vai querer?
—É... Um garoto a mais ou a menos na minha lista de mortos não faz falta.
—Perfeito! Está na hora de você voltar para sua dimensão, sabe que não gosto de visitas.
—Não era minha intenção lhe visitar, mas tudo bem.
—Lembre-se que você arrancou um pedaço da alma dele, também terá de fazer este sacrifício mínimo, mandarei o garoto logo atrás de você, não vai se arrepender.
* * *
Tsuki abriu os olhos e caminhou até a porta do esconderijo onde encontrou o corpo de Kazuki já agonizando no chão, pegou-o nos braços e o colocou em seu colchão onde teria de realizar o pequeno sacrifício citado pela Morte. “E ainda tenho que gastar minha energia com esse “bostinha””; era o que se passava nos pensamentos de Tsuki quando ele retirou a capa de Kazuki para concertar a o corte que ele fez em sua alma.
Kazuki estava armado até os dentes, em seu cinto havia uma katana, em suas costas havia outra, novamente em seu cinto encontrava-se um punhal que chamou atenção de Tsuki, pois no centro de seu cabo tinha um cristal roxo assim como o que ele usou para ir à dimensão da morte, havia outras armas em sua bota e facas de arremesso em seu cinto.
—Que tipo de idiota luta sem camisa? – Falou Tsuki quando viu que Kazuki não usava armaduras ou camisa. – Idiota arrogante...
Tsuki levantou seu dedo indicador que começou a vibrar e a emanar uma energia vermelha ao redor, ele encostou o dedo no Peito de Kazuki e passou no lugar do corte com a espada. Imediatamente Kazuki parou de sentir dor e dormiu tranquilamente.
Tsuki retirou as Katanas e apoiou nas paredes para que no dia seguinte tivesse uma fuga rápida, pois hoje ele estava exausto...
Os primeiros raios de sol acordaram Tsuki que havia dormido no chão encostado a uma parede, ele levantou com um gesto de preguiça e caminhou até sua mochila de couro de onde retirou uma maçã vermelha, olhou para ela e pensou que não precisava disso agora, embora estivesse faminto, ainda estava sendo perseguido e se lembrava do que a morte havia falado, então arremessou a maçã na testa de Kazuki que levantou com um movimento rápido e guiou sua mão a seu cinto, onde não encontrou sua katana, contudo Tsuki já havia partido.
Kazuki saiu do esconderijo e seguiu os rastros de Tsuki que já estava longe, então uma ave mensageira soltou uma carta aos seus pés.
“Caro Takahashi, gostaria de informa-lo que deve capturar Tsuki imediatamente, pois você está passando pela trilha de Asenheim e Hoshi, a missão de ambos é diferente da sua, mas se passar pelo caminho deles pode não dar muito certo para você.”
“P.S.: Asenheim está mais próximo de você, mate Tsuki e fique longe do Hoshi também”.
Professor.
Kazuki ignorou as palavras de seu mestre e seguiu em frente entrou em uma mata fechada onde apertou o passo, pois tinha uma sensação de estar sendo seguido. Já estava próximo da fronteira entre a capital Siegrune e Voltumna, já estava nos campos quando se irritou.
—Dizem que você é um dos mais fortes, mas anda como um búfalo com a pata quebrada e se esconde como um elefante atrás de um arbusto. Como você é ridículo Asenheim.
—Você é hilário Kazuki, deveria ser um bobo da côrte e não Mercenário, porque a situação está precária para você. – Disse Asenheim se mostrando, era um homem alto com uma armadura prateada completa e uma máscara branca com detalhes pretos que cobria seu rosto, gargalhando ao ver o rosto de Kazuki irritado. – Então você quer matar o nobre Tsuki... Ouvi dizer que já estava perto, que tinha até capturado ele, isso é verdade? Onde está Tsuki?
—Não é da sua conta imbecil, cuide do seu setor pois a missão tinha meu nome e não o seu.
—Hm... Parece uma criança se irritando fácil, tenho todo o direito de questionar suas missões, e crianças como você deveriam respeitar os mais velhos, se falar assim novamente com seu superior, irei te ensinar o que seus pais não lhe ensinaram.
—Se reclama da minha arrogância e falta de respeito, por que não para de ser covarde e vem aqui cumprir o que está prometendo?! – Gritou Kazuki sacando sua katana e apontando-a para Asenheim.
—Te ensinaram um dia a se virar sozinho e não precisar da ajuda dos outros, mas você levou esta frase ao pé da letra, e se continuar assim vai ter o mesmo fim que o homem que te disse isso, William Darkwood está morto e morreu vergonhosamente.
—Como soube disso?! Não havia ninguém ao redor!
—Eu sei de tudo.
Com esta resposta Kazuki avançou velozmente com suas Katanas e com um giro partiria Asenheim em pedaços, mas Asenheim defendeu o golpe com a ponta de uma faca reserva que ele guardava pra cortar tecido, o que deixou Kazuki com mais raiva e atacou novamente com as duas ao mesmo tempo fazendo um movimento de corte horizontal para esquerda, mas mais uma vez inútil, Asenheim se abaixou e golpeou com força um ponto entre o estômago e o intestino de Kazuki um ponto onde não mataria, mas o faria sangrar até a morte.
—irei te deixar de um jeito que precise de ajuda para sair. – Disse Asenheim que sacava quatro facas de arremesso.
Lançou uma na cocha esquerda de Kazuki que já estava no chão agonizando, a segunda foi em sua perna, a terceira e a quarta foram em seus braços Kazuki sentia muita dor e novamente estava deitado no chão sem nenhum a forma de escapatória. Seu rosto tocava a grama do campo, seu sangue ensopava o chão já úmido, e ele aos poucos perdia a consciência... Com um gesto impulsivo de desespero sua mão alcançou seu punhal e o cristal brilhou ao seu toque, num piscar de olhos ele estava de volta à dimensão da morte.
—Como vim parar aqui? Tsuki!
—Ele não está aqui jovem senhor... – Disse a morte com uma reverência irônica. – Mas posso leva-lo até ele.
—Por favor, poderia me explicar também por que não sinto mais nada? Do outro lado fui esfaqueado cinco vezes e aqui não tenho ferimentos.
—Os cortes não feriram sua alma, seu corpo parou no tempo, nada pode feri-lo enquanto tiver aqui. – A morte com um movimento levou-os até uma casa escura e bem decorada onde ouviam uns sons esquisitos. – Atravesse a porta Sr. Kazuki – Mas espero que seja rápido posso criar um portal para puxar o corpo de Tsuki ao seu.
Kazuki passou a porta e lá estava Tsuki com uma prostituta, sim aquilo era um bordel, mas ele ainda não havia começado nada, então sua alma foi puxada à força à outra dimensão onde Kazuki agora olhava para ele.
—Que diabos... – Disse Tsuki irritado com a situação – O que você quer agora? Como entrou aqui?
—Eu não sei Tsuki, mas preciso da sua ajuda, posso conversar com você depois para discutirmos sua recompensa.
—Hã? Por acaso você está vendo o símbolo do seu clã no meu peito? Não! Não sou mercenário, o que você quer?
—Estou morrendo Tsuki... Eu nunca pediria sua ajuda se não precisasse.
—Nem parece o Demônio que os outros dizem.
—Tsuki, você assumiu responsabilidade com esse garoto quando curou a alma dele — Disse a Morte se intrometendo.
—Lá vem você salvando ele de novo.
—Do que adianta você ter o salvado se ele vai morrer agora Tsuki?
—OK! É a última vez!
Tsuki mais uma vez cedeu às súplicas da Morte e foi ao encontro com Kazuki que ainda estava vivo, mas inconsciente. Tsuki apanhou em sua mochila um cristal amarelado, colocou nas costas de Kazuki...
—Isso vai doer um pouco – Então pisou o cristal com força fazendo o mesmo quebrar como vidro e espalhar uma fumaça amarelada em volta de Kazuki, aos poucos as feridas foram cicatrizando.
* * *
Kazuki abrira os olhos e notou que já era tarde quando viu que Tsuki ainda estava lá.
—Obrigado... – Disse ele ainda zonzo.
—Hã?
—Ora, você ouviu, não digo obrigado desde que eu tinha oito anos...
—Parece que eu vou ter de ser sua babá agora, por que não começamos isso de novo?
—O que?
—Ora Garoto, eu quis dizer “por que não voltamos e começamos uma conversa melhor”?
—Como quer fazer isso? Não entendo aonde quer chegar.
—Sou Tsuki, mago secundário da lava... Nasci em Bifrost e não sinto necessidade de falar como fui parar na Capital de Godan. Sua vez pode começar pelo seu nome se quiser... Algo me diz que Kazuki não é seu nome de verdade.
Kazuki suspirou como se estivesse sendo forçado a lembrar de algo que não queria.
—Sou Kazuno Takahashi... Nasci em Takahama...
—Por que usava esse nome? Kazuki?
—Há onze anos os Samurais atacaram Takahama, Meu pai era guerreiro Humano e minha mãe era dos Magos, eles foram lutar e me deixaram com um amigo deles, um dia esse cara teve que ir também e quando voltou disse que meus pais estavam mortos, jogou um punhal pra mim, disse que era presente da minha mãe e que eu deveria fugir para o oeste. Andei muito com pouca comida e consegui chegar ao oeste de Takahama onde encontrei uma pessoa que me ajudou e me disse que quem matou meus pais poderiam ser procurados, ouvi dizer que Samurais fazem coias ilegais e que se fossem descobertos por algum crime os mercenários poderiam matá-los. Ainda tenho esperança de encontrá-los, mas não faço ideia por onde começar... Quase morri de sede quando cheguei à Auvandir, mas um dos Mercenários me ajudou. Bem este sou eu, o verdadeiro eu, nunca havia contado isso para ninguém. Porque os Samurais usam máscaras?
—Há 752 anos houve uma constituição mundial, que separou os territórios entre os clãs, e também nela havia regras para guerra. Parece ridículo, mas se um clã declarar guerra a outro, e se o outro aceitar será uma guerra “legal”, o clã que perder será abrigado em uma das capitais que por sinal são territórios dos Magos. Se o outro clã não aceitar será uma guerra anticonstitucional ou “ilegal”, ou seja, nenhum dos dois será ajudado pelos Magos. Os samurais há mais de 100 anos matam camponeses e roubam seus territórios, por isso usam máscaras, se algum mostrar o rosto será procurado por invasão de território e assassinato. Acho que foi por isso que você agiu assim.
—Aham...
—Kazuno... Como conseguiu entrar na dimensão da morte?
—Não sei, minha mão tocou o punhal e eu fui.
—Poderia ficar em pé, por favor?
Kazuno se levantou e Tsuki ficou olhando pra ele durante algum tempo, então aproximou sua mão de seu tórax e de lá brotou um cristal roxo que pulsava como um coração.
—Então você herdou a magia de sua mãe... Você é um mago Kazuno!
—E como eu nunca percebi isso?
—Porque sua magia nunca lhe foi necessária, só hoje.
—E o que eu faço com isso? Não consigo fazer nada.
—É, eu sei, isso é estranho, deveria ser livre, mas a sua magia está limitada a este cristal, não entendo o porquê, mas ela não se espalha pelo corpo.
—Então eu nasci com magia, mas não posso usar?
—Acho que posso fazer algo quanto a isso, pode doer, mas é necessário, pode ser perigoso, mas a minha curiosidade está me forçando.
—Seja lá o que vai fazer... Vai em frente, tanto faz.
Tsuki pronunciou algumas palavras que Kazuno não pôde ouvir direito, algo como “liberte-se”, então ele sentiu como se um sangue diferente estivesse correndo pelas suas veias, aquilo queimava por dentro. Ele sentiu algo saindo de dentro dele como se um monstro dentro dele estivesse possuindo seu corpo.
O corpo de Kazuno começou a mudar, seus olhos mudaram de avelã para um azul forte, suas pupilas contraíram até se tornarem fendas como olhos de felino, uma aura em forma de asa composta por magia brotou de suas costas, suas unhas tornaram-se garras, brotaram chifres e uma calda também, ele aos poucos tomava a forma de um dragão azul. As mutações pararam por um momento, mas Kazuno ainda estava com um instinto de assassino. Uma chama azul começou a emanar do corpo de Kazuno, ele arremessou esta energia com a palma da mão em uma quantidade absurda em Tsuki como um raio azul, ele se esquivou, mas estava apreensivo quanto a revidar o ataque repentino da fera em sua frente.
Kazuno atacou novamente da mesma forma, desta vez quase atingiu Tsuki no braço, agora ele teria de agir.
—Kazuno! Não deixe que o possua! Controle este poder, é importante!
—Tsuki!!! – Gritou Kazuno quase fora de si – Não consigo controlar meu corpo!
Kazuno voou em Tsuki com uma grande quantidade de energia na mão, Tsuki criou uma energia vermelha em volta de sua mão, se esquivou do ataque de Kazuno e socou com força seu rosto, ele caiu no chão pesadamente e Tsuki gritou apontando para o cristal no peito de Kazuno:
— Desine!
Kazuno imediatamente se acalmou e olhou Tsuki com seus olhos azuis de felino, mas a energia azul continuava a emanar de seu corpo.
—Tsuki... O que foi isso? O que é isso saindo de mim?
—Sua essência, é com isso que se faz magia, pode dar a forma que quiser a esta chama azul. E eu sinto que devo te ensinar como fazer isso, tipo, minha curiosidade, sabe?
—Esta coisa quente está saindo de mim como fogo, eu aceito sua ajuda.
—Os mantras são palavras secretas ditas numa língua desconhecida que de certa forma excitam a magia da forma que você descreve. Além de saber os mantras você deve imaginar a forma que você deseja. Por exemplo: rasorium average, significa lâmina média afiada. A sua essência está transbordando devido à grande quantidade de energia liberada a partir deste cristal em seu peito, ou seja, não poderá usar magia quando bem entender assim como eu, mas terá de liberar por porcentagem. Atualmente existem 25% de energia emanando de você, é um número baixo comparando a sua transformação, mas conseguirá manipular isso com o tempo.
—Entendi.
—Tente usar o mantra que eu ensinei, nunca pronuncie as palavras em voz alta, ou os inimigos, caso sejam magos, saberão o próximo ataque.
Kazuno se concentrou com todas as suas forças focando no mantra que Tsuki ensinou e imediatamente sua aura assumiu a forma de uma espada saindo de sua mão direita. Depois de algumas horas de treino Kazuno já conhecia dois mantras e como liberar sua magia por porcentagem.
—Kazuno, me desculpe voltar no assunto, mas você ainda não especificou o porquê usava Kazuki como nome.
—Minha mãe se chamava Annabel Thorpe, mudou o sobrenome ao se casar com meu pai Kazuki Takahashi, ele era um guerreiro famoso então eu quis me aproveitar da fama dele.
—Entendo, eu me lembro de Annabel, era uma garota poderosa, você sabe onde eles estão? Digo os corpos deles?
—Não, mas possivelmente está em Kuribayashi no cemitério internacional.
—Não é muito longe daqui, quer ir visitar o túmulo deles?
—Pode ser.
Tsuki e Kazuno seguiram até Kuribayashi onde perto da fronteira cruzada* estava o portão negro do cemitério. Nas sombras uma figura surgiu.
—墓強盗は何ですか?(O que querem ladrões de túmulo?). – Disse o homem nas sombras em Gondiriano.
—我々は盗人でない!(Nós não somos ladrões!). – Respondeu Tsuki. — 私たちは、墓を訪問したいと思う(Queremos visitar um túmulo).
—高橋和希の墓(O túmulo de Kazuki Takahashi). – continuou Kazuno – godariano の賛成で話すことができる?(Poderia falar em Godariano, por favor?)
—Identifiquem-se.
—Sou Tsuki, o mago, e este aqui é Kazuno Takahashi, qual o seu nome guardião?
O homem saiu das sombras e mostrou ser um jovem oriental vestindo um manto negro com a marca dos camponeses e uma faixa verde.
—Sou Sora, não sou o guardião, sou um guerreiro, me perdoe por ter negado a vocês a visita, é que sou o sentinela hoje, meu Sensei fez essa proeza só para eu ficar mais próximo da minha... “aprendiz”.
—E quem seria sua... “aprendiz”? – Perguntou Tsuki parecendo interessado na garota.
—O nome dela é Milla, tem 16 anos, 1,55 de altura, cabelos e olhos negros, pele branca, totalmente oriental, etc.
—Do jeito que eu gosto.
—Já te vi com uma prostituta loira. – Disse Kazuno.
—Eu só gosto de dois tipos de mulher. – Disse Tsuki com cara de satisfeito. – As nacionais e as internacionais.
—Pervertido. – Falaram Sora e Kazuno ao mesmo tempo.
Depois de conversar caminhando eles chegaram a um túmulo com uma espada de dois gumes e um “T” azul enorme estampado nela. Um túmulo particularmente grande para uma única pessoa.
—Quantas pessoas estão sepultadas ai? – Perguntou Tsuki.
—Duas, os ossos de Annabel Thorpe estão junto aos ossos do Sr. Takahashi.
—Imaginei – Disse Tsuki quebrando parte da tampa do túmulo.
—O que está fazendo idiota?! – Exclamou Kazuno.
—Verificando se vocês não enterraram ninguém por engano, quero dizer, alguém ainda vivo.
—Como alguém poderia passar dez anos sem ser decomposto...? – falou Sora aflito.
E lá estavam os ossos de uma pessoa segurando um cetro com um grande cristal roxo e ao seu lado o corpo intacto de um homem com armadura, um homem ruivo de meia idade com barba rala e uma armadura dos tempos dos humanos.
—Isso é impossível – Disse Kazuno e Sora ao mesmo tempo.
—Como meu pai pode estar vivo?
—Kazuno, se uma pessoa está sobre a técnica da morte falsa o corpo dela fica intacto, acho que já te disse isso. Basta cancelar a técnica com o cetro da pessoa que a conjurou.
—E isso traria o Sr. Takahashi de volta?
—Sim, Sora, traria.
—O corpo de meu pai não desintegraria devido ao tempo?
—Não, será como se ele tivesse dormido ontem e precisa acordar hoje. Não sentirá nada. – Respondeu Tsuki à Kazuno.
Tsuki pegou o cetro do esqueleto de Annabel e desmaiou no momento em que o cristal brilhou.
—Kazuno... O Sr. Tsuki morreu também?
—Não seja idiota. Logo ele votará.
* * *
Após uma longa conversa com a Morte, Tsuki conseguiu resgatar a alma de Kazuki e em cerca de meia hora ambos acordaram.
—Onde... Estou? – Perguntou Kazuki ao acordar. Olhou ao redor e notou que, obviamente, estava num cemitério. Observou o rosto de todos ao redor e logo viu Kazuno, com orgulho disse – Meu filho... Como cresceu... Você conseguiu sobreviver, digno de minha linhagem, meu herdeiro! Por quanto tempo eu estive dormindo? – Falou ele emocionado.
—Dez anos pai, poderia me explicar o que houve?
—Não tenho tempo filho. Diga-me em qual Estado de que país estamos, preciso ir para Mijolnir imediatamente.
—Estamos em Kuribayashi de Gondir Sr. Takahashi. Seja lá qual foi a missão já deve ter expirado. – Disse Tsuki.
—Não! Não importa quanto tempo estive “morto”, Balder ainda precisa de mim, ele deve estar vivo assim como o meu senhor Erick. Minhas juntas são fortes como aço, posso andar muito mesmo que eu tenha de escalar todas as montanhas de Voltumna. – Terminou Kazuki partindo para o oeste correndo.
—Quem diabos é Balder? – Perguntou Kazuno irritado.
—Não faço ideia, mas Erick III é o rei dos humanos. – Disse Sora.
—Bem, parece que não dá para mudar a cabeça do seu pai Kazuno, o que vocês acham da gente dar uma volta e quem sabe encontrar a “aprendiz” do Sora...
—Tsuki, não viaja. – Disseram Kazuno e Sora ao mesmo tempo.
Eles sentaram perto de alguns túmulos e se conheceram melhor, Tsuki provou ser um bêbado e um pervertido completo, Sora se mostrou meio retardado e Kazuno se divertiu com eles. Jogaram xadrez, damas e cartas enquanto Kazuno decidia o que fazer da vida, mas ele não precisou pensar muito, uma nova aventura o aguardava.
De súbito houve um grande estrondo e uma mulher caiu de pés sobre a mesa do tabuleiro de damas, era uma linda loira, seus olhos eram azuis como o céu do verão, ela tinha, particularmente, seios enormes que chamaram imediatamente a atenção de Tsuki, estava trajando uma armadura de couro com um enorme símbolo de uma espada atrás de um escudo, símbolo dos Humanos.
—Uma caçadora? – Disse Kazuno quando se afastou junto a Sora.
—PEITOS! – Gritou Tsuki.
—Sou Natasha filha de Nathaniel, fui enviada de Mijolnir a mando do grande rei Erick III. Qual dos três idiotas é Kazuki Takahashi?
—Sou eu.
—O rei exige sua presença imediatamente, vamos rápido, pois ainda temos de ir à Siegrune procurar por Tsuki, o mago.
—Opa! Tsuki sou eu, eu vou. – Disse Tsuki animado.
—Então vamos!
—Não! – Disse Kazuno – Eu nunca disse que iria, quando eu concordei com isso? Por que o rei deseja minha presença? Diga o que ele quer e quem sabe eu concorde.
—Não tenho permissão para explicar as vontades do meu senhor. Levante-se ou lhe matarei, se não está ao nosso lado está contra nós.
—Forçado não irei a lugar algum!
—Você tem dez segundos para decidir se irá ficar e morrer ou ir comigo. – Disse Natasha preparando uma flecha e apontando-a para Kazuno. – 10.
—O que vai ser Sr. Kazuno? Parece que a loira fala sério.
—09.
—O que acha Tsuki?
—Se o rei nos procura deve ser para alguma missão, eu irei com ela.
—Você só vai por causa dos seios dela! – Disse Kazuno. – Não irei retirar minha palavra
—06
—Vamos Sr. Kazuno, você me parece um cara legal e que não merece morrer nas mãos de uma linda loira dessas.
—Você também está agindo como Tsuki?
—Qual é, não gosta de mulher? – Disse Tsuki – e eu não sou tão pervertido assim, dessa forma você me ofende.
—02
—Ela está contando muito rápido Sr. Kazuno.
—Não me chame de senhor Sora, me sinto um ancião.
—Seu tempo acabou sempre fui subestimada por ser uma mulher, mas ainda sou uma guerreira! – Disse Natasha disparando a flecha.
Natasha era uma arqueira perfeita, com noção de direção, mira e de vento, seus tiros quase nunca erravam, e daquela distância não havia erros, a flecha ia rapidamente à cabeça de Kazuno, ele sentia-se encurralado. Sempre existe uma carta na manga, mas parecia que não havia saída.
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