Notas iniciais
Então, esta é a continuação imediata do capítulo anterior, agora aquela préviazinha de lei: Kazuno Takahashi reencontrou seu pai depois do desaparecimento do mesmo, após uma conversa com ele, Kazuno está determinado a combater os corruptos do mundo com as próprias mãos, começando com os Samurais criminosos da constituição que tomaram o norte de Takahama; então o jovem Takahashi juntou os últimos Cabeças vermelhas e está prestes a cumprir seus objetivos.

Takahama 1 de janeiro de 753

Sora “ancorou” junto aos dois companheiros de batalha, os irmãos Ikeda. A cidade estava escura, as ruas do norte de Takahama estavam desertas com exceção dos Samurais que espreitavam em algumas raras esquinas do recinto.

–Hyato, o que seus olhos vêem? — Perguntou o capitão Chunin para seu companheiro Genior com visão aguçada. — São quinze deles daqui até o portão vermelho, as pessoas estão em suas casas, provavelmente deve haver algum toque de recolher.

–Claro que há, é um regime militar. Agora precisamos saber o nome do general que comanda esse lado da cidade, com certeza ele nos levará ao primeiro comandante de Kazumi, do jeito que ele lambe as bolas de Kiko, é certo que daremos um grande passo nessa guerra.

* * *

Kazuno Takahashi estava colocando as últimas partes da armadura junto aos seus vinte e três guerreiros, ele olhou bem para a lâmina dourada que pertenceu a Kido, em seguida a embainhou e olhou para os guerreiros ao seu redor, alguns deles vestiam cota de malha, outros embainhavam espadas, e o restante travava a armadura de ferro bruto.

–Guerreiros! — Berrou Kazuno. — Montei uma estratégia baseada na quantidade de guerreiros em suas perícias e habilidades, quero que prestem bem atenção porque não irei repetir duas vezes! — Continuou ele inspirando-se em sua antiga treinadora e amiga Natasha. — Aqueles que souberem atirar com arcos irão na frente…

–Isso é burrice, na frente deveriam ir os mais fortes… — Falou Watson Takahashi, um dos ladinos.

–Não questione minha estratégia antes de eu terminá-la! — Respondeu o capitão com rispidez. — Os arqueiros e ladinos irão na frente, os primeiros nos tetos das construções e os segundos atacarão pelo flanco ao meu comando; irão comigo na linha de combate frontal os vinte e três guerreiros com armamento pesado. Nós sairemos ao amanhecer, quando os guerreiros deles estão fracos de sono e fome, mataremos todos no nosso caminho que estiverem vestindo uma armadura Samurai, invadam todas as casas, arrombem as portas, esquartejem os malditos e prossigam a missão. NÃO matem inocentes, mulheres ou crianças, se descumprirem essa regra serão considerados traidores da família e não terão a honra de carregar essa insígnia.

–Sim senhor! — Responderam todos em um único som, inclusive Akemi, que continuava a usar suas roupas negras, com uma máscara cobrindo seu nariz e sua boca.

–Agora os ladinos irão comigo explorar a cidade para reconhecimento de área e depois voltaremos, permissão para matar apenas ladinos.

* * *

–Apertem o passo, homens, precisamos terminar isso rápido. — Falou Sora com severidade.

–Nós não temos transporte por vazio como você Capitão, minha ninpou é de fogo. — Retrucou Hyato enquanto sua franja preta voava com o vento.

–Só obedeçam.

–Senhor… Movimentação suspeita às duas horas. — Notificou Hideki Ikeda quando avistou vultos negros sorrateiros correndo de uma porta sinistra. — Estão atirando!

–Se esquivem! — Gritou Sora desviando de duas flechas claramente disparadas por bestas devido a pressão do tiro, então Hideki sacou duas facas de arremesso e as lançou contra os inimigos das sombras acertando uma em cada garganta; Sora correu na direção deles, duas lâminas retráteis saltaram de seus pulsos e ele caiu em cima de dois inimigos cravando as lâminas no topo de suas cabeças, mas teve uma grande surpresa.

* * *

–Camponeses? — Falou Kazuno assustado quando se deparou com um ninja que caia sobre dois de seus ladinos, ele usava uma máscara negra como sua roupa e matou os dois com lâminas retráteis; então o Mercenário abaixou o capuz e falou: — O que porra vocês estão fazendo aqui?

–Kazuno-kun? — Exclamou o camponês retirando a máscara e mostrando ser Sora. — Eu que o diga, achei que estivesse em Mijolnir…

–Muitas merdas aconteceram de lá pra cá, mas não posso prolongar a conversa, você acabou de interceptar meu exército de ladinos, estávamos fazendo reconhecimento de área.

–Não precisam mais, acabamos de terminar o nosso, estávamos indo para a segunda missão, mas para compensar a sua baixa de soldados nós podemos te dar todas as informações da área que temos.

—Então, há quinze guardas de esquina e cinco fazendo ronda pela cidade de uma em uma hora, fazem quarenta minutos desde que a última ronda saiu do palácio, esse é o status.

–Vocês mataram quatro dos nossos homens, quem porra são vocês?! — Gritou Marco Takahashi.

–Somos Camponeses e só matamos porque vocês atacaram antes, temos ordem para matar em caso de perigo e definitivamente era um caso de perigo, seus ladinos atiraram flechas em nós. — Rebateu Hideki com toda a sua calma. — Capitão, podemos ter uma palavra em particular?

–Claro, Hideki.

–Seguinte, está óbvio que eles desejam uma vingança histórica, os Takahashi vão lutar para tomar de volta o norte da cidade, nós precisamos pegar o líder da cidade para obtermos informações, se o senhor me permitir posso usar a diplomacia para convencê-los a nos deixar participar dessa batalha como reposição a baixa que eles tiveram.

–E o que ganharemos com isso? — Perguntou Sora notando que Hideki já tinha uma estratégia em mente.

–Eu tenho cartas-vazio. — Disse Hyato. — Acho que compreendi seu plano, Hideki.

–Eu também… só não sei se será uma boa ideia. — Concluiu Sora.

* * *

Estava finalmente tudo preparado para o ataque, primeiro partiram os arqueiros e ladinos, nas últimas sombras da noite, que eram engolidas aos poucos pelos primeiros raios de sol do segundo dia do ano, Kazuno estava em baixo com os Camponeses e seus vinte e três guerreiros numa formação triangular na qual ele ficava no meio.

–A missão é o palácio da diretoria, avancem! — Gritou o líder ruivo quando começaram a correr com velocidade e sem medo de serem barulhentos, abateram os quinze guerreiros que guardavam as esquinas, mas tiveram uma péssima surpresa.

Um grupo de trinta Samurais com armaduras completas e vermelhas fechava a estrada principal que dava acesso ao palácio, arqueiros inimigos também brotaram dos tetos das antigas construções e palácios velhos de antigas famílias que ali rodeavam.

–É UMA EMBOSCADA! — Berrou Kazuno. — Preparem-se!

Então os arqueiros começaram a atirar; Kazuno desviou de duas flechas que vieram em sua direção por lados opostos, abaixou a cabeça quando uma katana passou voraz, como resposta ele enfiou a lâmina dourada de Kido na barriga do Samurai, girou e partiu o pescoço de mais dois com a mesma espada, o que fez o chão inundar com o sangue oriental; o líder dos Takahashi pegou a Katana que caíra há alguns segundos para auxiliar-lhe na batalha. Ao seu redor um dos guerreiros cortava um braço Samurai, outro desferiu um corte profundo na garganta de um inimigo quase decepando a cabeça do mesmo, também era possível ver um Samurai quebrando o braço de um guerreiro e o esfaqueando em seguida. Um inimigo caiu da sacada de um palácio estourando sua cabeça no chão de pedras, o que fez Kazuno olhar para cima e avistar Hideki Ikeda que manuseava habilmente duas kunais nos arqueiros que ali lutavam.
–Continuem avançando! — Gritou o Capitão

–Mas que porra é essa? — Reclamou Marco. — Isso não deveria estar aqui, essa emboscada não deveria estar aqui, era para ser um ataque surpresa!!
–SÓ CONTINUE ATACANDO.

E assim prosseguiu com a ajuda dos Camponeses, algumas vezes Sora se materializava e cortava uma garganta ou uma axila desprotegida, era difícil achar pontos desprotegidos na espessa camada de armadura vermelha, mas com esforço o grupo conseguiu chegar até os arredores do palácio, agora haviam menos guerreiros do lado dos Takahashi e mais do lado dos Samurais, estava cada vez mais difícil chegar até lá, mas Kazuno deixou o grupo e usou suas habilidades de Mercenário para chegar até o fundo do palácio sem ser notado, lá ele encontrou o líder deles Aiko Suzuki, primo de Kiko IV.

–Agora não há mais como fugir, covarde. — Disse Kazuno guardando a Katana que tinha pego com um guerreiro que matara e apontando a espada dourada de Kido para o homem. — Esta pertenceu a alguém de seu sangue e agora tirará o seu.

Assim a batalha começou, o Samurai sacou duas Katanas e lutava habilmente contra o Mercenário, desferindo golpes contra as coxas e braços desprotegidos do Takahashi, que por sua vez se esquivou de muitos golpes e também atacou, Kazuno lembrou de seu potencial mágico… Ele precisava terminar isso, então mentalizou as palavras “liberar cinco por cento”, em seguida seus olhos brilharam de um avelã para um roxo forte e ele liberou uma onda de energia da mesma coloração que arremessou o Samurai no ar contra o trono vermelho, incapacitando-o. Neste momento a tropa dos Takahashi chegou, só restaram treze homens que ainda lutavam bravamente contra os outros guerreiros orientais, Marco avistou a cena que acontecia nos bastidores perto do trono e correu para perto de Kazuno, que emanava uma aura.

–Meu senhor, eu não sei o que está acontecendo com você, se é alguma magia negra, mas não vale a pena, podemos virar o jogo.

–Tenho uma ideia melhor Marco, eles têm uma prisão móvel, não é? — Perguntou ele sabendo da resposta positiva. — comunique aos Samurais a derrota de Aiko, nós vencemos.

Então Marco girou em seus calcanhares, caminhou até a confusão e gritou em seu idioma:

—AIKO SUZUKI ESTÁ RENDIDO! — Devido ao berro, todos o olharam com espanto. Kazuno segurou o líder Samurai incapacitado e colocou seu punhal no pescoço do homem e caminhou com ele pelo pátio principal do Palácio, ninguém moveu um dedo, a respiração pesada e forçada do líder guerreiro lembrava a Kazuno o porquê de ele estar naquela batalha; por fim chegaram a uma grande carruagem, o carro era feito de barras de metal, como uma jaula. O líder ruivo lançou Aiko dentro da cela móvel e fechou a porta.

—Senhor, não vai matá-lo? — Perguntou Marco que acompanhava seu líder.

—Marco, carregue Aiko pela cidade, deixe que ele veja o rosto das pessoas que ele e seus anteriores torturaram por uma vida inteira. — Ordenou Kazuno guardando seu punhal. — Sem um líder os Samurais não agem.

Marco pegou os puxadores da carruagem, apesar de seus 1,74 de altura, sua força era proporcional ao desafio; na medida que ele andava, mais pessoas saíam de suas casas jogando objetos e frutas podres nele, a luta definitivamente havia parado.
–Soltem-no. — Disse Kazuno determinado. Akemi saiu de seu posto e caminhou sobre o chão de pedras até a carruagem, abriu a jaula e fez um gesto para o homem sair. Ele o fez e olhou para todos que o observavam e o cuspiam naquele exato momento em que ele deixou a prisão, Kazuno se aproximou dele, sacou uma de suas facas e a colocou na mão de Aiko.

—Ficou louco, senhor?! — Exclamou Marco no meio da gritaria e das vaias das pessoas. — Ele irá matá-lo!
–Não, sua honra o matará.

O guerreiro Samurai caminhou cerca de cinco metros com dificuldade devido a grande carga de magia que Kazuno usou contra ele, lágrimas brotaram de seus olhos, ele ergueu a faca na altura de seus olhos e o cravou na própria barriga com toda a força, em seguida o puxou para cima, derramando uma grande quantidade de sangue, seu corpo pendeu, mas ele caiu sobre os joelhos, Akemi reconheceu o ato de morte honrosa conhecido como sepukku, sacou sua katana e cortou a cabeça dele derramando ainda mais sangue no chão.

—Senhor Kazuno, senhor Kazuno!!! — Gritou um Cabeça Vermelha. — Os Camponeses…

Kazuno imediatamente encarou Sora e Hideki que não pareciam tão surpresos quanto ele.

—Tem um exército deles no portão vermelho! — Continuou ele em desespero e enquanto ele falava cerca de uma centena de homens vestindo preto com símbolos de folhas verdes invadiam as ruas da cidade sendo liderados por Hyato Ikeda.

—Kazuno-kun… — Iniciou Sora com uma expressão mais séria que o normal. — Precisamos conversar.



—Mas o que diabos você pensa que está fazendo, Sora?! — Exclamou Kazuno num aposento fechado que Marco arrumou para uma reunião particular de Kazuno com o grupo dos camponeses — Tem um exército aqui!

—Bom, isso foi um plano de Hideki, ele contatou os superiores em Ishikawa, eu não sou o único capaz de dominar o Ku no Kata, então não demoraram a chegar. — Iniciou Sora ainda com a expressão séria de momentos anteriores. — Nós tomamos o Sul da cidade, tivemos tempo o suficiente.

—Lorde Kazuno, eles nos traíram. — Falou Marco em tom de súplica. — Permita-me tratá-los como traidores!

—Segure sua espada Marco, Sora é meu amigo e eu quero ouvir o que ele tem a dizer.

—Então, Kazuno-kun, nós temos o Sul, no entanto não há nada do nosso interesse lá, em fronteira com o sul só há malditos os goblins de Hertos… Já aqui no norte de Takahama as coisas mudam…

— você fala como se esse lado de Takahama pertencesse a mim. — Comentou Kazuno.

—Só um imbecil não notaria que de fato pertence, você liderou os homens que tomaram a cidade e induziu o suicídio do próprio líder da cidade, então é com você mesmo que venho falar, o norte de Takahama é perto da cidade oficial do conselho dos clãs, o qual está dominado por Samurais, Takahama pode servir de ponto estratégico para nós durante nossa missão de invasão à tal cidade.

—Meus objetivos não giravam em torno de tomar a cidade para mim… — Iniciou Kazuno quando foi interrompido por Sora.

—Podemos fechar acordo se você preferir…

—Tudo bem, então fechemos um acordo, mas o único que eu exijo é: Takahama do norte deve crescer novamente, a cidade deve ser uma só e as pessoas não podem sofrer, é melhor você colocar alguém inteligente na diretoria, se Takahama for pertencer aos Camponeses, que seja bem dirigida ou os Cabeças vermelhas voltarão para fazermos o mesmo que fizermos com o antigo diretor…

—Fechado, os intendentes do meu clã serão notificados do acordo e mais homens se dirigirão até aqui, eles elegerão corretamente um líder para a cidade, suas exigências serão ouvidas e executadas imediatamente, se você quiser nós poderemos colocar os Cabeças Vermelhas como a guarda real da cidade e você o conselheiro principal do líder que está por vir. — Encerrou Sora com tom de satisfação.

—Recuso, não me envolvo com política, Marco, comunique aos outros soldados o que foi decidido nesta sala, nós decidiremos nosso caminho a partir de agora.

* * *

Kazuno sentou-se na velha poltrona de seu pai, sentia-se cansado, frustrado e impotente… Como o exército dele com menos de vinte homens poderia vencer todos aqueles camponeses? Nem se ele liberasse 100% de seu poder interior seria possível, é necessário muito mais que isso, agora o futuro está escuro e não há como saber como ficarão as pessoas de Takahama depois desse súbito golpe dos Camponeses… Será que não se pode confiar nem nos próprios amigos? É… talvez não existam amigos, talvez só exista o interesse. Kazuno coçou o queixo e notou que sua barba começara a crescer, estava carrasquento no local e no resto dessa área do rosto, está ficando velho e com a velhice vem os ensinamentos da vida, cedo ou tarde alguém te passará a perna.

Subitamente algumas batidas na velha janela de vidro do cômodo o qual ele estava sentado o perturbou, Kazuno levantou com a mão no cabo da espada e com a esquerda afastou a cortina velha e rasgada, então avistou um corvo que bicava a janela, o ruivo abriu passagem para a ave que tinha uma carta amarrada em sua pata esquerda; Kazuno pegou a carta e visualizou o selo vermelho de seu clã. Como o acharam ali?

“Caro Kazuno, uma missão surgiu em Takahama, não sei o que está fazendo aí, mas já que está perto do alvo, faça seu trabalho. Um samurai foi visto sem máscara e identificado como uma mulher. Todos os Samurais são publicamente reconhecidos como criminosos constitucionais, então não tardou para contratarem nossos serviços para executá-la. A Samurai é uma mulher chamada Akemi Suzuki, você perdeu Tsuki na última missão, mate a garota e volte para Auvandir imediatamente.

PS.: Seja rápido.

-Professor”

Kazuno fechou a carta, olhou para o corvo que coçava embaixo de sua asa negra com o bico, uma lágrima brotou de seu olho direito e tomado por uma raiva indescritível, apunhalou o corvo.



“Apesar de toda a minha raiva, continuo como um rato numa jaula”

Notas finais
E esse foi o penúltimo capítulo do arco "Vendetta", que é o segundo arco da história! A frase no final do capítulo pertence a música "Bullet for my Butterfly wings" do The Smashing Pumpkins. Obrigado por terem lido até aqui... Até o próximo capítulo! Não esqueça de comentar. :3 Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=8-r-V0uK4u0
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.