Notas iniciais
Eu dividi o livro em arcos, este capítulo se encerra na metade do primeiro arco chamado: Nômades do oeste. Os capítulos serão semanais! Todo sábado às 15:30 sai capítulo novo, acho que o fanfiction tá no horário de verão, mas enfim acho que eu mesmo mando o link (pros meus amigos). Acredito que a partir do capítulo 7 ou 8 terei de postar por mês ou de duas em duas semanas porque to meio sem tempo. Enfim, dei o meu melhor, divirtam-se!

A flecha de Natasha foi disparada com grande perícia e seguiu na direção da testa de Kazuno, mas seus reflexos de Mercenário o salvaram, ele se abaixou e imediatamente levou sua mão direita à Katana em seu cinto, com um pulo veloz Kazuno cortaria a cabeça de Natasha, mas ela sacou uma machadinha e iria atingi-lo. No momento da colisão de armas Tsuki bloqueou a Katana de Kazuno e Sora bloqueou a arma de Natasha.

—Ficou louco? – Perguntou Tsuki enquanto pressionada sua espada de dois gumes contra a katana de Kazuno. – Essas situações devem ser resolvidas diplomaticamente! Não desta forma estúpida que você está acostumado.

—Ela disparou uma maldita flecha na minha testa e você esperava que eu não fosse revidar?

—Não somos crianças Sr. Kazuno, e Srta. Natasha, por favor, seja paciente.

—Kazuno, não estou aceitando pelos seios dela... Bem também, mas se o rei quer minha presença significa que há uma grande probabilidade de haver guerra, eu coordeno essa parte de guerras legais, eu já te expliquei isso, é meu dever ir e se você for ou não, eu não me importo. – Tsuki recolheu sua espada e foi para o lado de Natasha, que também havia recolhido sua machadinha.

—Tsuki...

—Não irei repetir minhas palavras. Natasha, a missão de Kazuno foi autorizada?

—Sim.

—Ótimo, parece que eu vou ter que ir. Mas como vamos da fronteira cruzada até Mijolnir? São muitos quilômetros, demoraria meses. Como chegou aqui e quando?

—Cheguei numa carruagem há seis meses, eu estava numa missão e vim hoje por acaso.

—Isso é estúpido... – Disse Kazuno já sem paciência.

—Opa, eu posso leva-los lá. – Disse Sora se animando.

—Como? Voando? – Disse Kazuno.

—Sou um camponês. Um dos guardiões da Nimpou! Não me subestimem! Sou o usuário do atributo “vazio”, posso leva-los até lá criando um portal de vazio aqui e outro em Mijolnir, em seguida eu comprimo o espaço e o tempo nesta região entre os portais para chegarmos, parece complicado, mas posso fazer isso facilmente.

—Bem, não temos escolha, nossa linda Natasha não pensou no tempo da viajem então teremos de ir com Sora.

Sora se posicionou na frente deles e com um gesto com a mão direita apareceu um portal negro e engoliu-os.

—Melhor se prepararem, flexionem os joelhos e cuidado com o nariz. – Disse Sora ao puxar sua mão direita.

Tudo parecia distorcido por um segundo e no outro eles estavam em uma praia deserta e quente devido à noite de verão, mas logo quando chegaram a inércia os derrubou, exceto Sora, que retornou assim que desembarcaram em Mijolnir. Eles rolaram na areia, Tsuki foi o primeiro a levantar, seguido por Natasha e depois Kazuno. Eles seguiram para uma floresta fechada e depois chegaram a um acampamento num campo que continha grandes cabanas e uma torre de sete andares sobre grandes rodas, mais na frente, numa cabana gigante, estava o símbolo dos Humanos. Eles entraram e havia um homem com cabelos brancos e uma barba longa, trajando uma armadura completa feita com ouro e bronze e uma espada de dois gumes forjada com ouro e diamantes no cabo prateado, seu Trono era uma grande poltrona de ouro, bronze e pérolas, este era o rei Erick III. Ao seu lado esquerdo estava um homem com características orientais, trajava uma armadura comum de ferro com o símbolo dos humanos e segurava uma grande espada de dois gumes sem muitos enfeites, este era o guerreiro mais poderoso do clã nômade dos Humanos. Atrás do rei havia um homem com uma armadura parecida com a de Asenheim, mas que no tronco, onde deveria estar o símbolo dos Mercenários, havia um manto branco com o símbolo dos humanos bordado à mão, ele possuía cabelos negros e usava uma máscara que cobria seus olhos, uma máscara prateada, este Kazuno reconheceu como o maldito Hoshi, seu rival.

—Boa noite rei Erick, o magnífico. – Saudou Tsuki com uma reverência ensaiada.

—Mil perdões Tsuki, o mago, mas no momento prefiro ser Erick, o temível. – Retrucou o rei, mal agradecido. – Então minha caçadora Natasha conseguiu novamente! Sabia que não falharia, que seus cabelos nunca caiam! – Terminou com uma saudação estranha.

—Obrigado meu senhor... E... Que sua barba nunca precise ser cortada... (?)

—Bem, Três vivas para Deus, Achei que Kazuki nunca concordaria em vir. – Disse o Rei ignorando a falha de Natasha em saudar o rei.

—Não havia como recusar uma missão vinda de um rei como o senhor. – Mentiu Kazuno. – Ah, meu senhor, por favor, não sou Kazuki Takahashi, este é meu pai, sou Kazuno Takahashi.

—Pois bem! Desculpe-me Kazuno, o ruivo. Bem no oeste da vila há uma cabana para você descansar, lá você vai encontrar uma carta do seu professor explicando sua missão aqui.

Kazuno entrou em sua cabana, escreveu os últimos ocorridos eu seu diário de viagem e sentou na cama do único cômodo da cabana, foi quando viu Tsuki entrar.

—Olá.

—Oi Tsuki.

—Já leu a carta do rei?

—Não, nem estou afim. O que ele quer com você?

— Que eu assine a guerra legal contra os Vikings, ele quer o território de Mijonir para nova morada do reino, desta vez permanentemente. E ele quer que nós lutemos ao lado dele em seu exército, bem está na sua carta e foi assinado pelo seu “professor”.

—Sei... Mas não tenho sequer treinamento do exército Humano, dizem que é muito pesado, não sei se vou me sair bem se eu realmente entrar na guerra.

—Na sua carta tem o nome da sua posição e quem será seu tutor no treinamento. Eu vou para minha cabana, estou morrendo de sono. – Terminou Tsuki saindo da cabana.

Kazuno apanhou a carta na cabeceira da cama e a abriu, lá estava escrito o que Tsuki havia falado, e no final estava escrito: Posição: Peão, Tutor: Natasha flecha de ouro. Missão principal: Matar o general de tropas dos Vikings.

* * *

Nos primeiros raios de sol, Kazuno acordou com gritos na entrada de sua cabana.

—Acorda! Tá achando que aqui é o clã dos maricas dos Mercenários? Você está no exército! Levante! – Berrou Natasha chutando as costelas direitas de Kazuno.

Kazuno levantou com má vontade e disse sarcasticamente:

—Que dócil, a Srta. Flecha de ouro veio me acordar delicadamente.

—Mais uma dessas e eu arranco sua língua. Hoje começa seu treinamento, temos duas semanas para você deixar de ser um franguinho magrelo. O que está esperando? Vamos para os campos!

Então Kazuno acompanhou Natasha até os campos de treinamento, onde ela começou a explicar.

—Peão! Irei explicas as coisas por aqui, espero que preste atenção, pois não repetirei!

—Certo, certo.

—É: sim senhora para você!

—Ok senhora, explique as “coisas por aqui”.

—O exército humano, desde os primórdios tem uma técnica única e original para combate em guerras, nós lutamos como peças de xadrez. E como no próprio xadrez, cada peça tem sua função! – Disse Natasha em voz alta. – Os “Torres” são os lanceiros das falanges e os arqueiros, A cavalaria, obviamente, são os cavaleiros, o “Rainha”, é o Mago que está lutando conosco, ou seja, Tsuki! E os “peões” são a linha de frente dos guerreiros do clã, os mais fortes, a função deles é abrir caminho e morrer pelo Rei! Digo isso, pois metade dos Peões, na maioria dos combates não retornam com vida. Você está preparado para o treinamento?!

Kazuno não precisou responder para começar o “Inferno do Tabuleiro”, era como chamavam o treinamento Humano mundo a fora. Natasha o mandou escolher uma das armas de treinamento do campo, lá havia facas de todos os tipos, arcos, bestas, espadas com lâminas de diferentes formatos, machados, entre outras, como eram armas de treinamento todas eram feitas com madeira. Kazuno pegou uma espada de dois gumes com a lâmina média e mostrou para Natasha.

—Takahashi, eu mandei você escolher uma arma, você escolheu, no entanto você que terá de aprender a usar todas assim como os caçadores de pessoas.

O treinamento começou, Natasha ensinou as técnicas básicas da arma escolhida e num boneco de palha e madeira Kazuno às testou. Treinaram o dia todo, um pouco com cada arma, Kazuno teve de levantar pesos absurdos, pois Natasha o julgava muito magro.

Uma semana se passou e Kazuno estava cada dia mais cansado e não havia aprendido muita coisa do estilo de luta dos humanos, a única coisa que havia progredido era sua amizade com Natasha e isso não era muito importante.

—Nat, não podemos continuar com isso, você só me ensinou o básico e me fez ficar com o corpo mais forte, tem alguma ideia boa em mente? – Perguntou Kazuno cansado.

—Sim, tive uma ideia, preciso que você faça uma coisa para mim.

—Opa, agora você está falando a minha língua! O que quer que eu faça?

—Próximo daqui há uma torre do lado da tenda do rei, ela é a biblioteca do clã, foi construída para ser levada conosco aonde nós formos, há boatos que há uma passagem secreta nela que leva a um andar onde contêm livros proibidos.

—Proibidos como?

—Que não devem ser lidos, imbecil.

—Qual deles você quer que eu pegue?

—Presente.

—Oi?

—É o nome do livro Kazuno! Presente, parte dois! Procure por John Lockwood, ele escreveu a droga do livro e deu de presente ao Erick I.

—OK, em qual andar fica isso?

—Não faço ideia, mas você pode procurar entre o quarto e o quinto andar, lá passam guardas às vezes e eu acho isso suspeito.

—O que eu ganho com isso?

—Eu devia ter me lembrado de que você é um mercenário, eu posso te ensinar os segredos do livro.

—E que tipo de segredos seriam eles?

—Boatos que nele está escrito todos os segredos das habilidades dos humanos.

—Isso vai melhorar meu treinamento. Volto em uma hora.

Kazuno seguiu até a torre da “Biblioteca móvel”, era feito de tijolos e pedras cinza, uma velha senhora anotava os nomes de quem entrava e saia do local. Ele caminhou até as escadas quando a senhora o chamou:

—Pois não? – Disse a senhora.

—Ah, sou Heithan, procuro... Um livro em especial. – Mentiu Kazuno

—O quão especial ele é?

—O bastante para eu não saber onde ele está.

—Anotarei seu nome senhor, acredito que o livro que você quer se encontra na seção reservada no sexto andar, mas terá de pagar para ler o livro, custa doze Gold’s.

—Doze?!

—Sr. Heithan, se não quiser não leia.

—Não tenho todo esse dinheiro aqui, eu achava que vocês trabalhavam com moedas do leste.

—Somos Humanos, não me insulte.

—Perdão senhora, acho que não vou ler o livro que quero, só vou dar uma volta para ver se me interesso por algo.

—Entendi. Qualquer livro do primeiro ao terceiro piso custa cinco Gold’s, aproveite a visita, hoje fecharemos às 18 horas.

Após encerrar a conversa com a mulher, Kazuno seguiu até a seção reservada no quinto piso, lá ele notou que estava sendo seguido descaradamente pelo homem que estava sentado à esquerda do rei na noite anterior, hoje ele vestia calças comuns, botas de couro e uma camisa de mangas curtas azul com o símbolo dos Humanos bordado com lã marrom e cinza. O homem olhou para Kazuno com seus olhos penetrantes, escuros e pequenos, levantou a sobrancelha direita e disse:

—Olá Takahashi, estou te seguindo. – Disse ironicamente.

—Percebe-se.

—É que não levo muito jeito para essas coisas.

—Por que está me seguindo?

—Ah, isso não posso falar. O que você está fazendo aqui? Achei que não soubesse ler.

—Sou um mercenário, lá eles nos ensinam a ler. Você está aqui porque Erick não confia em mim.

—É por isso mesmo, acertou. Bem, faça o que você quer fazer, não atrapalharei, só observarei.

—Bem, acho que eu não vou poder te forçar a sair daqui, se não vai me atrapalhar então está tudo bem. A propósito, apesar de você já saber meu nome eu não me apresentei, Sou Kazuno Takahashi.

—E onde estão meus modos? Desculpe Kazuno, pode me chamar de Krïeger.

—Cri o que?

—Krïeger, pronuncia “Criguer”, é um título.

—Título para qual conquista?

—Título de melhor guerreiro do clã.

—É meio difícil de pronunciar, poderia me dizer seu nome?

—Meu nome já foi esquecido há muito tempo, não há necessidade de fala-lo.

—Enfim Krïeger estou ocupado, você poderia ir ali falar com aqueles guardas ali atrás? Não quero fazer nenhum mal, mas não significa que o que eu faço é correto. Desejo entrar na seção restrita, lá há uma passagem secreta e eu quero algo que está lá dentro.

—Como se fosse uma seção ainda mais restrita?

—Isso!

—Certo, verei o que faço.

Krïeger era um rapaz amigável e muito inteligente, embora ele estivesse fazendo coisas idiotas. Ele chamou os guardas para um canto enquanto Kazuno entrou na seção restrita, imediatamente ele começou a socar levemente as paredes à procura de um som oco que indicasse a passagem entre as pedras cinzentas da construção. Em um ponto houve o som esperado, ele passou a mão pela parede áspera e encontrou uma pequena cavidade entre as paredes, empurrou-a e então surgiu uma forma de uma porta, empurrando mais uma vez apareceu uma brecha entre a porta de pedra e o resto da parede, onde Kazuno enfiou a mão e empurrou para esquerda. A porta deslizou pesadamente fazendo muito barulho, Kazuno correu para dentro da sala secreta onde novamente encontrou Krïeger, que vinha correndo atrás dele.

—Bem Kazuno, houve problemas, os guardas desconfiam de mim e viram você entrar, eles estão há 30 segundos daqui e não há como fugir! O que vai fazer?

Kazuno olhou em volta e encontrou o livro escrito por John Lockwood, Enfiou-o nas calças e perguntou:

—Krïeger, o que há aqui embaixo?

—Um estábulo. – Respondeu Krïeger – Você não está pensando nisso, está? São cinco andares!

Kazuno mal deixou Krïeger parar de falar, pegou-o pelo braço esquerdo, correu e pulou pela janela. Por sorte os dois caíram em um toldo que se rasgou e em seguida num monte de feno e foi onde ficaram por dois minutos. Após notarem que não havia mais guardas atrás dos dois, ambos correram até os campos onde encontraram Natasha.

—Krïeger? –Disse Natasha corando – O que faz aqui?

—Nunca é tarde para uma visita, especialmente de um amigo tão próximo, a não ser que não deseje minha presença.

—Não é isso... Eu só não esperava. – Respondeu ela. Em seguida, voltando-se para Kazuno, falou – E então? Missão falhada? Disse que voltaria em uma hora, mas durou menos da metade do tempo.

—Sou conhecido pelos êxitos em minhas missões! – Disse Kazuno retirando o livro de suas calças. — Não me subestime.

—Que lugar ridículo! – Exclamou Natasha.

—Eu pulei cinco andares pra te entregar isso, não deveria reclamar.

Natasha folheou rapidamente o livro e reconheceu que era realmente o livro secreto.

—Enfim, vamos continuar o seu treinamento então. Krïeger quer me ajudar com o treinamento do Kazuno?

—Não, infelizmente ou felizmente terei assuntos particulares para resolver, e estou atrasado. Desculpe-me Natasha.

—Está tudo bem. – Respondeu ela se entristecendo um pouco.

Krïeger correu o máximo que pôde até a tenda do rei e lá encontrou Erick trajando um manto branco de seda.

—Meu senhor... – Disse Krïeger se ajoelhando. – Perdoe o meu atraso.

—Kido, eu não tenho poder de te perdoar, levante-se, hoje eu sou apenas Balder.

—Porque me chamou Sr. Balder?

—Temos que conversar. Recentemente eu o nomeei Krïeger, o meu senhor não gostou muito disso.

—Seu senhor?

—Kido, estou falando do senhor Erick.

—Erick? Está louco? Ele está desaparecido ou possivelmente morto! Você mesmo disse!

—Eu menti. Pela segurança de nosso senhor eu menti. Este lugar, Mijolnir, outrora foi a capital do império humano e aqui há canais subterrâneos que levam a uma sala secreta: A sala forte. Nesta sala está o verdadeiro trono de Erick, e agora o próprio rei o senta. A cadeira de ouro que eu passo o dia é uma mera cadeira para o regente do trono. O senhor Erick deseja ver você e tem de ser agora. Embaixo da minha cadeira há um alçapão de madeira que leva à passagem subterrânea que eu falei.

—Isso me parece loucura. – Disse Kido, mas era inevitável, Balder estava determinado a prosseguir com a missão.

Ele arrastou sua cadeira de ouro e lá embaixo realmente se encontrava um alçapão de madeira, Balder abriu a tampa exibindo a escada decrescente. Desceram até os túneis subterrâneos, os túneis foram revestidos com pedras cinza, pedaços de madeira foram pregados nas paredes com a função de serem tochas, mas estavam lá há mais de quinhentos anos, assim a escuridão banhava o lugar, um lugar esquecido.

Após alguns minutos de caminhada, chegaram a um grande portão de madeira. O portão possuía quatro metros de altura, em seu centro havia um desenho de um grande escudo com uma espada por trás, o símbolo dos Humanos.

Balder abriu a porta, a escuridão era intensa, mas dava-se para identificar um homem sentado num grande trono de pedra sobre um altar. O homem era o verdadeiro rei Erick III, ele estava usando a armadura que Balder usou na noite anterior, segurava uma espada azul em que ouro e pedras preciosas estavam agregados, um único feixe de luz produzido pela lua que atravessava um buraco no teto revelava os cabelos dourados do rei.

Balder e seu acompanhante se ajoelharam diante do rei oculto nas sombras, ele os olhou e disse:

—Balder, levante-se, hoje eu o aceito aqui não só como meu servo, mas como meu melhor e único amigo.

—Ora meu senhor, não fale assim. – Disse Balder. – Eu tenho o dobro da idade do senhor, tu não deverias me considerar desta forma.

—Este ai é o novo Krïeger?

—Sim, meu senhor. – Respondeu Balder.

—Garoto, qual o seu nome?

—Sou Kido, meu senhor.

—E o que o... Kido... Fez para merecer ser o Krïeger?

—Ele simplesmente é o melhor guerreiro do clã, não há ninguém mais habilidoso que ele.

—Pouco convincente. Você pode ter agradado a Balder, mas não a mim. Terá de me orgulhar para eu reconhecê-lo.

—O que o senhor quiser. – Disse Kido sentindo-se reprimido.

—Quanto a você, Balder, disse que tinha de me dizer algo.

—Kazuki Takahashi está vivo, e retornando para o senhor.

—Ele sabe onde estamos?

—Sim, ele se lembra da missão.

—Perfeito. Diga-me, Kido, você morreria pelo seu rei? – Perguntou Erick com um tom de arrogância.

—Sem pensar duas vezes, eu cortaria minha própria garganta para proteger o senhor.

—Estou gostando de suas palavras, meu caro. Vocês estão dispensados. Mais uma coisa, fiquem de olho no filho de Kazuki, não confio em mercenários.

* * *

Na manhã do outro dia, Krïeger foi até Natasha e ajudou com o treinamento de Kazuno, eles o ensinaram a manusear facas e espadas de acordo com as técnicas secretas do livro de John Lockwood. Era a hora de Natasha ensinar sua especialidade.

—Kazuno, está na hora de eu lhe ensinar a atirar com arcos! Finalmente algo que eu não preciso desse livro idiota pra te ensinar. Ande, Pegue um arco!

Ele pegou um arco e uma aljava.

—Para atirar uma flecha você deve sentir e não pensar. Observe o seu alvo, certifique-se de que a flecha irá na direção dele e não irá passar direto sem acertá-lo, então dispare.

Kazuno sacou uma flecha da aljava, posicionou-a no arco, olhou um alvo que estava pintado em uma árvore, fechou seu olho esquerdo para se concentrar, disparou. A flecha fez muitas curvas e passou direto.

—Eu não esperei que você acertasse de primeira o alvo... Vou lhe explicar umas coisas. O vento é seu inimigo, ele o fará sua flecha dar curvas no ar, consequentemente, nessa hora você erra o alvo. Você tem de atirar a flecha de modo que o vento leve-a ao seu inimigo, para saber onde sopra o vento basta cravar uma lança no chão com um pedaço de pano amarrado no topo. – Disse Natasha fazendo uma bandeira improvisada. – Mais uma coisa: Para atirar a flecha ela deve estar posicionada entre seu dedo médio e o anelar, pressione a corda com a palma da sua mão ao mesmo tempo em que você puxar a flecha. Tente agora.

Kazuno observou a bandeira, o vento soprava levemente para a sua direita, era hora de disparar. Ele preparou a flecha, fechou seu olho esquerdo, se concentrou na árvore e atirou contra o vento, a flecha imediatamente fez uma curva no sentido do vento e acertou em cheio no alvo.

—Olha só Kazuno! Você melhor do que eu pesava! Nem Natasha acertou no segundo disparo dela! – Disse Krïeger.

—Eu não tive uma instrutora tão boa quanto eu – Respondeu ela dando risadas.

Eles passaram o dia treinando Kazuno, já chegava a noite, então um mensageiro abordou eles dizendo que o Rei Erick queria vê-los.

Os três seguiram à tenda do rei e lá encontraram Tsuki e Sora sentados perto do rei. Eles fizeram uma longa reverência e aguardaram o rei falar.

—Conversei com Tsuki agora a pouco... Iremos declarar guerra ao Rei Viking. Mijolnir será nossa. Tsuki irá conversar com ele, vocês irão assaltar um grupo de guardas Vikings das cavernas junto com Sora. Irão agora, seus equipamentos estão em suas devidas cabanas. Em 752, os Humanos deixarão a vida de nômades! – Disse o Balder, disfarçado de rei Erick.

Eles se vestiram para o combate. Arcos, malhas de anéis de aço vestidas, espadas em suas bainhas, Elmos em suas cabeças. A guerra iria começar por baixo, os bastidores são sempre a melhor forma de trair o inimigo. Sora era o melhor torturador de Gondir, ele não falharia em coletar informações dos inimigos.

* * *

O sol começava a se pôr, o grupo composto por Sora, Krïeger, Natasha e Kazuno estavam penetrando a floresta de Mijolnir, território do clã Viking. Após dois exatos quilômetros andados, eles avistaram uma caverna iluminada por dentro, Krïeger sacou sua grande espada, mas Sora interviu.

—Não é assim que informações são coletadas Krïeger. – Disse ele sacando de suas vestes negras uma Kunai, ele apontou pra uma árvore próxima a caverna, lá estava um Viking com um arco, porém estava cochilando. – Qualquer barulho, e o sentinela deles nos mataria, tenha mais cuidado seu tolo.

Sora era muito mais sério em suas missões, mesmo quando elas não eram para benefício de seu clã. Ele arremessou a Kunai e acertou o meio do rosto do sentinela, que sequer acordou para sentir dor. Seguiram lentamente pela trilha de folhas secas até a borda da caverna. Sora fez sinal para Natasha que se agachou junto a Kazuno, ambos prepararam flechas. Krïeger se escondeu e assobiou alto, Sora subiu uma árvore imediatamente. Dois inimigos saíram com machados pesados em suas mãos, Natasha e Kazuno atiraram suas flechas nos alvos, Natasha acertou a cabeça e Kazuno o ombro,isso foi um perigo, pois o Viking sentiu muita dor, mas antes dele gritar Krïeger enfiou sua longa espada na garganta dele, o que banhou as folhas da floresta de sangue. Sora pulou da árvore e correu para dentro da caverna, do lado de fora eles ouviram gritos e quando entraram Sora estava de pé sobre os corpos ensanguentados de seis Vikings decapitados, em sua mão direita Sora segurava uma espécie de Katana, mas sua lâmina era curta e curva na ponta. Em sua mão esquerda, ele erguia um viking pelo pescoço, o mesmo agonizava nas mãos frias de Sora, seus olhos estavam sedentos por sangue, mas seu corpo se conteve, o lado psicopata de Sora era perigoso para os inimigos.

Sora jogou o Viking no chão, guardou em suas costas sua espada e de seu bolso retirou uma pequena faca. O inimigo o olhava com pavor.

—что вы будете с ним делать? – Disse o Viking tremendo.

—Desculpe... Eu não falo a língua do norte.

* * *

Depois de muitos berros, Sora saiu da caverna, suas mãos estavam ensanguentadas.

—Sr. Kazuno... Mate-o. – Disse ele com um sorriso no rosto.

Natasha ofereceu sua machadinha, e Kazuno aceitou. O corpo estava em estado crítico, os tendões de sua mão direita haviam sido cortados, sua mão esquerda estava em pedaços, seu rosto estava cheio de cortes e seus pés quebrados. Ele chorava, Kazuno entendia a língua dele.

—Пожалуйста... убить меня. (Por favor...Me mate.)

—Валькирии нести воин. (Que as Valkirias o carreguem, guerreiro.) – Respondeu Kazuno, em seguida enterrou a machadinha no crânio dele.

* * *

Eles andaram até o castelo do Viking e esperaram na porta por Tsuki, que conversava com o Rei.

O grande salão do castelo Viking era bem iluminado por tochas, janelas possibilitavam a entrada da luz do sol que aquecia as armaduras dos soldados. O rei Viking se chamava Scorpyus VII, assim como no salão da tenda do rei Erick III, o trono do rei ficava no centro. Um trono de pedra com desenhos de dragões sem cabeças abrigava o rei Scorpyus, com uma armadura de bronze com detalhes dourados, em sua cabeça, um elmo de prata com longos chifres dourados, ao seu lado direito sua esposa Nara, com cabelos dourados e olhos azuis, seu manto branco cobria todo o corpo, e uma coroa dourada em sua cabeça.

Tsuki já havia iniciado a conversa, e as respostas do rei estavam sendo negativas.

—Tsuki, não estou entendendo bem, suas palavras são confusas, seja mais direto!

—Então, eu vim aqui lhe pedir para aceitar o pedido de guerra do rei Erick III.

Scorpyus gargalhou como se acabasse de ouvir a mais engraçada piada de forma que sua longa barba sacudia em sua armadura.

—Erick? O dos Humanos? – Então ele riu mais um pouco. – Eles já estão mortos há muito tempo, mortos quando quero dizer: Esquecidos, isso sim é um destino pior que a morte. Não há como um exército desses me abater! Chega a ser um insulto!

—Então, mais um motivo do senhor aceitar, isso iria aumentar o seu poder político, isto é, se derrota-los. Eles parecem corajosos e confiantes.

—O que eu não entendo disso... É o porquê vocês magos fazem questão de nos convencer a aceitar esses contratos. Contratos de guerra? Vocês tornaram isso muito recreativo, é como se fossemos gladiadores sendo colocados em campo de guerra para lutar até quase morrermos, e depois vocês nos dão comida e casa. É ridículo.

—Eu não seria a pessoa certa para lhe explicar as vontades dos meus superiores, mas as guerras, em geral, são boas para os negócios.

—Eu lhe darei uma chance para me dar um bom motivo para eu participar dessa brincadeira.

—Não é uma brincadeira, alguns de seus Vikings morreram por isso. A guerra já começou senhor Scorpyus, independente de sua decisão.

—Você quer dizer que Erick me atacou?

—Talvez...

—Talvez o que?

—Talvez sim... Talvez não.

O rei Scorpyus estava perdendo a paciência, mas ele prezava por seus companheiros.

—Tsuki, como última vontade para com você eu assinarei, mas que você fique sabendo que não é mias bem vindo aqui.

O plano de Tsuki deu certo, ele tinha o papel assinado. Junto a Kazuno, Sora, Krïeger e Natasha ele caminhou até a tenda do rei Erick, onde ele entregou os papéis assinados por ele e pelo rei Scorpyus.

Natasha foi descansar em sua cabana, Sora foi encontrar Milla que estava em uma cabana nas redondezas do reino nômade dos Humanos. Krïeger ainda não havia sido reconhecido pelo rei Erick (o verdadeiro), então ele decidiu se arriscar. Já era noite quando ele andou até a cabana de Natasha para conversar um pouco.

—Natasha... Está ocupada? – Perguntou ele apreensivo.

—Não, estou apenas deitada. – Disse ela corando ao ver Krïeger passar pelos panos da entrada.

—Bem, eu queria te contar algo, um segredo.

—Pode falar!

—Há um dragão em uma das cavernas da floresta: Darkkus, o dragão de duas cabeças.

—Isso não é segredo Krïeger, todos sabem disso e o temem. – Disse Natasha sentando-se não colchão.

—Bem, isso é óbvio Nat. O que eu queria dizer é que eu irei enfrentar este dragão. Hoje, mais precisamente, agora. Eu vim me despedir de você, pois não sei se conseguirei.

—Krïeger! Você está ouvindo o que está me falando? – Disse ela se levantando — Você não tem opção! Isto é loucura, se falhar, você morre! Por favor, diga-me que isto não é verdade, que você não vai atrás de seu fim.

—Se eu dissesse isso, eu estaria mentindo... Não sei se este será meu fim, mas já me batizei com o padre, me confessei. Estou preparado para o pior.

—Por quê?! O que está tentando provar?

—Que sou o Krïeger que nosso povo merece ter! Não me tente a mudar de decisão! Por favor... Não torne isto mais difícil.

—Você está pulando nos braços da morte, está caindo em um poço profundo, de onde eu não posso te tirar. – Disse ela com lágrimas nos olhos.

—Você já me salvou muitas vezes, porém apenas eu fui promovido. Assim como eu, você é jovem, irá se tornar uma grande General. Eu confio nas suas habilidades, tudo o que eu posso dizer agora é: Obrigado por tudo Natasha.

—Treinamos e lutamos lado a lado por anos... Você nunca me disse seu nome. Este seria o melhor presente de despedida que você poderia me dar.

—Se isto te alegraria, então, meu nome é Kido. –Com esta frase ele se aproximou e beijou-a. Depois disto, não tornou a dizer outra palavra, deu as costas e seguiu para escuridão da noite.

* * *

Krïeger passou a noite procurando por informações, já passavam da meia noite quando ele encontrou a caverna do dragão Darkkus. Ele adentrou a caverna, sentiu um aroma quente, e um frio que percorria sua espinha... Saia que estava sendo observado

A caverna era profunda, e só havia uma única passagem que apensas descia. Com o passar da caminhada, o ar começou a ficar pesado e mais difícil de respirar. Ele estava cansado, e se sentindo fraco, então ele viu uma grande sombra por trás de uma pedra, esta sombra parecia ter escamas e asas enormes, a sombra tinha quatro metros de altura.

Finalmente o dragão negro abriu os olhos. Suas duas cabeças encararam Krïeger, os olhos da cabeça da direita eram vermelhos como o fogo com umas fendas negras que os partiam no meio, os olhos da outra cabeça eram brancos como a neve, e igualmente com fendas negras. Ambas eram ameaçadoras e pareciam querer atacar aos olhos de Krïeger.

—EU SOU KRÏEGER, O GUERREIRO MAIS FORTE DO CLÃ DOS HUMANOS! E ESTE É SEU FIM BESTA IRRACIONAL!

Krïeger investiu com sua longa espada, mas o dragão rugiu e com uma patada, defendeu o golpe. Ele dentou novamente, desta vez investiu contra o peito do dragão, que parecia mais vulnerável, porém ele se esquivou, levantou voo e com a cabeça dos olhos vermelhos, cuspiu uma rajada de fogo que queimou o braço esquerdo de Krïeger.

Por um momento o dragão pareceu ter rido de Krïeger, mas ele se forçou a acreditar que era fruto de sua imaginação. Ele gritou e atacou, mas o dragão o jogou longe, e com a cabeça dos olhos brancos soltou uma rajada de gelo que cobrio Krïeger, mas não o congelou. Com grande esforço ele se livrou das camadas de gelo e atacou, novamente em vão.

O dragão Darkkus pareceu irritado com a situação, pegou Krïeger como um boneco de pano e o observou por um longo tempo, como se estivesse pensando em uma decisão. Krïeger fechou os olhos, o dragão abriu as duas grandes bocas e se aproximou dele, não havia mais esperanças, Natasha estava certa, ele estava no fundo de um poço e não havia salvação. Era seu fim.

Notas finais
Bem, foi isso ^^. No próximo: a conclusão da luta de krïeger e outras coisas que eu não vou falar pra não dar spoiler da minha própria história :3, obrigado por terem lido e se puderem se inscrevam no site, favoritem a história e compartilhem com seus amigos, valeu mesmo, até semana que vem!