God of War: A Última Esperança.
3 Confiança tem que ser Merecida.
Notas iniciais
—É engraçado ver o quanto o Olimpo pode mudar. Da última vez que visitei Athenas, havia flores por todo lugar, parecia mais vivo, com mais magia.- Phêmeder disse, observando o rio a frente.
A paisagem estava estranha. As samambaias estavam sem cor, as vitória-régias de verde foram para um negro profundo, o chão estava sendo comido por pequenas criaturas místicas, o rio estava apodrecido e sem peixes, tudo mudara bruscamente desde que Phêmeder fora visitar tal cidade. Do outro lado do rio, havia carcaças de olimpianos mortos em combate; garras por todo o corpo, as máscaras estavam flutuando sobre os rios, os escudos apoiados na parede podre e as armas ainda apoiadas nas mãos dos soldados:
—Precisamos acabar com isso o mais rápido possível.- a deusa falou, sentando em uma das rochas próximas ao rio, deixando com que algumas almas cuidasse do machucado que Medusa havia causado.- Minha mãe me ensinou que a guerra nunca acabará até que a última alma morra.
—Precisamos chegar ao outro lado. Aquela corda não parece uma má ideia.- Kratos falou, já retirando as lâminas do exíliio das costas.- Vá na frente, eu protejo você.
—Quem você acha que eu sou?- ela disse.
Phêmeder tomou uma certa distância da beira do rio, tomando impulso, grudando na corda e parando do outro lado:
—
É a sua deixa.- ela gritou para Kratos, enquanto jogava a corda para o mesmo. Kratos repetiu o ato da outra deusa, parando do lado dela.
Por dentro do caminho estreito, havia uma escada que levava os abusados para um campo de batalha. Logo Phêmeder conheceu o lugar como a Zona de Batalha.
A Zona de Batalha era exatamente o que o nome revelava. Um campo amplo que servia para combates justos entre os olimpianos, havia uma área para que a luta fosse vista, ao lado da área pairava um monumento erguido à favor do deus Ares (o antigo Deus da Guerra), do lado direito do campo havia uma escada que Phêmeder não se lembrava. No "auditório" estava alguns Olimpianos que erguia placas à favor do deus Hermes. Phêmeder, prevendo o que aconteceria em seguida, entregou um capuz para Kratos com um papel que dizia a habilidade do produto; dar invisibilidade a quem o usava. Sorrindo, Hermes apareceu das escadas, arrancando urros de alegria da platéia:
—Eu adivinhei, não é?- Hermes disse a todos sorrisos.- Você é tão previsível, Irmã.
—Você quer um combate?- ela retirou as lâminas das costas.
—O que você acha que eu vim fazer aqui? Comer doces?- Hermes perguntou ironicamente, calçando o calçado que daria rapidez à ele.- Lembra das regras?
—Só um vencedor.- ela sussurrou para si mesma.
—Que o jogos comece e que Moros esteja sempre à seu favor.
O primeiro golpe de Hermes era previsível, uma rasteira que deixara Phêmeder desnorteada. Ele parou atrás da deusa, que, sem olhá-lo, lançou as lâminas na direção da cabeça do deus, porém o mesmo desviou:
—Eu acho que as aulas com Deméter falharam.- ele zombou, passando rapidamente pela divindade, deixando-a caída no chão.
Ela se levantou, ainda não se dando por vencida, e investiu em outro golpe inválido contra Hermes. Fazendo movimentos circulares com as lâminas, Phêmeder conseguiu arrancar o braço direito da criatura que se dizia deus. O mesmo arremeteu-se novamente contra a diva, deixando-a caída no chão, com as mãos apoiadas para que o tronco não cedesse:
—Isso foi o seu melhor?- ela perguntou, levantando apenas a cabeça para olhá-lo.
—O que?- ele perguntou incrédulo.
—Eu perguntei se isso foi o seu melhor.- ela tentou se levantar, porém o outro foi mais rápido e acertou-lhe um chute no estômago.
—Eu só estou começando.- ele tentou sorrir, porém as duas lâminas do exílio acertou-o em cheio nas costas, o sangue do deus morto escorreu parando na roupa da deusa, manchando-a como macarrão mancha a roupa de uma criança desatenta. Os urros de prazer fora ouvidos, foi então que eles perceberam que haviam platéia. Kratos avançou nos Olimpianos, arrancando-os as cabeças e tripas:
—Obrigada, Kratos.- a deusa proferiu assim que recuperou a lucidez.
—Afinal, quem é você?- o deus perguntou, confuso, apoiando-a em um dos bancos do auditório.
—Um fruto da relação de Afrodite com Ares.- ela respirou fundo.
Há muito tempo atrás, antes da guerra que tornaria Kratos afiliado à Ares, Afrodite tomou uma decisão que julgou certo. A deusa do Amor deitou-se com Ares, com a intenção de um bebê que traria calma à guerra que Moros havia previsto. Quando Zeus soube do plano de sua filha, tratou de pedir o feitiço que não saciaria o desejo de Afrodite, mas, ainda assim, a deusa teria a filha. Foram tempos cansativos para o Olimpo, Ares fora morto e a caixa de Pândora aberta, porém isso não impediu Phêmeder de nascer, por mais trabalhoso que fosse mentir para Zeus, Afrodite tentou esconder a bebê por medo do pai dos Deuses recusá-la e jogá-la outro feitiço, mas não adiantou pois Zeus logo descobriu por meio das empregadas. O fruto de Ares fora amado e muito bem cuidado por todos do Olimpo, os deuses faziam questão de ensiná-la o poder que tinha e com o tempo Zeus destruiu a maldição que tinha jogado na criana (que já estava grande). Com a anulação do feitiço, Phêmeder cresceu com o poder de Bajulação, Sabedoria, Força e beleza, o que a tornaria quase que uma deusa maior.
Phêmeder não era uma divindade qualquer, ela era a pessoa que poderia ajudar a acabar com o caos e a guerra instalado no Olimpos.
Kratos a fitava com um olhar mortal, o habitual do deus, e quando ela terminara de explicar sua origem, ele apenas se levantou para seguir o caminho:
—Eu sei o que você pensa. Você acha que quero destronar você, roubar o seu lugar. Eu só queiro que saiba que eu não faço isso.- Phêmeder achou que a fala o tranquilizava, mas o efeito foi o contrário.
—Por que não acaba com a guerra sozinha?- Kratos perguntou, virando-se para ela.
—Não foi eu que comecei-a.- ela sustentou o olhar do guerreiro.- Eu não sei por onde ela começou, e se vamos contar o mal, tem que ser pela raís.
Eles acabaram descobrindo que a escada que Hermes havia subido revelava um lugar destruído, como o resto de Athenas, porém havia um trono (que deveria estar algum deus) com uma criatura de cabeça baixa. O corpo avantajado estava marcado por chicotadas, os braços pareciam cansados, nas mãos havia um taco e na cabeça uma máscara que impedia de ver o rosto da besta:
—Fergos?- Phêmeder chamou.
Fergos era o indivíduo que cuidava de banir os perdedores, mandando-os para o tártaro. Porém, ele estava cansado de tantas batalhas inúteis, afinal eram-se lutas inválidas que ele decidia quem vencia e quem perdia. No começo era muito legal, porque ele era quase que um deus, mas, agora que estavam ocupados com a guerra, ele ficara jogado para as "traças" comer:
—Fergos?- A Deusa insistiu em chamá-lo, recebeu um olhar mortal que travara várias batalhas.
—Saia daqui.- ele pediu.- eu não consigo me controlar.
—O que fizeram com você?- ela perguntou, tocando-lhe no rosto.
As lembranças eram límpidas: algumas mortes que desejara e conquistara, o momento que fora escolhido para punir os insolentes, etc. Porém, um em específico lhe despertou interesse: era a lembrança de quando ele assassinou a própria irmã, Haya, quando ela inventou de entrar na batalha e, infelizmente, perdeu:
—Eu sinto muito.- ela se afastou do ser dos olhos flamejantes.
—Você acha que eu sou um monstro? Olhe para Kratos, observe tudo o que ele fez para nós.- Fergos se levantou, indo em direção à Kratos.- Você não merece a vida que tem!
Em um movimento rápido, Phêmeder roubou o taco que Fergos segurava e lançou o objeto pelo penhasco. Fergos, irritado, tentou jogar Kratos do penhasco, mas foi uma tentativa inútil, pois Phêmeder tirou Kratos das mãos do monstro com um cipó que havia ali perto, Kratos se arremessou contra Fergos segurando no cipó e então viu a criatura cair:
—Eu achei que o Guardião da Zona era uma lenda.- Kratos falou, observando o penhasco.
—Você deveria saber que não existem lendas aqui.- Phêmeder disse, pairando do lado do deus e observando o penhasco junto à ele.
—Você confia em mim?
—Confiança tem que ser merecida.- Phêmeder disse, pulando para o outro lado da Zona.- Você vem, Deus?
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