God of Mischief | Loki

9 Capítulo 8: A deusa. O prisioneiro. O soldado.


Notas iniciais
Oi pessoinhas lindas! Quero dar as boas vindas a Nimsay! E quero agradecer a vocês que continuam vindo aqui e comentando. Esse capitulo ficou extenso, porque estão acontecendo muitaaas coisas ao mesmo tempo. Comentem, recomendem e divirtam-se!

Barton e Steve me acompanharam até em casa. Steve o caminho inteiro me perguntando se eu estava bem, se Loki tinha me ferido. Barton me encarava pelo canto dos olhos de maneira muito mal disfarçada.

Quando chegamos a casa Barton finalmente falou comigo.

— O que você fazia junto com ele? – Perguntou. Me sentei no sofá, olhando meus pés remendados dentro das sapatilhas. Eu tinha pensado numa justificativa, mas me parecia tão pouco convincente. Precisava acreditar que eles não tinham me notado. Teria que servir. Olhei para ele.

— Eu só estava fazendo uma caminhada e vi a luz. Fiquei curiosa e fui olhar. Então vocês chegaram... – Disse tentando soar crível. Steve sentou ao meu lado parecendo relaxado e acreditando em minhas palavras. Barton estreitou os olhos em minha direção, mas quando fez menção de falar, Jarvis o interrompeu.

— Senhorita, o senhor Stark aguarda na linha. – Ele disse. Suspirei aliviada por um segundo. Fosse o que fosse eu ganhava algum tempo para pensar em uma desculpa.

— Passe a ligação. – Mandei. Barton bateu uma das mãos na coxa impaciente.

— Lia. – A voz de Tony preencheu nossos ouvidos. Estava rouco e soava profundamente abatido.

— Oi Tony. O que foi? – Perguntei surpresa. Steve e Barton também pareciam confusos.

— Ahn... A agente Romanoff está indo buscar você. Deve chegar em uns dez minutos. – Nós três nos entreolhamos sem entender. Barton falou.

— O que a Natasha quer com ela?

— Oi Clint. – Tony cumprimentou apático.- Você já conhece a Lia então? Bom eu ficaria feliz se pudesse acompanhar ela também. – Ele disse. Steve bufou olhando para mim. Estava tão confuso quando eu. Segurou minha mão. – Se tiverem tempo chamem o Steve.

— Eu já estou aqui. – Falou o capitão.

— Perfeito, perfeito. – Disse. Parecia avoado. A porta do apartamento se abriu e Natasha entrou. Meio apressada ela. E nem sequer bateu. Mas, quando a vi, meu primeiro pensamento foi de que se eu fosse um terço da ruiva que ela era (se bem que aquele cabelo era pintado, eu tinha certeza) eu estaria muito feliz. Ela trazia uma caixinha pequena nas mãos. A espiã cumprimentou aos outros apenas com um aceno da cabeça.

— Tony. O que está acontecendo? – Perguntei em voz alta ficando irritada.

— Nada. – Uma resposta evasiva. Barton sussurrava a um canto com Natasha. Ele me olhou de relance. – Vocês vão tirar umas férias juntos. Vai ser divertido! Vão brincar na praia, tomar sorvete e ficar brozeados. – Disse numa sombra muito opaca de seu antigo humor. Algo estava errado e ele não iria me dizer. – Mas agora vão logo.

— Eu preciso arrumar minhas coisas. – Falei ficando de pé e cedendo finalmente. Eu teria tempo para descobrir o que estava acontecendo.

— Não precisa. – A mulher chamada Natasha falou. – O que você vai precisar já tem lá. – Ela disse. Onde era lá, eu ainda iria descobrir.

— Tony. Você sabe que pode me contar qualquer coisa não é? – Perguntei. Ouvi ele suspirar. – Cadê a Pepper? Me deixa falar com ela.

— Eu sei Lia. Vai com eles, por favor. – Pediu e desligou. Olhei para o rosto deles.

— Muito bem. Quem vai me explicar que merda está acontecendo? – disse dois tons acima do meu normal. Steve me olhou com as sobrancelhas levantadas. Todos se entreolharam.

— Sabemos tanto quanto você – Barton me disse no mesmo tom de voz que eu usara com ele antes. Era óbvia a mentira. Mas eu sorri com docilidade e me pus de pé. Natasha veio até mim e me ofereceu a caixa. Eu a peguei sem questionar. Descobriria o que quer que estivesse acontecendo mais tarde, mas era melhor dar a impressão de que estava colaborando.

— Eu não sei o que é – Natasha informou.

Quando a abri dentro havia um bracelete e uma pulseira de metal acobreado. Eu já havia visto uma pulseira igual. No pulso de Tony. E ao comando de voz ela atraia a armadura do Iron Man como um imã gigante faria. Todos me olhavam com grande expectativa. Tirei meu relógio e o entreguei a Steve, coloquei a pulseira no lugar. O bracelete foi para o braço direito acima do cotovelo. Brega.

— Jarvis, acione. – Comandei. Com as coisas de Tony era assim, Jarvis certamente estaria envolvido. Nada aconteceu de imediato. Nos entreolhamos confusos. Então uma mochila de metal entrou zumbindo pela janela. Era espessa, mas bastante leve, e vinha se desdobrando, assumindo outras formas e se dividindo em dois. A maior parte se ligou as minhas costas, se orientando pelo bracelete, toda metalizada e repleta de flechas. Uma aljava. Por instinto coloquei uma mão para frente e aparei a segunda parte que tornara-se longa, fina e curva, antes que acertasse meu rosto. Um arco sem corda.

Natasha franziu as sobrancelhas, Steve deixou escapar um longo assovio e Clint inclinou a cabeça olhando curioso para mim.

— Arqueira? – Ele perguntou. Confirmei com um breve aceno. Parecia ter esquecido nosso assunto. Ele sorriu e pegou o arco da minha mão. A arma despencou no chão, parecendo pesar uma tonelada. Nos entreolhamos surpresos. Quando me abaixei para toca-lo, o metal era leve como qualquer outro arco deveria ser.

— Parece que Tony misturou a tecnologia da armadura, com o arco do Clint e o martelo do Thor. – Concluiu Steve. Ninguém, exceto eu, poderia segurar aquele arco e possivelmente a aljava. Genial. O porquê ele tinha feito isso eu não sabia. A espiã trocou um olhar cheio de significado com Clint.

Puxei uma flecha e coloquei onde deveria haver uma corda. Quando fiz o movimento de esticar, um fio luminoso surgiu ali. Não cortava meus dedos, como as cordas normais fazem sem o uso de uma luva, mas se tencionava e daria impulso de maneira perfeita. Clint soltou um assovio alto e longo, repleto de admiração. Eu desarmei aquilo e coloquei a flecha de volta na aljava, e de repente me ocorreu que ainda tinha um impedimento para viajar.

— Quem fica com meu gato? – Perguntei como uma boba.

— Alguém da S.H.I.E.L.D. vai cuidar dele. Vamos. – Ela chamou com urgência. Quando larguei o arco, ambas as partes se tornaram uma mochila novamente e saíram pela janela. Até onde eu sabia, agentes da S.H.I.E.L.D. participavam de missões importantes e cuidar de um gato não devia estar entre elas. Ainda assim eu os segui pela porta.

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Duas horas depois nosso helicóptero posou em uma mansão grande na praia. Aquela casa era minha. Presente pelos meus vinte e um anos e eu nunca tinha colocado os pés ali. Havia uma grande piscina e tudo que eu pudesse querer. A praia era visível, bem em frente.

Entramos e cada um procurou um quarto enquanto eu fui direto para o meu. Fechei a porta e tranquei.

— Jarvis o que está acontecendo? – Questionei num tom baixo para que os outros não ouvissem.

— Não tenho autorização para lhe responder isso senhorita. – Informou breve. Ótimo. Isso era coisa do Tony. Eu estava fechada em uma casa com a maior parte dos Avengers, tinha recebido armas e não sabia por quê. Bem legal mesmo. Orientei Jarvis para que deixasse os outros a vontade.

Sentei na minha cama e comandei a pulseira. Minha mochila surgiu pela janela aberta, que deixava o sol do fim de tarde entrar, e se ajustou a mim como esperado. Devia ter nos seguido até aqui. Sem soltar o arco apoiei minha cabeça nas mãos. Meus dedos se enroscaram nos cabelos ondulados e eu os puxei com força, reprimindo um grito de agonia. O que estava acontecendo? Tentei encontrar um pouco de autocontrole.

Repentinamente lembrei-me de Loki. O que estaria acontecendo com ele naquele momento? Estaria preso de novo? Iriam mata-lo? Eu estava preocupada, mas não era problema meu. Tentei me lembrar de que ele era um criminoso.

Ele havia me dito que eu o veria novamente, mas eu duvidava muito. E era melhor assim, se Clint sequer sonhasse que eu o tinha hospedado, eu podia ter certeza de que teria problemas. Larguei o arco ao meu lado e segurei a mochila quando ela se unificou. Coloquei-a sobre o criado-mudo e me estiquei na cama. Dormi sem nem trocar de roupa.

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O Hulk estava destruindo meu apartamento, e eu tentava atirar uma mochila de metal na cabeça dele, mas aquilo servia apenas para deixa-lo mais enfurecido. Eu conseguia ouvir Pepper gritando de algum lugar à distância, o que me colocou em pânico. Ela estava desesperada. Comecei a abrir as portas do apartamento buscando por ela. Na primeira porta encontrei meu próprio quarto, mas eu não queria aquilo. Precisava achar Pepper antes que Hulk me achasse então corri para a segunda porta. Encontrei a sala de tiro do centro de treinamento, e um homem sem feições e cheirando a álcool entrou atrás de mim. Tentei gritar, mas não consegui. Não havia nada com que me defender. Eu precisava escapar. No fundo da sala havia uma porta dourada da qual eu não me lembrava, corri em desespero, abri a porta e assim que fechei me escorei para garantir que ficasse fechada.

Então a verdade me atingiu como um soco. Eu estava dormindo. No entanto aquilo era mais do que um sonho. Eu estava consciente e isso não acontece em sonhos.

Olhei para mim mesma. Eu usava um vestido longo e preto de cetim e tule. Algumas peças de armadura estavam sobre a roupa. Uma ombreira e braçadeira cobriam meu braço esquerdo, aquele que uso para segurar o arco, ainda havia uma parte de metal cobrindo o abdome, no entanto meu busto estava protegido apenas pelo tecido fino. Não senti medo de me ver naquele lugar estranho, na verdade apenas me peguei imaginando o contraste que a cor e o visual da roupa teriam com meu cabelo. A imagem de uma vela me veio à mente e me peguei sorrindo.

Eu estava em um grande salão repleto de pilastras e com teto muito alto. Não havia muita coisa ali, pude perceber enquanto caminhava em direção ao fim do salão. Cortinas cobriam as laterais, o chão era liso e sem emendas, bem ao centro havia um desenho grande e cheio de curvas. Ao fundo do salão podia-se ver uma ampla escadaria de dois níveis onde, ao fim do primeiro nível, haviam dois suportes de metal em forma de meia lua onde uma chama intensa ardia, um de cada lado da escada de acesso ao segundo nível, que seguia para uma grandioso trono circular de ouro todo adornado com desenhos e arabescos. Alguns me lembraram árvores. E no trono havia uma mulher.

Ela era uma das mulheres mais delicadas que eu já tinha visto. Longos cabelos loiros, nem muito claros nem muito escuros, presos num complexo penteado que deixava apenas uma parte caindo ondulada por suas costas, olhos azuis muito expressivos que poderiam ver qualquer coisa, até mesmo minha alma. Era magra, mas não em excesso, do tipo que qualquer roupa lhe cairia bem. Vestia um longo vestido azul claro adornado com a parte superior de uma armadura repleta de arabescos, apenas os braços desprotegidos, cobertos pelas longas mangas que lhe desciam até a altura dos joelhos. E sorria.

Eu não pude evitar sorrir de volta para ela. Me sentia completamente a vontade, sem medo e sem preocupações. A mulher se levantou e desceu as escadas em minha direção. Devia ser uns vinte centímetros mais baixa do que eu.

— Uma menina bonita como você não devia usar outras roupas que não estas. – Disse, me olhando com doçura. Me senti corar. – Você realmente é muito bonita.

— Obrigada. – Eu disse numa voz falha. – Me desculpe, mas quem é a senhora?

— Me chamo Frigga. – Ela disse. Não conseguia sentir medo dela. – Você quer me acompanhar para um passeio? – Perguntou gentil me oferecendo o braço. Eu ri, passei meu braço pelo dela e começamos a caminhar, saindo do salão. Entramos num corredor curto e desembocamos num amplo jardim cheio de plantas que eu nunca tinha visto.

— Aqui é Asgard? – Perguntei, mesmo sabendo a resposta. Ela confirmou com um aceno da cabeça.

— Você já ouviu falar sobre nós, então? – Quis saber. — Uma pena que amanhã, você terá certeza de que isto é apenas um sonho. Temos muitos lugares bonitos que poderia conhecer.

— Isso não é um sonho. – Era uma afirmação. Ela me olhou com curiosidade. Continuei olhando em frente. – Não sei o que é, mas certamente não é um sonho.

— Isso se chama viagem astral. Ambas estamos dormindo e eu trouxe sua alma até aqui, para que pudesse lhe falar. – Ela explicou como se realmente apreciasse esclarecer minhas dúvidas. – É extraordinário que tenha percebido sozinha que isso não é um simples sonho. – Me elogiou. Eu sorri feliz.

— Loki...? – Me ouvi perguntando de supetão. Ela inclinou a cabeça de lado me olhando com um grande sorriso.

— Tudo ao seu tempo. – Respondeu simplesmente. Passávamos ao lado de um lago amplo e cristalino e eu podia ver peixes nadando mesmo que fosse noite. Sentia meu estômago revirando. Em sonhos esse tipo de sensação não existe, era algo muito claro. – Me diga Liana, o que você mais teme? – Se havia me trazido até ali era óbvio que saberia meu nome. Me concentrei na pergunta. Um turbilhão de imagens perpassou minha mente. Um homem em um beco. Perder Pepper ou Tony. O cheiro de quimioterápicos. Um vulto pendurado em um ventilador de teto. Não conseguir mais atirar.

Eu não sabia o que escolher. Olhei para o lago atordoada. Frigga esperava minha resposta muito pacientemente. Vi meu próprio reflexo desfocado. Como se um véu estivesse sobre mim, me separando do resto.

— Tenho medo de me tornar inútil. – Falei por fim não conseguindo expressar de maneira melhor. – A única coisa que sei fazer é atirar com arco e flecha. Sou boa apenas nisso. Se perder isso... estarei morta em vida. – Quando disse isso, senti como aquilo era verdadeiro. Me virei para olhar para ela. Frigga analisou minha armadura.

— Isso deixa claro o motivo das peças protegendo o braço que usa para segurar o arco. Seu medo molda seu espírito. – Concluiu sabiamente. Agora que ela falava parecia óbvio. Continuamos caminhando em silêncio. Passamos por árvores com peras tão grandes quanto melancias. Reprimi um sorriso quando imaginei o que aconteceria se aquilo caísse na cabeça de alguém.

Entramos novamente no enorme palácio por um portão lateral. O corredor era bifurcado, uma direção que eu acreditava ser o caminho do salão do trono e outra que descia por estreitas escadarias. Apenas duas pessoas passariam por vez. Quando chegamos ao subsolo eu entendi onde estávamos. Ali era o calabouço.

Haviam as mais diversas criaturas nas celas. Eu me repreendi por olha-las como olharia para animais no zoológico.

Na metade do corredor estava a cela dele. Loki era o único ainda acordado. Estava lendo um livro, sentado na beirada da janela. Vestia as roupas que usava quando havia me socorrido. Eu só conseguia imaginar minha expressão quando o vi. Não haviam janelas para fora tornando impossível que ele soubesse a diferença entre noite e dia. Devia se orientar pela presença de guardas ou pela chegada das refeições.

Uma prisão humana seria mais desorganizada certamente. Mas menos cruel. Quem ficasse ali, perderia a noção do tempo e não havia muito o que fazer para acelerar sua passagem. Percebi que ele era o único que tinha livros e móveis refinados. A mãe devia ter conseguido esse privilégio. Me virei para Frigga, sentindo minhas sobrancelhas franzidas, os lábios entreabertos.

Frigga o olhava como quem sente dor. Tinha as mãos fechadas sobre o peito e a angustia era clara em seu rosto. Percebi que o maior medo dela era aquele. Que um dos filhos sofresse. Senti pena dela. Ao contrário de mim, seu medo era real.

Me aproximei da janela, e apoiei a mão no vidro, na altura do meu rosto. Ele olhou em minha direção. Senti meu coração parar e virei o rosto para a deusa.

— Ele não pode nos ver nem ouvir. Às vezes ele parece sentir que estou aqui. Eu venho com frequência. – Admitiu envergonhada. Senti uma vontade repentina de abraçá-la, mas me controlei. Olhei novamente para ele. Loki ainda encarava o ponto onde eu estava. Ele estava ali a pouco mais que algumas horas e já parecia abatido. Melancólico eu diria.

Ele voltou à atenção para o livro. A capa estava em um idioma que eu não conhecia. Ele estava mais que preso. Estava enterrado embaixo daquele castelo. Escondido como sujeira embaixo de um tapete.

— Você não consegue fazer viagens astrais com ele?

— A alma de Loki não é algo muito simples de se acessar. – Falou impotente.

— Porque estou aqui? – Perguntei. Frigga não havia me trazido ali apenas para um passeio nos jardins e uma visita ao calabouço. Olhei ao redor para todas aquelas celas. Qualquer um que entrasse nunca sairia dali.

— Porque achei que você deveria conhecer o melhor caminho até aqui. – Ela falou num tom baixo. – E ele também me pediu que lhe dissesse para confiar nele. – Eu não sabia o que responder sobre a última parte. Porque eu precisava conhecer aquele caminho? Procurei memorizar os detalhes. Ir pelo jardim, passar pelas peras-melancias, pelo lago e descer pelas escadas. Não era difícil, mas se fizesse aquilo sem orientação, poderia parar em qualquer lugar naquele jardim enorme. Frigga se virou para subir as escadas. Olhei para ele uma última vez e corri atrás dela.

— Você sabe quem é Heimdall? – Questionou. Eu já conhecia o nome de ouvir Loki o chamando antes de voltar a Asgard, mas não o conhecia.

— Não...

— Ele é o responsável por abrir a Bifrost, a ponte que liga os mundos. Seria bom que você não esquecesse isso. — Disse me explicando aquilo como uma professora explica o conteúdo de uma prova. Andávamos por um corredor amplo e longo, várias portas ao meu lado direito. Frigga parou e me indicou uma porta grande, dupla e feita de prata. – Cuidado com essa. – Me disse simplesmente. Caminhamos mais alguns metros e ela abriu outra porta simples e preta. Dentro haviam tantas armas que eu não seria capaz de contar. No centro da sala, em um suporte, o cetro de Loki. Olhando de perto notei que, na verdade era uma lança e que a parte que brilhava na outra vez havia sido removida. – Nunca toque em nada aqui dentro. Com exceção da lança. Apenas Odin e alguém invisível a essa sala podem tira-la do suporte.

— Como invisível? – Questionei analisando a sala. Haviam armas que eu não sabia nem como deveria segurar.

— Um humano seria invisível aqui. A sala foi feita para repelir deuses, com exceção de Odin. – Explicou, me indicando com um gesto que deveríamos sair. Seguimos por mais alguns metros e retornamos a sala do trono. Ela se virou para mim e me abraçou forte. – Obrigada. – Disse, uma expressão triste no rosto.

Antes que eu pudesse perguntar pelo que ela me agradecia, senti meus olhos abrirem e me vi em meu quarto usando minhas roupas normais. Me sentei na cama e olhei o relógio. Eram quatro e meia da manhã. Um turbilhão de sentimentos me invadia. Raiva e indignação eram os mais gritantes.

Levantei e sai do quarto sem fazer barulho. Abri a porta da frente e corri até a praia, antes que alguém acordasse com meus passos. Não sabia por que, mas chorava como uma louca, soluços altos me escapavam. Entrei no mar, de roupa e tudo, meu celular e as pulseiras resistiriam sem maiores problemas. Mergulhei e quando emergi me sentia um pouco mais calma. Respirei fundo e me virei para sair. Steve estava parado, apenas de bermudas e com um olhar de puro terror no rosto. Achei que ia cair na água de novo.

— Eu achei que você... fosse... – Balbuciou. Ele tinha entrado na água atrás de mim e tinha aquela expressão no rosto. Eu não acreditei.

— Você ficou maluco? – Perguntei brava. Steve tinha achado que eu estava tentando me matar. Ele devia ter me visto passar chorando e entrar no mar. Aos olhos dele devia ser estranho, mas não tinha motivo para pensar um absurdo desses. Eu não era meu pai. Ele desviou os olhos, envergonhado. – Desculpe. – Falei arrependida pela minha explosão. – Tem alguma coisa acontecendo não é? – Ele não respondeu, apenas me puxou para perto e me abraçou. Não era um lugar ruim para se estar.

— Nunca mais faça nada parecido. – Me advertiu.

— Desculpe – repeti como uma idiota. Ele me conduziu, uma mão na minha cintura, de volta para casa. Quando entrei, tive a impressão de ouvir uma porta batendo e o piso estalando. Em dois cômodos diferentes. Eu sabia que tinha feito silêncio ao sair, me permiti chorar apenas fora da casa, como podia ter acordado a todos? A resposta era óbvia. Eu estava sendo vigiada. Steve devia estar de guarda na entrada da casa e me viu passando. Se meu nome fosse Bruce Banner eles estariam encrencados.

Respirei fundo. Tinha que manter a calma. Parecer dócil. Como se fosse aceitar o que todos estavam fazendo. Me virei para desejar boa noite a ele, quando cheguei a porta do quarto. Ele estava próximo de mim, mais do que seria socialmente aceitável entre amigos. Me peguei olhando de baixo para o rosto dele, escorada na porta e molhada até os ossos. Achei que meu coração fosse sair pela boca, me dizer um tchauzinho e ir embora.

— Liana... você sabe que eu gosto de você não sabe? – Me perguntou, assim, de maneira completamente honesta. Tentei desviar os olhos para baixo quando senti meu rosto combinando com o cabelo, mas tudo que consegui ver era o peitoral definido dele. Me obriguei a olhar para os olhos novamente. Confirmei com um aceno ínfimo. Que ele estava interessado em mim eu já sabia, mas ouvi-lo falando aquilo claramente me pegou de surpresa. Ele tirou uma mecha molhada do meu cabelo de cima da testa e a ajeitou atrás da orelha. Achei que fosse derreter.– Não me deixe preocupado. Fique segura, ok? Boa noite. — Ele suspirou e me beijou a testa. E voltou para a entrada. Acho que fiquei mais um ou dois minutos parada na porta, pingando água por tudo.

Entrei no quarto, tomei uma ducha rápida no banheiro e vesti uma camisola de cetim preta, larguei a roupa molhada em um canto, tiraria ela dali amanhã. Naturalmente eu não dormi o resto da noite. Imagens de Steve tentando me resgatar, me falando tudo aquilo, me acompanhando com a mão na minha cintura, ficavam passando pela minha mente. Ele era certo e gentil.

Mas também haviam imagens de Frigga e suas palavras confusas, de Loki, fechado em uma cela, a expressão mais triste do mundo em seu rosto. Eu sabia que não tinha sonhado. Sabia. Embora agora me parecesse muito irreal. Eu não dormiria de jeito nenhum o resto daquela noite.

Notas finais
Então pessoal, a descrição do salão do trono foi feita baseada nas imagens que vemos durante o filme. Espero ter conseguido ser o mais fiel possível. E esse menino Steve derretendo meu coraçãozinho. :3