Goal!
34 sonhando acordado
Notas iniciais
-Uruha-san,podemos tirar uma foto com você? – uma jovem animada e estrangeira pediu em um japonês sotaqueado,tirando o loiro de sua corrida,fazendo-o se perguntar se estava muito reconhecível, ou apenas a garota era muito observadora...de qualquer forma,tinha que sair dali logo,odiaria que aquilo tumultuasse.
-Ah! Sim! – respondeu amavelmente – pode ser de óculos mesmo? Eu estou sem maquiagem.
-Ah! Sim,muito obrigada! – a garota respondeu depois de alguns segundos levados para entender as palavras do astro.
Uma pose inofensiva para a foto e um agradecimento animado da garota.
-Bem,vou indo então,Yuu vai ficar preocupado se eu demorar muito! – falou sorridente,sabia que uma fã iria considerar aquilo motivo mais do que suficiente para não receber atenção sua e acabar achando-o negligente com aqueles que tanto lhe apoiaram,só que realmente o garoto não queria ser cercado por muitas pessoas,e aparentemente um grupo de jovens já estavam olhando para si naquele parque espaçoso,era melhor mesmo ir embora.
-Ah! Sim!Obrigada! – a estrangeira repetiu quase como se fosse uma boneca,pelo visto ela até conseguia entender japonês,mas não conseguia falar muito da língua.
-Bye-bye – o loiro acenou gentilmente,continuando sua corrida matinal. Mesmo depois da decisão do Kashima não ter sido ao favor deles...queria estar em forma,ainda tinha esperanças...de algum jeito.
Mas agora deveria voltar para casa,talvez fosse melhor mudar de parque para seus exercícios...seria melhor se o moreno estivesse consigo,entretanto os dois juntos era quase um seta de indicação “Aoi e Uruha,casal gay do futebol está aqui!”...queriam evitar tumultos e confusões, já não bastasse o assédio na primeira vez que saíram juntos do auto-confinamento do apartamento do mais velho.
“O jantar mais cansativo e estranho!”
De repente a mesa do casal estava muito lotada de garotas e gays,sem falar nos jornalistas que chegaram mais tarde.Queriam comer uma comida gostosa,conversar um pouco como qualquer casal em um jantar romântico,flertar por olhares e voltarem para casa para uma noite de amor e sexo,mas acabaram não comendo nada,assinando autógrafos e tirando fotos com várias pessoas, cansados e estressados demais,apenas indo dormir de uma vez quando chegaram ao apartamento.Por mais que estivessem irreconhecíveis,ou usassem qualquer coisa para se disfarçarem, sair juntos era sinônimo de tumulto!
O loiro parou ao mirar uma cena nostálgica.A alguns metros de si, um grupo de crianças jogava futebol de rua. Ele sabia que era melhor sair logo dali,mas realmente não conseguiu se mover ao olhar o quanto elas se divertiam!
Lembrava de quando devia ter a mesma idade delas e tudo que mais gostava era jogar bola com os coleguinhas nos finais de semana,na escola,onde pudesse jogar...nunca rejeitava um convite para uma pelada e quando finalmente começou a jogar profissionalmente ainda marcava algumas com os antigos amigos...Amigos que tinham se perdido com o tempo e com as mudanças de clubes...pensando bem,talvez algum dia voltasse a sua cidade natal e visitasse a todos.“Será que eles ainda estão lá?”
Não conteve um sorriso angelical,caloroso...olhar aquelas crianças lhe lembravam o quanto amava e ama jogar futebol...“Não pode acabar assim!”
Sua carreira,tudo com o que sonhou por 15 anos...não podiam acabar assim.Seria ótimo que o Kashima reconsiderasse,o time já estava com o saldo de 9 derrotas,não estava mais na liderança do campeonato,estava em uma situação muito difícil,seria quase impossível conseguir o título...“Eu e Aoi podíamos ajudar!”
Mas enquanto o milagre que tanto pedia não vinha, Porque não relembrar os velhos tempos com aqueles garotos?
-Ei!Posso jogar? – Uruha se pegou falando,animadamente,fazendo o grupo parar o jogo e olhar para si.
-Oh! Você é muito grande, tio! – um menininho comentou,fazendo o ex-jogador sorrir.
-Ah!Eu sei,mas não tem ninguém do meu tamanho jogando por aqui,e se eu for o goleiro? – perguntou amigavelmente.
-Moço...você é o Uruha-san?O Uruha-san do Kashima? – um outro mais velho perguntou,se aproximando,com a bola debaixo do braço.
-Você acha que pareço com ele? Sempre me confundem,mas não sou – Kouyou mentiu ainda animado,vendo pelo rosto dos 5 meninos que não precisaria mais do que isso para enganá-los, no final crianças eram muito inocentes!
-Meu pai disse que o Uruha-san é gay!E que não presta! – um outro baixinho implicou.
-Cala a boca,Kyo,o Uruha-san é demais,e presta sim! – o quarto garoto,mais magricelinho vociferou para o baixinho.
-Nada de brigar garotos,se eu não posso jogar,tudo bem! – o mais velho interveio,vendo que de alguma forma a situação tinha ficado tensa.
-Não,tio,vamos jogar,estamos sem goleiro – o último e mais alto decretou,ousando a chegar perto do mais velho e lhe puxar pela mão até o gol improvisado deles – nós somos bons,tio, mas sem goleiro estava difícil,obrigado por se oferecer!
-Por nada!Vamos começar logo esse jogo então? – respondeu com um sorriso animado,ajeitando os óculos escuros no rosto e puxando as mangas do moletom que usava. Recebeu um aceno positivo do garotinho que sorriu amplamente antes de voltar para o centro do pequeno gramado.
-Eu sou o Uruha-san – o mesmo garoto magrinho bradou animado,levantando a mão.
-Você sempre quer ser o Uruha-san,Shin,eu que vou ser dessa vez – um outro menino interveio.
-Nada disso Toshi,eu que sou! – o menininho de apelido Shin continuou.
-Vocês dois são o Uruha-san, cada um fica em um times mesmo, pronto,eu sou o Aoi-san,Die é Reita-san e Kyo é o Hitoru-san,e não se fala mais nisso! – o garotinho que puxara o mais velho até o gol bradou,colocando ordem à discussão.
Uruha não conteve um sorriso ao ver os meninos naquele impasse de quem seria quem... Como aquela idade era boa!Gostaria que as coisas fossem tão fáceis assim, agora!
O jogo pareceu ter começado e o Loiro colou-se a postos para defender as bolas do Kashima Antlers mirim que havia se formado,com direito a dois Uruhas.
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Não percebeu as horas passando,mas já deveria estar perto do almoço,era melhor mesmo voltar pra casa,por mais que se divertir com aqueles molequinhos tivessem lhe enchido de alegria!Já estava todo sujo de tanto ter que cair no chão para pegar as bolas sempre rasteiras e quase nunca altas dos meninos,mas com certeza...valeu a pena,cada mancha marrom em sua roupa e cada grão de terra em seu cabelo!
-Molecada!O tio tem que ir,vocês não vão para casa almoçar,não?Já está na hora,as mães de vocês vão ficar preocupadas! – aconselhou animadamente.
-Ah! Tio,fica mais um pouco,nossas mães logo chegam para nos pegarem! – o menininho de apelidado de Shin pediu em um bico adorável.
-Eu iria adorar,mas tenho que chegar em casa,ou uma pessoa vai ficar muito preocupada! – se desculpou gentilmente,bagunçando os cabelos escuros e longos de seu mini-sósia.
-Hum!Você vem amanhã,tio? – o mais velho,que descobrira se chamar Kao-chan,perguntou com uma expectativa ansiosa no olhar.
E foi vendo todo o carinho para consigo que Uruha pensou no quanto crianças eram legais! Inocentes, boas, sem maldades no coração! “Seria bom ter um filho, neh!”
-Ah! Desculpe,Kao-kun, mas... – começou pausadamente,porém fora interrompido por uma voz conhecida e amada atrás de si.
-Então era ai onde o senhor estava?Te procurei pelo parque inteiro,porque não está atendendo o celular? – um Aoi sorridente perguntou,enquanto se aproximava do mini campo.
-Aoi-san?É o Aoi-san! – Kao bradou em uma empolgação exaltada – eu...eu...eu sou ...um grande fã seu – se aproximou do moreno,com um reverência animada e uma coloração rósea nas bochechas.
-Oh! Sério?Obrigado, baixinho!Quer dizer que você e seus amigos estavam cuidando do meu garoto ali? – Yuu brincou,sorrindo sacanamente para o namorado.
-Então...você é mesmo o Uruha-san! – Shin perguntou constrangidamente.
-Me desculpe, neh!Não queria chamar atenção! – o loiro se desculpou,afagando amavelmente as madeixas de seu pequeno admirador – você joga muito bem,quer ser jogador?
-Uhum! – o pequeno Shin assentiu,envergonhado,abraçando o quadril do ídolo e escondendo o rosto na barriga deste – eu...eu te amo!
Uruha sorriu amavelmente com as palavras do pequenino,continuando o carinho nos cabelos lisinhos e curtos.Era ótimo ser admirado daquele jeito!
-Ei!Só eu posso dizer isso para ele! – o Shiroyama interveio divertidamente.
-Oh!Está com ciúmes?Ele é bem mais fofo que você! – o Takashima entrou na brincadeira.
-Shin-kun,Die-kun! – a voz de uma senhora se fez ouvir na lateral do pequeno gramado, chamando a atenção dos astros para mais quatro mulheres ao lado dela,e alguns outros curiosos que pareciam já tê-los reconhecido.
-Shin-chan,acho que sua mãe está te chamando! – Uruha disse amavelmente para o pequeno que ainda continuava agarrado a si.
Os outros garotos já corriam para suas respectivas mães,com sorrisos animados.Quando o pequeno Shin se desgrudou de si Uruha o pegou pela mão,levando-o até a senhora de aparência jovem que parecia ser sua mãe.
-A senhora tem um filho muito talentoso,com certeza será um grande jogador um dia! – Elogiou gentilmente e respeitosamente para a mãe que corou e pareceu constrangida com as palavras do astro.
-O-Obrigada! – a mulher respondeu.
-Por nada! – Kouyou assentiu,abaixando-se até ficar a altura do pequeno Shin – espero um dia jogarmos no mesmo time,neh,Shin-chan?
-Uhum! – Shin respondeu,aproximando seu rosto rapidamente do rosto do mais velho e depositando um beijo rápido na bochecha deste.
-Shin-chan,não faça isso! – a mãe brigou.
-Não tem problema! – Uruha se apressou em dizer, colocando-se de pé.
-Tem sim,só quem pode fazer isso sou eu,garoto,por algum acaso vai querer competir? – Aoi brincou,se aproximando do namorado e enlaçando a cintura deste,sem se importar pelos olhares constrangidos das outras mães para si – vamos indo,amor,a comida vai esfriar!
-Uhum! – desta vez foi Uruha quem respondeu,corado e constrangido pela ação tão ousada do mais velho na frente das pessoas,abaixou a cabeça,se despedindo rapidamente das senhoras e dos garotos,sendo guiado pelo mais velho para fora do campo e para a saída do parque, algumas dezenas de curiosos observando a cena.
-Se divertiu? – Aoi perguntou,após a maior parte do caminho até o carro em silêncio.
-Muito!
-Aquele menininho, ele é bem atrevido para uma criança! – o mais velho contestou,em um tom humorado.
- Eu entendo ele...o sentimento de estar diante de um ídolo!Eu tinha a idade dele quando te vi pela primeira vez em um jogo pela televisão,sabia? – Uruha rebateu,em um suspiro nostálgico.
-Oh!Então se eu tivesse te conhecido naquela época,você diria que me ama e me daria um beijo no rosto? – Aoi perguntou sacanamente,enquanto abria a porta do carro para o mais novo,um costume que tinha pegado nos últimos dias.
-Provavelmente!Eu era obcecado por você naquela época,para mim não tinha jogador melhor, nem Ronaldo,nem Pelé,nem Maradona,nem Honda...nem ninguém,apenas você! – o mais novo respondeu,virando-se para o namorado e apoiando as costas da porta aberta do carro, esperando o beijo que sabia que viria.E sabia que seria rápido,por estarem em um local público,mas com certeza,momentos doces como aqueles eram o que fazia a felicidade de um homem.
-Hum!Como será que você era quando tinha 10 anos?Será que Takashima-san me manda umas fotos se eu pedir? – o mais velho comentou em voz alta,enquanto dava a volta no carro e abria porta do motorista.
-Nada de ficar se aliando com minha mãe,ela adora mostrar aqueles álbuns para todo mundo! Não quero que você os veja! – Uruha bradou,numa seriedade controlada e infantil.
-Oh!Por que não?Você devia ser muito lindo! – Aoi contestou em uma fingida chateação, já se sentando no banco e colocando o cinto de segurança.
-Nada de tocar nesse assunto! – o loiro sentenciou, mudando a face fechada para um sorriso em questão de segundos ,notando o mais velho manobrar o carro de ré para retirar da vaga de estacionamento – mas falando de crianças...seria bom ter uma não acha?
Aoi freou bruscamente,apagando o carro,ele tinha ouvido mesmo o que pensava ter ouvido?
-Você...eu posso estar ouvindo coisas,mas você disse mesmo que seria bom ter uma criança?
-Disse.
-Hum!...Kou... é meu maior sonho,mas não há como nós dois termos um bebê! – Aoi respondeu,com estranheza de que o namorado estivesse realmente pensando nos métodos naturais...e se ele quisesse engravidar uma mulher?
-Ah!Sim,Aoi,você destruiu minhas esperanças agora,e eu pensando que poderia ficar grávido! – o mais novo ironizou,divertido – eu falei que seria bom ter uma criança,não que queria ter uma,ao menos não de mim...eu não tenho nada contra adoção,mas isso é empolgação de momento,eu estou muito novo para ser pai,ainda,quem sabe daqui há alguns anos! – continuou em uma voz suspirada,se aconchegando no banco do carro do namorado.Havia vindo de táxi,seu próprio carro ainda estava em seu prédio e ele não o tinha tirado de lá.
-Neh!Pode ser cedo para um filho,mas acha que está velho o suficiente para casar? – a voz do moreno estava hesitante,mas decidida.
Kouyou abriu os olhos rapidamente,encarando o olhar do namorado,percebendo que aquilo não fora brincadeira ou provocação,Yuu tinha mesmo acabado de lhe pedir em casamento?
-Não seja bobo,Yuu,homens não se casam – se resumiu.
-Não nessa parte do globo,mas tenho mais do que condições de te levar e levar nossas famílias e nossos amigos para Europa e realizarmos a cerimônia lá – argumentou.
-Yuu...eu não...é complicado,estamos namorando apenas há 3 meses...é muito pouco tempo para decidir e...eu ainda não tenho 21,precisaria da autorização dos meus pais para isso,meu pai já está aturando muito,não vai aceitar algo assim! – contra-argumentou,indeciso do que deveria e queria responder.
-Entendo – Yuu sorriu tristemente de lado – volto a te fazer essa pergunta em um ano, então!
Finalizou,voltando a ligar o carro e sair do estacionamento.
“Ainda é cedo demais, Yuu,tenha paciência,já esperou anos e anos por alguém,só mais um não vai te fazer mal!”
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-E então,onde está minha nora? – Suzuki-san perguntou,ao adentrar o apartamento do filho, estava passando uns dias na cidade,a trabalho,aproveitara para visitar seu independente bebê.
-Nora?A senhora vai ter uma surpresa,mas posso lhe garantir que vai adorá-lo,ele é a coisa mais linda e maravilhosa desse mundo! – o jogador bradou divertidamente,enchendo a boca para falar de seu namorado,enquanto ajudava sua mãe a retirar os sapatos,conduzindo-a até a sala,onde um Takanori perfeitamente arrumado e educado se mantinha em pé,fazendo uma reverência ao visualizar a senhora de boa aparência no cômodo.
-Boa tarde Suzuki-san,meu nome é Matsumoto Takanori,eu sou o namorado de seu filho, prazer em conhecê-la! — cumprimentou em um grave e firme,apesar do vermelho nas bochechas.
-Ele não é lindo? – Reita perguntou em uma empolgação anormal,indo se colocar ao lado do namorado enquanto esse já se punha novamente erguido.
A senhora Suzuki apenas mantinha sua boca aberta,os olhos arregalados,esperando que a qualquer momento os dois fossem começar a sorrir e falar que era brincadeira...“Sua visão tinha se debilitado com a idade,ou estava mesmo vendo seu filho ao lado de um adolescente do sexo masculino o apontando como seu namorado?”
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-Como assim não está conseguindo?Eu só quero a porra de uma brecha na fronteira, meu carregamento tem que passar! – a voz zangada e alterada daquele que uma vez fora jogador do Kashima Antlers ecoava pelo quarto luxuoso de hotel – Merda! – xingou,arremessando o aparelho para um canto do cômodo,derrubando o abajur elegante do criado mudo.Andou até a janela,tentando se acalmar,tinha que conseguir uma saída naquilo tudo,o dinheiro que havia trazido estava acabando e suas contas tinham sido congeladas pela polícia,até mesmo a conta laranja que usava para transações,alguém de sua quadrilha tinha traído-o,aquele bando de incompetentes não eram mais confiáveis...tinha que ter outra saída.
Foi olhando o movimento agitado da cidade Coreana que percebeu um carro parado do outro lado da rua...era impressão sua ou ele estava ali desde que tinha chegado no Hotel pela tarde?
“Aquela bicha desgraçada!”
Xingou em pensamento,tinha deixado claro que acabaria com a vida dele e da putinha dele se ele não tirasse esses malditos detetives da sua cola...por um mês não notou nada de estranho, achava que a ameaça tinha dado resultado,tinha coisas mais importantes para se preocupar agora do que aquele maldito casal de gays!
-Vocês pediram,bichinhas!Eu ia deixar vocês para depois,mas já que fazem tanta questão! – falou consigo mesmo,pegando o aparelho telefônico do chão,por sorte ainda funcionava,ia ser ridículo ter que sair agora para comprar outro.Digitou o número conhecido,e não esperou muito para ser atendido – Oi! Tenho um serviço para você...
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