Goal!
7 Treino
Notas iniciais
-Quer que eu te leve em casa? – o moreno perguntou receoso em ver o amigo ainda andando de maneira estranha, caminhando até a porta com as mesmas roupas que usava ontem
-Não precisa, eu pego um táxi! – o mais novo respondeu meio sem graça. Geralmente Yuu sempre ia deixá-lo em casa quando iam juntos para algum lugar, ou quando este ficava muito tempo na casa do amigo, mas... precisa de um tempo sozinho, precisa pensar direito nos últimos acontecimentos.
-Ah! Tudo bem! – o mais velho assentiu meio desgostoso, não era normal Kou rejeitar sua carona, não mesmo, um medo incomum o invadiu – Kou... ainda somos amigos, não somos? – vocalizou-o antes que o atacante pudesse passar pela porta
Koyou parou por um segundo, respirou fundo e se virou para o mais velho
-Nossa amizade é eterna Aoi, não importa o que aconteça, ainda teremos um ao outro! – respondeu com sinceridade e um sorriso tímido – mas eu preciso de um tempo sozinho, tudo bem?
-Entendo! Só não demora, sabe que sou um tiozinho totalmente carente de atenção! – Aoi respondeu com humor, se animando com o sorriso tímido do loiro se tornando mais verdadeiro
-Vou tentar! Vê se não endoida o Akira ou o Hitoru até lá! – rebateu com diversão antes de acenar com a mão e sair definitivamente do apartamento, fechando a porta atrás de si
Dentro do imóvel, Aoi respirou fundo, o sorriso debochado desaparecendo, o peso de sua maturidade caindo em si... não era mais um jovenzinho para ficar se enganando, se tinha feito o que fez com Kouyou alguma coisa dentro de si tinha o amigo mais que como irmão. Nunca pensou que estaria assim por outro homem, mas devia admitir que o garoto o conquistava de várias formas. Não era a esposa gentil e mãe de seus futuros filhos, mas se Kami-sama o botou em seu caminho... com certeza... não era por nada, e se aconteceu o que aconteceu... mesmo que fosse fruto de uma bebedeira... tinha que ter um motivo. Talvez o motivo fosse que... aquilo era bem mais que uma amizade. Só esperava que o outro não se afastasse, não sabia se era ainda capaz de viver sem o amigo... tinha se acostumado com a presença constante dele em sua vida, mesmo que não fizesse mais de 6 meses... pensar em não tê-lo mais ao seu lado... de certo modo... era doloroso.
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- Acabei gastando meu dia todo com você! Se queria ganhar pontos comigo, conseguiu, ninguém me faz ficar sentado em um restaurante mais de 4 horas apenas conversando e bebendo! – Takanori comentou enquanto o lateral dirigia para o endereço que tinha passado á ele.
Foi meio surpreendente descobrir que o mais velho não dirigia, que usava sempre taxis, e que o motivo disso era que o baixinho podia ser um excelente treinador, um excelente fisioterapeuta e um gênio, mas não conseguia tirar um carro de uma garagem sem destruir o primeiro poste que visse.
-Oh! Sério? – Akira exclamou animado – que bom! Agora não corro o risco de você decidir quebrar minha perna em um dos check-ups ou falar que estou ótimo para o treino mesmo se estiver com um osso fora do lugar
-Hum! Você ainda corre o risco, até hoje não esqueço que me chamou de pintor de rodapé, adolescente e criança no primeiro dia que eu cheguei! – o auxiliar rebateu também em tom divertido – mas os outros membros da equipe de treino não me deixariam fazer isso
-É aqui? – o lateral perguntou, parando em frente a um prédio alto e de aparência luxuosa
-É sim! – Takanori respondeu – eu te convidaria para subir, mas eu não transo no primeiro encontro
Akira se engasgou com a própria saliva, tossindo e arrancando sorrisos divertidos do mais velho
-Como? – perguntou depois de conseguir se recompor, ele tinha ouvido aquilo mesmo?
-Mas beijo está permitido! – e antes que Suzuki pudesse perguntar algo novamente, viu o pequeno se inclinar em sua direção, os lábios próximos aos seus, em reflexo fechou os olhos e prendeu a respiração ao sentir a textura da boca macia na sua. Sem conseguir se refrear puxou a nuca do menor para si, aprofundando o beijo, invadindo-o com a língua e sendo correspondido. Então era dessa forma... beijá-lo... era bom! Muito bom! Era ótimo na verdade! Como beijar outro cara podia ser tão lascivamente gostoso e caloroso ao mesmo tempo?
Mais cedo do que o lateral gostaria, seus lábios se separaram, e o pequeno voltou a sua posição no banco do carona
-Achou mesmo que seu papinho de se remediar, e tentar fazer as pazes iria me enganar? Você é péssimo em esconder o que está sentindo e pensando, isso é adorável, mas juro que fiquei surpreso, sempre achei que você fosse hétero como todos do time – o baixinho comentou com um sorriso de lado que beirava a indecência, na opinião de Akira... sinceramente... Takanori o provocava de diversas maneiras
-E eu sou... que dizer, era, ah! Não sei mais, você me deixou confuso! – respondeu meio constrangido, ele tinha mesmo acabado de beijar um cara? Tinha mesmo acabado de beijar Matsumoto Takanori?
Takanori sorriu mais uma vez com o constrangimento do lateral, toda aquela pose de machão e mesmo assim... tão fofo! Não esperava se envolver com alguém do trabalho, muito mais por se tratar de um time de futebol com celebridades vigiadas pela mídia, mas... sentia que o lateral direita de nariz estranho e personalidade engraçada merecia o risco
-Você é bem fofo, sabia? Te vejo amanhã, no treino! – o loirinho menor disse antes de piscar para o mais novo e sair do carro, adentrando a recepção do prédio, sumindo pela porta grande de vidro
Akira ficou por algum tempo dentro do carro, ainda organizando o que acabara de acontecer.
Com uma felicidade anormal se deixou cair no banco do motorista, sorrindo feito um idiota para o teto do carro. Não acreditava, era mesmo um maldito sortudo, que se danasse suas dúvidas e sua heterossexualidade, estava doido pelo baixinho, e se Kami-sama lhe deu a graça de ser correspondido, ele que não iria colocar problemas e barreiras.
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-Está tudo bem com você? – Aoi perguntou em voz baixa, se aproximando do amigo que acabava de colocar seu uniforme.
-Mais ou menos! – Kouyou respondeu também em tom baixo, olhando discretamente para os lados,seus companheiros de time conversavam e se vestiam normalmente.
-Eu posso tentar falar com o técnico! – Aoi ofereceu, preocupado com o outro.
-Não,dá para jogar,eu dou um jeito! – Uruha respondeu meio sem jeito, era constrangedor falar daquilo, mais ainda em ambiente de trabalho, mesmo que ninguém soubesse do que falavam.
-Pelo visto a noite foi boa! Olha esse chupão no pescoço! – Reita comentou gozador para o jovem jogador loiro.
Uruha levou a mão inconscientemente até o pescoço, não acreditava que tinha esquecido uma mancha! Tinha tido todo o cuidado de cobrir todas com maquiagem, até mesmo as de suas coxas e abdômen!
-Ah! É! – respondeu sem graça.
-Tem certeza que foi uma boa sair pra noitada uma noite antes de treino? Sabe que o técnico vai pegar pesado! – o goleiro de tranças perguntou, se aproximando do pequeno grupo.
-Bem... – o loiro tentou responder, mas ficou sem saber o que falar. De repente não estava se sentindo bem, sentia um medo descomunal de que descobrissem o que ele e Aoi haviam feito. Para Takashima, a qualquer momento todos poderiam voltar para si e começar a rir, já podia imaginar os comentários maldosos e toda discriminação. “Sabia que era bichinha!” , “ Essa carinha de puta nunca enganou ninguém”, “Foi bom comer o rabo dele Aoi?”, podia ver claramente Hozu e alguns outros jogadores gritando isso com escárnio, sentiu medo, medo que jamais sentira em momento algum de sua vida.
-Eu acabei arrastando o Kou para uma noitada ontem, uma garota me ligou e pediu para arranjar um amigo para a amiga dela pra gente sair! – Aoi interveio humorado como sempre, percebendo o desespero começar a se instaurar no amigo, tentando tirar a atenção da face assustada do mais novo.
-Você... levando o menino para o mau caminho! – Akira provocou sorridente, o lateral estava de ótimo humor hoje, poderia dançar se soubesse como! E tudo por causa de certo “grande” homem.
-Todos no campo! Agora! – a voz do treinador Matsumoto-sama tirou todos das conversas e uma espécie de fila se formou para que pudessem se retirar do vestiário de forma organizada.
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Reita não queria estar tão bobamente olhando para o auxiliar do treinador, mas era impossível não ficar babando com o rosto infantil e sério do menor. Como ele podia ficar tão lindo quando estava trabalhando? “Adoraria agarrá-lo!”
-Bom dia senhores! Como sabem, hoje o treino será puxado e integral, devido ao nosso empate... tenho certeza de que será melhor treinarmos mais! – o técnico iniciou, na frente da fileira de jogadores, tendo um pouco de dificuldade de se expressar bem no idioma que aprendeu há apenas 4 anos, mas que dominava bem apesar do sotaque – espero que tenham sido prudentes e estejam em ótimas condições para as atividades de hoje!
Medeiros não percebeu Uruha engolir seco. O camisa 9 não estava confiante, ainda estava muito dolorido, machucava se movimentar muito, o que ele iria fazer? Quando voltou a si, o auxiliar baixinho já estava começando a falar.
- Bem, para que não haja lesões graves devido ao treino, vamos fazer rodízios de jogadores baseados na idade e condição física de vocês, tive o cuidado em estudar cada um e elaborar uma regra de troca de maneira que quem tem um condicionamento melhor fique mais tempo e quem não possui tanta resistência possa revezar com outros colegas do mesmo tipo sem que ninguém corra o risco de se machucar – Takanori finalizou com um sorriso positivo, Medeiros deixou claro que não pegaria leve com os jogadores hoje, seu trabalho era cuidar para que nenhum se lesionasse e todos estivessem bem, e isso incluía transmitir confiança e auto-estima – muito bem, a pausa para o almoço será de uma hora e meia ao meio dia! – terminou dando um passo para trás, se igualando aos outros da equipe de treino, mas não se segurou em sorrir discretamente para o lateral direita que parecia comê-lo com os olhos.
“Sinceramente, se ele continuar me olhando assim, vai dá muito na cara!” o pequeno pensou consigo,e mesmo assim sorriu,era incrível como Reita era sincero em demonstrar tudo que estava pensando e sentindo através de sua expressão.Takanori sabia que aquele olhar era de “te quero agora baixinho!”, e estava totalmente inclinado a ceder, mas não tão cedo! Não mesmo! Não importava o quanto o outro fosse interessante, não iria passar por cima de suas regras e de seus valores por causa disso.
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-O que esse garoto tem? Está se movendo mais lento que tudo! – o técnico resmungou para o velho treinador.
-Talvez... indisposição? – perguntou analisando o jovem de olhar franzido que parecia fazer um enorme esforço em correr em volta do campo, junto com os outros, e esse era apenas o começo do treino!
-De onde eu venho isso só significa um conjunto de 3 coisas: farra, bebida e garotas, e eu achando que ele era disciplinado! – Medeiros vociferou em voz baixa, se adiantando para frente e apitando. O grupo de jogadores parou a corrida no mesmo instante.
-Kouyou, saía daí! – gritou notavelmente alterado, não acreditava que justo o moleque em que tanto tinha posto sua fé tinha-o decepcionado.
-Mas... – Uruha tentou se defender ao perceber a raiva do técnico.
-Sem mas, moleque, está atrasando o treino, está atrapalhando o time, saia daí agora, depois eu cuido de você! – Medeiros cortou – Matsumoto-san, dá uma olhada no garoto e veja o quanto a irresponsabilidade dele vai custar.
-Sim senhor! – o pequeno respondeu, se aproximando do jovem alto e o conduzindo silenciosamente para fora do campo, em direção às instalações internas do estádio de treino.
Aoi pensou em segui-los, mas seria estranho se ele abandonasse o treino dessa forma, queria muito que Kouyou não estivesse passando por isso. Logo o garoto que sempre foi tão responsável e profissional com o time! Não conseguia parar de se sentir culpado.
Akira apenas observou seu pequeno guiar o mais novo. Naquele momento aceitaria até levar bronca do técnico e receber punição se isso dissesse que o fisioterapeuta o levaria praquela sala vazia! Como queria estar no lugar do Uruha agora!
-Muito bem, o que está sentindo? É ressaca, ou tem alguma dor muscular? – Takanori perguntou assim que observou o jovem sentar cuidadosamente na maca de consulta, estranho o cuidado do rapaz em fazer aquilo, seria possível que...
-Eu não bebi noite passada, apenas na retrasada, passei o dia todo ontem em meu apartamento sem nenhuma gota de álcool! – respondeu abatido demais para pensar no que estava dizendo. Nunca havia sido chamado atenção daquela forma!
-Sabe que o técnico ficou furioso ao ver sua condição, não sabe? Ele realmente tem muita fé em você, mais até do que tem nos dois brasileiros que jogam no time, por isso não esperava que você fosse o único a ser irresponsável e chegar nesse estado em um treino! Está se sentindo mal? Acha que pode ser alguma doença? – perguntou se aproximando do loiro... realmente, ficava muito alto para si – pode se deitar, por favor? Vamos fazer alguns movimentos nas suas pernas para ver se tem alguma lesão ou distensão muscular – o fisioterapeuta torcia para não ser algo grave, se o garoto ficasse doente o Kashima iria sofrer uma perda e tanta!
-Bem... posso! – o loiro respondeu receoso, não que estivesse tão dolorido assim, mas deitar com as costas em algum lugar era quase tão ruim quanto sentar... isso não podia ser verdade! Como foi deixar isso acontecer?
Tomou cuidado em obedecer ao outro, bem lentamente, não queria resmungar de dor logo ali.
Takanori mais uma vez estranhou a lentidão do mais novo, e observou bem uma marca roxa no pescoço deste, quase atrás da orelha... é, não tinha engano! Esse time! Estava surpreendendo-o cada vez mais.
-Por acaso fez sexo anteontem? Quando saiu para beber? – perguntou objetivo.
Uruha se sobressaltou, por que aquele tipo de pergunta?
-Por quê? Teria algum problema? – retornou a pergunta de forma um pouco grosseira, tentando mostrar que não gostava da intromissão do baixinho em sua vida particular.
-Teria, se você tiver transado com um homem e tiver sido o passivo, teria mais problema ainda se fosse sua primeira vez fazendo algo do tipo! – o baixinho respondeu com um sorriso de lado, a resposta/pergunta ofensiva do outro era uma total comprovação do que desconfiava.
Kouyou se espantou com as palavras do auxiliar, se sentando bruscamente, no sobressalto, não evitando reclamar de dor. Merda! Como foi ser tão desligado?
-Neh! Takashima! Sua imagem deixa margem para isso, mas sempre sai nas revistas que você é hétero, e principalmente bem mulherengo... mudou de opinião? – Takanori perguntou, uma sobrancelha arqueada e o sorriso mostravam a curiosidade e a certeza da afirmação.
-Como assim? – o loiro tentou se fazer de desentendido.
-Garoto, olha bem para minha cara, eu não sou bobo, sou mais experiente nisso do que você acha, sei muito bem como é uma dor no traseiro assim, e reconheço um recém-desvirginado na porta de trás, a não ser que você só tenha jogado SM na noite retrasada, porque dá o mesmo efeito da primeira vez, dói que nem o cão e fica dolorido por uns três dias! – o pequeno respondeu com uma expressão séria, se afastando e cruzando os braços – mas logo você? Tão novo e tão sério! Jogando essas coisas? Neh! “Foi a seco?”
-Hã? SM? Seco? Não, não mesmo! Do que você está falando? – começou afobado, o que faria agora? Sairia correndo? E se o auxiliar contasse para alguém? – se está falando essas coisas estranhas é por que conhece não? – tentou rebater.
-Ah! Conheço sim, tenho quase 10 anos a mais que você, é claro que já vivi bem mais coisas! – o baixinho sorriu de lado – não precisa ficar tão nervoso, eu não vou contar para ninguém, eu também sou gay garoto, pode relaxar! – finalizou andando até um armário onde parecia ter alguns medicamentos.
-Hã? Eu não sou gay! – respondeu por impulso, achando-se ofendido.
-Ah! Sim, e vai me dizer que essa moleza toda não é porque deu o traseiro para um cara? Por favor, não precisa mentir para mim, eu vou até te ajudar! – rebateu ainda sorridente, estendendo um comprimido e um copo d’água para o atacante.
-O que é isso? – perguntou, fitando a pílula nos dedos do menor.
-Vai melhorar! Eu não sou formado em medicina, mas pode ter certeza quando se tem um carimbo de “passivo” praticamente estampado na sua testa, fica-se gênio em sumir com dores! – respondeu amigavelmente.
Kouyou respirou fundo, não sabia o que fazer com tanta informação, e nem queria mais ficar discutindo com outro, então apenas pegou o comprimido e engoliu com água, ao menos o menor disse que suas dores sumiriam. Torcia que seus problemas também.
-Obrigado! – agradeceu em voz baixa.
-Por nada! Mas vai ter que pensar numa história boa para contar ao Medeiros, imagino que não queira dizer que está mal por que estava transando com outro cara! – afirmou, arqueando uma sobrancelha.
-Não,não mesmo... por favor, poderia... manter segredo? – pediu de forma constrangida, não imaginou que alguém descobriria aquilo, muito menos que iria reagir daquela forma.
-Eu já disse que sim, não se preocupe, só tenha cuidado, tente não fazer isso em dia anterior a treinos. Com o tempo, dois dias antes não será problema, mas até você se acostumar com isso tente deixar três dias livres para recuperação, ok? – indagou gentilmente e se encaminhou para a saída da sala – descanse um pouco, pense na história que vai contar, eu aviso que você está bem e que não vamos precisar dos médicos.
O menor saiu apressado, não queria perder o treino, tinha que observar bem se alguém não se machucaria, e principalmente, queria ver mais de certo lateral direita que lhe fazia querer transar só com o olhar!
Kouyou se deitou de lado, encolhendo-se para caber direito na maca, porque isso estava acontecendo consigo? Que história contaria para o técnico? O que faria? De repente não se sentia tão esperto e confiante quanto sempre se sentiu!
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-Não esperava isso de você garoto! E eu te elogiando tanto por ser tão novo e tão disciplinado! Até os que sempre me deram trabalho chegaram em perfeitas condições hoje, e logo você me vem com essa ressaca e mal conseguindo correr! – Medeiros começou seu discurso em tom de bronca, a voz alta e séria mostravam sua decepção e impaciência com o atacante.
-Me des... – Uruha tentou começar, a cabeça baixa em sinal de arrependimento. Ele não estava de ressaca, não tinha bebido, não tinha saído para festa no dia anterior. Só estava com uma maldita dor no traseiro, ainda não curada, fruto do maior erro da sua vida.
-Sem desculpas, isso não adianta agora! Você perdeu o dia inteiro de treino intensivo, traiu a confiança de seu time, a minha confiança, descumpriu com o seu dever de jogador... penso sinceramente em te suspender do próximo jogo – terminou apoiando os cotovelos na mesa, o queixo sobre as mãos dobradas. Não via outra forma, rebeldias precisavam ser punidas.
Uruha ergueu a cabeça em reflexo às palavras do técnico. Os olhos marejaram, jamais tinha recebido punições assim desde que começou no futebol. Na verdade nem sequer reclamações de comportamento havia recebido até aquele dia. Sempre se esforçava ao máximo, colocava o trabalho em primeiro lugar e era bastante responsável com seu profissionalismo, sempre se orgulhou disso. Futebol era a sua vida! Por que as coisas estavam parecendo piorar tanto? Em tão pouco tempo?
-Senhor... por favor... – o loiro começou, se batendo mentalmente por aquilo ter saído tão choroso daquela forma... Não podia ficar fora do próximo jogo, se perdessem estariam mais distante do título... não podia ficar de fora de um jogo por um motivo assim!
-A culpa foi minha Medeiros-san – a voz conhecida fez Kouyou congelar por um momento. Olhou discretamente para trás, viu Aoi parado em frente à porta aberta da sala do técnico. Sentiu o sangue se tornar difícil de circular, com certeza sua pressão estava baixa e ele suava frio. O que o moreno queria ali? E dizendo aquilo? O que aquele idiota pretendia?
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