Go Reita Go!
1 unico ~
~Go Reita go!~
“Hm... hoje eu e Reita estamos fazendo 1 ano de namoro. Mas até agora ele nem tocou no assunto,estamos quase na hora do almoço e simplesmente nada. Será que... ele estará preparando alguma surpresa? É bem possível. Melhor fingir que não sei de nada e esperar para ver o que meu Rei-chan vai aprontar.”
Ri depois de meus pensamentos, eu o amava tanto e sabia que meu sentimento era recíproco. Completar um ano de namoro não era besteira, não é? E há dias que eu já sabia o que daria p/ ele e esperava que o agradasse. Encontrava-me ansioso, para saber o que o meu baixista... tinha planejado. Mas esta falta de demonstração realmente estava me matando. Ou ele tinha algo bem planejado (como fingir que esqueceu nosso aniversário de namoro) ou realmente tinha esquecido. Não queria acreditar na segunda hipótese, de forma alguma, afinal que tipo de pessoa poderia esquecer uma data tão importante assim?
Enfim... o dia foi passando e ele continuava agindo como se hoje fosse um dia normal. E aquilo já estava me deixando nos nervos, até que o ensaio acabou e ele veio se despedir de mim. Foi comigo até o estacionamento e enquanto descíamos as escadas me enchi de esperanças, achando que finalmente eu teria a minha tão esperada surpresa. Errei. Chegamos lá e ele simplesmente me levou até o carro, me deu um beijo e foi-se. Fiquei frustrado. Acho que ele percebeu depois que nossos lábios se separaram. Olhou-me com uma “pequena” cara de interrogação, mas nem teve o trabalho de perguntar, apenas virou as costas e saiu.
Tentei levar aquilo na esportiva, mas logo que entrei dentro do carro bati no volante com uma raiva que eu não imaginava existir. Aquilo já estava me irritando ao extremo. Fui para casa, era a única coisa que podia fazer, afinal o meu loiro tinha ido fazer sabe-se lá o quê...
Entrei em casa e fui direto para a secretária eletrônica, precisava verificar se havia algo, né? Quem sabe... a nossa noite não começaria com um simples recado, do tipo: “ Estarei passando na sua casa em tal hora para que nós possamos curtir,te amo”. E adivinhem? NADA, não tinha um mísero recado naquela porcaria. Agora eu estava realmente desconfiado de que o Akira tinha se esquecido. Era inadmissível uma coisa desse tipo (já mencionei a minha raiva?) resolvi então entrar para o banho, por dois motivos: Me acalmar e manter algum resquício de esperança de que ele ainda iria aparecer em meu apartamento ou me ligar.
Saí do banho, troquei de roupa e fui para o sofá –que ficava perto do telefone. Comecei a assistir televisão, mas nada prendia a minha atenção, aliás, o telefone sim -mesmo não tocando. Até que deu onze horas da noite e o maldito não tinha dado sinal algum e eu ainda ali do lado daquele aparelho ansioso a ponto de dizer: “ Vamos reita vamos, liga pra mim.”. Até que, obviamente desisti de esperar por ele e resolvi ligar. Humf... pra quê? Não foi ele quem atendeu... —
- Alô? Rei-chan?
- Han... não é o Reita que está falando Ruki... é o Aoi.
- AOI? Mas... o que você está fazendo com o telefone do meu namorado? — Para aqueles que não sabem o guitarrista moreno é ex do meu atual. Que coisa, não? E o que diabos ele estava fazendo com o telefone do Reita?
- Bom... eer... han... nós dois saímos para beber logo após os ensaios e podemos dizer que.. ele exagerou um pouco na bebida, sabe? E não está em condições nem de atender ao telefone. Mas não se preocupe já vou levá-lo para casa, ok?
- Eu não estou acreditando no que estou ouvindo, falei furioso, leve-o para casa. – E desliguei o telefone na cara do moreno.
Era só essa que me faltava agora, meu namorado sair para beber com o ex no dia do nosso aniversário de um ano, que maldita falta de consideração e amor essa. Fiquei tão transtornado que nos minutos seguintes só pude pensar no que os dois estavam fazendo e numa possível traição. Não queria aceitar aquilo e logo me pus a pegar a chave do carro e ir até a casa do baixista. O caminho foi mais longo do que de costume, acredito que seja pela minha ansiedade de obter alguma resposta convincente sobre o acontecido.
Pronto. Estou na porta do apartamento do meu koi e ouço vozes vindas lá de dentro. Será que devo entrar? Não, eles estão falando num volume tão alto (isso que dá encher a cara) que posso escutar daqui. Quero ver se estão discutindo a relação deles... mas, que tipo de conversa é essa? Não era para eles estarem discutindo o relacionamento ‘secreto’ deles?
- Aaah Aoi eu bebi muito... minha cabeça está girando..que desgraça...
- Senta no sofá que a tontura irá diminuir. E Rei... enquanto você dormia o Ruki ligou no seu celular e eu atendi. Mas podemos dizer que ele não ficou nada feliz em escutar minha voz, e parecia que...algo realmente tinha acontecido. Houve alguma coisa ruim entre vocês por esses dias?
- Até onde eu saiba...não. Mas espera, tem uma marca nesse calendário. Dia 8 de abril... o que tem nesse dia? Hum... OH INFERNO dia 8 é nosso aniversário de um ano de namoro! Que dia é hoje Aoi?
- Sinto lhe dizer, mas hoje é dia oito de abril.
- CARALHO EU NÃO ACREDITO, fala que ‘ta brincando comigo por favor... hoje é o nosso dia. E eu simplesmente esqueci! Meu pequeno deve ‘ta querendo me matar! E pensando melhor... deve ser por isso que ele andou estranho o dia todo. ‘Tava esperando que eu me lembrasse! Oh Buda, o que, que eu faço agora?
- Não sei Reita, não sei mesmo. Esquecer uma data dessas não é nada bom. Tente ligar para ele e se explicar...
- Explicar o que? Vou ligar e falar: “ Oi meu amor, liguei para dizer que saí com meu amigo para beber, enchi minha cara, tive que ser carregado até em casa e só quando me sentei no sofá, foi que lembrei que justamente hoje era nosso aniversário de namoro...me perdoa?” Ele vai me matar, além do que ainda morre de ciúmes de você Yuu. Afinal, você é meu ex. Não importa o quanto eu diga que o ame, os ciúmes que ele tem da época que estávamos juntos... chega a ser um absurdo.
- Eu não posso fazer...
E foi nessa hora que girei a chave na porta e entrei em seu apartamento. Fazendo com que Aoi se calasse e Reita me olhasse totalmente perplexo e perdido. O ambiente se encontrava tenso, até que dei um simples “oi” para o moreno e olhei de lado para meu provável ex-namorado.
Deixei as chaves na mesa da sala, e logo que o guitarrista percebeu o que viria a seguir resolveu pegar suas coisas e ir embora, dizendo apenas: “Me desculpe por... qualquer coisa.” Como se ele achasse que eu responderia àquele pedido, e afinal...quem realmente tinha que me pedir desculpas não era ele e sim a pessoa bêbada que estava sentada logo a minha frente e que por um acaso “mágico” da vida era o baixista da minha banda e meu [ex?] namorado.
Logo que Aoi saiu comecei a pensar no que viria a seguir. Reita estava bêbado e eu estava furioso, uma combinação não muito boa. Aquilo poderia gerar uma briga sem causa nem fundamento e, por mais que eu quisesse arrancar a carne dele... ele ainda tinha o direito de se defender. De repente, meus pensamentos foram interrompidos.
- Ruki eu...
- É melhor você não falar nada agora. Vá pro banho, tome uma ducha fria, uma xícara de café e depois nós conversamos.
- Mas..
- Mas nada. Você não está em condições de discutir comigo Akira. Apenas acate.
Ele saiu furioso em direção ao seu quarto e obviamente entrou para o banho. Enquanto isso, eu simplesmente não sabia o que fazer. Estava totalmente decepcionado com tudo aquilo mas ao mesmo tempo...sentia um pouco de dó dele pois, pela conversa que ouvi, ele realmente tinha se chateado com seu esquecimento. E além do mais, eu não entendia por que ele preferiu sair com o Aoi para beber do que comigo. Tudo bem que sempre que fazíamos isso acabávamos transando mas hoje era uma data especial e que de certa forma pedia por ‘isso’.
E no meio dessa confusão mental me veio uma idéia para uma música.Resolvi ir até o quarto dele para pegar papel e caneta. Acabei sentando na cama e escrevendo ali mesmo. A letra não estava saindo algo muito feliz mas refletia exatamente o que se passava em meu interior (coração? Sei lá...).
Acabei me distraindo com todas aquelas palavras e frases e nem percebi a hora que o loiro saiu do banheiro, veio em minha direção e sentou-se do meu lado. Só o notei quando tentou encostar em mim mas, o repeli automaticamente dizendo: “Agora o café”. Foi engraçada a expressão de descontentamento que ele fez, mas também sabia que se me desobedecesse o ‘bicho ia pegar’.
Então, o idiota loiro, saiu de seu próprio quarto enquanto eu guardava aquele pedaço de papel e lavava meu rosto (ah... esqueci de mencionar que eu estava chorando, mas graças ao ângulo em que minha cabeça se encontrava e o fato de não tê-la levantado momento algum, fez com que este não percebesse nada).
“Hum... ok. Rosto fresco, pensamentos nublados e uma noite que será muito longa. Era tudo o que eu mais desejava para o meu 1º aniversário de namoro.” Pensei desgostoso. Mas tomei coragem e fui na direção da cozinha, encontrando lá um Reita cabisbaixo e provavelmente arrependido. Quando percebeu que eu estava ali tentou concertar a postura, mas interrompi sua ação começando a falar...
- Não precisa se endireitar. Isso não mudará os fatos — falei seco
- Ah... eu... me desculpe. O tom de sua voz e a maneira como falou chegou até a doer em mim
- Te desculpar pelo que? Aliás, por qual parte? A que você esqueceu nosso aniversário, que saiu para beber com o Aoi, que ficou bêbado ou simplesmente por não saber onde começar?
- Por tudo. Por ter esquecido, por ter saído com ele, por ficar bêbado e por nem saber onde começar a me explicar.
- Não te desculpo. Estou extremamente magoado e decepcionado com você. Além da minha fúria descomunal.
- Ruki por favor.... – e ele insistia em tentar falar algo mesmo quase desmaiando na mesa da cozinha de tanto sono.
- Como eu ainda tenho muita consideração por você Reita, não discutirei isso agora. Vá até seu quarto pegue um travesseiro e um lençol e vá dormir na sala.
- Mas essa é a minha casa...
- Eu que não vou dormir na mesma cama que você depois dos últimos acontecimentos. Da mesma forma que eu sou uma visita em sua casa. Logo, tenho direito a dormir no lugar mais confortável e que no caso do seu apartamento é o seu quarto.
Acho que ele finalmente percebeu que não poderia discutir comigo e acabou aceitando aquelas condições ‘meio’ absurdas. Ele foi dormir na sala e eu em seu quarto.
Na manhã seguinte levantei sem vontade alguma de conversar e por isso decidi que sairia sorrateiramente, se ele quisesse que fosse atrás de mim ou talvez preferisse ir atrás do moreno, não é? Afinal ele era muito mais do que eu... mais alto, mais bonito, mais brincalhão e ainda tinha aquele maldito piercing que deixava aquela boca mega sexy. Decisão tomada agora era só colocar em prática.
Abri a porta do quarto com cuidado para que não fizesse barulho, fui andando pé antipé até chegar à sala onde logo avistei minhas chaves e as peguei indo em direção a porta. Coloquei a mão na maçaneta e a chave na fechadura e enquanto a girava o ser deitado no sofá acordou... droga.
- Ruki? Onde você está indo?- Falou sonolento
- Onde que eu poderia estar indo? Para minha casa. Estou indo embora.
- EMBORA?!
- Sim...embora. Algum problema?
- Todos possíveis. Você não vai sair daqui enquanto não conversarmos, enquanto você não me escutar, enquanto não me perdoar
- Eu não te perdôo Suzuki Akira. E não quero mais falar sobre.
- Mas...você está sendo injusto!Me escute, por favor.
- Já disse que não. E...injustiça foi o que você fez comigo. Acreditei piamente em nosso amor e, na primeira oportunidade que teve de fazer algo além para provar o que sentia por mim...simplesmente não o fez. E pior saiu com seu ex-namorado, aliás... duvido que nos anos que ficaram juntos você esqueceu essa data.
Ele ficou mudo e abaixou a cabeça. Uma vontade súbita de chorar me invadiu e decidi que sair dali seria a melhor opção. Mas antes... ainda disse algumas poucas palavras.
- Eu amo você Reita. Amo mais do que tudo, mais que a mim mesmo mas não posso estar ao lado de uma pessoa que não consegue valorizar o que tem. Nós terminamos aqui.
E fechei a porta do apartamento escutando apenas um grito vindo de lá de dentro. Foi assim que meu maior amor foi para longe de mim. Ou eu que fui para longe dele?
E...o que mais me chateia é saber que ele me deixou passar por aquela porta...
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